Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Quando o Destino é o Abismo...

A melhor forma de seguir em frente é... dar um passo atrás !

 

Sem dúvida !

 

Se atentarmos no discurso de Obama (ver/ouvir abaixo!) depressa nos damos conta de qual é o pensamento de Barack Obama quanto ao papel a desenvolver por cada interveniente no processo educativo dos jovens americanos.

Assim, em vez de perseguição e (hiper)responsabilização dos professores (sobretudo quanto aos aspectos em que estes pouco ou nada podem fazer, de que são exemplo, o empenho e/ou o abandono escolar!), Obama prefere evidenciar  o quanto é difícil ter sucesso, chamando à atenção para a necessidade de empenho e de esforço de cada um dos jovens americanos. Aprender exige dedicação, empenho e esforço. Só com muito sacrifício os "grandes" chegaram onde chegaram. E foi com muitos fracassos pelo meio. Nada é definitivo. Só se pode melhorar as nossas performances com persistência, ânimo, esforço,  empenho. Facilitismos (à moda das Novas Oportunidades em Portugal) a nada conduzem senão à certificação da ignorância para iludir as estatísticas. Obama avança em Educação dando "um passo atrás". Recontando parte da sua história de vida, de suas experiências e de  outros americanos de sucesso, Obama descobre a forma de comunicar aos jovens estudantes qual a fórmula para o êxito, para o Sucesso: Esforço, empenho, dedicação... É a única forma de seguir em frente.

Atentem, pois, no discurso de responsabilização dos estudantes...

 

Este discurso demonstra bem a diferença de Cultura entre Políticos dos dois lados do Oceano: Portugal  VS América.

 

Contra o Facilitismo Obama apela à Responsabilidade .

  

 

Nota:  Para ouvir imediatamente o Discurso de Obama,

            desloque a barra do vídeo até aos 02:12 .

 

Agora, pensem na forma como se encara a falta de empenho e o fracasso escolar dos estudantes em Portugal. Vejam a diferença do discurso dos responsáveis máximos do Ministério da Educação e da passagem da responsabilidade que toca aos jovens e às famílias para cima dos professores e das escolas. Em Portugal, no lugar de se incentivarem os jovens para que efectuem esforços, que se levantem cedo, que estudem, que investiguem, que busquem a excelência dando contributos para a evolução positiva (como o faz Barack Obama) culpam-se os professores pelos maus resultados escolares dos alunos. Curioso, é que ninguém aparece a galardoar professores quando os alunos chegam a lugares de destaque, a investigadores premiados, etc. Aí, não se lembram do contributo dos professores. Apenas se lembram de massacrar os professores quando alguns dos alunos (os mais baldas ou com menores recursos ou ainda de meios sócio-económicos e culturais mais degradados!) ficam marcados na escola pelo Insucesso. Para que tenham bons resultados é necessário muito esforço, muita dedicação. persistência, etc. (como refere Barack Obama no seu discurso!). Mas, em Portugal desenvolveu-se a óptica de que o professor é que é o responsável pelas desgraças educativas ainda que as mesmas resultem de políticas governativas. Era preciso encontrar um "bode expiatório" para o fracasso dos nossos alunos. Por isso, na ausência de possibilidades de culpar os professores (que trabalham  com recurso escassos e, muitas vezes, inadequados!) procuraram-se motivos absurdos (como as faltas dos alunos, o abandono escolar ou até os resultados dos alunos!) para desenvolver sistemas de penalização (o que é bem diferente de "avaliação"!) para os professores!

Analisando o discurso de Obama e comparando-o com o que foi produzido em Portugal deste que o Partido Socialista chegou ao governo em 2005, depressa se compreenderá qual será o futuro da Educação em Portugal: professores que cada vez mais abandonam o ensino, professores que cada vez mais baixam os braços. Afinal, para quê esforçar-me pelos alunos, para quê continuar a ser um Excelente Professor (como o reconhecem todos os alunos, incluindo os que não conseguem ir mais longe porque atingiram o máximo das suas capacidades!) se as quotas me impedem de ser avaliado como tal?

