Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Deixem-nos Trabalhar!

Deixem-nos em Paz... "Deixem-nos Trabalhar"!

Se foi a professora Maria de Lurdes Rodrigues (Ministra da Educação em Portugal, imagine-se) e a sua equipa ministerial que concebeu o Concurso para Professor Titular e que definiu os critérios para determinar quem eram os professores que a ele acediam (os melhores e com maior experiência!), como podemos exigir a esta Senhora que tenha competência para saber que é incompetente para o cargo?

Creio que temos de continuar a exigir do Poder Político que assuma as suas responsabilidades e deixe de endossar aos professores (que sempre tiveram uma atitude responsável perante os interesses nacionais colocando-se ao serviço de todos quantos obtiveram em eleições a legitimidade democrática para gerir os destinos do país.

Os professores serviram os ideais educativos de governos dos mais diversos partidos (PS, PSD ou PSD-CDS/PP) com uma dedicação extrema que sempre os caracterizou (e por vezes até altruísta, em nome da construção de um futuro melhor para as crianças e jovens que são a sua única razão de existir profissionalmente!). Nós, os professores, temos direito a sermos respeitados com a dignidade com que respeitamos os demais.

Estamos fartos de ser enxovalhados por políticos e alguns jornalistas (tipo Miguel de Sousa Tavares que escondendo a sua mediocridade, incompetência, ignorância (ou o que quer de mais "soft" lhe queiram chamar, porque eu aprendi com o meu avô a "chamar os bois pelos nomes!")  por detrás de umas "toardas" que mandam enquanto comentadores de televisão em horário nobre sem que os visados (ou até mesmo ofendidos!) estejam presentes... E estou precisamente a recordar-me do tema das "férias dos professores" que foi motivo de chacota e escárnio por parte desse senhor em Horário Nobre de um canal de televisão que não me recordo se era de serviço público (pago também por nós, professores) ou de serviço tendencioso ou parcial...

Enfim... Passado que foi o tempo em que o K.O. do governo lançou por terra as capacidades reactivas dos professores, passado o tempo em que a anestesia deixa de fazer efeito, chegou a hora da Luta... Sem Tréguas... Por isso, temos que estar preparados para uma longa luta. Porém, se outros o conseguem, nós também havemos de recuperar o nosso prestígio, a nossa dignidade, não perdida porque não fizemos nada para isso, mas “roubada” porque fomos vítimas de um assalto inesperado, daqueles assaltos pelos quais jamais algum cidadão se sentará no banco dos réus... É que são feitos por decreto, por lei, ou despacho e, como tal, apenas têm penalização política, o que é, diga-se, muito pouco pois, basta-lhes um, dois ou três anos na oposição para verem expurgados os seus pecados (leia-se, incompetências) que já podem voltar ao poder e fazer o mesmo (ou ainda pior...)! Dúvidas? Afinal, que foi que aconteceu com José Sócrates em 2002 e em 2005? Abandonou o País quando Guterres saiu, não se apresentou ao eleitorado para seguir os seus ideais para o país... OS socialistas perderam mas voltaram ao poder 3 anos depois... os mesmos (ou outros iguais, talvez com uma cosmética diferente para poderem enganar o povo com promessas de baixa de impostos, melhor saúde, melhor educação, melhor justiça... TUDO PROMESSAS para não serem cumpridas... Ou será que todos os portugueses são cegos e eles são os únicos que têm razão?

Pois bem... temos de acreditar nas possibilidades que nós professores temos se estivermos unidos nesta luta... Nós recusamo-nos a avaliar os nossos pares sem que nos seja dada a possibilidade de, de facto, podermos demonstrar que somos melhores que eles, que esses pares não têm realmente competência para o exercício das suas funções. E não nos venham com tretas de analisar a programação, os relatórios, os resultados dos alunos, a sua relação com os pais e a comunidade... Ser professor não tem que ser “ser diplomata”, fazer tudo para agradar aos pais e aos políticos da comunidade! Ser professor é zelar pela aprendizagem dos seus alunos colocando as suas capacidades ao serviço da sua aprendizagem, utilizando os recursos que lhe são disponibilizados pelo Ministério... Não tenho mais que continuar a pagar o giz que utilizo na escola, o papel higiénico que uso ou usam os meus alunos... Deixemo-nos de tretas, senhores políticos. Dêem a todas as crianças as condições que colocaram à mercê dos alunos na escola situada na zona da Parque-Expo! Mostrem-na a todos os portugueses para que vejam como e onde é aplicado o dinheiro dos seus impostos...

