Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

O Erro de Marques Mendes

 

Caríssimo Comentador, Dr. Marques Mendes!

 

Depois de ouvir e ver o conteúdo deste vídeo, não fui capaz de me conter e decidi publicar este escrito aberto à comunidade de leitores que esperamos críticos!

Depois de ver a sua análise fria dos números, queria confrontar V.ª Ex.ª com o calor da realidade, presente e passada.

 

A apresentação de gráficos deste tipo, onde aparece a evolução do número de alunos em Portugal não passa de uma forma falaciosa, ou no mínimo, demagógica de fazer política ou tentar explicar o inexplicável: a incompetência dos políticos — que chegam a governantes por eleição ou nomeação, o que é bem diferente de conseguir o seu lugar através de uma prova de demonstração de competência  — que pensam entender de tudo, desde finanças e urbanismos, passando por medicina, hotelaria, transportes,... até chegar à educação.

Esta é já uma característica da mentalidade portuguesa! Aqui, todos os cidadãos arrogam do direito a entender de educação. Sim. Todo e qualquer cidadão se arroga do direito de opinar e de se apresentar como especialistas em educação. A todos é reconhecido o direito a entender  de educação... Mas só alguns têm o direito de opinar em meios de divulgação pública. Portugal é um país de sucesso; um país maravilhososo onde todos entendem de educação... menos os professores! Sim... Menos os professores...? Estes são os únicos que de educação, pouco ou nada percebem... Por isso, raramente são ouvidos... Mesmo que a sua especialidade seja a educação. Não seria de esperar que os professores  fossem ouvidos em assuntos como a segurança, ou calamidades sanitárias... Mas em Educação...!??? Sim. Sem dúvida... Nesta área, os professores,  mais do que ouvidos deveriam ser escutados! Mas tal nunca acontece...

Em Portugal, se há um problema de educação, desde electricista ao mecânico, do pintor ao advogado, do padeiro ao engenheiro... todos entendem do assunto... Todos... Menos os profesores!

Socialmente aparecem como aqueles em quem mais confiam... Mas na reralidade, quando toca a dar-lhes o valor, todos gostam de achincalhar um ou outro professor pelo s9imples factod e que "não ir com a sua cara"! E se os escutam... nunca lhes fazem caso!...

Ora, meu caros, esta mentalidade conduziu-nos ao que assitsimos no vídeo. Nem mesmo esttado no governo este senhor usou uma palavra que o compreometera: os govenros... Foram os governos! Ora bolas... Diga, senhor marques Mendes. Fomos nós, ex-governantes deste país que não fomos capazes de conduzir o barco por águas calmas e seguras... Assuma a sua responsabilidade. Diga "fomos nós, os políticos que, com a nossa teimosia e cegueira auditiva (não quiseram nem ver nem ouvir quando tinham olhos e ouvidos!) fomos incompetentes e ignoramos os alertas de quem nos avisava que iríamos parar ao Triângulo das Bermudas"...

E agora? Quem vai ser capaz de fazer Portugalk regressar à  rota que devería ter trilhado? Com que marinheiros?  Com os mesmo? Com as mesmas retóricas? As mesmas medidas? A mesma mentalidade?

Basta de opinadores de tudo... Basta de treinadores de bancada!

 

Queremos também deixar aqui um apelo aos meios de comunicação social e aos senhores jornalistas!

Passem a escutar a opinião de verdadeiros especialistas vários nas tertúlias, como aqui em Espanha (onde tenho estado a trabalhar desde há mais de 6 anos!).  Deixem-se de ouvir sempre os mesmos... Podem atrair audiêcnias mas não passam de comentadores multitarefa... Quem sabe de tudo não é especialsita de nada... E são estes senhores (sempre os mesmos!) que nos vêm contar as histórias do que não fizeram ou do que fizeram mal! Sobretudo, quando tiveram responsabilidade no que se passou em portugal, é triste que venham contar a história da desgraça a que conduiziram o país! Falta de planificação, de análise das tendências!!! Por favor! Professores a mais? Deveriam ter fechado os cursos... Mas só agora o diz? É triste... São estes os "cérebros" que nos governaram? Incrível... Até um jovem estudante de 26 anos previa isto em 1992... Que políticos tínhamos (ou ainda temos hoje)?

Estamos fartos de contadores de histórias. Queremos ver gente de acção cujo trabalho e iniciativas sejam reconhecidas com o passar dos anos e não gente que se mete na política para vir depois contar as histórias da meia-culpa pela irresponsabilidade das medidas que foram tomando enquanto (des)governantes!