É isto que se faz por cá... São estes os timoneiros das gentes lusas. Nós que fomos inovadores na aventura das descobertas... para onde vamos? Sabemos que se fez  fumo branco" e que o Ministério  da Educação e os Sindicatos chegaram finalmente a um  acordo...  Sim... Parece que desta vez o Ministério da Educação apresentou-se na negociação com espírito de negociador. Se o mérito deve ser atribuído a todos pela aproximação de posições, não há dúvida de que há alguém que neste processo marcou a diferença. Os responsáveis do ME têm a obrigação de dar o exemplo! Mas a anterior ministra não foi capaz. Nem se entende como poderá algum dia aquela senhor ter uma formação na área da sociologia quando não foi capaz de entender o que estava em jogo no movimento sociológico dos professores jamais visto. Sim, porque foi a primeira que juntou (diferente de "uniu"!) mais de 120.000 professores em Lisboa.

 

Na verdade, agora poderemos afirmar que, finalmente os professores puderam encontrar alguém com uma postura de abertura ao diálogo, alguém para quem um acordo não é a imposição da vontade unilateral de quem tem a possibilidade (de forma ditatorial!) de aprovar e publicar leis (e usa e abusa desse estatuto!). Antes é algo dinâmico, em que as partes que têm perspectivas divergentes encontram pontos de encontro capazes de construir um caminho comum, que sirva a ambos. Pode não ter sido o melhor mas foi o que melhor serviu a Educação, depois do desgaste de 4 anos com uma socióloga que perdeu o seu tempo permitindo aos portugueses achincalhar os professores e as escolas.

 

A experiência dos últimos 4 anos de governação socialistas, deixou expectativas simultaneamente muito ténues e muito fortes. Vingaram as dos mais optimistas. E o acordo chegou. Esperemos que o acordo contribua, de forma eficaz, para devolver a serenidade ao processo educativo. E que, finalmente, as escolas possam ter condições para desenvolver o processo educativo num clima de inter-ajuda, de cooperação e não de individualismo, de atrito permanente.

 

Creio que hoje a vitória não foi nem dos Sindicatos nem do Ministério. Foi uma Vitória da Educação.

Do acordo alcançado, seguramente, não há vencedores nem vencidos. Os professores, se o acordo vai de encontro às suas aspirações, sentirão uma nova energia, uma nova dinâmica para continuar a desenvolver um trabalho em benefício de uma melhor formação das gerações de estudantes que amanhã, serão os governantes deste país. Assim, é o país que fica a ganhar com este acordo. Nenhum cante vitória. Seguramente houve cedências de parte a parte. E isso, sim, contrariamente ao que a notícia de O Público que se questionava se Isabel Alçada teria "falta de experiência negocial", demonstrou-se que a ministra sabia bem o que queria! Sabia que teria de propor um Estatuto ainda mais penalizador para depois recuar num ou noutro aspecto mas levar a água ao seu moinho!  E preparou-se muito bem... Fez o seu teatro, sem perder de mira o seu objectivo: levar a "bom porto" o barco da Educação e evitar o naufrágio a que o condenou a postura ditatorial da ministra anterior: Maria de Lurdes Rodrigues. Só os teimosos donos do Titanic insistiram em não querer ver o perigo em que se metiam e obrigaram o timoneiro (comandante) a aumentar a velocidade. para lá dos limites razoáveis suportados pelo navio.

Contrariamente à falta de experiência negocial (cuja falta O Público questionava!), a Ministra da Educação e deu provas bem evidentes de compreender muito bem o "que é negociar"! É que, quando o destino é o abismo, o melhor forma de seguir em frente é... "dar um passo atrás"!

 

Foi uma longa luta... Finalmente poderemos descansar e dedicar mais do nosso tempo livre a favor da formação das crianças e jovens, futuros governantes deste país. E, que nunca mais nenhum incompetente chegue ao governo...

 

Esperaremos para ver quais são os verdadeiros contornos do acordo. Será que se mantém a avaliação dos professores pelos resultados dos alunos? Será que os alunos serão tratados como se fossem tijolos. Ora, como escrevemos há muitos anos "Os Alunos Não São Tijolos !"

 

Uma certeza existe desde já. Se todos os sindicatos o assinam, só pode ser um acordo que serve a Educação, e, logicamente, que vem trazer um pouco de PAZ às escolas e aos professores. Nós merecíamos! Lutámos muito. Não fomos ouvidos. Mas, tal como diz o título deste Blog, "Não Calarei A Minha Voz... Até Que O Teclado Se Rompa !", cada um de nós desempenhou um papel importante na luta cerrada, sem tréguas, contra todos os que queriam lançar areia para os olhos dos portugueses. Pela primeira vez desde há quase duas décadas, os professores "uniram-se" em torno de uma causa comum: a defesa da Escola Pública que Maria de Lurdes Rodrigues e a sua equipa tentou descaracterizar, desqualificar e destruir!

