Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Que medem os exames?

 

Perante tanta parafernália com os exames de 4º ano, cremos que a questão principal que deveria centrar a reflexão pedagógica em torno a esta problemática é a seguinte:

Para que serve este exame? Que utilidade tem? Que validade pode assumir?

 

Vivemos num país onde os políticos retiraram aos professores a autoridade pedagógica para decidir sobre um dos aspectos que constituem algo de essencial à sua área de especialidade. Assim, seja individualmente seja em Conselho Pedagógico (constituído por profissionais qualificados que sabem da matéria!) a decisão sobre a progressão de um aluno saiu da esfera da profissionalidade. 

Num país onde os alunos (pela experiência de colegas ou pela informação dada pelos próprios pais!) já se aperceberam de que estudar ou não estudar vai dar quase ao mesmo pois o que importa é obter bons resultados nos exames (tipo "chico-esperto", confirmando o provérbio "em terra de cegos, quem tem olho é rei!" bem próprio de alguns políticos e  governantes que mais recentes deram origem a escândalos com os seus diplomas).

Num país onde os alunos sabem que "saibam ou não saibam" acabam à mesma por passar de ano...  

Num país onde os professores não têm reconhecida a competência nem mesmo para avaliar os seus alunos...

Quanto maior é a obsessão por avaliar... parece-nos muito maior o desfasamento entre o que o aluno sabe realmente e o que o aluno obteve no exame... seja pela positiva, seja pela negativa. E isto, seguramente, em resultado da desconfiança dos ditos políticos em face dos resultados que conseguiram obter. Sim.. Esses, sim, exames (com professores amigos) que, de exame, pouco ou nada tiveram!

 

Agora, vem este ministro para o governo e decide examinar milhares de alunos gastando quase meio milhão de euros ao erário público em tempo de vacas magras e de aperto do cinto... para quê? Que pensa este senhor que vai medir com este exame? E para quê?

 

Ameaça de que reprovam se isto ou se aquilo? Exigir que assinem termo de responsabilidade sobre uso de telemóveis ou outros instrumentos tecnológicos... Uma palhaçada! Que responsabilidade pode ser exigida a inimputáveis? Nenhuma! ... Ah Ah Ah... Tivesse eu algum filho no 4º ano e, dependesse de mim, faltaria a este exame... O meu filho, por minha parte, simplesmente ficaria em casa!

 

É incrível... tantos problemas para resolver no país e estes senhores (políticos de meia-tigela "que pouco ou nada sabem de educação" — assim se retratou o nosso ministro dois anos antes de ir para o poleiro!) no lugar de resolverem os problemas do país, inventam problemas para terem com que se ocupar (distrair a atenção do povo... criar bodes expiatórios para os males da sua incompetente governação)!

 

Querem brincar a quê? Então duvidam da classificação dada pelo professor que conhece o aluno, que o acompanha durante todo o ano, que examina diariamente o seu esforço, o seu empenho, a sua dedicação... que é avaliado oralmente e de forma escrita... e não duvidam do resultado da avaliação efectuada em circunstâncias totalmente anómalas face ao dia-a-dia, sob a pressão de um dia em que estão debaixo de olho de um grupo de estranhos...?

Por quê acreditar nesta avaliação, feita com uma prova que apenas poderia mediar a capacidade de interpretação e expressão escrita dos alunos...?

Esta prova apenas nos vem garantir que estamos num país rico... num país em que se recortam salários aos professores e se reduzem os orçamentos das escolas mas que afinal, ao ministério, sobra-lhes dinheiro! Nada mais.

 

O que mede um exames? O que o aluno sabe? Será mesmo?

Vejamos então um exemplo concreto para que se entenda melhor.

Há mais de 25 anos, um meu irmão aprovado com altíssimas notas no 12º a Biologia, Matemática e Química, viu o seu percurso académico arruinado com um resultado num exame nacional (Português, 11º ano ) que o reprovou e o fez perder o 12º ano (então, o 12º ano era anulado ao aluno que, tendo deixado alguma disciplina de 11º ano por concluir, não aprovasse num prazo de dois anos!). Ora, numa primeira época, esse meu irmão "sacou" uma nota inferior à exigida para aprovar (10 valores) e como tal, reprovou! Foi obrigado a abandonar o secundário pois teve de cumprir o serviço militar: não o poderia adiar pois havia reprovado! Depois de regressar do serviço militar (e sem estudar pivete!) aprovou, dois anos depois, num mesmo exame de 11º ano a Português aprovou com 13 valores... A pergunta óbvia é:

Que mede afinal o exame? O que o aluno sabe ou, antes, em que medida o exame corresponde ao que o aluno sabe?

