Domingo, 28 de Novembro de 2010

Cultura da Responsabilidade - Escola versus Sociedade

A sociedade actual tem vindo a formar uma geração de jovens que pensa que tudo lhes tem de ser proporcionado. É uma geração que não tem no seu vocabulário palavras como "deveres", "obrigações", "trabalho",  "empenho" etc., apenas conhecendo a palavra "direitos".

Por outro lado, as famílias (cada vez mais absorvidas e ocupadas com o seu trabalho e carreira profissional, demitiram-se do seu papel fundamental e crucial como primeira fonte de educação. Assim, remetem para a escola o papel de substituta das suas funções sem que para a mesma transitem nenhum dos poderes de que os pais não querem abrir mão. Assim, as regras com que a escola tem de viver são ambíguas (diferente de ambivalentes) pois têm de ser coerentes com uma diversidade de pressupostos educativos próprios de cada agregado familiar para corresponderem ao democrático chavão de que "a definição do processo de educação dos filhos pertence exclusivamente aos pais".

Para os governos que transformaram as funções da escola numa autêntica aberração, são os pais que têm o direito a decidir se os filhos devem ou não estudar, se devem ou não ter "trabalhos de casa" para conseguir bons resultados ou se, pelo contrário, o melhor é deixar que o Estado castigue o professor porque os filhos dos portugueses, com o consentimento, incentivo ou anuência dos pais, decidem ir ver a bola, assistir ao espectáculo dos U2, ao "Rock In Rio" ou outro evento em vez de ficarem a estudar e a preparar-se para conseguir bons resultados escolares.

Conseguir uma escola heterogénea nas suas funções, formas e normas de educar, é incompatível com uma educação coerente e consequente. Não nos admiremos pois, que da escola saiam cada vez mais cidadãos menos preparados para assumir responsabilidades na sociedade. Muito menos, jovens responsáveis para assumir o seu papel enquanto trabalhadores de uma qualquer empresa senão com a voz sempre pronta a disparar "eu tenho direitos" sem nunca se lembrarem do reverso da medalha, isto é, "eu tenho deveres". É claro que a escola actual não forma o cidadão para ser responsável. Na escola nada lhe acontece, seja ou não um aluno responsável ou um autêntico irresponsável quanto aos seus deveres de estudante ou de respeito pelos seus pares, pelo mobiliário escolar pago com o dinheiro de todos os contribuintes. Depois estranhamos que neste país, quem passe por uma qualquer rua de uma qualquer cidade, não se depare com a degradação dos espaços públicos. Ninguém, é responsabilizado: nem alunos nem as famílias pela destruição que possam causar na escola. Desde cedo se habituam à irresponsabilidade. E este hábito não se adquire de um dia par ao outro. A maior dificuldade da escola actual é ser politicamente correcta para agradar a todos os pais. Sim, porque estes passaram a ter opinião pedagógica e avaliativa sobre os professores. Não duvidem que, quando os cidadãos (sejam trabalhadores, traficantes de droga ou criminosos de sangue) tiverem opinião e decisão sobre os polícias que os multam ou que os prenderam, a sociedade está totalmente condenada ao caos.

 

Foi um passo tremendamente errado colocar pessoas que nada entendem de educação a decidir sobre aspectos da educação dos nossos jovens. E muito maior ainda a participar na avaliação daqueles que, por incapacidade dos pais, são forçados a dar aos alunos o que em casa não têm: regras de comportamento, de respeito pelos pares e pelo bem público e comum. Ser simpático com a diversidade de formas de educar dos mais variados agregados familiares é agora uma das preocupações dos professores, muito mais do que educar para a cidadania. É que é incompatível ser simpático com alguns pais e fazer a apologia e prática da responsabilidade individual.

