Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Uma Mulher é Presidente ou Presidenta?

Queremos, hoje, brindar os estimados leitores com uma verdadeira aula de português, ao longo da qual podemos constatar a presença da mais forte arma socrática (ironia) mas também do bom-humor.


Refira-se, antes de mais, que este texto se mantém ao abrigo da Língua Portuguesa antes do Acordo Ortográfico, com o qual temos muitas concordâncias mas também muitas reservas...   Dito isto, aqui fica a pergunta:

 

Será correcto proferir a palavra "Presidenta" ?

 

Nos últimos tempos, todos assistimos à caminhada de uma senhora que se candidatou à presidência do Brasil. Ora, Dilma Roussef e seus apoiantes, acreditaram que esta senhora poderia chegar a ser a primeira Presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada nos meios de comunicação social, pelo partido de Lula da Silva que a apoiou (PT).

Pergunta-se: Presidenta? Mas, que idioma é esse?

Ora, vejamos:

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de requerer é requerente...

Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é “ente”.

Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos “ante”, “ente” ou “inte”.

Portanto, à pessoa que preside chamamos “Presidente" e NUNCA "Presidenta", independentemente do género do que exerce o cargo ser masculino ou feminino.

Veja-se o ridículo: Diz-se capela ardente (e não capela "ardenta")! Diz-se “estudante” (e não "estudanta")! Diz-se adolescente (e não "adolescenta")! Diz-se paciente (e não "pacienta")!

Se assim não fosse, teríamos um texto do tipo:

"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre suas tantas outras atitudes alienantas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."

Incrível… Basta de insultos ao Português. Basta de maltratar a Língua Portuguesa. Está mais do que na hora de restabelecermos a leitura e a fala correctas do nosso idioma (o português) que assim é falado no Brasil e pretende obter estatuto de comandante (e não comandanta!) das alterações ortográficas do nosso património linguístico. Abandonemos, de uma vez por todas, não mais o churrasquês, mas também o futebolês e outros dialectos de triste e recente memória, infelizmente aplaudidíssimos pelos 80% dos patrícios que vibravam com toda e qualquer estupidez, com toda a parvoíce que vem sendo cada vez mais oficializada pela repetição reiterada por um grupo de gente defensora do politicamente correcto…

 

Nota: O presente texto foi adapatado a partir de um email recebido pretensamente pertencente a Terezinha da Conceição Costa-Hübes.

