Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Exigência na Escola Vs Facilitismo nos Exames?

A busca incessante deste governo por apresentar resultados estatísticos que lhe permitam vangloriar-se está a transformar-se num facilitismo assustador.

Pergunta-se: com que objectivo? Simplesmente para que se possa vangloriar de que a Educação está, agora, no bom caminho quando, na verdade, se caminha a passos largos para o descalabro total, para a criação de uma massa de "analfabetos funcionais" ou de diplomados que não passam de "doutores em iliteracia", tem os seus custos.
E, de repente, de comentários dos alunos dizendo que os exames foram difíceis, passamos a ouvir sistematicamente, os alunos (de todos os níveis de ensino em que o governo mantém a exigência de exames nacionais) a exclamar que os exames foram fáceis.

Aqui está a solução para o insucesso. Será que o facto de o Governo ter "dado uma carga de porrada" nos professores, de lhes ter cortado nos salários os tornou melhores profissionais? Ou será que os alunos estudam agora mais porque os professores não tem mais o prestigio social que outrora detinham?
A nós, parece-nos que esta á a estratégia governamental (diga-se, de raposa...) para demonstrar que a política educativa do governo vai "de vento em popa!)
Um governo que só pensa em excelência, que não fala senão de estratégias para atingir "as mais altas performances", naturalmente que encontrou a melhor das soluções: simplificam-se os exames... e todos os alunos ainda que obtenham nota de "medíocre" facilmente podem alcançar "Satisfaz"; os alnos ditos "medianos" passam facilmente a "Bom", estes ascendem a "Muito Bom" cabendo aos últimos conquistar o topo: "Excelente"... Poucos ou muitos, quiça mesmo, a mioria... É que segundo a avaliação dos professores proposta e aprovada por este Governo, só uma reduzida minoria de professores pode ter, em cada escola, a classificação correspondente a "Muito Bom"... Mas para os alunos, não existe qualquer quota. Pelo que, mesmo da sala de professores com avaliação de "Regular" podem sair 100% de alunos com Excelente... isto é uma maravilha... Assim podewrá pagar uma ridicularia a quem produz e assim a educação vai "de vento em popa"...
A julgar pelos comentários dos aluno, esperam-se muito bons resultados dos alunos que fizeram as provas de Português... tal poderá servir, ainda que provisoriamente, como uma forma de fazer campanha a favor deste Governo... Mas o pior será quando chegar a hora de concorrer à Universidade... Sempre haverá quem fique de fora: os que tiverem as notras mais baixas. E de insucesso com 8 valores passaremos ater alunos com Sucesso aparente, isto é, com 14 ou 15 valores a ficarem de fora da Universidade... É que haverá sempre um aluno que ficará com a nota mais baixa: seja ela 8 ou 14 valores... E disto Sócrates nunca conseguirá escapar nem enganar os alunos que ficarem de fora, ainda que tente aplicar a engenharia política aos números ...

Mais... Este sistema enferma de uma grave contradição identificada também por quem sofreu na pele e o expressa noutro blog quando refere ter repudiado este "sistema de avaliação em que um exame nacional tem um peso brutal na nota final, por considerar que um mau desempenho naquelas duas horas poderia prejudicar seriamente o meu bom desempenho ao longo de três anos; hoje, com o facilitismo na avaliação dos alunos que, paulatinamente, o governo socialista vai introduzindo, o sistema ameaça contaminar as notas finais na ordem inversa, ou seja, os exames nacionais poderão começar a representar a salvação de um percurso secundário medíocre."

Este facilitismo (que acaba por ser deunciado pelos alunos que efectuaram a prova de Matemática) visa simplesmente obter melhores resultados para a estatística. Assim, claro, de forma oportunista, correlaciona-se indevidamente os altos resultados obtidos nos exames com a eficácia da política do Governo aparecendo comentários nas notícias a referir que "o governo está de parabéns por ter tido a coragem de enfrentar" a "tão polemica avaliação dos professores" como se esta realidade tivesse sido o resultado da avaliação dos professores que ainda nem entrou em vigor... Ao que nós chegamos. mas há mais nesta blogosfera livre que a que todos podem aceder, sem qualquer certificação... Assim, aparecem alguns destes cidadãos que, sem quaisquer escrúpulos nem pudor, se consideram com legitimidade para pôr em causa a profissionalidade (e até a dignidade) de Professores Doutores que nas Universidades portuguesas (como se de um bando de corruptos se tratasse) credenciam como professores pessoas incompetentes para a função, acrescentando, às notícias dos jornais, comentários do tipo: "É emergente avaliar se todos os docentes (apesar das suas habilitações) estão a cumprir de forma eficaz a sua função. "  

