Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

No País das Oportunidades ... Perdidas !

Vivemos numa época em que se exige uma transformação das mentalidades a cada segundo... Mas nem tudo tem que mudar à velocidade da luz...


No País das Maravilhas, havia também uma menina que navegava pelos sonhos, que vivia na fronteira entre o sonho e a realidade... Alice é apenas uma menina, inocente... ingénua... que sonha ... sonha... e acorda de vez em quando...

Em Portugal, há uma classe política que governa como se de um Sonho de Alice se tratasse... E, entretanto, o país transforma-se num barco que “navega à bolina”, isto é, “Sem Rumo nem Norte”... Por isso, dá mesmo para pensar se não andaremos todos à deriva... E... até quando?

Existem, de facto, áreas em que Portugal poderia inscrever mais uma das suas maiores epopeias. Mas, infelizmente, vivemos num “País das Oportunidades Perdidas”...

Os políticos que nos governam não demonstram capacidade para nos levar para fora das águas turvas em que navegamos... E crise económica, em que nos encontramos mergulhados, agudiza-se de dia para dia...

Em vez de empreenderem soluções autêntica e genuinamente portuguesas, à semelhança dos heróis dos descobrimentos, viajam pelo mundo à procura da oportunidade... Depois, quando crêem ter "descoberto a pólvora" (solução mágica para a crise que eles mesmos criaram) pretendem conseguir empreender em apenas alguns anos, o que outros povos progamaram e edificaram longo de muitos anos... Por isso, limitam-se a copiar e impor dentro das nossas fronteiras modelos de outras sociedades europeias, descontextualizados das competências e das mentalidades da população que os suportam... Não estranhamos, pois, que tenham prazer em nos mostrar as diferenças dos resultados de produtividade e de crescimento económicos obtidos por outros países (ultimamente, os países nórdicos parecem ser os modelos!). Mas, e sobretudo aos resultados educativos não se coíbem de comparar os resultados mas, esquece-se propositadamente de apresentar a diferença dos recursos colocados à disposição das escolas nesses países. Quem não viu as salas de aula da Noruega ou Finlândia em que os alunos tinham, cada um o seu computador portátil? Já viram qualquer coisa parecida neste Portugal? Só se foi num sistema de ensino privado...

Ora, retirar os exemplos dos seus contextos reais, só pode ser uma estratégia bem concertada para queimar a imagem dos professores na opinião pública, legitimando o que estão a fazer à carreira docente, e, por consequência à educação dos futuros jovens. Com uma carreira "tão aliciante" (leia-se tão desprestigiante!) seguramente que veremos, de dia para dia, cada vez mais professores a optarem pela carreira de polícia. E, com os professores tão desmotivados, não vai o governo melhorar o Sucesso Educativo. Poderá melhorar os resultados numéricos pois dependem da forma como os quiser apresentar…
O governo pode não apostar no aumento da natalidade e fechar todas as maternidades que os filhos dos portugueses continuarão, certamente, a nascer (se lhes cortam as condições para nascerem em Portugal, irão, certamente, nascer a Espanha.

Pode também não apostar na educação dos filhos dos portugueses e fechar a maioria das escolas do país que as crianças continuarão a ir à escola… Com uma diferença: afastados do seu meio, isolados das suas famílias, lançados como cordeiros no meio de lobos, as crianças dificilmente terão capacidade para acompanhar as aprendizagens, tal é o cansaço provocado pelas saídas muito cedo de casa, ainda de madrugada ou antes do nascer da aurora, e chegadas a casa muito tarde, com Sol-posto, ou mesmo pela noite dentro… Pode fechar tudo que as famílias encontrarão solução para os seus problemas. Mas uma coisa o Governo não vai, seguramente, poder fazer: fechar nenhuma prisão. Pelo contrário. Alguém dizia: cada vez que se fecha uma escola, tem que se abrir uma prisão!” Para lá caminhamos.
Ainda há bem pouco, interrogado por uma jornalista, um membro do governo, a propósito do valor por que fora vendido um edifício prisional no centro da cidade de Lisboa dizia, vangloriando-se do negócio, que foi vendida por um valor muito bom pois “o dinheiro da venda do estabelecimento prisional iria permitir construir dois, com maior capacidade cada um do que o que acabava de ser vendido”. Compreende-se a filosofia. Reduzir o Investimento na Educação e aumentar na Repressão.