Quem melhor conhece o aluno? Aquele que o classifica num exame (numa única prova, realizada sabe-se lá, com que disposição mental) ou aquele que o acompanha durantre todo o ano escolar? Deixemo-nos de "tonterías" como dizem "nuestros hermanos" e vamos "al grano".

Como é possível considerar-se que um exame possa medir seja o que for se, dois anos depois (e na desportiva — assim o incentivei a inscrever-se numa escola secundária de Montalegre, para fazer o exame à fatídica disciplina! — sem voltar a abrir um livro nem a estudar uma única linha (revoltado, pois, tal como a sua professora, considerava a nota injusta e que merecia ter passado) aprovou com 13 valores!

 

Afinal, o problema do meu irmão  (e de muitos outros cidadãos, seguramente!) qual foi? Simples: a incompetência dos políticos. É que, nessa data, a validade do 12º ano já tinha caducado (como se fosse um iogurte!). E morreu aí a carreira académica de um jovem estudante, hoje cidadão e contribuinte! Sim. Um contribuinte que nunca beneficiou de subsídio de desemprego!

E a questão aqui não é tratar-se de aruinar a carreira académica de um familiar. A questão é saber quantos cidadãos não reprovaram (ou até ficaram impossibilitados de aceder a medicina, por exemplo) simplesmente porque um exame lhes tramou a vida...!

Sim. Um simples erro ortográfico num exame fazia baixar a nota de um aluno num exame mesmo que ao longo do ano tivesse escrito bem a palavra emilhares de vezes... E os políticos não se dão conta que estes exzames pouco ou nada medem mais do que a avaliação feita de forma contínua e sistemática pelos professores. Vejam só o que passou, seguramente, a milhares de alunos que não puderam aceder ao curso desejado na universidade porque  na altura em que fizeram o exame escreviam certas palavras sem "c" como é o caso de "redacção" ou "electricista". Foram os políticos (famintos da doutorite) que decidiram assinar o Acordo da Ortográfico (diria da "Vergonha Linguística": adopção, tem a letra "o" como vogal aberta pela existência do "p" que reforça a consoante seguinte "ç" e como tal, é uma vogal "aberta" enquanto que hoje, sem o "p", teria de ser lido como a palavra "remoção", ou seja com o "o" a ser lido como "u"; ou seja, ao escrever-se sem "p" teríamos de ler  "adução", tal como em "remoção", "devoção" e outras tantas semelhantes. Antes, pela raíz latina, uns milhares de palavras levavam "p" e "c" que não se liam (eram mudos em determinadas variantes da palavra) e hoje já não o levam porque os políticos assim o decidiram. Mas os livros das bibliotecas não vão ser eliminados e os alunos continuarão a ver escrito nas bibliotecas das escolas, nas estantes de fcasa, nas revistas que guardam, essas mesmas palavras com dupla grafia. Uma situação absurda e muito mais em tempo de crise. Os espanhóis e franceses mantêm o respeito pela origem latina e não fizeram nenhum acordo com nenhum outro país de expressão castelhana para  eliminar essas letras mudas!

Enfim... Os políticos mataram a esperança ao povo português! Arruinaram-lhes a economia... E agora, até a língua matam... E andam felizes... mantêm as suas mordomias... e os demais cidadãos "que se amanhem". Já agora, pergunto: Por que não emigramos todos para o Brasil!

Ou melhor: Se acham que são os brasileiros os que falam bem a língua portuguesa, emigrem para o Brasil...! E já agora, que passem todos "à falá" "dji" "Portugau" e "à escrevê" em  "papéu" feito no "Brasiu"... Enfim. Só para que vejam o quão ridículo é o argumento apresentado para a assinatura do Acordo Orgtográfico segundo o qual se visa "aproximar a expressão escrita à expressão oral"! Imagino que este (des)Acordo tem mais como objectivo colmatar (esconder) as dificuldades de aprendizagem de quem nos governa e/ou governou com vista à obtenção de diplomas de uma maneira mais fácil do que corrigir falhas da língua portuguesa.