 

Esta postura do politicamente correcto levou a que as famílias pudessem colocar-se em pontas de pés sobre a escola, ditando regras e formas de agir dos seus intervenientes que, sob a cultura do medo (medo do escândalo, medo de ser penalizados na carreira, medo de criar factos que levem ao aparecimento das escolas na comunicação social) são forçados a deixar que sejam as famílias a decidir sobre a forma como deve ser desenvolvida a educação das suas crianças. Assim, se não querem trabalhos de casa... pois o professor não  pode mandar trabalhos para casa. A criança e as famílias são quem manda... E assim, para além dos ritmos de aprendizagem que são perdidos, são os hábitos de trabalho que ficam por criar desde pequenos. E como lá diz o ditado "de pequenino se torce o pepino!" as crianças passam a jovens e chegam à idade adulta com a garantia de que têm a quem culpar pelo seu fracasso: obviamente (e como apoio dos governos!) os professores.

São as normas legislativas que, em suma, são pouco consentâneas com a criação e desenvolvimento de uma cultura da responsabilidade.

Lembraremos de seguida, o discurso de Bill Gates, o fundador da Microsoft, sobre exactamente o fundamental da educação: a responsabilidade.

 

Eis os conselhos que Bill Gates deu numa conferência que proferiu há pouco tempo numa escola secundária.

São 11 regras simples e claras que os alunos não aprendem na escola porque a sociedade actual não permite aos professores que contrariem o que os meninos trazem como ensinamentos de casa com receio de lhes provocar uns traumas.

Bill Gates começou por dizer que a "política educativa de ‘vida fácil’ para as crianças" tem criado uma

geração que não sabe o que é a realidade, e que esta atitude tem feito com que as pessoas falhem na vida, depois de saírem da escola.

 

Muito conciso (todos esperavam que ele fosse fazer um discurso de uma hora ou mais), falou menos de 5 minutos. O suficiente para, no final do seu discurso, todos o aplaudissem durante mais de 10 minutos! Bill Gates agradeceu o aplauso e, saindo discretamente, deixou o local partindo no seu helicóptero particular.

 

Regra Nº 1

A vida não é fácil. Acostuma-te a isso.

 

Regra Nº 2

O mundo não se preocupa com a tua auto-estima.

O mundo espera que faças alguma coisa útil por ele, ANTES de te sentires bem contigo próprio.

 

Regra Nº 3

Não ganharás € 6.000 por mês, mal saias da escola não serás vice-presidente de uma empresa, com carro e telefone ao teu dispor, sem antes teres conseguido comprar os teus próprios carro e telefone.

 

Regra Nº 4

Se achas que o teu professor é exigente e rude, espera até teres um Chefe. Este, não terá pena de ti !...

 

Regra Nº 5

Vender jornais velhos ou trabalhar durante as férias, não te diminui socialmente.

Os teus avós, têm outra palavra para isso: chamam-lhe oportunidades...

 

Regra Nº 6

Se fracassares, não é por culpa dos teus pais. Por isso, não lamentes os teus erros, mas sim aprende com eles.

 

Regra Nº 7

Antes de nasceres, os teus pais não eram tão críticos como o são hoje. Só ficaram assim por terem de pagar as tuas contas, lavar as tuas roupas e ainda por cima, ouvir-te dizer que são “ridículos". Por isso, antes de “salvares o planeta” para a próxima geração, ao quereres corrigir os erros da geração dos teus pais, tenta é limpar o teu próprio quarto!...

 

Regra Nº 8

A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Nalgumas escolas, já nem repetes o ano e dão-te todas as oportunidades que forem precisas para acertares. Bom, isto não se parece em NADA com a vida real...  Nela, se pisares o risco, estás despedido. RUA !!! Por isso, faz tudo como deve ser logo à primeira.

 

Regra Nº 9

A vida não se divide em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que os outros empregados te ajudem a  fazer as tuas tarefas no fim de cada período.

 

Regra Nº 10

A televisão NÃO É a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar de ir ao bar ou à discoteca à noite para levantar-se cedo e irem trabalhar.

 

Regra Nº 11

Sê simpático com aqueles a quem chamas de “Betinhos” ou “Copinhos de Leite”. Há uma grande probabilidade um dia vires a trabalhar para um deles...