Os jornalistas que façam uma séria cobertura dos equipamentos que as escolas têm, desde a última do Ranking até à primeira! E que a população portuguesa ajuíze se é justo avaliar os professores pelos resultados... Todos compreendem e reconhecem que um clube de 3.ª Divisão não pode aspirar a vencer a “Taça de Portugal”... Claro, todos sabem muito bem como é diferente ter um “Centro de Estágio” como tem o Sporting, o Porto ou o Benfica, ou ter um “lamaçal” (como muitos clubes da regional!) para se preparar para a disputa dos jogos... Será que alguma vez o presidente ou os sócios de um clube da 1ª Divisão Regional ou da 3ª Divisão Nacional (ou lá como se chama, pois no que respeita a futebol temos que reconhecer a nossa ignorância...) seria capaz de exigir ao treinador da sua equipa que ganhasse a Taça de Portugal? Não... estou certo que dirão! Ou, em termos de brincadeira ou de motivação, “Sim”... Claro, pedir não custa nada...!

Pois, aos portugueses, e sobretudo aos pais pedimos: "Sejam razoáveis"... e em tudo e com todos! Também para com os professores! São seres humanos com as mesmas limitações de todos os profissionais... Sem carros de alta cilindrada, os polícias vêm fugir os assaltantes que se ficarão a rir... Sem armas adequadas os militares vêm a sua função esvaziar-se de sentido... Sem quartos ou camas livres nos hospitais, sem salas e equipamentos de cirurgia adequadas, os médicos sentem-se impotentes para dar resposta às necessidades dos seus doentes... Por favor... Culpemos quem tem responsabilidade pelo “status quo” da Educação... da Saúde, da Justiça, da Segurança, etc.. etc... Não culpem quem dá o melhor de si, sabe Deus em que condições e com que recursos...

Parafraseando o nosso actual Presidente da República, Cavaco Silva, quando era governante, diríamos:

“Deixem-nos em Paz... Deixem-nos Trabalhar!”

Os professores são profissionais credenciados e avaliados por imensos professores doutorados pelas universidades... Aprovaram nas disciplinas que as Universidades lhes exigiram para terem a competência de ensinar... Não passem a vida a querer pôr em causa esses mesmos professores doutores... Se há currupção nas universidades (e sabemos o quanto foi posto em causa o diploma do primeiro-ministro José Sócrates...) persigam-se os curruptos e metam-se nos eixos!... Mas deixem os professores dedicarem-se ao mais nobre do que têm que fazer (e não é, certamente, avaliar os seus pares pois isso em nada melhora os resultados dos alunos!)

Aos políticos apenas pedimos:

Sejam razoáveis! Sejam responsáveis! Não peçam aos professores que façam o impossível... Muito menos os julguem pela culpa que não têm, nem quanto ao tipo de jogadores que fazem parte do seu plantel (alunos da turma) nem quanto aos recursos que a Direcção do seu clube (Ministério da Educação e Autarquias) colocam à sua disposição para chegarem ao mais desejado prémio da competição: o primeiro lugar no campeonato (ranking de escolas) ou o melhor marcador ou jogador (aluno, professor) do ano.

Aos professores lembramos: Em  França, os intermitentes do espectáculo conseguiram o que queriam ... Na América, os guionistas estiveram em luta longas semanas.... o país pode pagar bem caro o que está a fazer aos professores. A onda da indignação está em Marcha... E pode tornar-se num Tsunami se todos tivermos consciência da importância da acção de cada um de nós enquanto professores.