Maria de Lurdes Rodriguesteve um único mérito: ter conseguido juntar em Lisboa 120.000 professores numa mega-manifestação jamais vista. É o mérito próprio de quem é incompetente para o cargo que conseguiu por nomeação (e não por competência como o lugar de qualquer professor.). E é esse o único mérito que a História irá, mais tarde, atribuir a esta senhora que esteve a dirigir o Ministério durante 4 anos!... E fera essa senhora que falava da necessidade de premiar a excelência! Imagine-se: em menos de 3 meses, Isabel Alçada conseguiu o que a "Milú" e seus correligionários não foram capazes em 4 anos! Razão tinham os professores quando afirmavam: "Está chumbada!".

Quanto a Isabel Alçada ficará para a história pelo mérito que teve em ter levado a Fenprof a assinar, pela primeira vez, um acordo com o Ministério! Parabéns à Ministra por isso. Se não fosse assim, ainda hoje bom para a Escola e para as condições de trabalho, os alunos seriam os primeiros prejudicados. Aliás, de outro modo, a ministra teria, seguramente, a oposição dos sindicatos.

A questão mais pertinente continuará sem resposta: Existirá garantia de que, da aplicação deste acordo, serão eliminadas as injustiças praticadas pela anterior equipa governativa deste Partido Socialista ?

 

Foi uma luta desgastante. Um luta que durou 4 anos e que deixará marcas bem visíveis no rosto e na alma de milhares e milhares de professores e na formação de muitos jovens deste país que, impotentes, assistiram a todo este processo de julgamento sem precedentes (excepto no tempo da Inquisição!) com vista à culpabilização de toda uma classe pelos males de que não era nem nunca foi culpada: o fracasso escolar dos jovens sem recursos, sem ambientes educativos que, além de não serem valorizadores da escola, são desmotivadores e desmobilizadores da aprendizagem.

Com efeito, desde que se iniciou o processo de criação da categoria de Professor-Titularna qual fui promovido (criada pela equipa chefiada por aquela que consideramos ter sido "a pior Ministra" dos tempos de democracia em Portugal.) que denunciei e lutei para acabar com esta (absurda, vergonhosa e fictícia) divisão da Carreira Docente. Sim, para acabar com esta “coisa, que não tem essência, que é totalmente vazia de sentido, e de conteúdo, contra esta "coisa" que não é “coisa nenhuma”. Durante estes anos senti a revolta espelhada na voz, no rosto e na alma… Sentia que era “incompetentemente” Titular. Não porque me considere “incompetente” mas porque sinto que fui nomeado por critérios absurdos, determinados por uma equipa de incompetentes. Sim, absurdos. Os tais critérios que permitiram que professores que tinham muitos mais pontos “absurdos” que eu tivessem ficado de fora só porque tiveram o azar de ainda não terem os ditos 18 anos de serviço ou de, nos seus agrupamentos, haver muitos mais professores com altas qualificações, que sendo dos quadros dessas escolas há mais anos, tiveram a possibilidade de exercer cargos que não voltaram a ficar livres… Ou simplesmente porque, por muito competentes e muitos pontos (absurdos!) que tivessem, faltava-lhes os 18 anos de tempo de serviço… Como se o passar dos anos fosse a única forma (ou desse alguma garantia!) de adquirir competência.

 

Na verdade, não me sinto nem mais nem menos competente que muitos que ficaram de fora. Há dias, semanas, diria, épocas em que me sinto excelente e outras apenas Bom. Tal como os jogadores de futebol, o nosso rendimento depende do rendimento de toda uma equipa. Não há nenhum professor que faça milagres por si só. Os resultados dos alunos dependem da equipa formada pelos professores das escolas, pelos pais e pelas condições  que o Estado proporciona em cada estabelecimento, para que o sucesso possa ser máximo para cada um dos alunos.