Não admira que mitos jovens colegas estejam a candidatar-se à polícia. Só à minha conta conheço dois… E quantos não se preparam para o fazer…? É uma resposta perfeitamente compreensível de quem assiste à destruição de um Estatuto que dignificava a função docente e à criação de um novo que se limita a denegrir a imagem dos professores como uma espécie de indivíduos, mais ou menos preguiçosos e incompetentes que precisam de ser avaliados constantemente porque são incapazes de desempenhar as suas funções devidamente e com qualidade, apesar de terem sido avaliados por mais de 20 ou 30 professores catedráticos, numa Universidade onde se supõe estejam pessoas capazes, com a mais elevada competência científica e pedagógica. Pois bem. Parece que o descrédito não atingiu a honra e dignidade destes tantos senhores que deveriam insurgir-se ao verificarem que os seus alunos, por eles verdadeira e devidamente avaliados nas mais diversas vertentes, incluindo no estágio pedagógico, vão submeter-se agora, e de novo, a serem avaliados como se tivessem sido aprovados por influência da “cunha”.

Existe de facto, uma corrente de políticos, que sofrem de uma enorme obsessão: avaliar tudo e todos mas que são incapazes de se autoavaliarem para, de uma vez por todas, deixarem o ensino com quem é profissional em cada um dos níveis e não nas mãos de engenheiros que, considerando-se “experts” em todas as áreas, nem são capazes de se aperceberem de que, de educação não perceberem mesmo nada.

O Governo apresenta-se como sendo de Grande coragem mas não tem coragem de divulgar quantas mordomias não têm os políticos portugueses a mais que os políticos dos mesmos países e, depois, comparar as performances dos dois governos, isto os resultados obtidos pelas políticas educativas dos governos...
Muito menos se atrevem a mostrar nos meios de comunicação social — como o fizeram em França — a diferença entre o que auferem os detentores de cargos políticos em Portugal e nesses países que passam a vida a apontar como exemplo paradigmático de uma sociedade moderna e avançada.

Cremos, seguramente, que se queremos resolver os problemas de Portugal , agora que escasseia o peixe-rei, chegou a altura em que os portugueses deveriam deixar de procurar bacalhau nos mares do Norte para passarem a importar políticos dos países do mar do Norte ... Políticos daqueles que ao contrário dos nossos se interessam verdadeiramente pela melhoria da condição de vida das populações que governam e, por consequência e só em consequência, pela melhoria da sua própria condição de vida.

Que bom seria se os governantes — que tanto falam na produtividade dos outros sectores e no vencimento em função do mérito de cada profissional, que tanto apelam à necessidade da avaliação do desempenho dos outros profissionais (sobretudo da educação, que não dependem apenas das suas performances mas, e sobretudo, das capacidades dos outros...), tivessem a coragem de indexar os salários a um número de vezes o valor do salário mínimo nacional ou a uma percentagem do PIB...! Aí, sim. Teríamos a certeza de que todos os políticos se preocupariam em melhorar a condições de vida dos portugueses: tanto maior fosse o salário mínimo, maior seria o salário dos políticos.

Em Portugal, temos uma classe política que, apesar dos problemas financeiros que o país atravessa, não foi capaz de se auto-impor uma contenção nas despesas que exigiu aos restantes cidadãos.
Enfim... A moralidade parece não ser, realmente, apanágio dos políticos...
Como é possível que todos os dias circulem pela internet (único meio de comunicação impossível de ser conduzido, controlado ou censurado pelos governantes) casos de escândalos autênticos de tachos e mais tachos, subvenções e mais subvenções atribuídas a uns quantos que estão no poder ou que por lá passaram, como se o país pudesse nadar em luxos...
Como é possível, em anos de crise, terem exigido sacrifícios imediatos à população e terem mandado para as calendas gregas (2013, com dois mandatos pelo meio e possibilidade de revogação da lei...) a aplicação dos cortes nas mordomias que constituem as subvenções vitalícias a que têm direito os políticos e titulares de cargos públicos (quantas vezes de nomeação... política.)?