Chegou a Hora de dizer "ALTO e BOM SOM": "Deixem essa obsessão pela Avaliação". É essa obsessão que está a criar um clima intolerável para uma relação pedagógica que se pretende e deseja saudável na escola... Um clima de guerra latente entre professores e professores titulares, entre pais e professores e, num futuro mais ou menos próximo, entre professores e alunos... Esta nova categoria (incrível: que falta de categoria teve esta ministra para querer criar uma nova categoria de professores...! E que falta de imaginação até mesmo para o nome que atribuiu ao "alto cargo" pois titulares eram já no primeiro ciclo (antigo ensino primário) todos os professores que tinham a seu cargo uma turma, isto é, eram os titulares de turma. Agora seremos os Professores Titulares Titulares de Turma! Que chique!... Vejam só que criatividade, a da Ministra! Somos duplamente Titulares... Que bonito e pomposo! Ou até... ridículo. Um estrangeiro que nos ouça a dizer a designação do nosso novo estatuto de Professores Titulares vai julgar que uma boa parte dos melhores professores portugueses são gagos...

Para mais, esta ideia considerada seguramente pela Ministra como candidata e merecedora do prémio da "Melhor Ideia do Ano" é uma ideia genial... Com efeito, ela por si só, está a tornar impossível a cooperação dos professores que colocou numa corrida em busca de alcançar o título de "o melhor professor do ano" (e muitos já escondem e guardam só para si e seus alunos, alguns "medicamentos" e "receitas", por vezes milagrosas para o sucesso dos alunos, que poderiam e estavam acostumados a partilhar... Só assim terão a garantia da inovação face aos seus companheiros e aspirar a integrarem os tais 5% dos candidatos melhores a progredir na carreira e/ou a melhor professor do ano... Sendo egoístas, guardando as receitas e os remédios milagrosos para si, poderão aspirar a que os seus alunos se situem acima da média da escola ou agrupamento a que pertencem... Só assim poderão ser reconhecidos como INOVADORES, ÚNICOS, os MELHORES do ANO...

De facto, esta ministra tentou impor um sistema contando com professores-heróis prontos a dar a vida (sofrer, passar fome, viver angústias, medos, horrores e terrores...) em nome da missão. Mas os professores não são missionários... Nem heróis.. O Sistema Educativo que esta Ministra pretende implementar é um sistema tipo "Missão Impossível": traz dentro de si mesmo o gérmen da auto-destruição. O tempo o dirá...

Há mil e um motivos e factos demonstram que este sistema de avaliação é descabido e absurdo em termos educativos. Os professores que são profissionais que, como os médicos, os advogados, os jornalistas, os médicos, etc, etc, e outros, se submeteram a avaliação de professores universitários. Alguém imaginou pedir a um engenheiro, a um médico, a um advogado etc... que deixou de exercer a sua função durante 20 anos (por exemplo, para ser Presidente de Câmara, Director de uma empresa...) que volte a ser avaliado por professores, por pares, ou por quem quer que seja?

Enfim... A necessidade de avaliação dos profissionais de educação é uma perseguição clara a uma classe profissional que se dedica a avaliar. Exacerbar esta necessidade de avaliação dos professores apenas pode radicar numa quase obsessão de uns tantos senhores, com origem em uma qualquer frustração ou recalcamento inexplicável (ou explicável à luz de uma qualquer “sede de vingança” face aos resultados atribuídos pelos seus antigos professores).

Os professores são profissionais que sempre buscaram o aperfeiçoamento da sua formação, a melhoria das suas competências: uns, voluntariamente, a pagarem cursos e/ou altas propinas nas universidades; outros, forçadamente e contrariados pela lei, como requisito para poderem progredir na carreira (em todas as profissões os há!) de acordo com aquilo que os mesmos políticos que hoje governam o país consideraram ser o "Excelente Sistema de Avaliação dos professores" que garantia as melhores performances educativas... Ou pelo menos, "venderam" politicamente esta ideia desde 1990 até 2005! E vêm agora criticar os professores que sempre foram avaliados pelas regras que esses mesmos políticos definiram na lei!

Hoje, são esses políticos descarados vêm dizer-nos que andamos sempre mal, que progredíamos automaticamente, sem nada fazer quando sabem muito bem que isto, mais que uma INVERDADE (termos politicamente correcto) é UMA ENORME MENTIRA (com todas as letras, como dizia o meu avô)... Não somos como Rui Veloso refere, e negamo-nos a usar eufemismos para com gente com este tipo de postura...!