publicado por J.Ferreira às 00:36

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6 comentários:
De Edson a 5 de Maio de 2013 às 03:13
Há quem discorde do posicionamento do articulista.
Leiam http://www.professorjuscelino.com.br/blog/?id=142&titulo=O-GENERO-FEMININO-NOS-DIPLOMAS
De J.Ferreira a 6 de Maio de 2013 às 11:04
Se está a falar de português expressão do Brasil até pode ter a sua razão. Não se consegue explicar com que lógica aparece "presidenta" nesse dicionário (creio que para indicar o feminino) quando não aparece "presidento" para indicar o masculino. Ora, se a mulher não se sente representada no uso de palavras com terminação neutra ("e") seria exigível, quanto a nós, a introdução no idioma da palavra "presidento" (terminada em "o") deixando-se de usar a palavra presidente (da mesma forma, e por extensão) todas as palavras terminadas em "ente", "ante"" como parente, estudante, feirante, comerciante, etc... E já agora, "diferente" passaria a diferenta para feminino e diferento para masculino... Isto é uma tristexza. Que as pessoas criem problemas com as palvras existentes por se sentir4em discriminadas quando há séculos que a um homem se chama "polícia" ou "guarda" e nunca nenhum exigiu ser "policio" ou "guardo". Os latinos somos assim: especialistas em complicar o que era simples... Od iscurso "politicamente correcto" desvia a atenção da sociedade dos problemas efectivos criando falsos problemas. Sempre comunicamos sem problema. Dizer que A Dilma é presidente jamais a transformaria num homem. Os políticos de hoje deveríam preocupar-se mais com o que de facto é importante: a vida das pessoas e deixar a lingua ao povo que a fala. Há acordos que apenas complicam a vida diária das pessoas e que em nada contribuem apra melhorar as nossas vidas. Falar hoje com palavras neutras parece um atentado... Por esta mesma lógica, qualquer dia surge por aí um qualquer movimento masculinista reivindicando "portuguesas e portuguesos"... "presidentas e presidentos" clientas e clientos!... Ora bolas... Estas são problemáticas que de nada servem para resolver os problemas das pessoas.
Não admira que cada vez mais o inglês seja a língua das línguas... Ora bolas...
De Edson a 5 de Maio de 2013 às 15:53
Ora pílulas... Pois não é que achei fontes portuguesas endossando o uso de "presidenta"? Estão citadas em http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/presidenta-existe-na-lingua-portuguesa-desde-1872/n1597210547562.html
De J.Ferreira a 1 de Julho de 2013 às 15:06
Muito bem. O problema é que teremos de ver a acepção que é dada à palavra. Todas os nomes fanceses terminadas en "ent" ou "ant" são masculino. E, como tal, para se formar o feminino, teremos de lhes acrescentar "e". Nos Usando os mesmos exemplos, teríamos "présidente" e "étudiante". Curioso! Sendo parecidas às nossas, necessitam acrescentar um "e" para formar o feminino! Contrariamente, a palavra portuguesa que corresponde à palavra francesa "étudiant" ou à palavra "étudiante" é única, uniforme, isto é, unisexo: "estudante". Logo, não se compreende por que motivo teremos de transformar palavras uniformes em biformes. Só para complicar... Psicoses, creio! Sim. Porrque, se pretendemos colcar sexo nas palavras todas (e não admitindo se admitindo o vocábulo "presidente" para homens e mulheres!) com todo o respeito pela diversidade e opção sexual de cada um, seria necessário esclarecer de vez a quem se aplica a palavra "presidente" e, já agora, estudante. Porque se as mulheres querem ser "estudantas", "clientas", etc... “representantas”, etc... Ora, meu caro, se durante séculos (à excepção de um ou outro escrito que nada prova pois a comunicação social está cheia de erros e uma publicação é da única responsabilidade de quem a edita!) serviu a palavra presidente como uniforme (para ambos os sexos) há que criar também as palavras “estudantos”, “presidentos”, “clientos”... Se uma mulher tem de ser “presidenta” eu só aceito ser “presidento”. A ser assim, o dicionário vai incrementar o número de palavras. Se uma mulher se sente menos reconhecida ou atingida na sua feminilidade por ser tratada por "presidente" (logo, nem masculino nem feminino: uniforme!?) e se cria uma celeuma para que se passe a tratar como "presidenta". Será que vamos ter de criar milhares de novas palavras para complicar o que até agora era simples? Será que isto não é um feminismo exacerbado? Como será uma saudação daqui a um século? Já me imagino um hipermercado em que um anunciante se dirija ao público dizendo: senhores visitantos, visitantes e visitantas. Nós, gerentos, gerentes e gerentas deste hipermercado temos para oferecer a todos clientos, clientes e clientas interessantos peixes (masculino!) interessantes cavalos marinhos (hermafrodita!) e interessantas (feminino) carnes!
Pior ainda... imaginem uma próxima reunião dos PALOP, em que sendo a língua oficial portuguesa, assistíramos à conversa privada de um presidento a falar com uma presidenta sobre as aventuras sexuais de três presidentes... Caricaturando, a continuar esta psicose linguística, eis alguns possíveis exemplos de saudação futura em diferentes eventos. Numa assembleia: "Carísssimos e Caríssimas presidentos, presidentes e presidentas"... Nnuma universidade: "Caríssimos palestrantos, palestrantes "palestrantas ", assistentos, assistentes e assistentas.