 

E com estas 11 regras, Bill Gates conseguiu o aplauso dos que o escutavam, significa que até os jovens percebem que deve ser exigida uma  maior responsabilização dos alunos e das suas famílias para que os objectivos que sao cometidos à escola possam ser de facto, alcançados. E que, o fracasso dessas metas seja repartido entre todos e não apenas assacados aos professores que, num contexcto cada vez mais adverso , têm que agradar a gregos e a troianos. Os jovens não são quem pretende o facilitismo. A sociedade do "coitadinho" e do "politicamente correcto" em busca do voto de mais uns milhares de famílias de portugueses é que levou à criação desta cultura de irresponsabilidade.

 

Enfim... Como esta realidade parece não agradar nem a alunos nem a professores. Há pois que ter a coragem de dar um passo qualitativo na educação dos jovens no sentido da assumpção das responsabilidades de cada um nos processos nela envolvidos (de que os governantes teimam em não querer dar o exemplo!).

Esta crise veio colocar a nu as debilidades do sistema e demonstrou que a cultura do facilitismo acaba por voltar-se contra aqueles que pensavam ser os beneficiados com o laxismo. Há, pois, que caminhar para uma verdadeira autonomia das escolas. Há que partilhar e assumir cada um o seu papel. A escola, de ensinar. Os alunos de aprender. As famílias de contribuir apra que o processo seja conduzido de forma coerente com a co-responsabilização de ambos os intervenientes, assumindo cada um dos intervenientes (escola, alunos, auxiliares e professores) a sua quota parte de responsabilidade, tal como num qualquer outro contexto social (como um acidente de viação, por exemplo).

Só assim é possível formar cidadãos respnsáveis capazes de assumir um papel activo e consciente das consequências do seu desempenho na sociedade. Há que deixar que cada um desempenhe o seu papel.

A responsabilidade da educação dos jovens com vista à formação de cidadãos responsáveis deve voltar a ser entregue unicamente a profissionais de educação  e seus coadjuvantes (professores, psicólogos, psicopedagogos, e outros especialistas com formação adequada ao contexto) devolvendo à escola a função de contexto ecológico capaz de preparar cidadãos para uma participação activa e responsável numa sociedade democrática.

publicado por J.Ferreira às 22:46

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Domingo, 18 de Julho de 2010

Formação Contínua - Um Dever e Um Direito

Está na hora de agir antes que seja tarde.

 

Nos últimos 5 anos da década de 90 (século passado!), centenas de professores participaram em Acções de Formação que ministramos na área da Tecnologias da Comunicação e Informação (em parceria com outro formador).

Nessa altura, quando alguns professores criticavam a formação com o argumento de que não havia computadores nas escolas, defendíamos a necessidade de os professores se formarem nas tecnologias para precisamente, poder cortar o círculo vicioso que se gerava pois que, os professores diziam “Não faço formação porque não há computadores nas escolas” ao que o Estado contra-argumentava "Para quê?" colocar computadores nas escolas se os professores não têm formação”.

 

Na verdade, a formação contínua (co-financiada pela União Europeia) era gratuita para os professores. No entanto, e precisamente por ser co-financiada ela surgiu na sociedade como mais do que como uma "exigência" era entendida justificada e divulgada como  uma "necessidade de actualização" dos professores para dar uma melhorar resposta às necessidades da Educação.

Nessa mesma altura (e, criticamente, como sempre!) questionávamos a veracidade dos motivos que eram apresentados. Sim... Se era uma necessidade de actualização dos professores, por que motivo nos critérios de admissão aos cursos não imperava o factor "tempo sem formação" mas antes a "proximidade da data de subida de escalão" ou o "menor tempo de serviço docente"... A prova de que não era a actualização dos professores mas antes o gastar o dinheirinho era que os critérios de selecção (uniformes ou não de  Centro de Formação para Centro de Formação ) implicavam a selecção dos professores mais jovens, pelo que eram muitas vezes os que acabavam de sair da Universidade, que se viam confrontados com mais formação... Aos restantes (e em muitos casos eram os que necessitavam de formação mais do que de pão para a boca!) não obtinham lugar nos cursos e "marchavam para casa" pelo mesmo caminho da inscrição e, obviamente, sem direito a fazer a formação! Os critérios de selecção (determinados ou não superiormente) eram um autêntico absurdo. Assim, era frequente ver jovens professores, recentemente saídos da Universidade, a serem seleccionados para a frequência de cursos (por exemplo, de Informática no Ensino) enquanto os professores com maior antiguidade na profissão  (e que estavam afastados da formação há mais anos!) ficavam de fora...