Claro, estavam, à espera que um professor deixasse de ser competente da noite para o dia, depois de ter sido avaliado como "competente" ao longo de toda a sua carreira universitária e que lhe permitiu alcançar legitimamente o seu diploma... Incrível... Será que alguém imagina os jogadores da primeira divisão a reprovarem na disciplina de futebol? Alguém imagina Bill Gates a reprovar em Informática? Como querem que um profissional de ensino reprove naquilo em que é formado muito mais que aqueles que são indicados pelos políticos para o avaliarem!

Ou já nos esquecemos que, demagogicamente, esta Ministra determinou que, para qualquer português adquirir o direito (e a competência... claro!) para avaliar os professores... basta-lhe fazer um filho! Já agora, e parafraseando o texto da canção "A desfolhada - quem faz um filho, fá-lo por gosto" pelo menos isso! Agora premiar com direito a opinião pedagógica e de avaliação depois de já terem tido esse gosto... cremos ser demasiado!

Que os políticos (e jornalistas) se deixem de lérias... trabalhem para melhorar o resultado do PIB... para diminuir o desemprego e deixem os professores em PAZ... Eles avaliam os alunos e sabem também fazer a sua autoavaliação. Obriguem-nos a fazer formação para se actualizarem, mas não digam a um jogador (que chegou à primeira divisão e é campeão nacional) que não sabe jogar futebol!... E muito menos que, se não é chamado à selecção é porque não é um dos melhores... A verdade é que poderia ser, certamente, se estivesse a jogar num dos “grandes” (“clube rico” vs “escola rica”) ou se o treinador da selecção fosse outro... Enfim. Percebem-nos, não?

Por isso, a obsessão pela avaliação é uma enorme estupidez. E foi inventada por senhores que nunca são (verdadeiramente) avaliados. E quando o são, raramente têm uma verdadeira penalização pois até agradecem serem demitidos, dadas as chorudas benesses que acabam por receber (mesmo que sejam eles a pedir a demissão!!)...

Os professores têm em si o gérmen do aperfeiçoamento... Sabem que trabalham com massas que são distintas de escola para escola, e com recursos que dependem do poder político, seja nacional, seja autárquico...

Nunca, enquanto professor titular, poderíamos criticar um colega por não obter resultados melhores se nós, colocados em seu lugar, não fôssemos capazes de demonstrar que, com as mesmas condições (alunos e recursos), seríamos efectivamente, capazes de obter melhores resultados.

Na verdade, tal como outro texto temos publicado “Os alunos não são tijolos” tal como "os doentes não são tijolos"...

Alguém pensaria avaliar um médico pelo seu sucesso ou insucesso no salvamento de vidas? Pois bem... Nenhum dos cirurgiões aceitaria semelhante barbaridade... Os médicos do Hospital de Oncologia estariam condenados a contentar-se com não progredir na carreira, a serem enxovalhados pelos políticos como uns incompetentes, e, obviamente, traumatizados por verem que jamais sairiam do último lugar do Ranking... Alguém tem dúvida?

Afinal, nós, os professores de Portugal, precisamos de saber urgentemente: Que rumo querem que tomemos? Até quando nos vão apontar esse destino como o "objectivo a atingir"... Ou será que continuaremos a, de um momento para o outro, mudar de rumo, ao sabor das decisões destes políticos sem vergonha, que nos mandam navegar para Sul quando o objectivo é chegar à Finlândia!

Os professores devem sentir-se ENJOADOS de ouvir falar da necessidade de serem avaliados.

Esta Ministra deve andar “com a cabeça nas nuvens”... Por um lado despenaliza e desliga as faltas dos alunos do seu rendimento escolar... Podem faltar quando e quantos dias, semanas, ou até meses lhes “der nas ganas” (como dizem os espanhóis) que podem ter os melhores resultados na avaliação dos professores.

