Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Tributo a Kássio Vinícius Castro Gomes

Eu acuso !  (J’ACUSE !)

 

Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice..) Émile Zola

 

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes.  

 

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove!" Reprovar só atrapalha!”. "Não dê provas difíceis!" pois devemos respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “uma prova não prova nada”! Deixe o aluno “construir sozinho o seu percurso e o seu conhecimento.” Um aluno é um cliente e não existe para ser avalado. Pensando bem... “É o aluno que deve avaliar o professor!”. Afinal de contas, é ele que paga o nosso salário!...

 

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”... por isso, "temos que mudar tudo isso que está aí’ porque “mais importante que ter conhecimento é ser crítico.”

É claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno–cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, correctamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correcto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranquilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, frequentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito, EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de copiar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos copiarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU ACUSO veementemente os directores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que copiam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os directores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é directamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

 

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto:

“Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema.

Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci.

Portanto, você pode ser o próximo.” Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas.

A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adoptar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

 

Por: Igor Pantuzza Wildmann - Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

 

Nota Final: Texto recebido por email. Sublinhado nosso.

 

publicado por J.Ferreira às 09:42

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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

Salários Chorudos em Tempos de Cólera

Na verdade, por estranho que pareça, em Portugal há quem receba Salários Chorudos em Tempos de Crise.

Estranho é que estes Salários Chorudos não geram a Cólera nos Portugeses. Antes se voltam, fruto do trabalho de vergonhosos "opinion makers" como é o caso do inqualificável como Miguel de Sousa Tavares.

Diz-se por aí e "à boca cheia" nos mais variados media que... “Não há dinheiro! Não há dinheiro!”. Perguntamos: Mas... será que é mesmo verdade...!!?

Diz-se por aí e "à boca cheia" nos mais variados media que... “vivemos acima das nossas possibilidades”.  Perguntamos:  Mas... será que é mesmo verdade...!!?

 

Ora, este parece-nos mais o discurso pré-feito (bem diferente de perfeito) mas que, de facto, é perfeito tendo em conta o objectivo: enganar e subjugar e escravizar o povo, diminuindo-lhes os direitos quando não mesmo, eliminando-os.

A quem se deve esta triste mentira em que vivemos? É claro: a “comentadores profissionais” de meia-tigela, aos “escribas de serviço” (como Miguel de Sousa Tavares) e, sobretudo, ao interesse escondido e disfarçado de tantos e tantos outros que vivem à custa de quem trabalha.

 

Se não veja-se o que surge difundido na rede.
Eis a Folha Salarial da Fundação Cidade de Guimarães que foi, criada para a Capital da Cultura 2012 (da responsabilidade da respectiva Câmara Municipal que é gerida pelo partido Socialista!) relativa aos seus administradores e de outros figurões:

Jorge Sampaio
- Presidente do Conselho de Administração: 14.300 € mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
Carla Morais
- Administradora Executiva: 12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
João B. Serra
- Administrador Executivo: 12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
Manuel Alves Monteiro
- Vogal Executivo: 2.000 € mensais + 300 € por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano
(dinheiro injectado pelo Estado Português) em Salários! Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8.000.000 € (oito milhões de Euros !!!). Reparem bem: qualquer um destes administradoresganha mais do que  o Primeiro-Ministro! E muito mais do que o Presidente da República (cujo salário que tantos criticam mas que se calam perante esta aberração!).
O mais grave é que esta obscenidade acontece numa região extremamente castigada nos últimos anos (o Vale do Ave) onde o desemprego ronda os 15 % !!! Mas, com esta triste e obscena realidade, há ainda alguém que possa acreditar em leis anti-corrupção feita por esta gente?

 

publicado por J.Ferreira às 15:59

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