Sexta-feira, 7 de Março de 2014

Mega-Agrupamentos... Mega-Problemas

As notícias acima vêm dizer-nos que as políticas implementadas de há uma década a esta parte não contribuem para a formação de cidadãos nem dão a oportunidade à escola de formar cidadãos responsáveis. A confluência de um número desmesurado de alunos num espaço concebido para um número muito inferior de alunos, associada à falta de recursos humanos para dar resposta a uma tamanha diversidade de alunos constitui a combinação perfeita para gerar uma situação social explosiva. Se contarmos com os problemas sociais próprios de uma sociedade de desresponsabiliza os cidadãos pela educação dos seus filhos, actualmente foram agravados com a crise que o país atravessa, depressa nos damos conta de que o Estado está a concentrar demasiados problemas no mesmo espaço, transformando cada escola num autêntico "barril de pólvora".

A criação dos mega-agrupamentos, associada à redução dos efectivos para o desempenho da formação das crianças e jovens,  apenas veio criar focos de indisciplina incontroláveis. A notícia comprova isso mesmo. As crianças nas escolas estão a ser enlatadas como "sardinhas de conserva" que chegam aos restaurantes em latas de grandes dimensões. As escolas são hoje autênticas instituições que se dedicam à "guarda de crianças e jovens" de toda a natureza (recebendo de volta todos os que o mercado de trabalho na nossa sociedade é incapaz de absorver). E, para além do Projecto Educativo daqueles que têm de se submeter a exames nacionais, a escola é chamada a dar resposta aos problemas de muitos jovens que, não tendo conseguido completar os seus estudos, se encontram sem trabalho, caminhando em meandros que roçam a marginalidade. Ocupar crianças não é propriamente o objectivo de uma instituição educativa como a Escola.

A formação académica tem o seu lugar a cada momento. Mas, aqueles que não foram capazes de acompanhar o currículo académico, estão hoje de volta à escola por falta de capacidade de resposta da sociedade. Incapaz de encontrar resposta social para os problemas de deixar centenas de jovens na rua, os governos pretendem fazer voltar à escola uma quantidade de jovens que da escola não quer nem espera nada... Aliás, os exemplos que têm estes jovens não são nada animadores: milhares e milhares de licenciados, sem emprego, outros tantos com emprego mas com salários de miséria ao fim de tantos anos de estudos não são nenhum incentivo para que queiram estudar... Assim nasce a geração NEM-NEM (que nem trabalha nem estuda...). Por isso, a resposta dos nossos governantes é "mais do mesmo". Quizas, convencidos de que o provérbio (água mole em pedra dura tanto bate até que fura!) algum dia fará efeito! Por isso, que planifica? Que voltem à escola. E até podem voltar mas a maioria manterá na sua atitude um rechaço total pelo currículo a que João Formosinho chamou de "uniforme, pronto a vestir, de tamanho único" (e agora, com exame nacional) que nada lhes diz e que para nada lhes servirá na vida. O Governo obriga a Escola a IMPORTAR os problemas para que a sociedade (em especial, o governo, obviamente!) não encontra resposta eficaz, uma formação contextualizada no mercado de trabalho.

A administração educativa portuguesa aventurou-se numa criação de parcerias para a educação cujos únicos parceiros efectivos são partes da mesma administração educativa. Ou seja, mudam-se os nomes mas... tudo fica na mesma. Melhor, tudo fica pior!

Os políticos pretendem colocar a possibilidade dos cidadãos escolherem as escolas onde matriculam os seus filhos. No entanto, são os mesmos políticos que nos últimos anos retiraram aos encarregados de educação (portugueses... obviamente) a possibilidade de matricularem os seus filhos nas escolas que eles mesmos queriam. A prova foram as múltiplas manifestações populares (a que todos tivemos a infeliz oportunidade de assistir nos últimos anos) associadas ao encerramento dos milhares de estabelecimentos de ensino por todo o país. Como é possível falar de "escolha de escola" por parte dos pais? Então os pais que escolheram manter os filhos nas escolas da aldeia foram forçados pelo Estado a abandonar a sua pretensão e agora querem dar aos portugueses a possibilidade de escolher a escola para os seus filhos? Um absurdo. Escolha de escola, pelos pais? Nada mais falacioso! Porque, inviável...   

Como será possível, por exemplo, permitir a escolha de escola...? E quando numa escola com capacidade para albergar 400 alunos do primeiro ciclo se inscreverem 700 alunos? que fará o Estado? Aumenta as salas de aula? Coloca alí mais professores? E se no ano seguinte os pais decidem que, afinal, os melhores resultados estão na escola a 500 metros e decidem inscrever os filhos nessa escola? Que fará o Estado? Mais umas tantas salas de aula? Sim... apenas mais umas tantas salas de aula, já que de professores (tratados pelo Ministério como autênticas marionetas) o Estado põe e dispõe como bem quer e lhe apetece. Mas será que o Estado vai criar salas quando os pais quiserem uma determinada escola e a sua capacidade estiver lotada? Claro que é falso! É uma mentira mais,... Pura demagogia... irrealista. Muito menos num país em crise profunda, de valores, de crânios capazes de nos retirar do abismo a que os governantes (políticos de meia-tigela!) incompetentes conduziram o país com as suas políticas desastrosas!

