Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Direito à Greve versus Direito a Trabalhar

Com estes profissionais da Política... Portugal afunda-se ... !

 

Pelo   Direito  À   Indignação.

Estamos  em  GREVE .

MAS ... O   BLOGUE   TRABALHA !

 

 

É incrível é que, na TSF (vá-se lá saber porquê...! O leitor que adivinhe!...) apenas se fala da aplicação da justiça aos que, por algum motivo, contribuíram para restringir o direito a trabalhar. Mas, sobre aqueles que pressionam os trabalhadores a não fazerem greve, desses, nem a TSF nem a Ministra falou...

Assim, se vê que em Portugal democrático, as preocupações dos Socialistas (agora e quando no Governo!) deixaram de ser com a Garantia do Direito à Greve mas antes, com a Garantia do Direito a Trabalhar.

 

Iniciando as notícias com as empresas onde não foram cumpridos os serviços mínimos, às 13:00 horas deste dia 24, dia de Greve Geral, na TSF ouvia-se que "em Braga, há noticas de agressão a uma dirigente sindical". Por que será que os jornalistas (fazendo lembrar as ditaduras que controlam a comunicação social) parecem mais preocupados com a Garantia do Direito ao Trabalho do que com a Garantia do Garantia do Direito à Greve? Serão uma correia de transmissão da mensagem dos governos ou uma consciência crítica sobre a forma como os governos conduzem as políticas económico-sociais do país?

 

Que se passa em Portugal com as rádios? Será que, em democracia, as notícias devem estar ao serviço do governo ou ceder a pressões de partidos?

 

Depois da conquista mais nobre da democracia para os trabalhadores (o Direito à Greve!) os socialistas deixaram de falar do direito fundamental de trabalhadores para pensar no direito dos seus apoiantes, tal como Salazar. Portugal tem a Maturidade para ter uma Greve geral no seu país... Ena... Com apenas experiência de duas greves gerais, esta Ministra já fala na maturidade dos portugueses.

 

A Ministra do Trabalho vem nas notícias das 11 horas da TSF rádio, refere que a margem para mudar "é praticamente nula" acrescentado que "observamos as consequências negativas da dívida portuguesa na nossa economia" e, como tal... defende que o governo não pode mudar nada no Orçamento.

 

Ora, como se pode manter as subvenções, pagas por todos nós, com os nossos descontos de uma vida de mais de 40 anos de trabalho, aos deputados que descontam apenas durante uns 8 anos a serviço (e quantos, a servirem-se!) da causa pública.  Isto já para não falar de que alguns, quantas vezes, permanecem todo o mandato sem qualquer intervenção no parlamento que não seja o som provocado pelo esporádico ressonar...

 

Segundo o sindicalista Carlos Chagas, muitos dos professores ainda não compreenderam ou não entenderam ainda o alcance do que se lhes vai passar. Só aí os professores perceberão as razões  por que estamos a lutar. Os cortes têm que ser um empréstimo e não um corte. Por isso devem ser devolvidos aos professores pela República.

 

E no parlamento os socialistas (que não se cansam de falar da maturidade dos portugueses  no usufruto do direito à greve) falam com maior entusiasmo no "direito a trabalhar" que no "direito à greve". Por isso usarão, seguramente, a  "mão pesada" da justiça sobre aqueles que não cumpriram a lei da greve no que respeita ao "direito a trabalhar" e uma mão invisível, ligeira, de algodão, sobre aqueles que impediram ou coagiram os trabalhadores a desistir do seu inegável (e também constitucional) Direito à Greve.

Numa intervenção no Parlamento, uma voz socialista lembra que "a greve é um direito dos países democráticos" mas que não substitui o local próprio da discussão dos problemas dos portugueses que é o Parlamento.

E nós diremos: Que novidade, senhora deputada. É para isso que lhe pagamos o chorudo salário que recebe?

É lógico que os sindicatos não são nem substituem os partidos. Mas têm o direito de "tomar partido" pelos trabalhadores e de defender os seus direitos, a lutando por uma maior equidade e justiça social. E isso deveria ser uma das atribuições de um Governo Democrático. Mas não é isso que se verifica... Por isso, aos Sindicatos só lhes resta endurecer a luta... Nem que dele se faça cair o Governo. Não é isso que o governo  Mas é esse o seu dever... Isto, porque enquanto incompetentes estiverem a governar o país, caminharemos cada vez mais para o fundo do poço, porque o Rumo traçado pelos socialistas é bem claro: é o Abismo.

Por incrível, foram os socialistas os que, depois do 25 de Abril, maior ataque fizeram aos direitos dos trabalhadores, reduzindo-lhes os vencimentos.  É inaceitável que, quando Cavaco Silva tentou fazer algo de semelhante aos trabalhadores, os socialistas na oposição tenham lutado pela inconstitucionalidade da medida (e conseguiram-no!) e que agora, incoerente e incrivelmente, venham propor e impor o mesmo.

Porém, o que os socialistas não parecem determinados é a mexer em quem tem poder. nem nos jornalistas nem nos juízes... Por que será? Perguntem-lhes! Ou pensem e facilmente descobrirão o verdadeiro motivo.