 

É triste constar que o governo conseguiu fazer com que, no lugar de parceiros na educação dos filhos, os professores se confrontem hoje tivessem hoje com pais que mais não fazem do que servir de polícias, adversários ou até mesmo inimigos dos professores. Se esse era o objectivo do governo: Parabéns! Conseguiu! Hoje as escolas vêm regressar cidadãos que, tendo sido reprovados outrora no seu percurso escolar, ou abandonado pelo caminho a escola por incapacidade de aprender o suficiente para seguirem em frente, são constituídos como intervenientes na avaliação dos professores de seus filhos (advogados em causa própria...!), aproveitando assim para se "vingarem" dos seus antigos professores. A culpa não será, seguramente deles mas de um governo que, incapaz de criar medidas conducentes a resolver os problemas das famílias e do país (entrando cada vez mais nas suas carteiras com impostos e taxas) oferece aos cidadãos um saco de boxe virtual (a avaliação dos professores) para descarregarem as tensões e frustrações acumuladas em resultado do descalabro financeiro para que a economia do país caminha. Este é o governo que reconhece, por decreto, a todos os pais sem excepção (pedófilos, inclusivé!) e sem qualquer formação para tal uma competência que os professores tiveram de adquirir com muito esforço estudando longos anos (como José Sócrates...) em universidades: a de avaliar. Pois bem. A estes que têm formação adequada, foi-lhes reduzida por decreto esta competência, quando  não mesmo simplesmente retirada. Veja-se que os alunos no 1.º ano de escolaridade não podem reprovar, nem que não reconheçam uma única letra do alfabeto! 

Enfim... Pelo menos os pais levantam o seu ego... talvez assim deixem de ver o jogo de futebol e apareçam na escola para "votar" a nota do professor do filho... Espectacular... Este é o Governo que reconhece competência aos incompetentes e retira a competência aos competentes. Para avaliar alunos os professores tiveram que freqeuntar as universidades... Mas, segundo este governo, qualquer um cidadão português está apto para ser avaliador de professores... imagine-se, não é de alunos! É avaliador de professores. uma fantochada. Será que algum quererá fazer a figura de palhaço ou de marioneta? Como pode ser que, para ser avaliador de professores se tenha apenas de ter reproduzido, biologica ou artificialmente? Este é o caminho das Novas Oportunidades de joseé Sócrates. Só falta pagar agora o salário aos pais avaliadores!... Que se organizem e comecem a reivindicar também salário por esse trabalho que, diga-se, deve ser árduo e exigir queimar muitos neurónios... Que maravilha. A continuar assim, ao final de 4 anos de avaliação de professores somos tentados a crer que o governo lhes vai reconhecer a licenciatura... São as novas oportunidades, não é verdade?

É que infelizmente, neste país de tanto analfabetismo, para a maioria dos cidadãos que, como pais desinteressados, engoliram o discurso do Ministro.

Assim, podem deixar de investir na educação dos filhos (comprar apenas playstations e jogos de vídeo, deixando os filhos jogar até às 4:00 da manhã ou ver a televisão que lhe colocaram no quarto para que não o aborreça quando quer ver o jogo de futebol...!) pois o bode expiatório para o insucesso já está identificado na lei: o professor...). Isto porque muitos dos "paizinhos" dos nossos alunos deveriam primeiro aprender a educar os seus filhos. Deveriam aprender que respeitar a diferença (face aos restantes filhos ou aos seus colegas) é ter em consideração a individualidade de cada um pelo que se torna necessário assumir de uma vez por todas que os alunos não são tijolos... Assim sendo, como se pode considerar que é possível avaliar os professores pelos resultados dos alunos... Enfim... Enfim!

 É caso para dizer que muito mal vai este país... Este Governo desacredita quem deveria ser reconhecido no seu saber. Impede os professores de avaliar convenientemente os seus alunos... Duvida-se da sua competência pedagógica... Mas, dá-se poder a todos os cidadãos (sejam cultos ou labregos...) avaliar a actividade e por em causa o profissionalismo dos professores, como fazem no futebol aqueles a que comummentge se apelida de "treinadores de bancada"!... É caso para dizer:

 

"Há algo que vai mal na República de Sua Excelência o Senhor Presidente"

 

 

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publicado por J.Ferreira às 16:56

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