Na verdade, os pais poderão escolher onde houver vaga... E o Estado fará as suas contas. Se lhe ficar mais barato, se lhe permitir excluir mais um professor, deixará os paizinhos matricularem os seus filhinhos onde bem quiserem... tal como se passa hoje, quando se trata de matricular alunos que cumprem os 6 anos entre 1 de Setembro e 31 de Dezembro. Em suma, os pais apenas poderão inscrever os filhos naquelas onde houver vaga.

E cada vez há menos escolas em que a qualidade educativa seja o real objectivo. Antes, o parecer se está a sobrepor ao ser. Vive-se na "era da montra". Vivemos nas escolas não para formar cidadãos de pensamento crítico mas para formar cidadãos formatados, capazes de responder de igual modo de norte a sul a uma mesma pergunta. Esta e a função dos exames nacionais... Formar pessoas? Isso, é coisa do passado. Formar mão-de-obra barata, seres capazes de desempenhar uma função que o capitalismo e o neo-liberalismo desregulado, desenfreado tenta fabricar: máquinas infalíveis de carne e osso. Vivemos na era dos "caçadores de excelentes" com a ideia de que nesta selva europeia, só os "excelentes" terão futuro assegurado. Nada mais falso. Esta corrida à "excelência" irá transformar as novas gerações em gerações formadas para o individualismo e a competição desenfreada,  com as inevitáveis situações de conflito entre cidadãos cujos resultados a história nos tem deixado marcas indeléveis.

Portugal necessita passar esponja nesta etapa nounocrática. É necessário que se implemente uma nova forma de encarar a educação, que se deixe de valorizar o resultado para focar a atenção no processo e muitos destes excelentes (formatados para dar determinadas respostas a determinado tipo de perguntas que lhes permitem aceder aos lugares de topo, nos Rankings. A etapa nunocrática surge marcada pelo abandono da valorização do progresso dos alunos, o recuso a medir não so o esforço como a melhoria das competências que cada aluno apresenta no início de cada etapa escolar. Apenas se compara o que cada um sabe com os "standards" exigidos nas (pseudo) provas de avaliação nacionais, como se essas provas (ou exames) fossem capaz de medir progressos. Na verdade, um aluno que tem no início do ano conhecimentos avaliados em 18 valores, mesmo que tenha regredido e passado a 14 valores, continuará a estar à frente de outro aluno que tendo apenas 6 valores no início do ano (reprovado, é claro) progrediu e ao longo do ano alcançou 13 valores. Incrivelmente...! Que avalia afinal a prova em termos de progresso e de educação? NADA!

Em suma, não se valoriza o desenvolvimento das competências por aprte de cada aluno. Avalia-se o nível que cada aluno apresenta face a uma prova, independentemente do esfoço e empenho que cada aluno deposita no trabalho escolar e, ainda por cima, sem respeito pelas diferenças individuais. É a medida da (pseudo)excelência nunocrática que se está a impor no sistema educativo.

Trabalha-se para alcançar números, todos "correm" em direcção desconhecida, sem saberem verdadeiramente qual a meta que pretendem atingir. Todos procuram o "excelente" como se fosse humanamente possível que, numa avaliação (seja de que natureza for) todos os alunos pudesse chegar ao excelente. Aliás, a incoerência do Governo é posta a nu nesta teoria da excelência de resultados apra todfos os alunos. Com efeito, a professores (que os formam!) só admitre a existência de UM excelente em cada 20 professores. Assim, a mesma "bitola" deveria ser aplicada aos launos. Mas não! O governo acredita que todos os alunos possam ter aprendizagens de nivel "Muito Bom" ou "Excelente". É anedótico! Então, como vão conseguir esse milagre se a maioria dos professores está PROIBIDA de aceder à classificação MERECIDA? Ou seja, na sua maioria os professores apenas podem ter "Bom" porque o governo continua a não permitir classificações superiores, isto é, 5% para a menção qualitativa de "Excelente" e 20% para a menção qualitativa de "Muito Bom". E isto ainda que os professores o mereçam, apenas um em cada vinte pode ter excelente! Já imaginaram isto numa equipa de futebol ou na selecção Nacional???

Vive-se na busca do "excelente" a todo o custo. Esta insaciável obstinação já teve entre nós, provas mais do que evidentes, de que não serve para melhorar os reais resultados dos alunos. Antes, serve para enganar a população! Nunca em nenhum outro ramo se passou o que se está a passar no seio da educação. Os docentes que em 2007 foram considerados "excelentes" pelos que comandam o sistema educativo, foram os profissionais mais castigados. Como prémio de terem sido considerados "excelentes" pelo ministério, o mesmo ministério impediu-os de concorrer, de melhorar a sua colocação. Ainda hoje, passados mais de 7 anos, continuam desterrados e à espera de uma oportunidade para ver reposta a injustiça de que foram alvo.