Constata-se, pois, que se a Administração Educativa visava actualizar as competências dos professores (nas mais variadas áreas!) deveria ter chamado à formação aqueles que dela necessitavam e que estavam há mais tempo afastados da formação. É óbvio que o intuito de passar para a sociedade a ideia de que os professores necessitavam de ser melhor formados, que havia áreas em que estavam mal formados não era realista pois que não obteve qualquer eco na mudança dos currículos da Formação Inicial ministrada pelas Instituições de Ensino Superior...

 

A intenção era outra. Promover a desvalorização dos professores, acusando-os de ter uma formação "deficitária" e como tal, se queriam subir na carreira teriam de apresentar provas de frequência e aprovação na formação contínua... Assim, a mudança da carreira docente (de fases apra escalões) surgiu como uma estratégia ao serviço da angariação de clientela para os centros de formação gastarem as verbas proporcionadas pela União Europeia com vista ao desenvolvimento dos países periféricos e mais pobres da Europa.

 

Então os que acabavam de sair da Universidade eram os primeiros seleccionados para as acções empreendidas pelos Centros de Formação pelo que (gozando de uma inquestionável visão prospectiva!) já nessa altura prevíamos a chegada do dia em que os professores, contrariamente a todos os demais profissionais das empresas privadas, seriam obrigados a pagar a sua formação se queriam progredir na carreira.

Afinal, não nos enganámos. E, tal como noutros aspectos em que a nossa previsão passados uns longos 15 anos se veio a provar ser certa,  neste caso não foi necessário esperar tanto para começarmos a assistir a esta realidade: Queres formação? Paga-a!

 

“Fenprof exige revisão "urgente" do regime jurídico da formação contínua.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) exigiu hoje uma revisão “urgente” do regime jurídico da formação contínua, sublinhando que o Governo só a assegura anualmente a 30 por cento dos docentes, apesar de obrigatória.

“A revisão do regime jurídico da formação contínua de professores é uma urgência e uma prioridade. A situação está péssima”, afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

O dirigente sindical explicou que o próprio Ministério da Educação “admitiu” que não consegue formar mais de 30 por cento dos professores anualmente, apesar de este procedimento ser obrigatório e contar para efeitos de avaliação de desempenho e progressão na carreira.

Por outro lado, prosseguiu, os financiamentos “estão completamente orientados para as Tecnologias de Informação e Comunicação”, quando, para efeitos de carreira, os docentes “têm de ter dois terços da formação no âmbito da sua área científico-didáctica”. No entanto, segundo o líder da Fenprof, o Ministério da Educação assegurou que “da ausência de formação não podem resultar penalizações para carreira”.

Outro dos problemas apontados prende-se também com os actuais 92 “mega centros” de formação de associações de escolas, com áreas geográficas “enormes”. “As orientações da tutela apontam para que no máximo, e apenas nas grandes cidades, não ultrapassem os dois mil professores. Hoje temos quase 1/3 dos centros com mais de dois mil professores e alguns acima dos três mil, o que significa uma impossibilidade prática de dar formação”, sublinhou.

Como a maioria dos centros acaba por não ter condições para formar todos os docentes, estes acabam por recorrer a cursos de instituições de ensino superior ou de associações de professores, “pagando do seu bolso mais de cem euros”. “A formação contínua é um dever dos professores e também um direito. Contribui para melhoria do trabalho e do desempenho dos professores”, argumentou. Segundo Mário Nogueira, o Ministério da Educação tem dado acesso a acções de formação com a duração de 15 horas anuais, quando deveriam ser 25.”

 

Afinal quem governa sabe o que faz? Ou anda a navegar à bolina? Os governantes aprovam leis como quem muda de camisa mas não é capaz de cumprir a parte que lhe toca. Depois, é isto.

 

O Jornal “Público” noticiou ... Nós comentámos!

 

Cabe agora ao leitor dizer da sua justiça...


publicado por J.Ferreira às 01:00

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