 

O mais grave é que são sempre os políticos e/ou governantes (já assim era na época dourada em que vinha ouro das colónias!) que decidem o futuro do país e que o conduizem ao abismo... Eles que os únicos responsáveis pelas mudanças sistemáticas do sistema educativo que conduziu Portugal ao estado a que chegamos: miséria. 

 

Até que ponto, vinte anos depois, surgiram as novas oportunidades criadas pelos mesmos políticos quetinham eliminado a legítima oportunidade de seguir estudos ao meu irmão (quando os currículos se mantinham, o 12º ano tinha data de caducidade!). 25 anos depois, criaram-se as novas oportunidades e reconhecia-se equivalências a disciplinas de ensino superior a políticos que "demonstravam" conhecimentos em nada relacionados com essas mesmas disciplinas. 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

  

Ora, aqueles que há anos mataram as expectativas académicas de cidadãos (como o meu irmão) são os mesmos que há meia dúzia de anos atrás criaram as Novas Oportunidades (e outros programas similares apra o ensino superior!) que facilitaram a promoção académica de alguns políticos que todos conhecemos!

 

Qual é o problema do nosso país? Simples. A política dos nossos governantes. A teimosia de alguns  governantes, uns quantos senhores que, um belo dia, pela manhã tarde ou noite, consideram ter sido iluminados pela previdência divina e, contra tudo e contra todos, decidem levar essas ideias luminosas à prática. Os resultados destes iluminados estão à vista: 1- esbanjamento de dinheiro; 2.- problemas de stress e ansiedade nos alunos; 3- desmotivação de todos (alunos e professores). 

 

Enfim... Exame? Que mede um exame? NADA...

Tal como são os médicos quem decide sobre a necessidade ou não de uma determinada intervenção cirúrgica  — e não os conselhos de doentes ou de elementos da comunidade de pacientes!  —  deveriam ser os especialistas na matéria, conhecedores do percurso do aluno os únicos com capacidade para decidir sobre a progressão ou retenção  dos alunos (sem limites que não sejam os de natureza pedagógica!).

Este exame apenas pode ser entendido como um castigo para os alunos que se esforçam e não atingem o valor de aprovado (10 valores, 50% ou seja lá a escala).

Ou então, como um castigo para os professores que, para além de terem exercido a docência em escolas de intervenção difícil, com meios sócio-económicos degradados, com classes heterogéneas, com níveis de aprendizagem e anos de escolaridade misturados, lutando para que os alunos conseguissem melhorar as suas competências, mesmo que  tenham conseguido melhorar os seus níveis de resultados escolares, não tenham os alunos atingido o tal limiar de aprovação na dita cuja prova ou exame (absurdo, e como tal, que nada mede, pelos motivos acima expostos)

 

 

 

Enfim. Estamos convencidos de que esta política de exames de 4º ano a nada conduz senão à desmotivação dos professores e alunos empenhados que não vêem nesta prova senão um castigo e uma deturpação dos resultados da avaliação que é realizada durante mais de 180 dias...

 

Cresmo pois que, se os políticos tivessem um mínimo de competência, rapidamente se poderiam poupar os 600 mil euros que se esbanjam numa avaliação que de nada vai servir. um aluno que durante mais de 180 dias não consegue aprender não o vai fazer em 15 nem em 30 dias... Podem crer!

 

Independentemente da cor de quem se expressa no parlamento, a verdade é que são todos uns mentirosos. Dizem uma coisa na oposição e na campanha eleitoral para chegar ao poleiro... Seria necessário um Presidente da República que, como dizia o meu avô "os tivesse no sítio" e demitisse o governo, fosse de que cor fosse, que fizesse o contrário daquilo que em tempo de campanha e no programa eleitoral (compromisso social com o povo) havia apresentado ao país.

Para quando esta exigência de verdade na democracia?

 

 

E, no final de toda esta reflexao, uma catadupa de questões nos ficam a fervilhar na mente:

Para que servem os Exames? Que medem os exames?   Será que aprendem em 15 dias o que não foram capazes durante um ano ou o exame foi o desastre? Que mede afinal o exame? Qual será o exame que mede o que o aluno sabe? O primeiro ou o segundo? Ou nenhum? Quem conhece melhor o aluno? O "exame" ou o professor que com ele lidou o ano inteiro em diversas situações de aprendizagem?

 

 

 

Vejam o vídeo abaixo e... vamos ao contraditório. Tenham a coragem de criticar a nossa posição.