Em nome da crise, passaram a idade do direito à reforma dos professores, dos 36 anos de trabalho (e descontos) para os 65 anos de idade (independentemente dos descontos)? Ora, alguns professores, que começaram a leccionar aos 21 anos, terão agora de trabalhar (e fazer descontos) durante 44 anos, o que impedirá muitos jovens de entrar na profissão antes dos 30 anos! Assim, o que cada vez mais vai suceder, será que os que começam aos 30 apenas terão de trabalhar (e descontar!) durante 35 anos pois poderão reformar-se aos 65 anos como os que iniciaram os descontos aos 21 anos! Que justiça é esta? Não se percebe. Mas há pior: numa sociedade com mais problemas de violência, indisciplina, incentivada pelas leis e passividade governativa, quem, com essa idade e depois de mais de 40 anos de trabalho, ainda terá energia , capacidade e/ou motivação para leccionar turmas de 25 alunos?.

Este governo atacou os fracos mas baixou as orelhas perante os fortes. A expressão ditadura democrática (por nós muito usada e repetida no final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva) nunca antes teve tão grande expressividade e nunca foi usada com tanta propriedade como agora.

Oram vejam lá se o Governo mexe definitivamente nos salários dos grandes...!?? É o mexes. A estes socialistas da província que desceram à cidade, falta-lhes o melhor para ser heróis e salvar Portugal. Falta-lhes a coragem que sempre andava na sua boca para mexer com o poder instituído. Por isso mexe com os fracos.

Em coerência com princípios que apontou para mexer com os professores, propondo-se acabar com as “mordomias” (que não existiam para ale do direito a destruir o carro para servir o estado nos locais mais recônditos do país!) e decididos a aplicar máximas de igualdade e equidade a todas as e cidadãs portuguesas e dos cidadãos portugueses (para ser politicamente correcto há que repetir o masculino depois e só depois, do feminino!)... Ora, na verdade, tudo isto não passou de “uma grande treta”. Com os grandes (grandes porque auferem grandes salários, grandes porque têm grandes mordomias, grandes porque têm um grande poder reivindicativo que lhes advém da posição de poder que detêm sociedade!) como é o caso da idade da reforma dos juízes. E uma vez mais, estes socialistas que queriam igualdade entre todos os portugueses. E uma vez mais o governo cedeu e se curvou de subserviência perante os juízes pelo que, afinal, a idade da reforma destes se vai manter nos 60 anos!...

Mas há mais... e a lista que demonstra o aumento das desigualdades com os socialistas no governo nunca mais pararia. Exemplo disso é que se mantêm os chorudos salários e mordomias dos Administradores das Empresas Públicas que chegam a auferir mais de CINQUENTA VEZES o salário do Presidente da República...

 

Sobre a adesão à greve o Secretário de Estado que falou às 13:15 na TSF, a adesão à greve é contada para eles, em proporção da percentagem de escolas que estão fechadas e não do número de trabalhadores das escolas que fizeram greve. Ora, esta falsa contabilização dos dados dos índices de adesão à greve é uma estratégia governamental deliberadamente enviesada. Esta errada contabilização dos trabalhadores em greve implica que, se numa escola com 10 professores todos foram trabalhar e numa outra com 90 todos fizeram greve, para o governo conta como 50% de escolas em greve!  Ora, para qualquer investigador, se no cômputo das duas escolas há 100 trabalhadores e apensas 10 compareceram ao serviço, a percentagem de adesão à greve é de 90% e não de 50% por cento como contabiliza este governo. ou seja, te4mos um governo de esquerda que deveria valorizar a greve como a única arma dos trabalhadores e dela retirar as devidas ilações, vem dizer que a adesão foi baixíssima e abaixo das expectativas... Que vergonha, senhores membros do governo. Aprenda, a fazer estatística. A greve é dos trabalhadores (e devemos contar as pessoas que a fizera!) e não das escolas. Sem dúvida que esta guerra de números será sempre o cavalo de batalha. Mas ninguém de com senso dirá que a greve passou despercebida.

 

Em O Público, podemos ler que o "Governo e sindicatos divergem na leitura dos factos. Ambos festejaram os números, mas por razões diferentes: para a CGTP e UGT, foi a maior greve da história, com três milhões de trabalhadores a aderir à jornada; para o Governo, “o país não parou”.

 

Sabemos que não houve uma adesão de 100%, nem ninguém poderia esperar por isso (pois hoje há cada vez mais trabalhadores que precisam desse dia de salário para alimentar os filhos!). Mais. Temendo o pior, o governo veio à última da hora retirar as empresas de capital maioritariamente público do grupo dos sacrificados, numa clara tentativa de diminuir o impacto da greve, comos e o deficit de repente até pudesse ser resolvido só com os cortes aos salários dos funcionários públicos.  Ora, com esta explicação, uma boa parte dos funcionários das empresas públicas (como a CGD) foram avisados por telefone que deixava de existir motivos para fazerem greve pois o problema já estava resolvido... Esta excepção aberta pelo governo demonstra bem a desadequação das medidas de combate à crise que pretende levar a cabo, procedendo a uma grave discriminação dos portugueses vem ferir ainda com mais gravidade a Constituição da República.

 

Um dia o povo vai despertar... Isto assim é que não pode continuar... Por nós, pelos nossos filhos, por Portugal.

publicado por J.Ferreira às 22:04

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