Domingo, 17 de Agosto de 2014

Novas Formas de Escravatura

Portugal afunda-se e ninguém foi capaz de dar o murro na mesa... Há uma camada de coniventes! A culpa passa pelo Presidente da República que assina tudo! Ouçamos o que diz José Gomes Ferreira denunciou em seu devido tempo. Que aconteceu? Nada! Onde anda a justiça portuguesa?

"Um Presidente da República, apercebeu-se perfeitamente (em 2007, nós dissemo-lo neste estúdio!) que ia ser feita uma loucura com as Estradas de Portugal e com o novo modelo de financiamento, foi-lhe lecado o diploma, ele teve dúvidas... pediu esclarecimentos e depois assinou... assinou uma coisa destas? Ainda hoje estou sem perceber porquê? (...)

Na Grécia... o caso dos submarinos... o político foi preso! Ninguém conseguiu provar que ele tinha enriquecido por causa da compra dos submarinos... Mas, porque comprou uma casa de muitos milhões... e como não conseguiu provar de onde tinha conseguido o dinheiro... foi preso!"

"Auditoria do Tribunal de Contas: As PPPs são um negócio ruinoso para o Estado e, claro, para os contribuintes, uma conta astronómica a ser paga nos próximos 40 anos.Não é um caso de polícia? Ninguém vai ser responsabilizado?" - SIC Notícias
Chegamos ao fim da linha. Os portugueses já não conseguem resistir a mais sacrifícios...!! Basta.
Depois do tempo em que os exploradores da costa africana ou dos países americanos onde recrutavam mão-de-obra gratuita entre os prisioneiros, os poderosos de hoje usam os trabalhadores a soldo (recrutados entre os cidadãos da plebe que vivem do seu salário conquistado com o suor de cada dia!!!) como "Novos Escravos" que, a quem nada lhes resta de diferente para além do facto de não serem vendidos e de lhes não poderem ser aplicados castigos corporais, nem retirada a liberdade, quase pouco ou nada lhes resta que os distinga dos verdadeiros escravos.

Vem este comentário indignado a propósito de mais uma notícia envolvendo escândalos financeiros que, de uma forma ou de outra, os novos escravos do trabalho serão chamados, uma vez mais, a pagar. É chocante... Para além das sedudoras palavras dos actuais (des)governantes, a verdade é que Portugal tem sido (des)governado por um grupo de incompetentes que comentem autênticos crimes de "lesa-povo" (noutros tempos, denominados de lesa-majestade) mas que escapam à justiça usando de todas as artimanhas (leia-se, estratégias legais constituídas por buracos (propositadamente???) deixados nas leis para poderem escapar à justiça, evitando pagar "um chavo" pelos desvios financeiros ou até crimes económicos cometidos (ainda que alguns deles, sejam cometidos por incompetência, outros haverá, seguramente, que são levados a cabo de forma deliberada, seja por acção seja por inacção!).

E assim lá vão escapando à justiça (lenta e ineficaz porque forte e implacável com os fracos e branda e condescendente com os fortes) conduzindo todo um povo, todas as gerações de joves adultos e anciãos para a miséria...

 

É triste viver num país como este... É triste ter governantes como os que temos... É triste ser governado por quem nunca teve de dar provas de nada que não seja ser capaz de cativar os votos dos cidadãos... E ainda por cima, usando de demagogia e mentira, enganando-os todo um povo com falsas promessas (MENTIRAS) que cada partido coloca no seu Programa Eleitoral (que deveriam ser considerados legalmente como um Contrato com o Povo cumprindo ao Presidente da República e ao Conselho de Estado aferir do seu cumprimento e do desvio do seu conteúdo tomar as devidas medidas... e não como Tinta em Papel Morto no dia imediato à vitória eleitoral de qualquer dos partidos ou coligação candidata nas legislativas.

O desvio do programa e das promessas nele contidas deveria ser condição inequívoca para a demissão automática do governo e dar nova palavra ao povo... ó assim será para escaparem permitem aos poderosos (muitos deles, eram ex-pobretanas que nem tinham onde cair mortos!!!) 

 

Veja-se abaixo o excerto jornalístico com o histórico daquilo a que chamamos UMA NOVA FORMA DE ESCRAVATURA EM PORTUGAL.

 

A 2 de novembro de 2008, Teixeira dos Santos, então ministro das Finanças do executivo de José Sócrates, anunciou a "morte" do Banco Português de Negócios. A nacionalização era imperativa porque, segundo explicou, estava "em eminente situação de rutura financeira" depois de ter sido detetado um buraco de €700 milhões. Até dezembro de 2013, segundo o relatório do Tribunal de Contas divulgado esta semana, a nacionalização do BPN e a constituição e funcionamento das sociedades-veículo Parups e Parvalorem [para onde foram os ativos "tóxicos" e/ou potencialmente recuperáveis] custaram aos cofres do Estado €2 202,5 milhões.

Atente-se o leitor:  não se trata de uma bagatela mas de uma galáctica bagatela:  são dois mil duzentos e dois milhões e quinhentos mil euros.  E o autor do artigo explica como se chega a tão avultados números escrevendo:

Os números são estes: €746,9 milhões em 2011,   €982,7 milhões em 2012 e €472,9 milhões de 2013 (valor ainda provisório), sem contar com as erdas da Caixa: nesse mesmo ano de 2013, a Parvalorem e a Parups orçamentaram o reembolso à CGD em €3 685,3 milhões, mas apenas conseguiram devolver €397,1 milhões. Façamos um paralelismo: com a chegada da troika a Portugal, muitas medidas de austeridade (cortes de salários e/ou subsídios e aumentos de impostos) foram tomadas.

Algumas poderiam ter sido evitadas? Vejamos quais:

Subsídio de Natal

Mal o Governo de Passos Coelho entrou em funções anunciou logo um corte de 50% do subsídio de Natal (mentira de Passos coelho, quando era apenas candidato a Primeiro-Ministro) acima do salário mínimo.

Escutem o vídeo e atentem nas palavras de Passos Coelho após os 50 segundos: "cortar nos susídios é um disparate"!

O desconto foi aplicado ao valor excedente a €485 euros. A medida rendeu €800 milhões aos cofres do Estado. Os funcionários públicos e do setor estatal têm, desde 2011, cortes salariais que variam entre 3,5% e 10% acima dos €1 500. O Governo quis baixar esse mínimo para os €675, mas o TC chumbou. Foi anunciado que hoje, quinta-feira, os juízes do Palácio Ratton, que têm deixado passar estes cortes da "era Sócrates ", entendendo-os como "transitórios", revelariam a sua decisão sobre a mesma matéria. Em 2013, o Estado poupou €734 milhões.

Ao bolso dos reformados.

Vamos em 1534 milhões. Se juntarmos outra medida, aproximar-nos-emos dos 2.446 milhões, um pouco mais do que a dimensão do buraco: primeiro foi a Contribuição Especial de Solidariedade (CES) sobre as pensões acima de €1.350, e, agora, o Governo quer substituí-la, de forma definitiva, pela Contribuição de Sustentabilidade (CS) taxa de 2% a 3,5% nas pensões acima de mil euros.
Hoje, quinta-feira, o Tribunal Constitucional pronuncia-se sobre esta medida. A CES retirou aos pensionistas €540 milhões e a CS está avaliada em €372 milhões. A ação combinada dos cortes no subsídio de Natal, da CES e da Contribuição de Solidaredade já pagava, assim (à custa das economias e sacrifícios do povo trabalhador), a totalidade do buraco do BPN . Sobravam uns trocos... Mas há mais.

As férias, em 2012

Em 2012, os funcionários públicos e do setor empresarial do Estado, assim como os pensionistas, ficaram sem subsídios de Natal e de férias. O Tribunal Constitucional viria a chumbar esta medida, mas anuiu a sua aplicação nesse ano. Poupança: €2 mil milhões. Pode dizer-se que o dinheiro foi diretamente transferido para cobrir os prejuízos do BPN? Não. Mas é uma medida que poderia ter sido evitada, mesmo mantendo-se as outras, impostas pela austeridade.
E os impostos, claro
Vítor Gaspar, então ministro das Finanças, deixou o País de boca aberta, ao anunciar, em outubro de 2012, "um enorme aumento de impostos" . A redução de oito para cinco escalões de IRS representou um encaixe de €2,5 mil milhões. É muito? Sim, mas se o Estado os tivesse transferido diretamente para o BPN, ainda não seria suficiente. Precisaria de juntar a receita da sobretaxa de IRS, no valor de 3,5% sobre o salário líquido (descontando o ordenado mínimo, que é €485), uma medida que valeu €750 milhões. Sobraria, agora, o equivalente à... Contribuição de Solidariedade.

 

Como é sabido, o ministro Vitor Gaspar  viria a abandonar o governo e (aborrecido, muito aborrecido, imaginamos!) lá lhe ofereceram mais um lugar (tacho???) nas altas instâncias financeiras mundiais que financiaram Portugal depois da derrocada financeira provocada pelos (des)governos anteriores, com especial realce para o (des)governo do engenheiro José Sócrates: o FMI - Fundo Monetário Internacional. Ex-ministro das Finanças de Portugal assume funções em Junho no FMI." Ou seja, quando um político não se considera capaz de colocar um país nos carris, é convidado para governar o mundo financeiro! Vamos bem... Vamos bem! Aliás, muito semelhante foi o que se passou com Vítor Constâncio que foi eleito eleito vice-presidente do BCE ... Deixou os bancos portugueses fazerem o que fizeram quando lhe competia supervisionar a actividade bancária. Deixou à deriva a actividade dos bancos portugueses e deixou que chegassem ao ponto a que chegaram... Como diria Eça de Queirós., demonstrou a sua incompetência em Portugal e foi "promovido" sendo eleito para o BCE - Banco Central Europeu (que, em nosso entender, deveria mudar a sigla para CCE: Cancro Central Europeu).

A sociedade actual é assim... E, em Portugal já assim é desde meados do séciulo XIX. Há já quase dois séculos! Lembremos o que Ramalho Ortigão e ‎Eça de Queirós escreveram em As Farpas (1871, pp. 40-42) sobre a forma como as pessoas eram promovidas nos organismos do Estado.

 

Vivemos num país onde as novas formas de escravatura se traduzem na obrigatoriedade dos portugueses se resignarem: resta-lhes trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagarem as desgraças (desvios, roubos, desfalques...) provocadas pela (in)competência dos senhores do poder, seja ele político, económico ou financeiro... É triste o país que deixamos às novas gerações...

Depois do fim da ditadura (25 de abril de 1974), o início da década de 90 do final do século passado, assistiu à classificação de uma geração de jovens que legitimamente protestavam contra o pagamento da sua formação. Baptizada, pelos influentes da sociedade, de "geração rasca" (por recusar-se a pagar propinas para a sua formação quando os que governavam e estavam a retirar benefícios da sua formação muito pouco ou quase nada haviam pago para além das taxas de matrícula!). Porém, em nosso entender da época, estávamos, isso sim, perante a primeira "geração à rasca", que pagaria propinas para formar-se para o desemprego (assim o considerávamos à época e pouco nos equivocamos!!).

Depois da geração à rasca dos inícios da década de 90 do século XX, temos hoje, no século XXI uma geração sem quaisquer perspectivas de futuro em Portugal, a quem os ministros não se coíbem de aliciar a emigrar... ou seja, de uma "geração à rasca" temos hoje uma "geração enrascada" que,  não tendo aprendido a máxima "a tropa manda desenrascar" no sítio certo (porque não foi obrigada a cumprir o serviço militar!) a quem só lhe resta aprender a arte de "desenrascar-se"!

E, num país a afundar-se de dia para dia, onde apenas se salva quem soube nadar nos meandros da podridão... onde só se salva quem (como no Titanic) tenha influência política (chamem-lhe "poder de influência", "cunha" ou outra coisa qualquer...)  aos que seguirem os conselhos do ministro e partirem só desejamos que, acaso consigam "desenrascar-se" e dar à costa (com ou sem "bóia de salvação") que dêem à costa num outro país, mais prometedor, onde a justiça funcione e onde os políticos tenham uma réstia de dignidade e de vergonha na cara!

publicado por J.Ferreira às 13:04

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