 

...

 

publicado por J.Ferreira às 16:26

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Avaliação dos Professores Versus Avaliação dos Alunos

É incrível! Tremendamente incrível!!

Então, num país em que se defendeu que o comportamento dos alunos (desde as notas ao absentismo!!!!) devem contar para a avaliação do professor é o mesmo que apresenta senhores e relatórios que defendem a separação da avaliação do comportamento dos jovens face aos seus resultados escolares...?

 

Paulo Santiago, 43 anos, economista e analista principal da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), surge no Público (pág. 8 do dia 2 de maio de 2012) defende que "a aprendizagem dos alunos portugueses deve ser avaliada de forma separada e não traduzir-se numa nota em que também entram em linha de conta os seus comportamentos e atitudes (...)."

 

Afinal, como se pode compreender que não se coloquem contra os critérios que presidem à avaliação dos professores?

Por onde andavam estes senhores quando se colocou como factor da avaliação dos professores os resultados escolares dos alunos ? Estavam a dormir? Estavam exilados?

Então se o aluno não estuda, se comporta de tal forma na aula que impede a aprendizagem dos demais e ainda assim obtém resultados satisfatórios, avançará academicamente... Porém, se os demais não aprendem devido ao comportamento deste aluno, a culpa é do professor?

 

Se o comportamento de um aluno é insuportável (quer na aula quer na relação com colegas e companheiros) devemos considerar apenas os seus resultados escolares?

É caso para perguntar: Por que incumbem à escola a Educação e depois apenas querem que avalie (e por separado) os resultados de cada dimensão? Para que aprovem e prossigam impunes a carreira? Para que serve chamar de "Educação" a um ministério onde o que mais há é falta de educação que cada vez mais se despenaliza quem não cumpre regras, quem provoca distúrbios, quem impede os demais de aprender?

 

Na verdade, as escolas recebem cidadãos que passam mais horas fora dela que dentro dela, jovens cujos modelos são tudo menos os apregoados pelos valores veiculados pela escola (em vez da cooperação da escola, a sociedade apregoa o  "salve-se quem puder", aplaude o uso de todos os meios possíveis para atingir os fins desejados, em vez da integração apregoada pela escola inclusiva pratica-se a segregação, a selecção dos mais fortes, dos mais astutos, dos mais hábeis, numa busca sem critério nem valor de atingir o almejado "excelente" com critérios absurdos de que tantos têm sido vítimas...).

 

A escola deve ser exigente... integradora, avaliadora de co0mpetências da mais vária índole que conduzem à formação integral (leia-se, educação) do cidadão. Pena é que cada vez mais se defendam os que não cooperam e os jovens na escola sentem que cada vez há uma maior décalage entre  o que se exige na escola e o que a sociedade deles espera... Em vez da cooperação, a competitividade. Em vez da solidariedade, o egoísmo... o "salve-se quem puder", em busca da excelência a que apenas (por decreto!) alguns 5% podem chegar...

 

Não admira pois que, derrotados à partida, cada vez mais jovens se sintam com vontade de passar à clandestinidade. O seu esforço de nada lhes serve comparado com o que os companheiros (baldas!) conseguem atingir...

Não é verdade que, em Portugal, quanto mais fracassados nas escola, mais alto é o voo na sociedade? Ou estarei equivocado?

Necessitaremos de mais exemplos, ou basta o dos nossos últimos primeiros-ministros?

 

Na verdade, na escola actual (e chamem-nos de pessimistas..:, se quiserem!) o que mais há nas escolas de hoje não é educação mas sim "a da falta dela"...)?

 

É incrível! Tremendamente incrível!!

Então, num país em que se defendeu que o comportamento dos alunos (desde as notas ao absentismo!!!!) devem contar para a avaliação do professor é o mesmo que apresenta senhores e relatórios que defendem a separação da avaliação do comportamento dos jovens face aos seus resultados escolares...?

 

 

Uma pergunta final:
Face às teses da OCDE, será que o Ministério da "Educação" vai passar a chamar-se "Ministério da Instrução"...? 

 



publicado por J.Ferreira às 16:35

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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Exigência na Escola Vs Facilitismo nos Exames?

A busca incessante deste governo por apresentar resultados estatísticos que lhe permitam vangloriar-se está a transformar-se num facilitismo assustador.