Incrível... Darem-se ao luxo de receberem uma subvenção vitalícia a partir dos 35 anos de idade — (recebem-na durante mais de 50 anos (!!!) enquanto qualquer outro cidadão, ainda que possa ter a mesma esperança média de vida, apenas tem direito a receber a sua pensão, dez ou mais vezes inferior, se tiver descontado até aos 65 anos (!!!). Com uma enorme diferença adicional: os políticos apenas descontam durante cerca de mais de meia dúzia de anos (que passará a uma dúzia a partir de 2013) e recebem-na durante mais de 50 anos... Os trabalhadores descontam mais de 40 anos e recebem-na durante pouco mais de 15 ou 20 anos...!
Por isso iremos à falência.... Sem dúvida. Então não é verdade que o sistema de pensões está à beira da falência? Será verdade ou apenas está à beira da falência porque se quer continuar a alimentar pessoas mais iguais que as outras, garantindo-lhes pensões acumuladas enquanto continuam a auferir rendimentos porque de facto, são tão jovens e foi tão desgastante ser político que continuam no activo...
Não temos dúvida de que, a Segurança Social irá continuar a caminhar para a falência enquanto se continuar a pagar chorudas reformas (ou subvenções, “chamem-lhes o que quiserem!”, lá dizia o Zé-Povinho!) a jovens saídos da política que continuam na vida activa, mesmo que se paguem reformas de miséria a quem trabalhou (e descontou...!) durante mais de 40 anos e está já em idade de descansar, e por tal, mais perto de atingir o máximo da esperança média de vida... Na verdade, os cidadãos reformados que recebem pouco da Segurança Social, recebem-no durante poucos anos... No entanto, e por oposição, os políticos e titulares de cargos públicos (que recebem muito porque e ainda por cima partem muito jovens da política), vão ter direito a uma reforma extremamente elevada e desproporcional aos anos de desconto efectuados, terão direito a receber esses avultados valores durante muitos e muitos anos... Isto porque têm direito a recebê-la, não a partir da idade em que os restantes têm direito, isto é, aos 65 anos (o que seria inteiramente legítimo!) mas logo que deixam o cargo político que exerceram, ainda que continuem a exercer cumulativamente outras funções em empresas públicas (veja-se só... reformados do Estado a exercer funções para o Estado !...) ou privadas.
Havia que mudar a regra de cálculo e atribuição das subvenções aos titulares de cargos políticos.
Aliás, concorreram e cada vez mais querem para lá concorrer... E não é por serem mais competentes que lá chegam, mas porque fazem parte das listas dos partidos mais votados em cada processo eleitoral.

Se não têm coragem para mudar o valor das Reformas dos Políticos, um governo sério que se diz democrático deveria, pelo menos alterar a data a partir da qual teriam direito a receber o valor pelos serviços prestados à nação...

Se qualquer dos países nórdicos estivesse em crise como Portugal, e tivesse que pedir sacrifícios aos cidadãos para sanear a Segurança Social, por certo teria a coragem de alterar também a regras de cálculo dos salários dos políticos
Assim, por que não decretam que tenham apenas Direito à Reforma (ainda que no valor equivalente ao que está estipulado na lei portuguesa) quando cheguem aos 65 anos como os demais...!

Mais, por qualquer magia, para uns o tempo de serviço conta, no máximo, um ano por cada ano efectivo (veja-se o congelamento da carreira dos professores...) e para outros, através de um golpe de magia de uma qualquer norma legal, a duplicar ou a triplicar...

Os governantes deveriam ter vergonha de apenas tomarem medidas que visam a melhoria do seu nível de vida , através da criação de "subvenções vitalícias" (por eles criadas e para eles mesmo votadas!) que, ainda por cima, podem ser acumuladas umas com outras e com salários de exercício de outras actividades altamente remuneradas. Imagine-se só... Ser Político - Uma Profissão de Desgaste Rápido !... Sim... Pois... Sim... Claro!... É caso para dizer "Só se for porque , com os valores que de facto auferem "Desgastam Rapidamente as Finanças Públicas..
Isto é uma vergonha porque, nunca será crime uma vez que, tratando-se de uma norma legal (feita por eles e para eles!) não se trata de um "roubo"...

De facto... cada vez mais portugueses se convencem de que ... Portugal não tem governantes capazes de desempenhar a função de timoneiros como o Infante D. Henrique.

Não é apenas a Segurança Social que está doente. É algo de mais grave... É a democracia que começa a ficar com cancro... É urgente fazer algo para a melhorar...

Novas Políticas... Precisam-se !...
É Urgente Descobrir Novos Rumos...! Descobrir Novos Políticos e Novas Políticas. Ou nos comportamos como legítimos Herdeiros de um Povo que teve Coragem de Dar Novos Mundos ao Mundo e somos Capazes de Encontramos Novos Caminhos ou então, estaremos condenados a contentar-nos a viver como a Alice. Com uma pequena diferença: Alice vivia “No País das Maravilhas” enquanto nós viveremos "No País das Oportunidades Perdidas!

Joaquim Ferreira

 

 

publicado por J.Ferreira às 22:10

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