Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Depois dos Mega-Agrupamentos ...

 

 

 

Se atentarmos no que foi recentemente feito pelo Governo em termos de redefinição da rede escolar, sabendo que até agora cada freguesia tinha a sua escola, não se percebe muito bem por que reagruparam as escolas de quase todo um concelho (Veja-se Terras de Bouro)… Pergunta-se: Para que servem agora as freguesias?

 

Sem dúvida que proliferam muitas freguesias já quase sem eleitores!  Por que continuam? Por cobardia! Porque o governo não tem coragem de mexer nas freguesias.

É que nas freguesias estão instalados os interesses partidários e nenhum partido dos que podem governar tem interesse em acabar com isso. Fala-se e ataca-se o corporativismo (mesmo nos casos em que ele não existe!) mas esquece-se o caciquismo e o corporativismo partidário. Os partidos funcionam e comportam-se como um cartel. Quando o interesse agrada aos dois, que se lixe o Zé-povinho.  Os responsáveis partidários que pensam chegar ao governo sabem muito bem o quanto pode valer o voto de um Presidente da Junta, seja ele  representante de 40 ou de 4.000 eleitores...

Estamos à espera de ver a coragem de Sócrates. Se um Projecto Educativo pode ser de um agrupamento que abrange todo um concelho, não se percebe para que servem os presidentes da junta de freguesia...

Bastaria um único representante de todas as freguesias de um concelho. Aliás, se a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal são quem decide para onde vão as verbas… de que servem tantos presidentes da Junta? Acabemos com esta coisa… Vamos. Coragem. Afinal, destruíram as dinâmicas que se haviam criado nas escolas, por que não destruir também a organização administrativa?

A se fecharam urgências, maternidades, hospitais, escolas, etc. etc. por que não fechar as Juntas de Freguesia, agrupando-as em Mega-Freguesias?

Crie-se o Pelouro das Freguesias com um único vereador para todas as freguesias, e já está...

Este governo fez várias meias-reformas até chegar ao ponto a que se chegou actualmente (tal como já tínhamos previsto em 2003) com a uma reforma sem nexo… É que a reorganização das escolas exige a reorganização e reconstrução de Projectos Educativos.

Se no caso dos agrupamentos de escolas a criação de Mega-Agrupamentos é aberrante porque destrói as dinâmicas de sucesso que foram criadas e cria a desilusão naqueles que tantas horas, dias, semanas, meses da sua vida investiram para que a Escola fosse mais personalizada. Agora, que já tinham feito um longo e árduo percurso, vem de cima a ordem de reagrupar… E as comunidades ficaram com o sabor do título da famosa obra “E tudo o vento levou”! Os políticos perderam toda a credibilidade junto dos pais, dos alunos e dos professores. Hoje já não restam energias para acreditar neste políticos… Aliás, já nem acredita que se vá ficar por aqui!

As escolas precisam de ter estabilidade. Com as constantes e imparáveis reformas tipo “vamos lá mudar e ver o que dá… E depois logo se vê!” defraudaram as expectativas das comunidades educativas.

As escolas precisam de estabilidade… de um projecto comum. Nas escolas lidamos com seres humanos em formação... Para dar resposta à diversidade de contextos onde se inserem as escolas, foram criadas dinâmicas emergentes nas comunidades com o entusiasmo de muitos e muitos professores que agora se vêm defraudados... Os governantes usaram milhares de professores que acreditaram (ingenuamente, diga-se!) na boa-fé dos políticos que apenas os usaram para destruir o anterior sistema de gestão escolar.

Emcontrapartida, os mesmos governantes deixaram intacta a organização administrativa

A autonomia foi uma bandeira do apaixonado da Educação. Lembram-se? A Educação era para Guterres “Uma Paixão”. Pelos vistos, os seus correligionários não gostaram da Paixão de Guterres e pediram o divórcio. Sócrates e a sua Milu destruíram em pouco mais de sete meses, tudo quanto Guterres andou a fazer durante 7 anos!

E de uma Autonomia Conquistada (propalada pelos guterristas) passou-se à Autonomia Enquistada (criada pelos Socratinos). E a paixão que deveria dar em casamento e ter longa duração (pelo menos enquanto o PS governasse!) depressa descambou em divórcio.

É assim que uma organização administrativa (freguesias) que vem desde o tempo de Salazar continua de pé…  Cobardemente, Sócrates nem se ateve a tentar mexer-lhe! Em contrapartida, a reforma de Guterres foi pela água abaixo juntamente com a sua Paixão… Já nada resta. Para onde foi o entusiasmo dos docentes que acreditaram nos socialistas de Guterres e embarcaram no “Navio da Autonomia”?… Uns pediram a Reforma e mandaram Sócrates literalmente “à fava”!

Porém, as freguesias são simplesmente território... áreas geográficas onde há pessoas, obviamente. Mas que são essas pessoas sem escolas, sem um projecto educativo contextualizado para dar resposta às necessidades dos seus educandos? Que são as freguesias sem Centros de Saúde? Que são as freguesias sem o dinamismo que atraia pessoas a viver no interior? Vazios! Árvores para arder… Matas para ver morrer a nossa fonte de ar puro, porque as árvores morrem de pé!...

 

 

Sem dúvida que era prioritário fazer uma reforma administrativa mais do que proceder à reorganização das escolas... O problema é que falta coragem apra mexer com o poder dos partidos que se encontram instalados nas freguesias. Ou seja, nas freguesias já os partidos estavam instalados... faltava agora que "o polvo" estendesse os seus tentáculos às escolas… E, enquanto a sociedade não estiver toda minada pelos partidos, nunca os polítivos descansarão! Com tantos problemas para resolver nmo país, à falta de capacidade apra tomar medidas que possam contribuir para melhorar a vida dos portugueses, há que entreter as populações a discutir alguma coisa... E se não for o casamento homossexual, que seja o sexo dos anjos. O importante é distrair as populações enquanto o tmepo da legislatura passa... 

Obviamente que havia zonas da intervenção pública que se encontravam virgens da partidarite... Uma delas, eram as escolas que estiveram afastadas das lutas partidárias pois o objectivo da educação exige união e cooperação  e não divisão ou oposição... mas os socialistas (tão defensores da escola pública) não se privaram de criar um sistema de incentivos para que os lugares de direcção se tornassem atractivos para os boys dos partidos. É neste quadro que a legislação foi alterada e as Escolas começam, agora, a ter lugares apetecíveis criando rivalidades, divergências muitas vezes fictícias que mais não servem senão para tornar o ambiente  de trabalho num campo de batalha. Exemplo disso é o cargo de Director (o senhor "todo poderoso" como o reitor no tempo de Salazar!).

E, tal como nos hospitais, qualquer dia... já sabem quem vai nomear os directores dos mega-agrupamentos. A nós não nos surpreendeu este volte-face na filosofia de criação dos agrupamentos... Nós já tínhamos avisado...
Por isso, depois dos Mega-Agrupamentos esperamos ver agora nascer o Movimento de criação das Mega-Freguesias!

Uma pergunta final:
Estamos a progredir ou a regredir no tempo? Sócrates aprendeu bem a lição ou será que Salazar não passou de um “aprendiz de ditador”?

publicado por J.Ferreira às 22:25

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