Pergunta-se: com que objectivo? Simplesmente para que se possa vangloriar de que a Educação está, agora, no bom caminho quando, na verdade, se caminha a passos largos para o descalabro total, para a criação de uma massa de "analfabetos funcionais" ou de diplomados que não passam de "doutores em iliteracia", tem os seus custos.
E, de repente, de comentários dos alunos dizendo que os exames foram difíceis, passamos a ouvir sistematicamente, os alunos (de todos os níveis de ensino em que o governo mantém a exigência de exames nacionais) a exclamar que os exames foram fáceis.

Aqui está a solução para o insucesso. Será que o facto de o Governo ter "dado uma carga de porrada" nos professores, de lhes ter cortado nos salários os tornou melhores profissionais? Ou será que os alunos estudam agora mais porque os professores não tem mais o prestigio social que outrora detinham?
A nós, parece-nos que esta á a estratégia governamental (diga-se, de raposa...) para demonstrar que a política educativa do governo vai "de vento em popa!)
Um governo que só pensa em excelência, que não fala senão de estratégias para atingir "as mais altas performances", naturalmente que encontrou a melhor das soluções: simplificam-se os exames... e todos os alunos ainda que obtenham nota de "medíocre" facilmente podem alcançar "Satisfaz"; os alnos ditos "medianos" passam facilmente a "Bom", estes ascendem a "Muito Bom" cabendo aos últimos conquistar o topo: "Excelente"... Poucos ou muitos, quiça mesmo, a mioria... É que segundo a avaliação dos professores proposta e aprovada por este Governo, só uma reduzida minoria de professores pode ter, em cada escola, a classificação correspondente a "Muito Bom"... Mas para os alunos, não existe qualquer quota. Pelo que, mesmo da sala de professores com avaliação de "Regular" podem sair 100% de alunos com Excelente... isto é uma maravilha... Assim podewrá pagar uma ridicularia a quem produz e assim a educação vai "de vento em popa"...
A julgar pelos comentários dos aluno, esperam-se muito bons resultados dos alunos que fizeram as provas de Português... tal poderá servir, ainda que provisoriamente, como uma forma de fazer campanha a favor deste Governo... Mas o pior será quando chegar a hora de concorrer à Universidade... Sempre haverá quem fique de fora: os que tiverem as notras mais baixas. E de insucesso com 8 valores passaremos ater alunos com Sucesso aparente, isto é, com 14 ou 15 valores a ficarem de fora da Universidade... É que haverá sempre um aluno que ficará com a nota mais baixa: seja ela 8 ou 14 valores... E disto Sócrates nunca conseguirá escapar nem enganar os alunos que ficarem de fora, ainda que tente aplicar a engenharia política aos números ...

Mais... Este sistema enferma de uma grave contradição identificada também por quem sofreu na pele e o expressa noutro blog quando refere ter repudiado este "sistema de avaliação em que um exame nacional tem um peso brutal na nota final, por considerar que um mau desempenho naquelas duas horas poderia prejudicar seriamente o meu bom desempenho ao longo de três anos; hoje, com o facilitismo na avaliação dos alunos que, paulatinamente, o governo socialista vai introduzindo, o sistema ameaça contaminar as notas finais na ordem inversa, ou seja, os exames nacionais poderão começar a representar a salvação de um percurso secundário medíocre."

Este facilitismo (que acaba por ser deunciado pelos alunos que efectuaram a prova de Matemática) visa simplesmente obter melhores resultados para a estatística. Assim, claro, de forma oportunista, correlaciona-se indevidamente os altos resultados obtidos nos exames com a eficácia da política do Governo aparecendo comentários nas notícias a referir que "o governo está de parabéns por ter tido a coragem de enfrentar" a "tão polemica avaliação dos professores" como se esta realidade tivesse sido o resultado da avaliação dos professores que ainda nem entrou em vigor... Ao que nós chegamos. mas há mais nesta blogosfera livre que a que todos podem aceder, sem qualquer certificação... Assim, aparecem alguns destes cidadãos que, sem quaisquer escrúpulos nem pudor, se consideram com legitimidade para pôr em causa a profissionalidade (e até a dignidade) de Professores Doutores que nas Universidades portuguesas (como se de um bando de corruptos se tratasse) credenciam como professores pessoas incompetentes para a função, acrescentando, às notícias dos jornais, comentários do tipo: "É emergente avaliar se todos os docentes (apesar das suas habilitações) estão a cumprir de forma eficaz a sua função. "  