Por fim, um alerta. Levando ao extremo esta incrível psicose sexual da língua, qualquer homem se poderá sentir descriminado por ser tratado por "ciclista", jornalista, pugilista, anestesista, periodista, desportista... E com muito maior razão já que estas palavras têm terminação em "a", marca muito mais evidente e indicadora do feminino.
A continuarmos a criar femininos (recusando o nome ou adjectivo uniforme) quem quererá ficar no meio, que não querem deixar-se ficar no limbo (nem ser carne, nem ser peixe!???) e aceitará ser reconhecido com palavras como presidente, ciclista, anestesista, polícia...?
Mas já imagino que rapidamente surgirá o clube dos "masculinistas", dos que não querendo ficar no meio, passsarão a exigir umaa nova terminação para o seu tratamento. Seguramente que haverá quem se senta até mais reconhecido por ficar no meio... Se adoptamos o feminino "presidenta" e "clienta" teremos de admitir, em breve, que na linguagem comum possam surgir, legitimamente, palavras "policíos", "guardos" , "ciclistos", "anestesistos", ... etc.
Toda esta panaceia de novos vocábulos não passa de uma forma complicar as coisas simples.
Os ingleses não têm deste tipo de problemas... A maioria dos nomes são uniformes. Depois, admirámo-nos da hegemonia da lingua inglesa. Pudera...! Nós só sabemos complicar o que é simples!
De Edson a 1 de Julho de 2013 às 15:50
Achei sua resposta muito bem humorada. De minha parte, sou completamente a favor de duas coisas: primeiro, a simplificação "à inglesa". A folha verde é tão verde quanto o brinquedo verde, não temos verdos nem verdas... Já uma casa é amarela, e um lápis é amarelo... Quem sabe o que o futuro nos reserva, talvez nossos tataranetos usem apenas "amarel"...
De facto (ou como escrevemos aqui, de fato), gosto de ouvir a pronúncia dos portugueses, muitas vezes tenho a impressão que as letras são "engolidas", e penso que no futuro elas sumirão, por serem desnecessárias.
Também sou a favor de uma reforma ortográfica baseada na fonética. Coisas há em que a língua avança, coisas há em que retrocede. No site archive.org encontrei uma edição brasileira antiga de "O Guarani". Tão antiga que escrevia-se "O Guarany". Nela pude ler que "casa" grafava-se "caza". Penso que neste último caso (snif, preferiria escrever 'cazo') a grafia era mais próxima a fonética, e que tivemos um retrocesso aqui (e repare como o 'u' em 'aqui' é supérfluo). O nome próprio "Jorge" tem dois sons de /j/. representados por duas letras distintas... Li em algum lugar que este nome foi escrito como "Jorje" na carta em que caminha comunicava ao rei de Portugal a descoberta do Brasil - novamente, tivemos então um retrocesso. Enfim, é difícil agradarmos a gregos e troianos, a brasileiros, portugueses e outros membros da Comunidade lusófona. Isso para não falar da briga entre gramáticos e linguistas. Pelo menos no Brasil, estes últimos defendem que o importante não é a exatidão na grafia, e sim a tal de "competência linguística", ou capacidade de se fazer entender dentro de uma comunidade. Claro, isso já está virando uma baderna: a imprensa descobriu algumas redações com boas notas nas provas do Enem (não sei se há algo equivalente em Portugal) contendo erros grosseiros de ortografia, entre outros problemas. A justificativa dos avaliadores foi a tal de "competência linguística". Penso que o descaso com o estudo da língua juntou-se à preguiça, e daí nasceu a tal "competência", que só Deus pode saber aonde nos levará. E basta de gastar o teclado, afinal, quanto mais escrevo tanto mais me exponho a cometer erros, que nessas coisas gramaticais também não sou grande entendido. Odiava as aulas de análise sintática, e deu nisso. Tivesse eu aprendido as ideias da Linguística naquele tempo, escreveria hoje muito mais despreocupadamente. A gente somos complicado mesmo. OK, desculpe por isso, mas depois que uma música de sucesso fez uma sátira à qualidade da educação da juventude no Brasil (cantando "a gente somos inútil"), a troca de "nós" por "a gente" começou a ser mais frequente e muitas vezes tolerada. Enfim, a "presidenta" é, de nossos males, o menor deles (se é que é um mal). Costumo dizer que quem quer que seje que leia o que escrevo e não sinta um sobressalto ao ler o "seje", tem uma deficiência séria de educação. E acredite, o "seje" está se tornando comum no Brasil. Será o progresso inevitável, ou deveríamos ficar presos no antigo? Sei lá.
De J.Ferreira a 1 de Julho de 2013 às 16:25
Sem dúvida. Este tema daria "pano para mangas". O grande problema da língua é que ao tentar simplificar-se (pensar que se simplifica), o que de facto se passa é que se está a complicar. A verdade é que, se argumentava em Portugal que havia de se aproximar a escrita à fonética. Ora, se assim fosse, a língua seria um pântano. Lembro que, cada comunidade lusofalante tem uma pronúncia distinta. Por exemplo, é fácil ouvir de um lusofalante do Brasil (convivi com muitos cariocas e paulistas na embaixada do Brasil, em Paris) pronunciar palavras terminadas em "al, el, il," de tal forma que mais parecem terminar em "au", "eu" ou iu". Por exemplo, Isabel é pronunciado como Santiago Barnabéu (assim se escreve e assim se lê). Porém, diferente é pedir-me um "papéu" ou falar da "Rainha Santa Isabéu". Somos diferentes e sou feliz assim. na verdade sempre me entendi perfeitamente com brasileiros... E isso deve-se à língua que, sendo para uns um problema que necessita acordo, para mim, nunca fez falta parta comunicar com nenhum brasileiro... Já em japonês... Nada! Por isso, Volte sempre! O teclado ainda não se rompeu!

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