Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

O ataque é a melhor defesa

António Marinho Pinto, o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados colcoa a boca no trombone... e dá a resposta aos que o criticam pelas suas tomadas de posição públicas. Aqui o publicamos (tal como o recebemos por email) para que cada um possa fazer a sua reflexão crítica.

 

Há cerca de três semanas anunciei que em 2015, iria pedir ao eleitorado que substituísse o meu mandato de deputado ao Parlamento Europeu pelo de deputado à Assembleia da República, pois iria candidatar-me ao cargo de primeiro-ministro. Imediatamente os alabardeiros do sistema político, que vão desde uma direita burlesca a uma extrema-esquerda apatetada e a outra de sacristia, reagiram com a finalidade de desviar as atenções do que é importante.

Na verdade, com um coro bem afinado, eles acusaram-me de tudo e mais alguma coisa mas nem uma palavra sobre os motivos da minha intenção de sair do PE. Para eles é irrelevante que os deputados europeus recebam mais de 18 mil Euros mensais para representarem um país cujo salário mínimo é inferior a 500 Euros; que só paguem impostos sobre 1/3 dessa remuneração e a uma taxa de 20% enquanto as pessoas que os elegeram vivem esmagadas com impostos que lhes podem confiscar mais de 50% dos rendimentos do trabalho; que um simples mandato de 5 anos lhes possa assegurar uma pensão vitalícia de 1300 Euros mensais quando os portugueses precisam de trabalhar décadas para obter uma pensão que nem sequer os sustenta na velhice.

Para eles é insignificante que um eurodeputado disponha de 21 mil Euros mensais para contratar quem queira sem ter justificar essas contratações, tenha todas as viagens suportadas pelo PE e disponha de um Mercedes topo de gama e motorista para todas as suas deslocações que faça em Bruxelas ou em Estrasburgo. Nada disso os perturba. O que os incomoda – e muito – é o facto de um deputado recém-eleito se ter recusado a saborear em silêncio essas mordomias, as ter denunciado como inadmissíveis perante a pobreza do povo que representa e se prepara para regressar ao combate político em Portugal.

Acusam-me de falta de coerência pois, para eles, quem não concorda com estes privilégios deveria demitir-se. O seu paradigma argumentativo é o mesmo que foi usado contra os comunistas que não repartiam os seus bens com os proletários ou então não emigravam para a União Soviética que elogiavam. As categorias mentais são as mesmas.

Eles são como o idiota da fábula chinesa que, atávico, olhava para o dedo quando alguém apontava para a Lua. Perante a denúncia de uma situação escandalosa eles, perfidamente, olham para o dedo que a indica, dizem que a unha está roída e logo diagnosticam os piores desvios morais e de carácter de quem os denunciou. Deve realmente ser insuportável ouvir publicamente o que tão empenhadamente se calava.

Eles não se incomodam que uma eurodeputada recém-eleita se prepare para abandonar o lugar para comissária da EU ou que um ministro tenha ido para administrador de uma empresa a quem, em nome do Estado, pagara milhões de Euros por empreitadas de obras públicas ou que outro tenha ido presidir a uma empresa estrangeira cuja instalação autorizara enquanto ministro ou que o presidente da principal entidade de regulação bancária tenha sido director de um banco privado que usava o dinheiro dos seus depositantes para através de offshores, comprar as suas próprias acções inflacionando-as para cotações que chegaram a ser 100 vezes superiores à actual ou que o BES tenha financiado congressos de magistrados do Ministério Público ou ainda que dezenas de jornalistas tenham feito cruzeiros no iate do seu presidente.

Eles não se preocupam nada com a corrupção que generalizou no sistema político e mediático nem com a gigantesca teia de tráfico de influências que asfixia o Estado Democrático o que realmente os incomoda é que alguém denuncie essa podridão até porque isso revela também a cumplicidade do seu silêncio. Mas o que verdadeiramente atormenta essa choldraboldra de fariseus e os que se escondem por detrás dela é tão-só o mau exemplo de alguém que apareceu a fazer política recusando o que de melhor ela lhe podia dar em benefício exclusivo daquilo para que ela realmente existe: a RES PUBLICA.

