Domingo, 27 de Maio de 2007

"DREN E BELA" Fernando Charrua Vs Jorge Barbosa

O que se tem passado na DREN começa a preocupar muita boa gente neste país...

Foi pois ao ler um texto sobre o mais recente caso que se passou na DREN que não resisti a citar um blog de um compaheiro que, apesar de com ele ter as minhas discordâncias, prezo muito a sua frontalidade e respeito a sua opinião.

 

Assim, não posso de modo algum concordar com este companheiro quando diz, "sendo o professor Charrua um elemento tão importante dos Quadros do PSD e dado que as DREs são no fundo organizações do ME com um forte cariz político no que respeita aos seus dirigentes, muito me admira que o Partido Socialista o tenha mantido na DREN durante tanto tempo..."

De facto, creio que o ideal seria que a Educação fosse entregue a uma equipa "multicolor" (tipo arco-íris, e não me digam que não é belo!), onde a cor política não fosse impeditiva de um bom desempenho... E disto são conhecidos demasiados exemplos por esse país abaixo... Mas, triste e infelizmente, assim não é e não será enquanto a Educação estiver entregue aos partidos políticos que nos fazem navegar "à deriva", em direcção a diferentes pontos cardeais conforme quem ganha as eleiçoes. E não será possível encontrar rumo enquanto os lugares de chefia dependerem de nomeação política...

Para quando uma nova forma de organizar o sistema educativo de um país em que os responsáveis pela política de ensino e sistema de aprendizagem sejam repsonsabilizados pelas decisões que tomam?

 

No entanto concordo com a indignação este companheiro quando refere que "(...) há cerca de um ano apenas, um outro dirigente da DREN (sem filiação partidária e sem nunca ter exercido funções político-partidárias em sítio algum) foi vítima também duma charruada deste género... Trata-se do professor Jorge Nunes Barbosa, que coordenava então e desde há mais duma vintena de anos, os Serviços da Educação Especial e Apoios Educativos da DREN. Aconteceu então, que o professor Jorge Barbosa, discordou da política educativa que o ME estava a implementar no que se refere à Educação Especial, tendo tido inclusivamente a coragem de o dizer e publicar num Jornal diário. Fê-lo, não pelo emprego dum tipo baixo de linguagem-de-tasca como foi a que, pelos vistos, o professor Charrua utilizou, mas antes pela utilização duma argumentação cuidada, altamente técnica e objectiva. Mas este acto (apesar de heróico!) levou a que fosse afastado simplesmente das suas funções na DREN, encontrando-se agora a leccionar na sua Escola. O mais escandaloso, porém é que pouca gente (nem mesmo os Media) quiseram na altura saber deste facto, apesar de tão abominável e escandaloso. Daí que, no meio de todas estas charruadas da DREN, a mim pessoalmente o que mais me espanta, seja a diferença de tratamento que os mesmos factos e mesmos actos têm para os políticos e para os Media, conforme se trate de simples e honestos cidadãos, ou então de “algum cão grande” (como diz o povo!)"

 

Perante tudo isto, e estando fora do país há uns tempos, uma pergunta é inevitável:

Que estará a passar-se com a Democracia em Portugal?

 

Veja-se a análise que é feita por Castanheira Barros, de Coimbra no seu blog:

"Os casos de António Ramos e do Professor Fernando Charrua têm em comum o facto de o visado ser o Primeiro Ministro .
Ora o Primeiro Ministro não é superior hierárquico de qualquer dos 2 funcionários que por isso não estão obrigados ao dever de correcção consagrado pelo Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos .
Esse dever existe para com superiores hierárquicos, companheiros de trabalho e utentes dos Serviços .
Assim e independentemente dos factos apurados ou a apurar e abstraindo até dos 2 casos concretos, será sempre ilegal qualquer sanção disciplinar aplicada a um funcionário público com fundamento na violação do dever de correcção perante o Primeiro Ministro se o funcionário visado não for seu subordinado hierárquico .
Contrariamente ao que a maioria das pessoas pensam o Governo não está hierarquizado, isto é, o Primeiro Ministro não é superior hierárquico dos Ministros , nem estes dos Secretários de Estado .
Os superiores hierárquicos dos funcionários em questão são :
No caso do agente António Ramos : O Director Nacional da PSP e o Ministro da Administração Interna .
No caso do Professor Fernando Charrua, a Directora Regional de Educação do Norte e a Ministra da Educação ."

