Quarta-feira, 13 de Junho de 2012

Colhemos o que os políticos semeiam

Resultados em matemática pelas ruas da amargura...?Que esperavam? Estamos fartos de ser comandados por incompetentes...

Mais um alerta que não deveria espantar ninguém. Estes resultados serão, cada vez mais, uma realidade crescente. As sociedades preparam as novas camadas jovens pelo conceito e exemplo que dão relativamente à responsabilidade. Assim, quando (por interesses não tanto obscuros quanto isso...!) o fracasso escolar é deslocado dos seus actores principais (leia-se, principais responsáveis) para outros intervenientes do processo educativo de quem está provado que não depende, na essência, o êxito nos estudos... está tudo dito! Com efeito, por muito que queiram lavar as mãos da (i)responsabilidade, os políticos sabem que são os culpados principais do caminho que a educação está a levar em Portugal. Podem não ser os governantes que estão hoje no poder nem os que se encontram na oposição... O certo é que não são os professores que determinam a maior parte dos factores que conduzem ao êxito ou ao fracasso de um sistema educativo.

São as políticas educativas dos diferentes governantes (sejam centrais ou locais, pois destes depende em muito os recursos materiais que são afectos às escolas como são as instalações) que têm determinado ao longo das três últimas décadas o caminho a percorrer pelas escolas, seja curricular, seja organizativo. Da mesma forma, os direitos e deveres que se estipulam apenas se dirigem à responsabilidade e responsabilização de uma das partes (os professores) pelos resultados escolares. Com efeito, nem mesmo a repetição de curso pode ser usada como forma de obrigar os estudantes a fazerem o que lhes é legítimo pedir: estudar. Na última década, os governos socialistas empenharam-se em destruir a credibilidade dos professores. Assim se compreende a atitude demagógica e populista (porque não cremos que tivessem alguma convicão da eficácia da sua filosofia educativa!) que centrou a sua política no resultado (em termos eleitorais, é claro!) da aplicação da filosofia pedagógica que concebe todo o aluno como um ser "inteligente, capaz, trabalhador, dedicado, empenhado e estudioso" que os malvados dos professores (um bando de incompetentes, é claro!) apenas sabem atrofiar, os políticos decidiram que os resultados escolares passariam a interferir não na progressão do aluno mas na progressão do professor. Incrível. Agora estamos onde estamos e os políticos aprecem não ter ainda entendido o "porquê?".

Continua o massacre da psicose da avaliação. Os políticos portugueses demonstraram  a sua incompetência levando as finanças públicas à beira do abismo. Teve que vir a Troika ajudar Portugal. Os políticos são todos iguais. Os actuais (des)governantes são dessa estirpe de políticos que defendem uma coisa na oposição e praticam outra quando estão no poder. Como já dissemos, eles já descobriram que só quem mente ao povo consegue chegar ao poder. Por isso, a sua arma eleitoral é o engano e a mentira. Não têm qualquer legitimidade democrática para fazerem o que fazem mas ali permanecem como se estivessem a cumprir o que prometeram fazer. Todos sabemos que há chicotadas psicológicas nos treinadores quando os resultados se afastam das expectativas com que os clubes os escolhem. Mas os políticos, uma vez eleitos, sentem-se no direito d epermanecer "democraticamente" no governo até que alguém, com a força democrática que o povo lhe deu em voto nominal, utilize a bomba atómica e o mande "fritar churros" (leia-se, cavar cebolas).

Assim se compreende que, depois de terem defendido o fim do sistema absurdo de avaliação dos professores enquanto estavam na oposição, continuem a manter o absurdo sistema de avaliação que, para além de enfermar pelas conhecidas e absurdas "quotas" coloca como avaliadores profissionais que obtiveram duvidosa avaliação.

 

Por isso, meus caros, venha lá alguém de coragem dizer-me que estes são diferentes.  Os políticos que levaram Portugal ao descalabro financeiro são os mesmos que vão determinar o "descalabro educativo".

Assim, e como se não bastasse que os resultados escolares dos alunos interferissem na avaliação dos professores, agora os resultados dos mesmos alunos nos exames (exame de cerca de 2 horas!) serão determinantes na avaliação das escolas. Assim, da diferença entre os resultados dos alunos na avaliação efectuada pela escola ao longo do ano e os resultados dos mesmos alunos num curto período de tempo (o da duração do exame!) passa a contar para a avaliação das escolas. Se nesta altura, por culpa da desgraça que os políticos tornaram o nosso país nenhum estrangeiro quereria vir governar Portugal, muito menos os docentes quererão governar estas escolas...