 

É triste constar que o governo conseguiu fazer com que, no lugar de parceiros na educação dos filhos, os professores se confrontem hoje tivessem hoje com pais que mais não fazem do que servir de polícias, adversários ou até mesmo inimigos dos professores. Se esse era o objectivo do governo: Parabéns! Conseguiu! Hoje as escolas vêm regressar cidadãos que, tendo sido reprovados outrora no seu percurso escolar, ou abandonado pelo caminho a escola por incapacidade de aprender o suficiente para seguirem em frente, são constituídos como intervenientes na avaliação dos professores de seus filhos (advogados em causa própria...!), aproveitando assim para se "vingarem" dos seus antigos professores. A culpa não será, seguramente deles mas de um governo que, incapaz de criar medidas conducentes a resolver os problemas das famílias e do país (entrando cada vez mais nas suas carteiras com impostos e taxas) oferece aos cidadãos um saco de boxe virtual (a avaliação dos professores) para descarregarem as tensões e frustrações acumuladas em resultado do descalabro financeiro para que a economia do país caminha. Este é o governo que reconhece, por decreto, a todos os pais sem excepção (pedófilos, inclusivé!) e sem qualquer formação para tal uma competência que os professores tiveram de adquirir com muito esforço estudando longos anos (como José Sócrates...) em universidades: a de avaliar. Pois bem. A estes que têm formação adequada, foi-lhes reduzida por decreto esta competência, quando  não mesmo simplesmente retirada. Veja-se que os alunos no 1.º ano de escolaridade não podem reprovar, nem que não reconheçam uma única letra do alfabeto! 

Enfim... Pelo menos os pais levantam o seu ego... talvez assim deixem de ver o jogo de futebol e apareçam na escola para "votar" a nota do professor do filho... Espectacular... Este é o Governo que reconhece competência aos incompetentes e retira a competência aos competentes. Para avaliar alunos os professores tiveram que freqeuntar as universidades... Mas, segundo este governo, qualquer um cidadão português está apto para ser avaliador de professores... imagine-se, não é de alunos! É avaliador de professores. uma fantochada. Será que algum quererá fazer a figura de palhaço ou de marioneta? Como pode ser que, para ser avaliador de professores se tenha apenas de ter reproduzido, biologica ou artificialmente? Este é o caminho das Novas Oportunidades de joseé Sócrates. Só falta pagar agora o salário aos pais avaliadores!... Que se organizem e comecem a reivindicar também salário por esse trabalho que, diga-se, deve ser árduo e exigir queimar muitos neurónios... Que maravilha. A continuar assim, ao final de 4 anos de avaliação de professores somos tentados a crer que o governo lhes vai reconhecer a licenciatura... São as novas oportunidades, não é verdade?

É que infelizmente, neste país de tanto analfabetismo, para a maioria dos cidadãos que, como pais desinteressados, engoliram o discurso do Ministro.

Assim, podem deixar de investir na educação dos filhos (comprar apenas playstations e jogos de vídeo, deixando os filhos jogar até às 4:00 da manhã ou ver a televisão que lhe colocaram no quarto para que não o aborreça quando quer ver o jogo de futebol...!) pois o bode expiatório para o insucesso já está identificado na lei: o professor...). Isto porque muitos dos "paizinhos" dos nossos alunos deveriam primeiro aprender a educar os seus filhos. Deveriam aprender que respeitar a diferença (face aos restantes filhos ou aos seus colegas) é ter em consideração a individualidade de cada um pelo que se torna necessário assumir de uma vez por todas que os alunos não são tijolos... Assim sendo, como se pode considerar que é possível avaliar os professores pelos resultados dos alunos... Enfim... Enfim!

 É caso para dizer que muito mal vai este país... Este Governo desacredita quem deveria ser reconhecido no seu saber. Impede os professores de avaliar convenientemente os seus alunos... Duvida-se da sua competência pedagógica... Mas, dá-se poder a todos os cidadãos (sejam cultos ou labregos...) avaliar a actividade e por em causa o profissionalismo dos professores, como fazem no futebol aqueles a que comummentge se apelida de "treinadores de bancada"!... É caso para dizer:

 

"Há algo que vai mal na República de Sua Excelência o Senhor Presidente"

 

 

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publicado por J.Ferreira às 16:56

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