Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Camões Assinaria o Acordo Ortográfico?

 

Como a Língua Portuguesa sofre com os erros políticos... !

Uma pergunta se coloca face ao novo Acordo Ortográfico:

Se a origem está na Velha Europa, porque é temos que imitar os do outro lado do Atlântico.

O Acordo Ortográfico constitui assim, apenas mais um atentado contra a Língua e Cultura Portuguesa.

E, desta vez, com a complacência dos intelectuais da Lingua de Camões.

 

Se repararmos na tabela abaixo, constataremos facilmente que, na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras usadas nas línguas europeias mantiveram-se tal como se escreviam na sua língua mãe.

 

 

Latim

 

Francês

 

Espanhol

 

Inglês

 

Alemão

Actor

Acteur

Actor

Actor

Akteur

 

Facteur

Factor

Factor

Faktor

 

Tact

Tacto

Tact

Takt

Reactor

Réacteur

Reactor

Reactor

Reaktor

Sector

Secteur

Sector

Sector

Sektor

Protector

Protecteur

Protector

Protector

Protektor

Selection

Seléction

Seleccion

Selection

 

 

Exacte

Exacta

Exact

 

 

 

 

Except

 

Baptismus

Baptême

 

Baptism

 

 

Exception

Excepción

Exception

 

 

 

 

Optimum

 

 

 

 

Agora vejam as mesmas palavras mas... escritas de forma a demosntrar a evoluçao verificada na escrita em Português.

 

 

Português

(Pré-Acordo)

Português

(Colonizado

pelo Brasil)

 

Actor

Ator

 

Factor

Fator

 

Tacto

Tato

 

Reactor

Reator

 

Sector

Setor

 

Protector

Protetor

 

Selecção

Seleção

 

Exacto

Exato

 

Excepto

Exceto

 

Baptismo

Batismo

 

Excepção

Exceção

 

Óptimo

Ótimo

 

Com apenas 7, ou 8 ou até 9 anos, muitos de nós tínhamos que escrever textos ditados pela voz de professoras que se orgulhavam de leccionar. A partir do 3º erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato" ("facto"), "tato" ("tacto"), "fatura", "reação", etc, etc...  Com o novo acordo ortográfico, constatamos que as reguadas levadas por muitos dos nossos antepassados foram tempo perdido. Alunos que podem ter reprocvado por não saberem escrever, agora teriam aprovado. Ensinam as pessoas a escrever de determinada maneira para agora nos termos de adaptar. É ridículo...

Torna-se legítimo perguntar:

Afinal, qual é a origem da nossa Língua? O Português é originário do Grego e do Latim ou do Brasil? Vejam como as mesmas palavras se passam a escrever e como uma vez mais ficaremos sós, no mundo das línguas, inovando simplesmente porque a falta de cultura de um dado povo se nos impõe pela sua capacidade económica.

E não me venham com essa de que a Língua não é pertença de um dos povos que a falam… Ou que há mais nativos no Brasil a falar Português do que nativos em Portugal a falar essa Língua. É que pode haver mais cidadãs brasileiros que portugueses que, isso nunca significará que haja mais gente a falar português no Brasil que fora do Brasil.

Por outro lado, podemos constatar que o Inglês (de terras de Sua Majestade) e o Inglês dos Estado Unidos da América têm muitas semelhanças e também muitas diferenças (quer de escrita quer de pronúncia!) tal como o Português do Brasil e o Português de Portugal… Porém, curiosamente e não por acaso, não assistimos a nenhuma preocupação dos ingleses em chegar a nenhum acordo com os Estados Unidos para implementarem um acordo que unifique a Língua. Aliás, essa é uma garantia de que continua a haver editoras nos dois países com a sua quota de mercado garantida. Porém, a nova fórmula de escrita pode fazer implodir as editoras Portuguesas que muito bem se podem deslocalizar par ao Brasil onde o nível de vida é muito baixo e os custos de produção lhes podem ficar bem mais acessíveis, garantindo o único motivo subjacente à política empresarial: o lucro.

Vejam como outras línguas da Europa se comportam relativamente a palavras que agora nos querem impor uma nova escrita, naturalmente, a que se faz no Brasil som porque os brasileiros não a pronunciam ou porque não se lêem e, por isso, nada fazem na palavra.

