Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

O Alarmismo Educacional de Justino Cruz

Hoje foi publicada a notícia do trabalho de investigação dirigido pelo ex-ministro Dr. Justino Cruz, actual presidente do CNE. Se o que ali se diz não nos parece assim tão grave (apesar do alarmismo e da linguagem utilizada!) já a forma tendenciosa como se apresentam os resultados da investigação parece-nos alarmista e falaciosa, chegando mesmo o antigo ministro da Educação, David Justino, a classificar o resultado com uma só palavra: “Desastroso”.

 

É pois de admirar tanta preocupação com dados que apontam para um valor inferior a 5% de reprovações por ano.
Sim. Vejam os resultados e façam uma análise séria, ano a trás de ano da escolaridade dos alunos. Por isso, não se compreende que se faça tamanho alarmismo que para nós, resulta da forma como é apresentada a interpretação dos resultados das estatísticas.
Afinal, analisados a fundo os números, se contarmos com apenas 9 anos de escolaridade obrigatória, os 35% que tiveram uma reprovação... correspondem a menos de 4% que reprovaram em cada ano. Só analisando os resultados a fundo (aqui parecem claramente manipulados para justificar mais recortes na educação!) se pode entender do que se está a falar com seriedade. Vejam bem... E os números falam por si! Se apenas esta percentagem "chumba uma vez" ao longo de toda a escolaridade obrigatória, significa que, em cada ano, repetimos, são menos de 4% os que reprovam em cada ano! Ora, se isto não é motivo de regozijo nem de contentamento, pelo menos, não deveria ser, NUNCA motivo de alarme. Enfim. Cada um tem o direito de ver o copo "meio cheio" ou "meio vazio". Neste caso, o copo está quase cheio. Porém, há quem se centre e teime em ver unicamente a parte vazia. Faz-nos lembrar uma amiga que, tendo uma mancha de 3 cm2 na parede, dizia que a parede estava negra. Claro, os restantes 16 m2 de parede limpa, esses, para ela, não contavam. Ora bolas!

 

Segue o conteúdo da notícia:

 

Um em cada três alunos chumbou uma vez na escola

O "Atlas da Educação" faz o retrato dos dados da escolarização, do sucesso e insucesso escolar por cada concelho do país. Ex-ministro da Educação responsável pelo estudo fala em resultado “desastroso”. Pais apontam o dedo a um modelo ultrapassado

 

Mais de um terço dos estudantes portugueses - cerca de 35% - chumbou, pelo menos, uma vez, ou seja, têm, pelo menos, um ano de atraso em relação à idade de referência. A conclusão é do estudo "Atlas da Educação 2013", que retrata os dados da escolarização, do sucesso e insucesso escolar por cada concelho do país. 

O estudo foi coordenado pelo antigo ministro da Educação David Justino, que classifica o resultado com uma só palavra: “Desastroso”. Na sua perspectiva, Portugal não pode manter estas taxas de retenção e de insucesso, até porque sai muito caro ao país. 

O custo médio dos alunos do básico e secundário é de, pelo menos, quatro mil euros ano. David Justino recomenda uma abordagem eficaz, aplicada logo nos primeiros anos de escola.

O "Atlas da Educação" faz uma análise concelho a concelho a partir dos resultados escolares dos 9º e 12º anos, para estimar até que ponto esses resultados podem estar relacionados com o estatuto sócio-económico. E há surpresas. 

“Vamos encontrar no interior do país escolas e concelhos com níveis de sucesso que não seriam expectáveis e vamos encontrar nas zonas urbanas escolas que não atingem os valores estimados”, revela à Renascença o antigo ministro. 

São dados que permitem agora ter um conhecimento sobre os principais indicadores da educação, para poder intervir no sentido de dar a volta ao insucesso e ao abandono escolar. 

“Estamos numa escola do século passado” 
O presidente da Confederação das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, considera um erro insistir num modelo de ensino igual para todos, quando está provado que há capacidades de aprendizagem diferentes. 


“Estamos ainda com uma escola de antes do século passado. Há uma necessidade de rever os recursos que a escola tem, a forma de ensinar, para que se consiga ministrar aquilo que diga alguma coisa aos jovens, de modo a que possam fazer uma aprendizagem produtiva”, defende, em declarações à Renascença

“Se todos estão na escola, é porque todos têm capacidade de aprender. Provavelmente, não têm é todos a mesma capacidade, nem o modelo de ensino serve para todos. É feito para uma mediana e não serve, nem os excelentes nem os que têm uma capacidade de aprendizagem diferente, de um outro tipo de orientação e suporte”, sustenta Jorge Ascensão, para quem não há dúvidas de que insistir neste modelo “tem sido o erro” que nos levou ao actual estado da educação em Portugal. 

“Ou encontramos a resposta que lhes interessa ou vamos continuar a ter esse flagelo de retenção, com custos elevados para todos nós”, avisa. 

O papel da família e do acompanhamento
Segundo o Estudo " Atlas da Educação 2013", realizado pela Universidade Nova de Lisboa, dos 25 municípios que apresentam taxas mais elevadas de abandono escolar Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, encontra-se em quarto lugar. 


A autarquia e o estabelecimento de ensino recusam os dados, alegando que são apenas casos pontuais, mas assumem, por outro lado, o elevado insucesso escolar. 

“O nosso abandono é muito pontual – um caso ou outro de alunos que saíram para o estrangeiro com os pais – mas o insucesso escolar sim, porque a escola não é valorizada pela família”, queixa-se a directora da Escola EB 2,3, Albertina Parra. 

“Já experimentámos todos os horários possíveis, até ao fim-de-semana, mas os pais continuam a não vir à escola e às vezes temos situações em que sentimos que a família desfaz o que o trabalho da escola”, acrescenta. 

Contactados alguns professores, admitem sentir a desmotivação dos alunos e reivindicam uma melhor rede de transportes. Na escola Básica de Freixo existe apenas uma turma de um curso profissional. Entre os alunos as opiniões dividem-se: há quem queira fazer só o 9º ano e começar logo a trabalhar; há quem veja o 12º como meta. 

A Escola EB 2,3 de Freixo de Espada à Cinta tem cerca de 300 alunos e 40 docentes. 

Do outro lado, entre os bons exemplos apontados pelo “Atlas da Educação”, está o concelho de Paços de Ferreira, que regista nos últimos anoas a melhor taxa de combate ao abandono precoce, tendo passado de 7,7% para apenas 12 casos recentes. 

O vereador Paulo Sérgio Barbosa revela que a estratégia seguida começou por perceber porque é que os alunos deixavam a escola. 

“O executivo percebe que há um grande abandono e começa a pedir às escolas para indicarem os alunos que estavam em situação de abandono e começou a fazer um trabalho junto dessas crianças para as trazer de novo à escola. Com a Comissão de Protecção de Menores, continuamos a fazer o acompanhamento destas situações e a evolução é muito positiva”, conclui o autarca. 

O “Atlas da Educação 2013” é apresentado esta tarde.

 

 

publicado por J.Ferreira às 21:44

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