 

Nenhum professor pode estudar e exercitar os neurónios pelos seus alunos. De que serve o esforço do professor na explicação das matérias enquanto o aluno, mesmo que olhando para a cara do professor, está sistematicamente com a sua mente centrada noutros temas? Como pode o professor fazer a aprendizagem que compete ao aluno? Como vai este aprender se está sistematicamente com o corpo na sala mas com a cabeça e a mente noutro planeta? Que poder tem um professor para intervir e "obrigar" estes jovens a uma postura de esforço para a aprendizagem? Depois do que fizeram os políticos desvalorizando e até mutilando a autoridade e a capacidade de intervenção dos professores para manter a sala de aulas como um local de aprendizagem com o mínimo de sustentabilidade, outra atitude dos alunos não seria de esperar.

Depois... Como se pode forçar a aprender (e até compreensivelmente, depois do circo que foi o acesso à universidade por alunos oriundos das Novas Oportunidades!) quem não quer nada com a escola? Como se pode fazer com que aprenda quem sabe que para a sociedade (políticos demagogos, comentadores de serviço, e até paizinhos!) se "o menino" não aprende, a culpa será do "besta" (leia-se, incompetente) do professor?

Que sociedade estamos a criar? Que valores queremos desenvolver nesta juventude, futuros governantes que traçarão os destinos deste país? Como se pode incentivar os alunos que metem as mãos debaixo da mesa para manipular o seu "brinquedinho tecnológico" (telemóvel, iphone ou outro "brinquedo"...) para realizar vídeos (às pernas ou outras partes do corpo da colega do lado, da frente ou até mesmo da professora!) que depois colocam na internet para a galhofa de todos os colegas, para ter mais acessos às suas páginas, etc. etc.

Outros metem as mãos debaixo da mesa (ou entre pernas) usando o brinquedinho para escrever mensagens e enviar aos seus amigos que (com o seu brinquedinho em vibra) recebem e mostram ao companheiro do lado com anuência (tácita ou explícita) de muitos dos paizinhos que culpam os professores pelo seu menor sucesso escolar! Sim, nenhuma responsabilidade lhes é pedida! E assim, estas criancinhas (de 15 ou até 16 anos) com direitos (mas não deveres!) de homens e mulheres são sempre ilibados das suas responsabilidades (inimputáveis por excelência ou excelências da inimputabilidade!) mesmo quando se trata de um simples acto: o de estudar, de ler, de reler, de esforçar-se por saber mais.

 

O Governo está a colher aquilo que semeou: alunos que para além de desmotivados, revoltados, desinteressados, mal educados, desobedientes, irreverentes, são acima de tudo, irresponsáveis.

O desinteresse pela escola aumenta na directa proporcionalidade com que os políticos maltratam os seus principais actores: os professores.

Não entendemos tamanha admiração e preocupação. Com uma sociedade que desvaloriza os actores escolares, que desvalorizou os diplomas (lembram-se das Novas Oportunidades!???)... para quê estudar? Quando o fracasso escolar é atribuído aos professores está tudo dito. Afinal, são os únicos que verdadeiramente penalizados (na sua carreira) por aspectos para que nada contribuíram, como o fracasso escolar, a falta de estudo, o desinteresse pela escola,...
Atentemos no exemplo que segue. Os resultados de uma dada turma foram os seguintes: 15% de alunos com Excelente, 25% com Muito Bom 25% com Bom e 20% com Suficiente e 15% com Insuficiente. Estatisticamente, os resultados estão dentro da normalidade. Atente-se que, embora os resultados desta turma estejam validados pela "curva de Gauss", para o governo, o seu corpo docente é incompetente.

Sim. Para o governo, se o corpo docente desta turma fosse competente, todos os alunos seriam capazes de "sacar" Excelente. Mais. Neste caso é ao contrário. Verifica-se até que, estes valores são muito simpáticos comparado com a diferenciação imposta pelo Governo à avaliação dos seus professores. Aliás (diga-se a talho de foice!) não se compreende como é que o governo admite que, sendo a maioria dos professores rotulados com bom, como é que um Bom professor pode formar alunos excelentes! Claro está. Aposta-se no mérito superior de competência do aluno (para aprender!) face à competência do professor (para ensinar!). É uma anedota. Sim... Uma anedota admitir que numa turma possa haver 40% de alunos com "Excelente" (e é claro que até poderá haver!...) mas que, para o governo, nessa mesma escola, só possa haver 5% de professores Excelentes! O sistema de avaliação é anedótico e só pode levar à revolta dos professores, ao desencanto com a profissão e, obviamente, associado a outras tantas circunstâncias do exercício da profissão, a um alto grau de desmotivação.

Com o ataque cerrado aos profissionais de educação, o futuro do país é inequívoco: fechar escolas e abrir cadeias...!

publicado por J.Ferreira às 07:32

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