Meus caros, se formos por essa via, os brasileiros pronunciam todos os infinitivos dos verbos sem evidenciarem o “r” final. Será que passaremos a “escrevê” em vez de “escrever”? A “falá” em vez de “falar”? E, já agora, a “vomitá” (em vez de “vomitar”)verborreia discursiva. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim. Uma vantagem haveria para os adeptos das palavras agudas pois incrementaria imenso as suas probabilidades de ganharem uma qualquer disputa linguística.

Na verdade, outras questões existem que ninguém se preocupou. Como podemos dizer cinquenta quando o “u” não se lê na sílaba “que”? Então não é verdade que se escreve quente e se diz “kente” ao mesmo tempo que se escreve frequente (palavra que contém em si a anterior “quente” mas onde já se lê a letra “u”… Da mesma forma que se diz eloquente (lendo-se a letra “u”) enquanto se diz aquece (não se lendo o “u”). De igual modo, se diz aquífero (lendo-se o “u”) mas diz-se aquilo ou quimera, quinze e quintal ou queimar (em que não se lê a letra “u”).

Ao menos que tivéssemos sido ousados e pragmáticos. Afinal, se queriam simplificar, porque não varreram de vez com a letra “ç” pois somos das poucas línguas latinas que ainda o usam… E, pelo que parece, é uma trapalhada para as novas tecnologias… O castelhano não a tem (exceptuando na palavra Barça: clube de Barcelona) e no francês é tão rara que, nem vale a pena falar dela… já para não dizer que nem existe em Inglês. Ah… Claro. Porque a Língua Portuguesa vem do Latim e em latim se escrevia assim, não é verdade?

Mas… onde está a coerência (pois só vemos a falta dela) nos argumentos apresentados para este Acordo Ortográfico?

Dito de outra forma, a quem querem enganar com esta trampa (será que existe esta palavra ou estarei eu a inventar?).

 

Bem diz uma jovem que acaba de entrar na Universidade tendo conseguido a nota máxima possível no ensino Secundário: 20 valores! Para quê mudar a Língua que tanto lhes custa a aprender? "E eu, que gostava tanto da Língua Portuguesa... Afinal, para que andaram a ensinar-nos a escrever de determinada forma se de um momento para o outro nos atiram para o lixo horas e horas de estudo, conceitos e conhecimentos que tínhamos adquirido e de que tínhamos tanta certza em troca de um acordo que para nada serve senão para tornar a Língua mais estranha e esquisita para além de ser a negação da sua origem..."

 

E, se atentarmos nas notícias dos últimos dias em que tanto se tem falado e escrito sobre o EGITO, quase nos atrevemos a perguntar: como se passam a chamar os naturais deste país? Egitios, egicios, egitanos, egitenses,… ?

As verdades que aqui ficam evidenciam bem o ridículo deste acordo ortográfico… Para além das perturbações na escrita e nas pessoas é um balúrdio que se vai gastar para actualizar as bibliotecas com livros e dicionários... E logo, incrível... tudo isto em tempos de crise e de diminuição de salários... Quem quererá deitar ao lixo o investimento que fez para a formação educativa dos filhos, comprando livros, dicionários, enciclopédias... É que um aluno que estuda por um livro que não tem a mesma ortografia, corre um alto risco de memorizar palavras que depois o podem levar a escrever incorrectamente e a reprovar... Será que esta iniciativa de levar a cabo um acordo ortográfico cuja necessidade é uma ficção, tem alguma lógica?

 

Enfim... Sem comentários.

 

PS: Num país "sem rei nem roque" há alguém com sentido de responsabilidade que se propõe enfrentar o triste espectáculo em que políticos com licenciaturas duvidosas transformaram a Língua Portuguesa.

 Professor de Direito defende que Parlamento deve desvincular Portugal do Acordo Ortográfico anulando os efeitos legais deste acordo.

publicado por J.Ferreira às 23:06

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3 comentários:
De Ana A. a 16 de Fevereiro de 2011 às 12:35
Que legitimidade tem um governo para se imiscuir e decretar sobre a língua do seu País?!

Eu tenho 56 anos, sempre fui boa aluna a português e recuso-me a adoptar esta nova escrita, pois ninguém me garante que o próximo governo não a venha alterar de novo.
De J.Ferreira a 19 de Abril de 2011 às 01:38
Tem toda a razão em protestar. Nós fazemos o mesmo. Por isso, aqui continuaremos a escrever no Português de que nos orgulhamos!
De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2012 às 16:27
Muito boa apresentação com a vantagem de apresentar o paralelo com outras línguas de origem latina que não se submetem ao ditado vulgar.
António Justo

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