Com as suas palavras, a Ministra da Educação diz que com as normas aprovadas pretende-se desligar “a avaliação dos alunos das faltas"... Pois bem. Que rica lição de responsabilidade dá ela aos alunos quando, em simultâneo, os seus professores apenas podem ser excelentes, se não faltarem mais de 5% dos dias para poderem aspirar a serem considerados "bons professores" e, como tal, terem a possibilidade de ascenderem um degrau na sua carreira. Que futuro quer esta senhora? Habitua os alunos ao laxismo e depois crê que, no futuro, hão-de desenvolver hábitos de assiduidade ao trabalho?! Pois “ai de mim!” se faltasse às aulas por motivo que não fosse de "força maior" (doença, avaria ou atraso do transporte público...)!

É caso para perguntar à caríssima Senhora Ministra da Avaliação, pedimos desculpa pelo lapso, Ministra da Educação (pois os professores também têm direito a cometer "gafes" como o Senhor Primeiro-Ministro):

Que atitudes e que valores pretende desenvolver nos jovens?

E, depois, fazer a mesma pergunta aos pais... Se a resposta for diferente (o que não duvidamos!), a Senhora Ministra só tem uma solução: demitir-se e deixar de destruir o Sistema Educativo que tanto custou aos professores a manter vivo, dinâmico e funcional desde o 25 de Abril de 1974.

É chegada a Hora de uma Nova revolução: a Revolução "Docentocrática". Deixem os professores governar... pelo menos as suas escolas... Não ditem regras absurdas que os tornam, ainda em maior número, nos maiores "clientes" de psiquiatria... A não ser que exista algum compromisso ou protocolo oculto com os psiquiatras deste país... O que não cremos, claro! Os psiquiatras são profissionais com dignidade e estamos convictos de que jamais fariam um semelhante acordo com qualquer governo!

Um amigo dizia e com razão: se atendermos ao nível dos professores da nossa escola, esta Ministra seria considerada pelos seus próprios critérios "uma incompetente" e como tal, jamais chegaria ao mais alto cargo de dignificação de um docente, logo jamais seria Professora Titular! Como chegou ela a Ministra? Não por competência, seguramente... Muito menos por provas dadas, pois nunca foi Ministra! Então como foi? Claro, por... eleição ou nomeação! Competência por Nomeação! Que maravilha de Avaliação...

Pois, senhora Ministra... Os professores chegam às suas escolas por competência: logo, se a professora Maria de Lurdes Rodrigues não tem competência para o cargo, por que aceitou ser Ministra da Educação?

Quer a resposta? Volte a ler o primeiro parágrafo!...

O simples apelo ao egoísmo deveria ser suficiente para deixar de vigorar... mas como o objectivo é outro... compreendemos que se impulsione o egoísmo, numa sociedade cada vez mais competitiva... até à destruição dos valores da solidariedade (conquistas de outrora, hoje desprezadas... )

NOs mais diversos ramos da sociedade, todos sabem muito bem como alcançar os objectivos de uma equipa. Que todos sejam felizes naquilo que fazem e vejam reconhecido o mérito da sua quota de participação para o resultado final. Quando a selecção nacional ganha por 4 - 3 a qualquer outra equipa, se o guarda-redes fosse o único da equipa a ser elogiado pelo seu trabalho (invocando-se, por exemplo, que foi ele quem impediu a entrada de golos) ou se o marcador do último golo fosse premiado por ser ele a marcar o golo da vitória, seria normal assistirmos a gestos de descontentamento, de desmotivação ou até a revolta por parte dos restantes jogadores... Uma equipa é um todo. Todos participam. Como podem ser apenas alguns os heróis? Para a próxima – diriam os outros jogadores (defesas, os meio-campistas, etc.) deixamos passar os jogadores e vamos a ver se o guarda-redes é o quem ganha o jogo!...  É que, uma coisa é destacar-se um ou outro jogador; outra, é atribuir-lhe o mérito da vitória plasmado em dinheiro (prémio do melhor professor do ano!).

Confessamos já que de futebol (clubes) pouco entendemos. Mas tal não nos impede de entender muito bem como se desenvolve a dinâmica de grupo, como se constrói e como se destrói. O ponto forte desta ministra não é, certamente, a construção de dinâmicas ganhadoras, vitoriosas e de sucesso. Se o fosse não criava o sistema que implementou: destruidor do dinamismo, da partilha, da cooperação...