 

publicado por J.Ferreira às 22:11

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Marinho Pinto ao Ataque

António Marinho Pinto, o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados colcoa a boca no trombone... e dá a resposta aos que o criticam pelas suas tomadas de posição públicas. Aqui o publicamos (tal como o recebemos por email) para que cada um possa fazer a sua reflexão crítica.

 

Há cerca de três semanas anunciei que em 2015, iria pedir ao eleitorado que substituísse o meu mandato de deputado ao Parlamento Europeu pelo de deputado à Assembleia da República, pois iria candidatar-me ao cargo de primeiro-ministro. Imediatamente os alabardeiros do sistema político, que vão desde uma direita burlesca a uma extrema-esquerda apatetada e a outra de sacristia, reagiram com a finalidade de desviar as atenções do que é importante.

Na verdade, com um coro bem afinado, eles acusaram-me de tudo e mais alguma coisa mas nem uma palavra sobre os motivos da minha intenção de sair do PE. Para eles é irrelevante que os deputados europeus recebam mais de 18 mil Euros mensais para representarem um país cujo salário mínimo é inferior a 500 Euros; que só paguem impostos sobre 1/3 dessa remuneração e a uma taxa de 20% enquanto as pessoas que os elegeram vivem esmagadas com impostos que lhes podem confiscar mais de 50% dos rendimentos do trabalho; que um simples mandato de 5 anos lhes possa assegurar uma pensão vitalícia de 1300 Euros mensais quando os portugueses precisam de trabalhar décadas para obter uma pensão que nem sequer os sustenta na velhice.

Para eles é insignificante que um eurodeputado disponha de 21 mil Euros mensais para contratar quem queira sem ter justificar essas contratações, tenha todas as viagens suportadas pelo PE e disponha de um Mercedes topo de gama e motorista para todas as suas deslocações que faça em Bruxelas ou em Estrasburgo. Nada disso os perturba. O que os incomoda – e muito – é o facto de um deputado recém-eleito se ter recusado a saborear em silêncio essas mordomias, as ter denunciado como inadmissíveis perante a pobreza do povo que representa e se prepara para regressar ao combate político em Portugal.

Acusam-me de falta de coerência pois, para eles, quem não concorda com estes privilégios deveria demitir-se. O seu paradigma argumentativo é o mesmo que foi usado contra os comunistas que não repartiam os seus bens com os proletários ou então não emigravam para a União Soviética que elogiavam. As categorias mentais são as mesmas.

Eles são como o idiota da fábula chinesa que, atávico, olhava para o dedo quando alguém apontava para a Lua. Perante a denúncia de uma situação escandalosa eles, perfidamente, olham para o dedo que a indica, dizem que a unha está roída e logo diagnosticam os piores desvios morais e de carácter de quem os denunciou. Deve realmente ser insuportável ouvir publicamente o que tão empenhadamente se calava.

Eles não se incomodam que uma eurodeputada recém-eleita se prepare para abandonar o lugar para comissária da EU ou que um ministro tenha ido para administrador de uma empresa a quem, em nome do Estado, pagara milhões de Euros por empreitadas de obras públicas ou que outro tenha ido presidir a uma empresa estrangeira cuja instalação autorizara enquanto ministro ou que o presidente da principal entidade de regulação bancária tenha sido director de um banco privado que usava o dinheiro dos seus depositantes para através de offshores, comprar as suas próprias acções inflacionando-as para cotações que chegaram a ser 100 vezes superiores à actual ou que o BES tenha financiado congressos de magistrados do Ministério Público ou ainda que dezenas de jornalistas tenham feito cruzeiros no iate do seu presidente.

Eles não se preocupam nada com a corrupção que generalizou no sistema político e mediático nem com a gigantesca teia de tráfico de influências que asfixia o Estado Democrático o que realmente os incomoda é que alguém denuncie essa podridão até porque isso revela também a cumplicidade do seu silêncio. Mas o que verdadeiramente atormenta essa choldraboldra de fariseus e os que se escondem por detrás dela é tão-só o mau exemplo de alguém que apareceu a fazer política recusando o que de melhor ela lhe podia dar em benefício exclusivo daquilo para que ela realmente existe: a RES PUBLICA.

 

publicado por J.Ferreira às 21:47

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