E digo para cada um dos alunos porque o sucesso de uns pode ser obter 19 valores e para outros apenas passar de 8 ou 9 para 13 ou 14 valores. Somos todos diferentes. Não é por acaso que, sabendo os pais que quem mais ganha na vida de hoje são os futebolistas e, tendo os filhos dois pés, dois braços e uma cabeça como o Cristiano Ronaldo (para dar um exemplo de máxima excelência no domínio do futebol!) não exigem que os filhos sejam excelentes em jogar futebol. Porquê? Porque todo e qualquer um pode ver que, por exemplo, o meu filho que começou a ler aos 3 anos e meio e que aos 4 anos lia qualquer notícia de jornal com a expressividade de dar inveja a alunos do 4º ano de escolaridade, a jogar futebol é um desastre. Porquê… Simplesmente porque tem direito ao fracasso. Ninguém pode ser bom em tudo. Os professores só são bons a ensinar. Os futebolistas a jogar futebol… As mecânicos a consertar motores (em que os professores são autênticas nódoas, seguramente!), os padeiros a fazer pão, os médicos a curar as maleitas. Não peçam a um médico que seja excelente a jogar futebol. Nem José Mourinho! Sendo um excelente treinador (o curriculum fala por si!) não me parece que tivesse possibilidade de fazer carreira a jogar futebol.

Por tudo o que disse, realço: deixem as crianças desenvolver as suas capacidades com a ajuda dos profissionais de educação.

E, da mesma forma que, se um doente que não toma a receituário prescrito não podem ser imputadas responsabilidades ao seu médico, deixem de imputar as culpas do fracasso escolar aos professores na parte em que não têm culpa. Em 1998, depois de ter sido publicado um dos primeiros “Rankings” com os resultados obtidos pelos alunos das escolas portuguesas, escrevemos um texto que intitulámos: “Ranking de Escolas? Os alunos não são tijolos!”. Da sua leitura se pode concluir o absurdo que foi (e ainda continua!) o ministério ter tentado fazer incidir os resultados obtidos pelos alunos na avaliação a atribuir aos professores.

 

Voltando à questão dos Professores Titulares, creio que na mente do leitor deve ter ficado algo sem resposta: “Se este é contra a divisão da carreira, por que motivo se candidatou?

A resposta é óbvia e simples. Candidatei-me para poder demonstrar o quanto os critérios eram absurdos. Candidatei-me para ficar de fora e poder publicar o meu curriculum (académico e profissional) sob o título: "Com este curriculum, fui considerado um Incompetente!" Sim. Um incompetente e um preguiçoso, como permitem que nos chamem os comentadores em "O Público On-line". Incompetente, sim. E, talvez tenha sido por isso que fui convidado para trabalhar num gabinete de assessoria do Ministério de Educação (sim, porque só lá vão parar os incompetentes!) tendo lá trabalhado no "reinado" de Ministros do PSD e do PS. Desde Manuela Ferreira Leite (no tempo de Aníbal Cavaco Silva) a Eduardo Carrega Marçal Grilo (nos governo de Guterres, em que Sócrates também era membro do governo, lembram-se?). Sim, devo ter sido convidado pela incompetência porque é esse o critério para se chegar lá acima, aos lugares de chefia...

 

Por último, tem-se questionado muito se os “Bons” professores podem ou não chegar ao topo da carreira. Pois bem. O problema é este: como saber se alguém é excelente ou Muito Bom ou se teve (como em muitas outras profissões) uma fase muito boa, excelente ou apenas boa. De facto, dependendo de muitas circunstâncias como o meio em que lecciona, a origem sócio-económia e cultural das famílias dos alunos, qualquer professor pode ter um ano Fraco”, “Razoável ou Satisfatório”, “Bom", “Muito Bom" ou até " Excelente". Confesso que há semanas em que, como profissional, me sinto excepcional; outras em que me sinto mediano; e outras Muito Bom ou at+e Excelente. E os aluno sentem isso. Tal como os jogadores de futebol, os vendedores, os carteiros, etc…

Cremos que o problema é admitir que, nos casos dos professores, se pode falar de “topo”. Queremos aqui questionar os temos de “Topo” e “Base”. A carreira docente não é, para nós, uma carreira vertical, como a militar em que o soldado está na BASE e os Generais estão no TOPO.