Esta Ministra nunca será capaz de entender a forma como trabalham as equipas de ciclismo... Se o é, como penaliza os pares de colegas que beneficiaram não apenas de um grupo de e alunos excelentes como ainda da participação dos outros colegas.

Ninguém tem dúvida de que é muito diferente ser professor de "Filosofia" numa turma onde os alunos são óptimos alunos a "Português" pois entendem mais facilmente  o discurso do professor que aquelas turmas onde os alunos têm um "vocabulário de bairro", nunca lêm um livro e raramente tocam num jornal que não seja de futebol...

Na verdade, esta Ministra apresenta-se para dirigir o Ministério da Educação como se fosse um "General Sem Medo" na luta contra o insucesso escolar. Mas cometeu o maior de todos os erros: elegeu os seus próprios soldados como inimigos.

Generais do exército ou treinadores de futebol sabem muito bem o quanto é importante ter os elementos das suas equipas mobilizados, motivados, com um elevado espírito de sacrifício. Todos os grandes "chefes" conhecem a melhor estratégia para levar ao sucesso da equipa. Como quer ganhar ela a batalha disparando tiros nos próprios soldados, colocando-os todos em guerra uns contra os outros?

publicado por J.Ferreira às 15:40

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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Educação... Para Onde Vais...?

Qualquer que seja a decisão  do Tribunal sobre a providência cautelar, esta Ministra nunca pagará pelo que fez...

Com efeito, temos a certeza de que dificilmente viverá o suficiente para ver o quanto destruiu o Sistema Educativo.

 

Esta Ministra conseguiu em dois anos instalar, nas escolas portuguesas, um clima de medo, uma cultura do terror...  Alegria não se vê na cara de nenhum professor.

Ao início ainda tentou colher apoios entre os pais... mas os resultados da suas políticas paenas serviram para contentar temporariamente alguns pais... Estes deepressa viram que o governo apenas os quer ver caladinhos, sem protestar pela melhoria das condições de sucesso de seus filhos.... E já se deram conta de que o Governo apenas vê os filhos dos portugueses como "sardinhas"... E, longe de ser tratados como as sardinhas que uma varina coloca na canastra durante um tempo máximo para que não se estraguem... Pois, para este governo "uniformista" que trtata o desigual como igual... Não é verdade que nos reformamos todos aos 65 independentemente de tgermos ou não começado a trabalhar aos 18, aos 25 ou aos 30 ou até 40 anos?

Enfim... Lá diria o Zé-povinho: "Socialistas de uma figa" que, em nome da igualdade obrigam os cidadaos mais trabalhadores e empreendedores, aqueles que começaram a trabalhar mais cedo (e que, como tal, descontam para a Segurança Social desde muitos anos, e pagam impostos do seu salário há mais tempo) a reformar-se com a mesma idade... Igualdade? De idade... Imagino que, Sócrates já deve ter contactado com Deus e negociado com ele a igualdade do direito a viver também todos mais 20 ou 25 anos após a reforma... Ou será que somos todos iguais para pagar... mas para receber os descontos feitos, uns que morrem antes nunca recebem nada e outros que pouco tempo descontaram (políticos, claro) acabam por receber imensos anos...?

Será que vai ser também decretada, por José Sócrates, a igualdade (e já a garantia de vida!...) do direito de viver até aos 85 ou 90 ou até 95 anos...? Será?  Ou serám que a igualdade se vai estender ao direito (ou obrigação!) de calçarmos todos  o mesmo número de sapato?

Por este andar, um dia ainda vestiremos todos o mesmo tamanho de sapatos que Sócrates... Já só falta obrigar todos os alunos das escolas a usar bata (como no tempo de Salazar...) com uma diferença... Mas se esse dia chegar, certamente que será, para todos, de cor-de-rosa...

Na realidade, hoje, as crianças já não têm espaço nem tempo para serem crianças... Simplesmente, deixaram de ser crianças!...

Vivem a maior parte do dia encerradas entre quatro paredes... Meus filhos estão fartos... imagino como andarão os dos restantes portugueses... Este governo teve, de facto, o mérito de  conceber a "Escola como depósito de crianças!..."