 

 

Esta autêntica novela remete-nos para uma interessante reflexão.  Para tal, atrevo-me a citar parte de um artigo "DRENe-se!"De uma maneira ou de outra, andam aí, empenhados no seu dever, apenas um tanto desorganizados. Os bufos não têm Ordem, nem sindicato. Ainda. (...)

 escrito por  Miguel Carvalho, da revista Visão, que vai de encontro ao pensamento que consideramos estar, de facto, também em causa ...  

 

"Em democracia ou na falta dela, os bufos estão sempre à espreita de um passo em falso do colega do lado. Uns são de antigamente, outros aprenderam andando. Ah! E imitam-se uns aos outros." (...)

 

Não é estranho, claro, que no caso do professor Charrua apanhado a contar uma suposta anedota insultuosa sobre o Primeiro-Ministro se tenha falado de tudo menos do bufo ou dos bufos de plantão. Já se defendeu a demissão da directora regional e saiu-se em defesa do antigo deputado do PSD. Mas os bufos, impávidos e serenos, passam pelos pingos de chuva sem se molhar."

 

 

É caso para dizer...  Como vai este País...  

 

Consultar  Blogs citados atrás  ...

 

"DREN - As Charruadas"

"O Caso Fernando Charrua"

 

 

" DRENE-se "

 

 

 

sinto-me: Indignado
publicado por J.Ferreira às 05:09

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6 comentários:
De psilva a 28 de Maio de 2007 às 12:28
Como é possivel defender alguém que em 1971 delatou um colega madeirense que residia com ele numa residencia universitária em Lisboa, um Senhor de apelido PITA E QUE TINHA DIFICULDADES ECONÓMICAS , E FUI DENUNCIADO POR SER DE ESQUERDA, agora arma-se em vitima.
porque é que ninguém fala da pancadaria que aconteceu no mesmo dia entre este senhor e um director pedagógico de uma escola profissional.. e já agora se este senhor não tivesse sido deputado do PSD teria o caso tal repercussão
Se este senhor era tão competente porque é que depois de ter sido deputado não voltou a ser che fe de serviço????
De Falcão a 29 de Maio de 2007 às 17:46
Olá, meu caro... Pensei que a ideia de que "quem matou devesse ser morto" era uma ideia de extrema direita que já nem mesmo a direita defende. O valor da vida está acima de tudo. Porém, parece que para alguns, o facto de um se ter um dia "chibado" de outro justifica que agora nos andemos todos a "chibar" uns dos outros...
Nuncxa um erro de uns justificaria que outros lhe pagassem com a mesma moeda...
Por isso, ainda que algum dia da sua vida trenha cometido erros, como podem em democracia haver hoje em dia cidadãos que são capazes de atitudes de deníncia próprias de um sistema que a todos repugna? Subscrevemos a atitude dos indivíduos recutados pela PIDE que eram colocados no tempo da ditadura para denunciar os seus companheirops?¿ Mas... ainda vivemos em ditadura, ou melhor, não estamos ao apoiar quem denunciou Fernando Charrua a legitimar os princípios da ditadura?... Reflictam sobre isso e depois, rezem para que não tenham de se lamentar um dia do que dizem por aí sem pensar...
De joana a 28 de Maio de 2007 às 23:00
As requisições nas DRE's são mesmo vitalicias ?


É possivel estar num serviço e revelar publicamente que não se concorada com o trabalho a executar?