Não enganemos as pessoas. Partir de premissas falsas para no final afirmar que os professores querem chegar todos a generais é um silogismo ou uma falácia. Assim, querer comparar a carreira de um professor (que é simplesmente aquele que acompanha os alunos na sua aprendizagem desde o primeiro dia em que começa a leccionar até quês e reforma) com qualquer outro tipo de carreira em que a progressão é de baixo para cima, sendo que existe uma lógica de subalternidade entre as categorias, é usar a mentira não olhando a meios para atingir fins: enganar o povo e obter dele o apoio para espezinhar e desprestigiar os professores.

O professor, ao longo do percurso, pode até exercer outras funções mas voltará à sua sala de aula (nos termos da lei porque não pode estar ad eternum fora da leccionação!). Ora, tal não se passa em nenhuma outra Carreira, seja ela ou não da função pública. Um chefe de serviços jamais voltará à função de porteiro ou secretário!

Nas carreiras baseadas em diferentes categorias (que uma ministra incompetentemente tentou criar!) existem diferentes funções, que a tal ministra não foi capaz de justificar, uma vez que eram funções fictícias que iriam ser ficticiamente exercidas já que ser professor é ser professor. Ponto final.

Numa carreira hierarquizada (como a da administração pública e a militar) existe uma subida de patamar que correspondem funções diferenciadas. Nestas, à medida que se sobe corresponde uma hierarquia de comando Top-Down, ou seja, cada superior tem um conjunto de indivíduos que dele dependem orgânica e funcionalmente.

No caso dos professores, nem os alunos (infelizmente!) dependem dos professores que não lhes podem dar ordens: apenas conselhos e… e… Valha-nos Deus (basta relembrarmos a cena da professora e da aluno com o telemóvel na sala de aula)!

A carreira docente não pressupõe hierarquia definitiva entre os pares: nem uma posição de comando nem de subalternidade. Por muito tempo de serviço e muitos cursos nas universidades que tenha feito, um professor não pode aproximar-se de um outro professor (ainda que contratado ou recém-chegado!) e ordenar-lhe “Vai fazer-me fotocópias desta folha!”

Assim, a carreira docente é uma carreira horizontal em que há o reconhecimento da dedicação e do profissionalismo através da mudança (e não subida!) de escalão. Notamos que a introdução de números ordinais para identificar os escalões em vez das Letras de “A” a “J”, não foi uma associação ingénua por parte dos governantes. Antes, visava isso mesmo: dar a ideia de hierarquia para poder apresentar à opinião pública que os professores queriam chegar todos a generais. Pois bem. Contrariamente à carreira de militar (que vai da patente de Praça a… General) e ignorando, obviamente, o aborto que foi a categoria de Professor Titular, a carreira dos professores vai de Professor a… Professor!

Estruturar os escalões do 1º ao 10º é, por conseguinte, uma estratégia falaciosa que não nos vai demover da luta pela dignidade que merecemos. Nenhum professor com mais tempo de serviço (posicionado num escalão identificado com um ordinal mais elevado!) dá ordens ao professor que se encontra num escalão identificado com um ordinal mais baixo. Logo: não há topo… e ponto final.

 

O que importará é gratificar devidamente quem assume essas funções, como aliás, antes era feito. É que há períodos da vida em que estamos mais livres e sentimos mais energia para assumir ou acumular determinadas responsabilidades e outros em que não. E isso não depende da idade nem do tempo de serviço. Mas, uma coisa é certa: não é só depois dos 18 anos de serviço que se está no auge das suas competências ou possibilidades nem há garantia (como queria a incompetente equipa ministerial anterior!) de que alguém aguente a “pedalada” (perdoem-me o recurso a um termo mais popular!) até aos 65 anos de idade, altura em que muitas vezes os avós já não sentem paciência, nem mesmo para “aturar” um ou dois netinhos que são sangue do seu sangue quanto mais um professor para “ensinar” turmas heterogéneas superiores a 20 alunos!

 

Aliás, como referimos, existem escalões que poderiam ser identificados por letras. Ora, esta situação nunca poderia verificar-se nos militares pois existem categorias e formas de tratamento diferenciadas entre cada uma das categorias e dentro da mesma categoria: Praças, Sargentos, Oficiais e Generais! Aliás, essa mesma diferenciação está patente nos uniformes e no que têm “em cima dos ombros”, como símbolo da responsabilidade que lhes está acometida. No caso dos professores essa diferença não existe. É tão absurdo querer tratar como igual o que é diferente como tratar diferente o que é igual.