 

A notícia saíu na quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008 indicando que o Ministério da Educação havia sido alvo de MAIS UMA  "Providência Cautelar"  .

 

 

"O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra mandou notificar, 6.ª feira passada, o Ministério da Educação, na sequência da providência cautelar interposta pelo Sindicato dos Professores da Região Centro/FENPROF na passada semana.

Confirma-se, assim, a suspensão dos despachos ministeriais que impunham novos prazos às escolas, os quais, entretanto, na sequência destas providências, foram já suspensos pelo ME."
"Isto significa que, a partir de agora e até eventual levantamento da suspensão, os conselhos pedagógicos das escolas não deverão aprovar os instrumentos de registo e os indicadores de medida previstos no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, pois esses procedimentos seriam de validade nula. Espera o SPRC/FENPROF que a decisão final seja a suspensão definitiva daqueles despachos até que o Ministério da Educação cumpra as exigências legais que o próprio impôs.

Por fim, recorda-se que esta é a segunda notificação do ME decorrente de providência cautelar interposta pelos Sindicatos, faltando ainda outras três que foram apresentadas por Sindicatos da FENPROF.


Na opinião do SPRC, manda o sentido de responsabilidade que o ME, pretendendo avançar com o seu regime de avaliação, aprove de forma negociada todos os quadros legais em falta, dê condições às escolas para que se organizem e teste as fichas de avaliação que, sem verificação, pretende aplicar, de uma só vez, a 150.000 profissionais. Em suma, que a aplicação destas normas de avaliação que decorrem do ECD não se apliquem este ano lectivo."
 
Esperemos pelo resultado. E que caia o Governo antes de que seja publicado..."

"Nos termos do artigo 128.º do CPTA, fica suspensa a execução de qualquer acto que decorra dos despachos cuja suspensão de eficácia se requereu, sendo que qualquer acto que, eventualmente, venha a ser praticado em execução de qualquer um dos despachos em causa (dois, datados de 24/01/2008, assinados pelo Secretário de Estado Adjunto e da Educação; um do Secretário de Estado da Educação, datado de 25/1/2008) são de execução indevida, logo de validade nula.
 
E perguntamos então? Por que motivo o Ministério continua a fazer ouvidos surdos às reclamações legítimas dos sindicatos, demonstrando estar muito mais interessados nos problemas da Educação que a própria Ministério. A notícia segue explicando:
 
 

Mais Palavras ?   Para Quê? 

publicado por J.Ferreira às 14:28

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Democracia vs Partidocracia em Portugal

"Democracia vs Partidocracia"

"As Vantagens de Haver Divórcio!"

   

A questão essencial da realidade política que se vive em muitas sociedades modernas é a de saber até quando os políticos poderão continuar sem se sentarem no banco dos réus pelos males e promessas não cumpridas.

 

Conhecem algum político que tenha ido preso por "incumprimento das suas obrigações" enquanto governante? Segundo parece, neste como em alguns país do Terceiro Mundo, os políticos não se importam de ver o povo na miséria pois continuam a cobrar vencimentos chorudos...

 

Podem nada cumprir do seu programa eleitoral, o qual tem de ser entendido como um contrato estabelecido entre o povo e esses mesmos candidatos a governantes... Porém, nunca cumprem a maioria do que prometem, chegam mesmo a fazer exactamente o contrário do prometido e o povo não tem forma de denunciar o contrato...

 

Os políticos podem nada cumprir que ficam impunes... O cidadão comum, aquele que mantêm este sistema político... podre, moribundo... acaba por pagar todas as facturas, incluindo a da campanha eleitoral... E ainda por cima "para ser enganado"...

 

"Será que o Governo não tem vergonha na cara?

Com a "desculpa esfarrapada" (assim lhe chamaria o Zé povinho) de minimizar a despesa pública, este Governo, decide fechar escolas, porque não faz sentido mantê-las para meia dúzia de "alunos"... E nem que para isso, os pobres dos catraios passem semanalmente longas horas de transporte... Já não bastava às famílias o tempo que estão fora de casa para ainda terem de ver os filhos chegar a casa depois dos pais regressarem do trabalho!