 

Queria começar por dizer-lhe que lhe fica bem fazer o comentário sem fazer a sua meia-culpa.

fala dos governos, desculpando os professores por irem para o desemprego.

 

Queria dizer-lhe que em 1992, quando o senhor estava no governo, se instaurou o primeiro incrível aumento do valor a pagar pelos estudantes que, nas palavras de um simples estudante da Universidade do Minho, serviriam para conseguir licenciaturas para o desemprego.

Nessa altura, o senhor era governante se nunca o vimos manifestar-se a contra o que se estava a passar. Os estudantes estavam, a entrar na universidade, a ver o custo dos seus cursos subir exponencialmente em directa proporção com a falta de futuro dos mesmos cursos. Ou seja, nas palavras do tal estudante, eram propinas para o desemprego.

 

Agora, vem V.ª Ex.ª falar aqui de que os políticos, (todos, como o senhor, que gozam de uma reforma choruda por terem desgovernado o país!) são os culpados por não terem sabido ver as tendências.

 

Meu caro Marques Mendes.

V.ª Ex.ª apresenta gráficos que começam a analisar a situação os inícios dos anos 80.

Que pretende fazer? Voltar ao sistema educativo dos anos 80 ?

Nos anos 80, acabávamos de sair de um período de Ditadura!

Havia de facto muito poucos professores. Aliás, havia tanta falta de professores que a formação de professores era de duração muito curta, para dar resposta às necessidades do país, tendo muitos cidadãos sido chamados a exercer a função docente sem a mínima habilitação. Lembra-se dos Regentes Escolares? Claro.,.. Claro que se lembra! 

A formação era feita com apenas o correspondente ao actual 9º ano seguido de 2 anos de Magistério.

 

E das turmas com mais de 40 alunos? Lembra-se? Sim!... Claro que se lembra! 

Ora, parece que v.ª! Ex.ª (dando ideias ao chefe do partido a que pertence e que está agora, de novo e uma vez mais, no governo!) quer voltar ao tempo da ditadura... Ao tempo em que as turmas dos "meninos eleitos", das "famílias de bem" eram numerosíssimas.

 

Pergunto, pois:

Quer V.ª Ex.ª dizer às crianças que não vale a pena estudar... Afinal, vão parar ao desemprego!!! É esta a sua teoria?

Ou será que o que estava mal da ditadura (como era o caso do exagerado número de alunos por turma) deverá ser corrigido?

Será que V.ª Ex.ª sabe o que se passa na nossa vizinha Espanha? Será que V.ª Ex.ª sabe que, em Espanha (o Presidente do Governo com cinco vezes mais contribuintes, recebe um salário inferior ao Primeiro Ministro português?!), onde se aposta por dar uma resposta educativa de qualidade, uma escola com 400 alunos tem mais de 36 professores?

Como compagina a qualidade com a quantidade? Como quer que numa hora de 60 minutos, 30 alunos possam ter um diálogo de qualidade superior a 2 minutos?... Como quer conseguir o a excelência nos resultados com turmas de mais de 30 alunos? Tendo uma turma 30 alunos, com aulas de 60 minutos, os professores apenas podem dedicar 2 minutos de atenção a resolver as dúvidas de cada um dos seus alunos...!! É pura matemática!! Será que necessita que lhe apresente um gráfico?

 

Fala dos alunos na década de 80... Esses números (de duvidoso rigor quando muitas crianças abandonavam o sistema educativo ou nem chegavam a frequentar a escola, deixam muito a desejar... Ou no mínimo, apresentam um desejo recalcado de voltar ao tempo da ditadura, onde os alunos eram educados, poderiam estar 40 ou 50 numa sala a ouvir um professor... Hoje, os filhos dos nossos cidadãos do século XXI, nem 5 minutos conseguem estar concentrados numa sala de aula e muito menos têm comportamento adequado a aulas do tipo Magister Dix.

 

Enfim. É triste que estes senhores tenham direito a estar numa televisão onde uma jornalista acrítica permite que se digam e fiquem registadas estas barbaridades sem direito ao contraditório. Mas esta é a democracia onde todos têm o direito de acesso à informação (ou simples desinformação, porque não passa de mera opinião infundada, mascarada de informação!) mas apenas alguns têm direito de acesso aos meios de divulgação da informação...

 

publicado por J.Ferreira às 12:12

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