Alguns, temporariamente, exercem funções. Mas, para esses, o correcto será distinguir num suplemento remuneratório que é aplicado em variadíssimas situações, quer na função pública quer no privado.

 

Nestes, as funções são claramente diferentes conforme a patente que se detém a cada momento. E o vencimento corresponde ao grau de responsabilidade de cada categoria.

Há também quem questione se os Bons devem ou não chegar ao que chamam “topo” da carreira, mas que nós chamamos o mais alto nível remuneratório. E nós respondemos: Por que não?

O que poderá ser diferenciado é o ritmo a que cada um progride (tal como, em parte, se verifica  em Espanha e antes se verificava em Portugal!).

Na prática, uns chegariam ao vencimento mais elevado mais cedo do que outros em função não de critérios absurdos mas de critérios objectivos que se prendem com a dedicação à sua melhoria profissional (cursos de formação, …), projectos de investigação, etc, que visem a melhoria do processo educativo.

Todos se devem lembrar do que se passou ao longo das maiorias de cavaco Silva e António Guterres, ao longo da década de 90, em que a obtenção de certos graus académicos permitiam progredir mais rapidamente e nunca se criou nenhum celeuma.

Tivemos que esperar a chegada ao Ministério de uma equipa de incompetentes (em Espanha continuam a valorizar a formação dos professores e o envolvimento em projectos relacionados com as práticas nas escolas!) para que tudo isto fosse considerado de menor valor, como que se de uma fraude se tratasse. Por todo o lado se diz que eram progressões automáticas, que os professores não eram avaliados. Ora, se o Ministério fosse sério, divulgaria quantos professores progrediram fora dos prazos normais a que corresponderia o seu tempo de serviço. Um estudo sério iria provar que os professores sempre foram avaliados. Agora, o que não podem esperar é que, aqueles que demonstraram a sua competência perante dezenas de professores (e ao longo de toda uma vida académica!) fossem incapazes de demonstrar que continuam igualmente ou mais competentes.

Seria como pedir a qualquer profissional de futebol (e já não diremos Cristiano Ronaldo!) que reprovasse em Futebol.

Pergunta-se:

Então os restantes profissionais melhoram com a sua prática e os professores são os únicos que pioram, mesmo tendo obtido as suas licenciaturas em ensino numa universidade (ainda que fosse na Independente, pois que se saiba, o diploma de José Sócrates segue valido, ainda que, devido a irregularidades, o mesmo José Sócrates tenha decretado o seu encerramento!)?

É um absurdo! Mas, diga-se com toda a clarividência: convém ao governo e é música para o ouvido de uma grande quantidade de portugueses que (frustrados por não terem tido sucesso académico!) se sentem felizes pelo simples facto de poderem espezinhar os professores na praça pública!

Na verdade, Portugal teve que ver chegar ao Ministério uma equipa de incompetentes (um deles, Valter Lemos, tinha perdido o mandato na Câmara por faltas, imaginem!) para criar atritos com os professores.

A avaliação de um professor não é a constatação da competência de alguém como um estado adquirido, amorfo… Como se alguém que atingisse esse estado já não pudesse progredir. A avaliação é a medida de um ponto de situação face aos conhecimentos ou práticas. Não podemos ignorar nem adulterar a dinâmica da vida profissional, porque, mesmo que não queiram ver nem queiram admitir, a carreira docente é um percurso dinâmico, feito de altos e baixos ao longo de um mesmo dia, ao longo de uma mesma semana, ao longo de um mesmo es ou até de todo um ano escolar...! Ou acham que, mesmo os melhjo0res dos melhores, permanecem excelentes toda a vida. Não se exija, pois, o absurdo aos professore pois esta é uma classe composta por homens e mulheres e, ainda que alguns/algumas consigam chegar a Ministros/Ministras (por nomeação, isso é mais do que evidente!) não são Super-Homens nem Super-Mulheres: são pessoas.

 

publicado por J.Ferreira às 01:39

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1 comentário:
De Teresa a 9 de Janeiro de 2010 às 12:20
Parabéns. Visão muito interessante e com grande lucidez da profissão de professor. Li o extracto no "Público" e fiquei curiosa...por isso descobri este blog. Ainda bem que há pessoas capazes de expor " o que vai na cabeça de tantos professores. Subscrevo "parabéns à Educação e ao ensino"...ficamos todos a ganhar, quando o acordo exige cedências e conquistas de ambas as partes.

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