 

Será uma nova forma de deportar as pessoas, deslocalizar as relações humanas dentro de um mesmo país? O pior, é que os pobres acabam por chegar à escola (quantas vezes com o corpo moído da viagem) cansados de andar para lá e para cá!

 

Resultado? Predisposição para a prender não será seguramente a mesma que teriam caso estivessem a 10 ou 15 minutos da escola... Alguém duvida? Por que motivo muitos dos estudantes universitários, bem maiores que os das escolas primárias, vivem em residências universitárias ou em alojamentos mais perto das universidades ainda que suas casas fiquem, por vezes, a menos de 50 Kms?

 

Porque a deslocação, para além dos cursos, gera cansaço e faz perder tempo (reduzindo drasticamente o tempo disponível e a predisposição para estudar. Alguém duvida disto?

 

Pois a Ministra não deve saber destas coisas... Certamente, nunca deve ter tido de se deslocar Kms e Kms para chegar às escolas que frequentou...

 

por isso, destruiu o que os alunos tinham de bom: a escola mais perto. Uma garantia de melhor sucesso. Isso de ter poucos alunos ser factor de insucesso, é uma Grande Treta! Será necessário apresentar provas desta evidência? Alguém viu um explicador a dar explicações a mais de 6 ou 8 alunos?

 

Pobres dos alunos que têm pais que lhes pagam explicadores... É que estão tão sozinhos nas salas de estudo que... devem ficar todos traumatizados. É que o número de explicandos, é, regra geral, inferior a seis alunos!... E, com tão poucos companheiros, como alcançam as invejáveis notas de 18, 19 e até 20... ? E, como todos sabemos, muitos (incluindo filhos de deputados, de Ministros,...) frequentam as salas de explicações, simplesmente para alcançarem as notas necessárias para poderem entram no curso que desejam a universidades!

 

O insucesso escolar agrava-se, mais despesas para os paizinhos desses garotos, perca de qualidade de vida e, em prol da despesa pública, os pais e os miúdos que paguem a crise!

 

Com a "história" de minimizar despesa pública, há que fechar centros de saúde e hospitais, porque há que centralizar os serviços e fazer uma gestão concertada, de acordo com o "mapa" (não sei se de Portugal, se de Espanha) - Resultado: pior serviço de saúde, utentes sem assistência médica, até porque não tem rendimentos que lhe permitam custear as despesas de deslocação (pense-se nos reformados, que tomara ele dinheiro para o pão), pessoas a falecerem a caminho do Hospital e, bebes a nasceram ao km x da estrada nacional y, na ambulância dos Bombeiros Voluntários da Aleluia (qualquer dia pergunta-se a um individuo: - então pá, de onde é que és natural? responde - do km 27 da EN 115. Que lindo!). - mais uma vez, em prol de minimizar a despesa pública, cada vez se tem menor qualidade de vida! Desgraçado de quem depende dos serviços públicos de saúde!

 

O Senhor Ministro, responsável pela Destruição do Sistema de Saúde em Portugal nunca será chamado a responder em tribunal do povo, nem a sentar-se no banco dos réus pelos "crimes"  (tipo "Homicídio na forma tentada") que possa ter cometido contra a saúde dos cidadãos que o não elegeram...

 

Deixemos de meter a cabeça debaixo da areia como a avestruz ... Queiramos ou não queiramos, "aceitemos ou não aceitemos ",  a realidade é que, neste tipo de Democracia (?!...) a que chamam de representativa, não sufragamos leis nem decretos... nem Ministros...

 

Não vivemos numa Democracia... vivemos numa Partidocracia... Apenas elegemos partidos ou chefes de partidos passando-lhes um cheque em branco para escolherem quem vai destruir um pouco mais do país... E escolhemos sempre pensando em quem vai destruir menos pois já ninguém crê nos políticos... Hoje a maioria já vai cotar "contra os que não querem" e não "pelos que querem" ver a governar o país... Foi o escolhido pelo Primeiro Ministro José Sócrates ... Pois bem...

 

Até quando teremos de aguentar esta Partidocracia Republicana ? …

Será que temops de concluir que esta república deixou de ser "Res Publica" para ser "Res Privata"  ou "Res Partidocratia

 

publicado por J.Ferreira às 12:26

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