De Patrícia a 29 de Maio de 2007 às 18:16
Todos sabemos que qualquer que seja a requisição nunca será vitalícia... Nem se defende que o seja... O que é estranho é que as políticas governamentais, um ano para o outro, façam uma inversão de 180 graus e que depois sejam sempre os professores a pagar as favas da incompetência dos políticos que as tomam... É que eles mudam a cada 4 manos (ou menos) e os professores é que ficam para levar "paulada" dos governantes que são de novo empossados...
Por outro lado, creio que o problema não é saber se Jorge Barbosa deveria ter uma requisição vitalícia... O problema é saber se um indivíduo "expert" em ensino especial, deve ser poosto em causa desta forma, isto é, por delito de opinião. É que Jorge Barbosa parece ter sido "banido da DREN" não pelo facto de não executar as ordens que lhe vinham de cima para baixo, mas pelo facto de ter manifestado, publicamente (através de um artigo publicado num Jornal), uma discordância face à política que seria seguida para o Ensino Especial... Nada mais que isto.
E, se atentarmos nas declarações de quem nos governa, depressa constatamos a contradição das palavras do Primeiro-Ministro, quando defende que "nenhum Socialista seria expulso do seu partido por ter opinião diferente dos líderes do mesmo".
Estarei eu enganada...?
Ou não será que foi na vigência do governo que comanda que um cidadão (justamente o professor Jorge Barbosa) foi expulso da DREN por "delito de opinião"...?
...
De JBranco a 30 de Maio de 2007 às 19:48
Crente que você é Drenibelas , quiçá acredite no que lhe dá vontade, mas olhe o pior cego é o que não quer ver (ou está a tentar ajustar contas por alguma razão que não quer dizer?). Acha que algum responsável da Administração procede como se pretende fazer crer que procedeu a Directora Regional (você até parece conhecer a casa e as pessoas!). Charrua está assustado, só ele (e outros!) sabe o que disse e onde e até sabe se agrediu fisicamente pessoas. Esta cortina de fumo, do herói pobre coitado, democrata, antifascista ajuda-o, mas a verdade virá a público (quer saber o que os jornais sabem e não dizem? Vá ao café Muxagata, é perto da DREN como sabe, pergunte o que se passou). Por certo, depois não haverá Drenibelas a blogar , vai uma aposta? Seu malandreco(a)
De J.Ferreira a 30 de Maio de 2007 às 20:41
Resposta ao Caríssimo JBranco.
Desde já uma palavra de apreço pelo facto de se ter disponibilizado para comentar o artigo.

Não se pretende com este artigo lavar a imagem de quem quer que seja. Simplesmente pretendemos colocar em discussão outras “nuances” que consideramos importantes no caso e que parecem querer passar despercebidas.
Se reparar bem o 25 de Abril já lá vai há mais de 35 anos... O que está em causa na nossa análise, não é se houve ou não agressão (verbal ou física), mas tão-só, se em democracia os "chibos" têm ou não lugar!... Só isso!
Deve, certamente, acompanhar a vida nacional e saber que, em Portugal têm vindo a público notícias de processos que são fundados em "denúncias anónimas"... Quem se esconde por detrás deste tipo de coisas deveria ser rotulado de “cobarde” e a denúncia, enviada para a “Cesta” Repartição.
Pensamos que muitos destes casos, que apenas envolvem pequenas irregularidades processuais, resultam de zangas e vinganças mesquinhas entre "comadres" e servem apenas para "chatear o parceiro" pois acabam em "águas de bacalhau". No entanto, mesmo que em nada dêem, a verdade é que fazem as pessoas perderem tempo… e gastar dinheiro aos cofres do estado de que todos somos contribuintes…
Creio que todos sabem que, por esse país abaixo, muitos têm feito "chacota" dos governantes, a começar pelo programa "contra-informação" e a terminar no "gato fedorento".
Porém, alguns são mais cuidadosos que outros uma vez que, juridicamente, as palavras valem pelo que se diz e não pela sua intenção. Fazer chacota pode ser “entendido como galhofa” ou ser “levado muito a peito”. Mas tal não significa que as palavras não tenham idênticas repercussões...! Atrás das palavras "alegadamente", "parece que" e outras, muitas acusações foram e são levantadas por imensos jornalistas que, depois de lançadas as suspeitas, nunca mais se chega a limpar a imagem do alvo porque, nem sempre quem leu a suspeita vai ler o desmentido ou até mesmo, caso envolva tribunais, tomar conhecimento da decisão jurídica final.
A nossa função crítica social é colocar hipóteses relativas às situações que são públicas a fim de que sejam esclarecidas, e, se a liberdade de expressão não for coarctada, todos temos o direito de nos pronunciarmos sobre o que consideramos estar em causa. Deixemos, pois, correr o processo e a justiça encarregar-se-á do resto. Não se deve, em democracia, julgar ninguém, antecipadamente.
Mesmo que se venha a constatar ter havido "matéria de facto" para o processo e suspensão de Fernando Charrua, a nossa análise não está em causa. Ela correlaciona os dois casos (Jorge Barbosa e Fernando Charrua) sem com isso dizer que são iguais. Com efeito, não creio que Jorge Barbosa tenha insultado nem andado à pancada com ninguém... No entanto, foi suspenso de funções... Havia motivos...? Até pode considerar que sim. Mas em democracia, tenho a liberdade de considerar que não!

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