Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Pessimista ou Realista Antecipado

A notícia do Público - que podem ler aqui - é algo que para ós vem com mais de 20 anos de atraso. De facto, há mais de duas décadas que clamamos pela necessidade dos governantes mudarem de políticas relativamente a medidas de protecção da família ou a população portuguesa corria o risco de não ter capacidade de repor o necessário crescimento da natalidade. Na altua - e falamos de 1992! - havia quem nos considerasse como "pessimista" ou até "louco", "miserabilista", derrotista... e outros epítetos. Hoje, os mesmos que outrora nos classificabvam dessa forma, reconhecem que o tal pessimismo não passava de realismo antecipado.

Outros chamam a esta capacidade a de "visionário". Não. Não temos visões! Simplesmente, aprendemos matemática. E a matemática, é uma ciencia exacta. E, se a matemática é ajudada pela capacidade de dedução, então ainda mais fácil se torna prever. O que estranhamos é que os nossos governantes não tenham essa capacidade e estejam a governar não para o futuro mas para o passado.

Ora, bastava ser um cidadão minimamente atento para perceber o que se ia passandoà nossa volta. Bastava olhar a nossa envolvência social para constatar que, muitos casais (com pais ainda relativamente jovens) ou optavam por não ter filhos ou se decidiam por ter apenas um filho para, rapidamente, nos darmos conta do futuro que se avizinhava. Ora, não seria necessário passar muitos anos (uns 30 anos chegavam para que esses mesmos casais atingissem a idade da reforma!)  para vermos as consequências da diminuição da natalidade. 

Na altura, era fácil de pever o que hoje se está a passar. É que, em poucos anos, esses filhos (em reduzido número, como se referiu) seriam os únicos integrados na população activa mas com a responsabilidade de suportar a reforma dos seus dois progenitores (o que implicaria altos descontos de altos salários para que fosse possível um só elemento no activo pagar a pensão de três reformados: dois progenitores e ainda um outro reformado que não chegou a ter descendência e que, obviamente, porque tendo feito os seus descontos, teria a expectativa legítima de receber também uma reforma.

 

Hoje, o problema agrava-se severamente com a "fuga" obrigatória - e até aconselhada pelos nossos (des)governantes - da maioria dos jovens em idade de "procriar". Com esta realidade a atacar agrava-se imenso a fatalidade que nos espera: chegar à idade da reforma e... ter inveja de Sócrates (filósofo). Talvez seja melhor beber "cicuta" que viver na desgraça da fome.

 

"Se os portugueses não começarem a ter mais bebés e não regressarem a um saldo migratório positivo, Portugal perderá 4,1 milhões de habitantes em 46 anos. Sociedade terá de se reorganizar, alerta socióloga. É preciso "fazer regressar os emigrantes”, reforça Pedro Lomba."

Se não conseguir aumentar a natalidade e os saldos migratórios se mantiverem negativos, Portugal poderá chegar a 2060 reduzido a apenas 6,3 milhões de habitantes. Sem surpresas, as projecções que o Instituto Nacional de Estatística divulgou nesta sexta-feira apontam para um fortíssimo envelhecimento demográfico, com o actual índice de 131 idosos por cada 100 jovens a aumentar para os 464 idosos por 100 jovens.
O recuo dos actuais 10,5 milhões para os 6,3 milhões é o mais pessimista dos cenários projectados pelo INE. Numa projecção mais moderadamente optimista, aquele instituto admite que Portugal possa chegar a 2060 reduzido a apenas 8,6 milhões de habitantes, sendo que, neste caso, passaria a haver 307 idosos por cada 100 jovens. Mas tal pressuporia que, nos próximos 46 anos, assistíssemos a uma recuperação da natalidade, com o número médio de filhos por mulher em idade fértil (ISF) a subir dos 1,28 registados em 2012 para os 1,55. Quanto à mortalidade, o INE admite neste mesmo cenário o aumento da esperança de vida à nascença para os 84,21 anos (no caso dos homens) e 89,88 anos (mulheres). Este cenário central mostra-se ainda optimista quanto às migrações. Admite que o saldo negativo que Portugal regista desde 2010 – com mais gente a sair do país do que a entrar – regresse aos valores positivos, já a partir de 2020.
Com pressupostos mais pessimistas, isto é, se a natalidade se mantiver nos níveis actuais e o saldo migratório permanecer negativo, Portugal dobraria então 2060 com apenas 6,3 milhões. Seja como for, o envelhecimento populacional é o denominador comum a qualquer um dos cenários. O que torna evidente, para a socióloga Maria João Valente Rosa, a necessidade de o país se sentar a repensar o seu modelo de organização social. “O modo como nos organizamos enquanto sociedade foi pensado e funcionou num perfil populacional diferente, muito mais jovem, do que o actual e do que o que teremos no futuro”. E, porque o envelhecimento populacional é inelutável, em Portugal como no resto da Europa, ceder à tentação de “amplificar o que temos no presente para o futuro” também não será o caminho mais acertado”, segundo aquela investigadora. Porquê? “Desde logo porque os idosos que vamos ter em 2060 não vão ser iguais aos de hoje: vão ser mais qualificados e mais próximos das novas tecnologias”.
Assim, a inversão da pirâmide etária, tornou desde já anacrónico que a idade, em detrimento do mérito, continue a ser “um marcador social importantíssimo na definição do valor dos indivíduos”, isto é, “numa sociedade muito baseada na força do mercado de trabalho, na força física, fazia algum sentido que o valor das pessoas fosse medido em função da idade”; hoje, porém, “numa sociedade sustentada no conhecimento, isso deixou de fazer sentido, porque o conhecimento, ao contrário da força, não tem barreiras de idade”.
Adiamento da idade da reforma é mero “paliativo”
Não se pense, porém, que a resposta ao problema do envelhecimento está no adiamento da idade da reforma. “Isso não passa de um paliativo, mas o paliativo não cura, o que é preciso é ir ao fundo da questão, sob pena de estarmos constantemente a ter de discutir novos adiamentos da idade da reforma”, alerta a socióloga. Que preconiza, isso sim, toda uma reformatação do modelo de organização social que estabelece três fases distintas, estanques e balizadas pela idade, no ciclo de vida de cada um: formação, trabalho e reforma. “Por que é que a formação, essencial em todas as etapas da vida, só é admitida no início? Por que razão o trabalho não pode ser menos intenso, na fase central das nossas vidas, em que pode haver filhos pequenos, e prolongar-se até mais tarde?”, sugere Maria João Valente Rosa.  (In Público 28/03/2014)

 

 

publicado por J.Ferreira às 22:52

link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Em Nome do DESACORDO Orto...

. Sucesso Escolar versus Co...

. António Costa e a Queda d...

. O Regresso dos Rankings e...

. Nas Tintas Para a Opinião...

. PAIS de ONTEM na escola d...

. O Milagre das Escolas Pri...

. Os Donos do Sol

. Políticos Vivem Acima das...

. Direito à Habitação versu...

.arquivos

. Maio 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds