Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Nas Tintas Para a Opinião dos Professores

Um dia perguntaram-me, o que fawer com uma criança ao chegar a hora de escolarizá-la???

Bom... — disse — Se fosse comigo... (e pudesse, obviamente), durante o tempo de escola "primária" emigraria para a nossa vizinha Espanha (Galiza) onde iniciei funções há cerca de 10 anos e de onde saí há apenas 3 anos,onde as escolas (urbanas !) havia turmas  com 25 alunos e turmas com apenas 8 ou 12 alunos mas todos de um único ano de escolaridade! E com todos os recursos, incluindo quadros digitais interactivos, salas dedicadas a idiomas, música, bibliotecas escolares apetrechadas (autênticas e verdadeiras mediatecas!) com dimensão superior a 2 salas de aula.

Enfim: é a diferença entre a "civilização" e a estagnação.

Quando saí de Portugal, em 2002 para exercer em paris, chocava-me a falta do recurso às tecnologias em Paris... ainda por cima porque entre 1995 e 2000, desempenhei (em Portugal) a função de formador na área de tecnologias de ensino. Em 2006, passei a exercer em Espanha, e pasmei ao ver a dimensão do investimento dos governos na Educação. Diria mesmo chocado com a diversidade e a qualidade dos recursos disponíveis nas escolas, onde se podiam desenvolver projectos com qualidade.

Foi aí que concluí que Portugal estava, definitivamente, ultrapassado. Os governos tinham abandonado as escolas e os recursos estavam estagnados! uma inegável e miserável falta de recursos.

Exerci num país em que a salas de aula estavam equipadas com os recursos tecnológicos necessários á escola actual...

Há 3 anos regressei ás minhas funções docentes em Portugal. E deparei-me com o irrefutável. Depois de ter passado por uma escola de montanha (com óptimos recursos para a aprendizagem!) acabei exercendo em Braga, numa escola de cidade onde a falta de recursos (ou a falta de qualidade, no que existe!) é a única constatação. A pocuo e pouco, a escola tem recebido apoio e equipamentos da Associação de Pais, fruto da "mendicidade", seja das quotas dos pais seja das rigfas que as crianças vendem,,, próprios de um país tercerio mundista, que aposta em Estádios de Futebol luxuosos que estão qwuase inutilizados e que custam mensalmente balúrdios ao Estado e aos contribuintes (como é o caso de Aveiro e Algarve). 

São os professores que, por sua inciiativa (e carolice) vão evitando que os equipamentos fiquem inutilizáveis... 

Nesta escola (sem internet fixa e funcional !)  onde se mendiga um computador velho (construídos em 2000...!), autenticamente "recuperados do lixo informático", isto é, resultaram da recuperação de computadores que resultaram da renovação dos meios informáticos em empresas famosas da região. Uma escola que mendiga um projector á Associaçãod e Pais... Ou seja, na era das tecnologias, estamos ainda muito longe de pensar em ter um quadro interactivo na sala de aulas. 

Ao mesmo tempo, a autarqui local (na sua autonomia de fazer o que bem entende com o dinheiro dos contribuintes!) decidiu refazer o espaço do recreio construindo um "campo de futebol" exterior...

Claro... porque dá mais nas vistas... e vem aí o ano de eleições!!! Nenhum docente o pediu... mas vão iniciar a sua construção no espaço que era de recreio de todos os alunos, retitrando-se à maioria das crianças que gostam de divertir-se de forma diferente do futebol, um espaço que era de todos!. passará a ser ocupado, cerca de 50% do recreeio livre, por apenas duas dezenas de alunso!!! e AINDA POR CIMA (dizem!) NÃO TERÁ BALIZAS...!!! 

Que esperam??? Nós sabemos: um incremento da agressividade e da violência entre as crianças que, com horas dedicadas semanalmente a futebol (nas escolinhas em que os pais inscrevem em horas não letivas, seja à semana ou ao fim-de-semana...)

Até aprece que é da emoção e da agressividade que os políticos gostam... quizas,. apra aprecerem nas notícias! Posi os docentes preferiam a convivªência á violência... Mas não foram tidos nem achados... Não foram ouvidso na tomada de decisões que dizem ser democráticas..:!!!  Se isto é democracia... que venha a ditadura!

Apresentaram a construção do campo de futebol como um facto consumado, informando que as obras (ABSURDAMENTE) serão iniciadas em período escolar... É INCRÍVEL... Numa das escolas onde exerci em Espanha, construíram um andar em cima do edifício existente, com 5 salas de aula no espaço de verão. Aqui, uma porcaria de trabalhos que poderia ser executada no próximo Período de Natal... vais er executado durante as aulas...! INCRÍVEL... Com o barulho e os movimentos de trabalhadore,s máquinas... que qualdiade se espera das aulas???

Em breve vamos assitir á construção de um campo de futebol que não foi pedido nem reclamada pelos docentes.

Em contrapartida, A REDUÇÃO DO ECO EXISTENTE NO PAVILHÃO DA ESCOLA (que mais parece uma capela para ópera!), RECLAMADO PELOS DOCENTES HÁ MAIS DE 2 ANOS, continuam por ser atendidos.

Não há condições de trabalho mas... ninguém se preocupa com isso: os alunos continuarão a ter de aprender em condições miseráveis... mas TERÃO UM LUXO DESPORTIVO.

É triste... Os nossos "governantes" locais vão construir um campo de futebol... (que apenas será utilizado nas aulas de AFD em dias de bom tempo) mas nada fazem para remover a ressonância do som no pavilhão (que pode ser utilziado todos os dias!).

É triste... Os nossos "governantes" locais vão construir um campo de futebol... (que apenas será utilizado nas aulas de AFD em dias de bom tempo) mas recusam-se a fazer a montagem de uma cobertura numa parte do espaço exterior da escola para efeitos de recreio em dias de chuva...

O ESPAÇO COBERTO reclamado há mais de 3 anos continuará por construir, enquanto a agressividade e a violência entre alunos continuará a incrementar-se. O MAIS GRAVE E TRISTE... é que os políticos "estão-se nas tintas para a opinião dos professores". Não interessa o que dizem os docentes...

O campo de futebol será feito contra a vontade dos docentes... contra as necessidades pedagógicas! E, obviamente, choverá nele durante a maioria do ano... e os alunos não irão desfrutar da sua construção... Mas terão um campo de futebol!

A biblioteca... ficará por fazer! O arranjo acústico do pavilhão... continuará por fazer! As zonas super-perigosas do recinto continuarão por arranjar... até que haja um acidente grave e alguém se tenha que deslocar à morgue!!

Enfim... Uma triste tristeza... que só conduz ao desânimo e à desmotivação de professores e ao desencanto profissional.

publicado por J.Ferreira às 21:20

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

O Milagre das Escolas Privadas

Quando quero peixe de mar... tenho de pagar!

 

Assunção Cristas disse que a Escola Privada "não custa mais para o Estado" (...)??? Como? Quem me vai fazer crer que na minha escola, com mais de 120 alunos, os 5 docentes e apenas 2 auxiliares, o somatório dos gastos (energia, papel higiénico, detergentes, ...) custam ao Estado 5 vezes 80.500 euros (que é o que dão aos privados por cada turma...)???

O Ensino Privado proliferou ao mesmo tempo que no país, as empresas de produção de bens foram falindo... Porquê??? Porque, com esta *PIPA de MASSA" que se paga aos privados (80.500 € / Turma / Ano) multiplicada pelo número de turmas da escola (a minha receberia 402.500 € por ano!) os Privados têm na Educação a nova GALINHA dos OVOS de OURO... Note-se que o que recebe a maioria dos docentes está longe dos 25.000 euros / ano... e a maioria dos auxiliares (agora assistentes operacionais) está longe de receber 700 euros.

Quando o Estado atribuir a autonomia financeira às escolas públicas, para que possam gastar o mesmo que atribuem aos privados, em menos de meia dúzia de anos na minha escola poderíamos construir recreios cobertos, anfiteatros,... e até piscina! Como assim não é, temos umas instalações inadequadas a um sistema de ensino eficaz para que seja comparado com os recursos de que dispõem os privados!!! Já sabemos que as há bem piores por esse país abaixo...! Já sabemos, E que em África os alunos escrevem no chão... também sabemos,.. Mas a Escola Pública é sistematicamente comparada com a Privada e não com a África!!

E não me venham com essa treta de que fizeram os cálculos de custos da educação... com essa "lama para os olhos" que se chama "média de gastos por turma"... Os (des)governantes de Portugal esbanjaram dinheiro em aspectos supérfluos do ponto de vista educativo e oneraram os contribuintes por uma má (péssima!) gestão da coisa pública. Esbanjaram dinheiros públicos que foram iputadoas á educação... Qual o objetivo? Desconhece-se. mas que o resultado foi um "enorme investimento" (assim lhe chamaram!) em Educação, mas que de facto, muito pouco se fez pela educação senão mudar, trocar, (re)definir, (re)mudar, (re)construir e destruir os programas das disciplinas... Essas foram as reformas que tiveram impacto na Educação. O resto foi esbanjar dinheiros...

Em Portugal temos escolas públicas de luxo e de lixo... Numas escolas têm tudo (quadros digitais nas salas de aula, computadores portáteis para os alunos, bibliotecas, salas de jogos, cantina, pavilhão desportivo, ... ).; noutras nada.

E dizem que foram feitos os cálculos e descobriram o custo médio por turma...!? Que cálculos? Que foi englobado nesses valores? Quem os fez? Os mesmos que afundaram o país, os mesmos que se enganam sistematicamente nas contas e conduziram o país à ruína que todos sentimos na pele?

Onde é que uma turma custa 80.500 euros?

Ah, claro!!!... Englobam os valores gastos na requalificação (esbanjadora dos dinheiros públicos) de algumas escolas com candeeiros de 2000 euros e torneiras de 500 €?

Pois bem... Para umas escolas públicas terem candeeiros Siza Vieira e torneiras de 500 € (da marca Ferrari, quizas?!) terem estes luxos, outras nem recreio coberto têm, ainda que situadas em zonas do país em que a maior parte do tempo chove que se farta!!!

Todos bem sabemos quanto custa o peixe de qualidade, pescado em alto mar... E bem vemos que o peixe dos viveiros continua a vender-se bem porque, para muitos, a carteira não chega ao peixe de mar!!!!

Todos os portugueses têm, constitucionalmente, os mesmos direitos...

Enfim... Se querem manter ajudas ao Ensino Privado, calculem o valor a atribuir pela média do dinheiro público que o Estado gasta nas 10 escolas com menos recursos do país... Assim, sim. Assim, se verá se os privados conseguem fazer milagres educativos, sem onerar os pais dos alunos que frequentam essas escolas!

E, como os Privados são capazes de fazer "milagres educativos", Sim... Como ainda há quem se arrogue de dizer que têm "melhor qualidade"...

Depois, veremos se os privados (tal como em grande parte dos estabelecimentos públicos!) fazem omeletas sem ovos!

Se não são capazes do tal Milagre Educativo (de fazer omeletas sem ovos!!!)... pois, que sejam os utentes a pagar os ovos..:!!!

Eu, se quero peixe de mar... também o tenho de pagar!

publicado por J.Ferreira às 19:25

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Sábado, 24 de Outubro de 2015

Finlândia Deixa a Criança Ser Criança

A Finlândia dá exemplo no sistema de educação e não apenas infantil, onde as crianças são mais livres para serem crianças. O sistema educacional finlandês é considerado como um dos melhores do mundo e os bons resultados que lá se obtêm, o comprovam.

Como se conseguem tais resultados?

 

1. Professores são profissionais valorizados

A educação é uma profissão de prestígio e os professores são considerados autoridades na escola e na sociedade.

2. A educação é totalmente gratuita e, portanto, acessível a todos

A educação é obrigatória entre os 7 e os 16 anos e todas as escolas, para essas faixas etárias, são públicas. Os livros e o material escolar também são gratuitos. Toda escola garante a alimentação das crianças durante o dia, com qualidade nutricional. O transporte escolar é fornecido pelas municipalidades e também é gratuito.

3. Investimentos equitativos e justos

Os investimentos públicos em educação são feitos de forma equitativa e os fundos estatais são repartidos, de forma justa, entre as municipalidades, em cifras variáveis que visam atender as necessidades específicas de cada comunidade. Essa condição gera igualdade de oportunidades, que é considerada um valor essencial.

4. Currículo comum mas especial

O currículo escolar é comum a todos porém, é organizado por cada centro educacional específico. Cada escola e seus professores desenham o currículo para a comunidade que será atendida por eles e planejam sua aplicação de forma a lograr os objetivos que considerem melhores.

5. A educação é personalizada

Os alunos com necessidades especiais são acompanhados desde os primeiros momentos, aumentando assim seus índices de sucesso e minimizando as porcentagens de fracasso escolar. O ritmo de aprendizagem individual é respeitado, não são aplicadas provas e atividades estandartizadas. Os professores atendem o mesmo grupo estudantil desde o 1º até o 6º ano de escolaridade, acompanhando sua classe na evolução escolar e aprendizagem.

6. Os alunos têm tempo para tudo

Estudar, brincar e descansar são funções sérias do processo de aprendizagem e igualmente valoradas. O 1º ano de escolaridade obrigatória só é começado aos 7 anos, quando se considera que a criança está madura para aprender. Os estudantes do ciclo fundamental, dos 7 aos 12 anos, têm só 3 a 4 classes por dia, com descansos de 15 minutos entre estas e mais um horário para alimentação. As lições que seriam para casa são feitas nas classes.

7. A preparação de aulas é considerada parte da jornada de trabalho do professor

Os professores dão menos classes que em outros países, o tempo em que estão em sala de aula é menor e têm horas específicas, na escola, para preparação das suas aulas futuras, pesquisar temas, interagir com outros docentes, etc.

8. Até o 5º ano do fundamental os alunos não têm provas nem recebem notas

A competitividade não é valorizada. Os relatórios dos professores são somente descritivos sobre seus alunos, os educandos não são valorados em notas.

9. É valorizada a curiosidade e a participação do estudante

A imaginação e a capacidade de realização são valores importantes para a sociedade finlandesa onde abundam profissionais das artes assim como os de tecnologia e engenharias. Este desenvolvimento criativo é fomentado durante todo o processo educativo onde se valora a criatividade, a experimentação e a colaboração em detrimento dos processos de memorização.

10. Os pais estão envolvidos no processo educativo de seus filhos

A sociedade e as famílias consideram que a educação é fundamental e que deve ser complementada com atividades culturais. Os pais dispõem de ajuda social em sua vida profissional para poderem conciliar suas atividades com o atendimento à família.

publicado por J.Ferreira às 02:01

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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Venha a PORRA para os Deputados

Depois de termos assistido, nos últimos anos (quase uma década) à tentativa de denegrir a competência dos professores por parte dos nossos parlamentares que aprovam (ou autorizam) que o governo insulte sistemática (diria, estrategicamente) a competência dos professores universitários (os únicos que aprovam e atribuem licenciaturas em ensino aos professores das escolas portuguesas) sem que se faça notar a sua indignação, eis que, numa rede social, aparece  uma deputada a "meter o pé na poça" escrevendo com erros ortográficos.

 

E, contrariamente ao que refere a notícia — "Observando com atenção é possível perceber que Catarina Marcelino escreveu “tulero” ao invés de “tolero”, “sensura” ao invés de “censura” e “bloquiarei” ao invés de “bloquearei”." — não é necessário estar muito atento pois os ERROS são ABUNDANTES... e CHOCANTES.

 

Ora, quando uma deputada escreve com tão vergonhosos "erros ortográficos" a única medida que o governo deveria tomar, de imediato, era a criação de uma PAP para se aceder ao Parlamento... Ou seja, para quando uma Prova de Aptidão Parlamentar? 

Será que não merecemos mais competência àqueles que ocupam lugares em órgãos de responsabilidade do Estado? Devermos continuar a admitir a que acedam a cargos deste calibre, pessoas com tamanha incapacidade ou ignorância?

 

Enfim... E que faz o Senhor Ministro da Educação, Nuno Crato...? Um ministro que tanto insiste em examinar os professores (que já foram examinados... !!!) de que está à espera para propor aos seus pares do governo que seja criada e aplicada uma Prova de Aptidão Parlamentar??? Vamos! Coragem, senhor Ministro. Já agora, uma ajudinha... Por que não chamar à dita prova de "Prova Ortográfica da Recuperação com Reforço de Aulas.  E, seria até interessante ver como reagiriam os seus "pares" (políticos) quando soubessem que, para serem parlamentares (ou até governantes) se teriam de submeter à sentença da dita PORRA.

E, já agora, mais interessante seria que a PORRA fosse aplicada a todos os candidatos a qualquer Órgão de Soberania de Portugal  (com menos de 5 anos de exercício)...

Afinal, nada de extraordinário aqui é proposto... E, parafraseando o que foi afirmado por responsáveis governamentais sobre os professores, perguntaríamos: "que político tem medo de se submeter à PORRA!

 

Ai não o querem fazer porque seria desprestigiante para os nossos parlamentares porque também eles (como os professores...!!)  já deram provas nas escolas??? Ai sim!???  Ora... PORRA! vejam então como podería ser APROVADO um deputado Nuno Magalhães Deputado CDS: "Entre Vitimas e Criminosos Estamos do Lado dos Criminosos". Esta afirmação é uma autêntica aberração...!!! 

 

 

 

Aqui, escrevemos em desacordo ortográfico... Deliberadamente!

 

 

 

publicado por J.Ferreira às 00:28

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Quinta-feira, 27 de Junho de 2013

Morte de Uma Lei À Medida ou Por Medida

A notícia do dia:

Crato acaba com licenciaturas como a de Relvas!

E que se passará com a licenciatura deste ex-ministro?

A novela vai ainda ter muitos episódios!


Um dia, sabe-se lá, ainda pode aparecer por aí algum atrevido que faça uma curta (ou até uma longa metragem) intitulada "Sócrates Versus Relvas"... A diferença de duas personalidades que marcaram a política nos últimos 10 anos.  Vejam aqui 1!

 

 

Voltemos ao nascimento da lei que permitiu a Relvas obter a sua licenciatura "legalmente" (???!).

Na verdade, ainda que esta não tenha sido feita "à medida" ou "por medida"... não há dúvida de que é uma lei do tipo pronto-a-vestir... Sim. Pronto a vestir porque, seguramente, deve ter servido a muito boa gente! Por isso, nunca se saberá por que foi criada ou com que verdadeiros objectivos nasceu! Mas uma coisa é certa: há gente a quem ela serviu como um "traje de rei"...!

 

Enfim... O importante para a credibilidde do ensino superior (futuro, caro está!) é que, depois de ter encerrado a Universidade Independente, se pudesse atacar o mal pela raiz...

É de apluadir o facto de, depois de tanta celeuma, finalmente, a lei estar morta!


No entanto, algumas perguntas ficam sem resposta:

Porque será que se fazem leis deste tipo ?

Por que terá sido criada esta possibilidade de expandir as "Novas Oportunidades" aos Cursos Superiores?

Será que alguém acredita que esta legislação se destinava a um cidadão abstracto? Que não tinha destinatários concretos?

Já repararam no ano em que a Lei foi aprovada?


Será que o Governo de Sócrates ignorava os potencais beneficiários deste tipo de acreditação?


Por último, um aplauso pa Crato.. O único que nos merece em todo o seu mandato:

É preciso coragem... senhor ministro, diga-se!

 


 

Vejam a novidade da medida do Governo...

Mas, será que alguém agora estará atingido? Será que algum daqueles a quem a lei se destinava vai ser atingido?

 

Os que beneficiaram do pseudo-reconhecimento de competências... que lhes vai suceder? Alguém se atreve a retirar-lhes o diploma?

Incrível... Como as "Novas Oportunidades" atingem uns quantos... para seu benefício! Uma vergonha Nacional...!

 

 

A notícia da morte da lei absurda chegou, finalmente (ver orginal Aqui 2 e Aqui 3)

 

Interessante... Mas será ineficaz pois, seguramente, os pretensos destinatários e/ou beneficiários já terão a vidinha arranjada!

Que esperam, heim!!??

 

 

Notícia 1


Ministério Público pede anulação da licenciatura de Relvas

O Ministério Público pediu a declaração de nulidade do ato de atribuição de licenciatura a Miguel Relvas, na ação administrativa especial intentada contra a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, informou a Procuradoria-Geral da República.

«O Ministério Público no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa intentou acção administrativa especial na qual peticiona, para além do mais, a declaração de nulidade do acto de atribuição de licenciatura a Miguel Relvas», lê-se numa nota da PGR.

A nota adianta que a acção foi proposta contra a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, tendo como contra-interessado Miguel Relvas e teve por base um relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência.

Fonte do Tribunal Administrativo de Lisboa disse que a ação do MP deu entrada na quarta-feira e que já foi distribuída à Unidade Orgânica 3.

Miguel Relvas não é réu nesta ação administrativa, mas figura como contra-interessado, podendo ser envolvido em função da relação com os factos aludidos na queixa, de acordo com o código administrativo.

A Universidade Lusófona ainda não foi notificada do processo, disse à agência Lusa fonte da instituição de ensino.

A mesma fonte lamentou ter conhecimento deste procedimento através da comunicação social e reiterou a convicção de que a instituição «agiu com total transparência e regularidade».

«Por isso, aguarda serenamente o desfecho deste processo», acrescentou a fonte.

A decisão do MP em remeter para o tribunal surgiu na sequência do relatório da Inspeção-geral da Educação e Ciência (IGEC) relativo ao «caso Lusófona», no qual era proposta a declaração de nulidade da licenciatura do ministro Miguel Relvas.

O antigo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares anunciou a demissão do cargo a 4 de abril, alegando «falta de condições anímicas» para continuar a exercer as funções.

Na mesma altura, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) decidiu enviar para o Ministério Público o relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), que envolve a licenciatura de Miguel Relvas, para que fosse este a decidir sobre a «invalidade de um ato de avaliação de um aluno».

No relatório entregue ao ministro da Educação, Nuno Crato, a IGEC defendia existir «prova documental de que uma classificação de um aluno não resultou, como devia, da realização de exame de escrito».

 

 

Notícia 2:

"Governo acaba com créditos ilimitados por experiência profissional nas licenciaturas"

"Novo regime aprovado em Conselho de Ministros põe fim a situações como a do ex-ministro Miguel Relvas."

"Os créditos atribuídos pela experiência profissional e outras actividades exercidas pelos estudantes do ensino superior vão passar a estar limitados. O Governo aprovou nesta quinta-feira, em Conselho de Ministros, uma alteração ao regime jurídico dos graus académicos que cria regras mais apertadas para a obtenção de equivalências, pelo que deixa de haver possibilidade de acontecerem casos como o da licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas.

Com o novo regime, o número de créditos atribuídos por equivalência nunca poderá ser superior a um terço da totalidade dos créditos totais de cada um dos cursos.

“Há uma clarificação no sentido de uma limitação”, esclareceu o ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira. A alteração não é feita “para resolver casos concretos”, visando sim “disciplinar” a situação, referiu o governante.

Até ao momento, a legislação deixava em aberto a possibilidade de atribuição de créditos, dando total liberdade às universidades para atribuírem equivalências sem que houvesse um limite máximo. Foi isso que permitiu que, em casos como o de Miguel Relvas, grande parte do curso tivesse sido substituído por créditos concedidos tendo por base a experiência profissional e outras actividades exercidas pelo aluno.

Com o novo quadro aprovado pelo Governo, as instituições de ensino superior mantêm autonomia para a avaliação dos currículos dos estudantes, mas dentro de regras mais apertadas."



Notícia 3:


"O Conselho de Ministros aprovou, esta quinta-feira, uma alteração ao regime jurídico dos graus académicos e diplomas do ensino superior que limita o número de créditos que podem ser atribuídos por via do reconhecimento a experiência profissional dos alunos.

As novas regras impõem como limite máximo a este tipo de equivalências um terço do total dos créditos necessários para completar o curso.

 

«Nesta proposta hoje aprovada em Conselho de Ministros, há uma clarificação desse aspecto no sentido de uma limitação dos créditos que não poderão ser superiores a um terço da totalidade dos créditos relativos a cada um dos cursos em si», explicou o ministro Marques Guedes no final da reunião.

 

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, «a clarificação destas normas vai permitir regras mais claras para a acreditação de cursos».

 

Recorde-se que desde o final da inspecção que detectou irregularidades na acreditação de cursos na Universidade Lusófona que o ministro da Educação e Ciência Nuno Crato tinha prometido impôr limites ao número de créditos que poderiam ser dados em reconhecimento da experiência profissional.

 

Esta semana soube-se que o Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa decidiu levar a Universidade Lusófona a julgamento para apurar da legalidade da licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas, na sequência da análise feita às conclusões da auditoria feita pela Inspecção-Geral de Educação e Ciência àquela instituição de ensino superior.

 

Na acção administrativa especial que intentou o Ministério Público pede mesmo «a declaração de nulidade do acto de atribuição de licenciatura a Miguel Relvas», como explicou, esta quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República em nota enviada às redacções."


publicado por J.Ferreira às 18:03

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Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Inaugurada Escola Sem Alunos!

 

Acordamos muito tarde. Sim.  Nós, os portugueses em geral, andamos a dormir há muito tempo.

Enquanto os políticos faziam de pica-paus, criando buracos por todo o lado, nós estivemos tranquilos que nem espanhóis na hora da sesta.

Na última década, os políticos fecharam hospitais, urgências, maternidades, escolas... E nós estivemos caladinhos... Aqui e ali, simplesmente, se ouvia um ou outro grito de alerta mas, como os estudantes que gritaram contra as propinas, cada um seguiu o seu caminho, criticando o outro porque não queria perder a porcaria da mordomia de ter de levantar o traseiro pela manhã, percorrer umas dezenas de quilómetros para ganhar pouco mais que o rendimento mínimo que o vizinho do lado recebia sem fazer um ... (adivinhe o palavrão). Mas estávamos solidários com todos porque o governo foi endividando o país... deixando claro que se aumentariam todos os direitos... Nos viveríamos como "senhores feudais" porque, tal como afirmava Sócrates (o chefe da banda política que nos governou até há bem pouco tempo), "pagar a dívida é ideia de criança", isto é, a dívida dos países não é para ser paga.

Claro. Claro que não são para ser pagas... mas só até chegarem os senhores de negro... Sim, até chegarem aqueles que mais se parecem com os "homens do fraque"  (coincidência ou não, dizem, também eles vestem de negro!), muitos portugueses viviam na expectativa de um dia solarengo atrás de outro... Como a cigarra que canta todo o verão... E não se cuidara, foram viajando, acumulando dívidas... Os bancos incluídos, com ordenados chorudos de fazerem inveja ao maior dos milionários do mundo...Que o diga Cristianos Ronaldo, que ainda que o seu ordenado seja um autêntico atentado a quem recebe o salário mínimo, é com o seu suor (e a desgraça dos que pagam para ir ver um jogo de futebol, ou subscrevem os canais da especialidade, dirá o leitor!!...

Bom. Mas não assaltam o bolso do contribuinte em geral para o fazer... tal como as esmolas que caiem na igreja, só o dá quem quer! E se alguns têm dívidas ao fisco, que o governo tenha coragem de faazer como faz aos particulares: acção de despejo!... Fora com esse clubes do mundo futebol. Em geral, os jogadores não conseguem os seus ordenados chupando os todos os cidadãos... Ao contrário, os banqueiros chupam com os exorbitantes juros que cobram aos que se socorrem de crédito e depois ainda pedem resgates... com o dinheiro público, de todos os cidadãos.

Creio que é chegada a hora de ir directamente à questão que nos traz hoje aqui: inaugura-se uma escola sem alunos? Como é possível isto?

Quem cometeu semelhante erro? Onde está a planificação? Agora já fechamos as universidades?

Bom. Por este caminho, de seguida é só colocar uma corrente com um cadeado nas fronteiras e... fechar o país!

publicado por J.Ferreira às 16:33

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Sábado, 27 de Outubro de 2012

Vassourada na Lusófona

O Expresso online de quinta feira, 25 de outubro de 2012, publica uma notícia que demosntra que algo parecem querer mudar no ensino superior em Portugal.

Porém, sendo uma iniciativa de louvar do ministro Nuno Crato, falta esperar pelos resultados para se saber se este é um processo de limpeza da vergonha nacional em que se tornou o acesso às licenciaturas no ensino superior por parte d epolíticos (começada com a licenciatura em engenharia por parte de Sócrates!) ou uma smples tentativa de enganar o público procedendo à lavagem de diplomas.

 

Esperemos... para ver!

 

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, ordenou hoje à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) que reavalie, no prazo de 60 dias, todas as licenciaturas atribuídas com recurso à creditação da experiência profissional, podendo as mesmas vir a ser declaradas nulas.

Na sequência da auditoria realizada pela Inspeção Geral da Educação à Universidade Lusófona, iniciada em julho após a polémica em torno da licenciatura de Miguel Relvas e concluída esta semana, o ministro fez uma advertência formal à instituição, considerando que esta não cumpriu os procedimentos legais de creditação profissional.

"No prazo de 60 dias, a ULHT deverá reanalisar todos os processos de creditação de competências profissionais (...) No caso de não haver fundamentação suficiente para a creditação profissional ou inexistindo registo de conclusão de unidades curriculares, deve a ULHT disso extrair todas as consequências legais, incluindo a possível declaração de nulidade" das licenciaturas atribuídas, refere o despacho do ministro da Educação, hoje divulgado.

Em causa está a atribuição, pela Lusófona, do grau de licenciatura a 89 alunos, a quem a universidade concedeu entre 120 e 160 créditos - número suficiente para concluir um curso em apenas um ano - por via do reconhecimento da experiência profissional. A licenciatura do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, é um dos casos que terá de ser agora reavaliado.

Em 2006/07, Relvas obteve a licenciatura de Ciência Política e Relações Internacionais na Lusófona, tendo de fazer apenas quatro das 36 cadeiras do curso. Nas restantes acabou por ter equivalência devido aos cargos que antes tinha exercido.

Já em 2009 a Inspecção-Geral de Educação tinha apontado falhas ao sistema de creditação profissional da Lusófona e feito recomendações que não foram, no entanto, cumpridas pela instituição, o que lhe valeu agora uma advertência formal por parte do ministro Nuno Crato.

"É manifesta a necessidade de alterar urgentemente todos os procedimentos" de creditação profissional da Lusófona, refere o despacho do Ministério da Educação, adiantando que se "exige maior transparência" nestes processos.

No despacho, o ministro reafirma ainda a intenção de alterar a legislação atualmente em vigor para impor limites ao número de créditos que podem ser atribuídos por via do reconhecimento da experiência profissional.

Os responsáveis da Lusófona recusam, para já, fazer qualquer comentário.

publicado por J.Ferreira às 16:46

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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Política Educativa Leva à Frustração

Aí vêm mais exames. Provar "o quê"? Com alunos mais motivados para as férias que estão à porta, e tão "motivados" (leia-se, fartos!) é fácil ver como é fundamental avaliar cada vez mais a escola e os professores e cada vez menos os alunos. Constata-se que os alunos estão, cada vez mais "nas tintas" para os resultados das avaliação e cada vez menos para a aprendizagem que se altrera com frequência: o que os leva a reprovar, deixa de ser o correcto e alguns que foram iompedidos por umas décimas de entrar em medicina por não terem escrito alguns "c" para abrir vogais, afinal agora até tinham conseguido pois o Acordo Ortográfico (AO) veio tornar a escrita e a leitura, em muitos casos, absurda (veja-se adopção, "adoção" sem "p" em que a vogal "o" terá, necessariamente, de ser lida como fechada "u", já que a acentuação está no ditongo nasal seguinte "ão"...!).

Ora, o AO veio alterar as regras a meio do percurso académico de muitos alunos. Não se aplica apenas a alunos que ingressam no sistema educativo a partir do ano em que é aprovado, mas faseadamente aplica-se a alunos que aprenderam de determinada forma e agora terão de se esforçar por reaprender a escrever...!

E os que até agora escreviam sem erros, a partir de agora instala-se a dúvida sobre a ortografia adequada das palavras. Não admira que se revoltem e que cada vez mais se estejam maribando para o que lhes é exigido nos curriculos decididos pelos ministros... Afinal, os (des)governantes terão de encontrar forma de os aprovar para não sentirem vergonha dos resultados das estatísticas e para não acabarem penalizados nas próximas eleições!). Todos sabem que são os resultados dos alunos que contam para a avaliação das políticas educativas da OCDE (e do lugar alto tão desejado no tal PISA!). Assim vamos.

 

No texto de um aluno do 8º ano (que abaixo vos apresentamos) podemos confirmar que já não são apenas os professores que estão fartos de tanta mudança, de tanta instabilidade, do mau trato que os políticos e linguístas infligem à Língua de Camões...

O texto que segue vem dizer-nos que há alunos que se revoltam, silenciosamente, escrevendo textos com alta criatividade (ainda que algumas "falhas" ou alguns "lapsos" conceptuais se se possam neste desabafo). Aqui o publicitamos, aguardando os vossos comentários.

 

"Vou chumbar a Língua Portuguesa. Aliás, quase toda a turma vai chumbar. Mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa“ , “em casa“ era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o “predicativo do sujeito“. Vejamos a frase, “O Zeca está na retrete“, “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita“. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete“ é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Zeca que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”? Julgávamos que era o simplex a funcionar. Pronto, é tudo “complemento oblíquo“ já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e verbos transitivos indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo; há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser “Algumas árvores secaram”, “algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto” era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela“ o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa“ isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo “haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead. Por favor, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito."

 

publicado por J.Ferreira às 11:56

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Cada cavadela, cada minhoca

Acaba de ser publicado um novo despacho de Sua Exª o Ministro da Educação. Estivemos a ver o seu conteúdo e... que estranho: voltam a ser culpabilizados os professores pela falta de interesse e de recursos que os nossos jovens têm quer nas escolas onde eles nem existem quer nas casa onde os orçamentos familiares cada vez podem dedicar menos dinheiro para a educação. Estamos sempre na mesma. Crê-se que se pode chegar a ser alguém na vida sem esforço! Continua a falta do contributo familiar na educação que nunca é avaliado. Os pais dedicam o que querem aos recursos que afectam à educação dos seus filhos... E os professores é que pagam as favas... Para quando a responsabilização dos alunos? Para quando a avaliação do esforço dos alunos? Nuno Crato deveria dedicar-se um pouco mais à agricultura. Talvez aprendesse que, quando o terreno é inóspito, de pouco serve cavar...

Com as medidas que acaba de tomar, o senhor Ministro passa uma vez mais a batata quente do fracasso escolar para as escolas. A sociedade é perfeita. Os políticos são perfeitos... profissionais. Portugal é um paraíso de óptimos profissionais em todas as áreas (por isso estamos como estamos!)... As escolas é que são o refugo da incompetência da sociedade portuguesa. Com o novo despacho do Nuno Crato, confirma-se que se culpa sobretudo as escolas e os professores pelo fracasso escolar. Com medidas deste tipo, facilmente se percebe por que motivos os agentes educativos se encontram cada vez menos motivados para o que deveriam fazer melhor: levar os alunos a aprender. Na verdade, pouco importa se as famílias têm cada vez menos recursos para poder contemplar os filhos com melhores meios de aprendizagem... pouco importa se os pais levam os filhos à bola em vez de os levar à biblioteca. Pouco importa se os filhos vão com os pais para o trabalho (no campo, no monte ou na feira...!). O que importa é olhar os resultados dos alunos... Estudem ou não estudem... estejam ou não motivados para engrossar ainda mais o número de licenciados no desemprego... Com as perspectivas que um curso superior (que absorvem 1/5 do orçamento das famílias portuguesas)dá nos dias de hoje, estranha-se que se esteja cada vez mais a fazer depender os recursos das escolas dos bons resultados escolares. Assim, como se penalizam as escolas cujas diferenças sejam maiores (para menos, supomos!) entre as notas obtidas pelos alunos ao longo do ano (em exames ou testes das disciplinas ministrados pelos professores das mesmas!) e as obtidas nos exames acaba por se fazer repercutir a responsabilidade dos alunos cábulas (que não estudam, que preferem ir para a piscina, para o rio ou para a praia) para os professores que ao longo do ano trabalham.

É incrível... Mas esta é a triste realidade. Motivação para ensinar...? Quem a tem? Afinal, por muito bons profissionais que sejamos, por melhores que sejam as nossas estratégias de ensino, por mais que nos esforcemos, sempre dependeremos dos nossos alunos para que tenhamos o nossos reconhecimento. E se os alunos que nos "saíram na rifa" (turma) não têm nem vontade, nem motivação, nem capacidade, nem meios, nem recursos...? Por que não fazem o mesmo com outros profissionais? Por que não "culpar" os médicos pelo fracasso dos doentes que não tomam os medicamentos a tempo e horas e na dose recomendada seja porque não têm dinheiro para comprar os medicamentos adequados seja porque não querem ou não gostam do "xarope"?

No caso dos professores, muitos alunos não têm quaisquer livros em casa, não têm dicionários, não têm material escolar adequado ao nível de ensino e à exigência de excelência que tanto se apregoa... Muito menos em tempo de crise. E como os profissionais de educação nem têm que ser ouvidos (simplesmente massacrados!) vamos em frente: nem há que ouvir os seus representantes! Mesmo que o destino seja o abismo! Teimosos até ao fim! Por isso, Sr. ministro, só nos resta dizer que esta é mais uma daquelas a que o meu avô classificaria com o dito popular: "Cada cavadela, cada minhoca!".

publicado por J.Ferreira às 14:56

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Sábado, 19 de Maio de 2012

Futuro do Ensino do Português no Estrangeiro

A Constituição da República reconhece o direito aos filhos de todos os cidadãos nacionais (mesmo que emigrados) a aprenderem a Língua Portuguesa.

Porém, por incrível que pareça, os nossos (des)governantes (os de outrora como os de hoje) colocaram a sua incompetência ao serviço da destruição da "máquina produtiva nacional" esbanjando os dinheiro dos impostos em múltiplas iniciativas, desde o rendimento mínimo até aos estádios de futebol, desde as SCUT's até às parcerias público-privadas que arruinaram, pouco a pouco, o dinheiro dos nossos impostos e conduziram o país para a beira do abismo.

Com as suas políticas ruinosas, os distintos governos levaram muitos dos nossos cidadãos a emigrar. Aliás, recentemenete aconselharam mesmo a emigrar... É triste, mas é a realidade a que os nossos eleitos nos conduziram... E os portugueses estiveram impávida e serenamente calmos assistindo a este triste espectáculo embora muitos de nós tenham alertado atempadamente... Mas ninguém quis dar ouvidos... Na verdade, a velha máxima "O rei vai nu!" não interessa. Sempre é mais simpático dizer que "O rei vai vestido"! Ou seja, no politicamente correcto, é mais aceitável a afirmação de que "o rei vestido" ainda que seja "com a roupa que a mãe lhe deu antes de nascer, do que dizer, nua e cruamente, "o reui vai nu!". Por isso, hoje temos o que merecemos.

E na diáspora, igualmente. Aqueles que sempre mal trataram dos emigrantes, voltaram a ser eleitos...! Temos o que merecemos.

Por isso, o futuro da língua materna de milhares de jovens filhos de emigrantes está em causa. De facto, numa época em que os portugueses vêem o futuro cada vez mais negro (sendo mesmo aconselhados a emigrar até pelo primeiro-ministro!) a fuga para o estrangeiro é a única forma de seguir em frente. Tristemente, a política de apoio à emigração é em sentido contrário. E reduz-se o número de professores de Língua e Cultura Portuguesa que servem as comunidades espalhadas pelo mundo. Está na hora das comunidades fazerem algo. Será que, se os emigrantes se organizassem e informassem o Governo de Portugal de que deixariam de enviar verbas para Portugal, que procederiam ao levantamento dos seus depósitos bancários no nosso país e o levariam para os países onde residem, o Governo manteria a sua arrogância e maltrato com os nossos emigrantes? Será que a política do "paga e não bufes" continuaria? Ou o Governo seria obrigado a "fazer marcha-atrás" com a política de retirada de apoio aos emigrantes, que começou há já muito tempo com a diminuição dos consulados..:?

Está na hora de fazer algo. Ou o Governo continuará a retirar aos filhos dos nossos emigrantes a possibilidade de manter um vínculo linguístico  entre os jovens lusodescendentes e a pátria lusa.

 

De facto, é inaceitável a redução das condições de acesso à Língua Portuguesa por parte dos filhos de milhares de cidadãos que, tendo sido maltratados por um bando de governantes incompetentes que conduziram o país para a fronteira do abismo, se viram forçados a emigrar em busca de uma vida com um mínimo de dignidade. Abandonados à sua sorte por políticos esbanjadores, vêem hoje negado aos sues filhos o que Portugal garante aos filhos dos imigrantes que se instalam em Portugal, oriundos dos mais diversos países, oe quantas vezes com  outos gastos e ajudas que também sobrecarregam as finanças públicas (como é o caso dos rendimentos mínimos garantidos de que beneficiam imensas comunidades de imigrantes em Portugal!), quantas vezes em troca de muito pouco ou até nada.
Ora, não pode haver semelhante discriminação face aos filhos dos emigrantes não são menos que os filhos dos imigrantes. E se os imigrantes nada pagam em Portugal e beneficiam de um professor durante 25 horas semanais (ou até mais), não é justo nem admissível que os filhos dos nossos emigrantes paguem para terem acesso a APENAS 2 horas semanais da sua lingua materna... Aliás, o dinheiro pago aos professores para ensinarem Língua e Cultura Portugesa de escola em escola (apenas e tão só 2 horas semanais como se de mulheres a dias!) não é um gasto: é um investimento!
O alheamento do país face a estes filhos de emigrantes sairá bem mais caro: nenhum terá vontade de regressar se não conhece a língua.  A médio prazo, este desinvestimento do Estado português será meio caminho andado para que milhares e milhares de jovens deixem de ter qualquer motivo para manter laços com uma pátria.
Com este tipo de prática, só podemos concluir que Portugal continua a ser (des)governado por políticos imediatistas, que não têm visão prospectiva, visão de futuro. Para além de ingratos para com os emigrantes (que enviam anualmente milhões de euros) os políticos atacam agora os filhos daqueles que se viram forçados a buscar formas de ganhar a vida longe do país.
publicado por J.Ferreira às 19:32

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