Em face do resultado do exemplo dado, como motivar os alunos para o esforço que se impõe se se quer ser "excelente"? Mas para que serve essa escelência quqando sassistimos ao compadrio e caciquismo na nomeação de pessoas para cargos cuja análise do currículo demonstra inequivocamente que NUNCA foram alunos marcados por "excelentes" resultados académicos?

Afinal, conseguir um "excelente"... para quê?

Pretendem os governantes que as escolas "trabalhem" para o excelente. Que se "formatem" a cabecinhas das crianças de uma forma igual para todas, seja no raciocínio, seja na expressão (para responderem todas de igual forma a um determinado tipo de pergunta). Depois, claro. As desigualdades de recursos e de oportunidades estão bem patentes nas crianças que se tratam por igual, ainda que a desigualdade se acentue com a criação dos Mega-Agrupamentos e a extinção das escolas de periferia. De facto, umas crianças, para chegrarem de casa à sede do agrupamento basta levantar-se uma meia horita antes. Outras, as que vivem mais longe, são as sacrificadas pela manhã, levantando-se muito mais cedo e chegando a casa muito mais tarde para repassar os conteúdos abordados nas aulas. E não me digam que o podem fazer na viagem...! Nem me venham dizer que "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", pois uma criança ou jovem em idade escolar deve dormir no mínimo umas 9 ou 10 horas. Menos que isso é insuficiente... Ela tem de descansar. Só falta dizer que as crianças da periferia (que até há bem pouco tmepo tinham a escola da aldeia, muitas vezes a menos de 10 minutos!) são as privilegiadas porque até fazem turismo ao longo do ano. É que as viagens casa-escola-casa, realizadas antes e depois das aulas, não são uma forma de enriquecimento cultural. Elas são uma monotonia, suportadas ao longo de todo o ano, desgastando as energias das crianças. Com a viagem, as crianças têm de levantar-se demasiado cedo, e chegam a casa demasiado tarde, sendo obrigadas a deitar-se tarde, quantas vezes sem tempo disponível para rever conteúdos...

Para quando o tempo de estudo? Onde o encaixam os governantes quando a criança perde duas horas para deslocar-se casa-escola?

E querem resultados? Como? Cansadas da viagem, crianças de entre os 6 e os 12 anos, vão frequentar escoals que distam de suas casas mais de 15 ou 20 kms? Mas, porque é que os governantes (sejam deputados ou ministros, com idade para dormir pouco...) não ficam a residir a uma distância equivalente dos seus lugares de trabalho? Já repararam quanto se podia aforrar para lutar contra a crise se deslocassem os seus aposentos para a periferia de Lisboa? Mas "Não!". É curioso! Os nossos políticos preferem residir nas grandes cidades como Lisboa. 

publicado por J.Ferreira às 16:13

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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

O Engodo dos Centros Escolares

As crianças são a vida, o sangue e a alegria das gerações mais velhas. Agora, já nem oportunidade terão de ver as crianças crescerem...

 

 

Depois de lhes retirarem os serviços de saúde, as populações do interior ficam agora sem vida... Que mais lhes vão retirar? Esperem. As pontes vão caindo... as vias rápidas vão levando com portagens... Feche-se o interior. Depois de verem o Alentejo como um deserto (palavras do Ministro Socialista Mário Lino!), falta agora chamar de "Sibéria" ao interior...

 

Esta é mais uma ideia megalómana. Acredita-se que, se a ministra o diz, tem de ser verdade. No entanto, a Ministra não apresenta nenhum estudo que demonstre que as crianças que frequentam os maiores centros escolares têm maior índice de Sucesso que as que frequentam centros escolares de média ou pequena dimensão.
Não estamos a defender escolas com 5 ou 6 alunos. Mas é uma aberração fecharem-se escolas que ultrapassam os 20 alunos.

Não venham com a desculpa demagógica em forma de promessa de maior sucesso. Um governo sério demonstraria, com números sérios baseados em estudos credíveis, que as escolas de maior dimensão têm maior taxa de sucesso.

Sim. Sobretudo fazendo estudos com escolas que tenham um grande número de alunos e que se encontrem em zonas geográficas com o mesmo nível sócio-económico que as escolas de pequena dimensão que agora se pretende encerrar com a promessa de melhores condições e de mais sucesso escolar. Por exemplo, apresentem os índices de Sucesso das Escolas da zona de Cova da Moura e outras assim. Depois, se os resultados apontassem melhores e mais elevados resultados escolares e de integração social (formação de cidadãos, porque nada serve melhorar os resultados no papel se provocam um aumento da criminalidade!)  relativamente às escolas de pequena dimensão (aquelas que têm entre 20 e 50 alunos) entao sria de rependsar a organização dos espaços escolares.

Há que constatar qual é a relação que existe entre sucesso e dimensão do estabelecimento de ensino... Sem possibilidade de apresentar números que demonstrem o que acabamos de dizer (porque não os conseguem encontrar!), temos a Ministra a falar... falar... falar. Mas de substância: nada!
Mas o tempo encarregar-se-á de nos dar razão porque existem, de facto, possibilidades de argumentar que servem qualquer das intenções dos governantes: elucidar ou para enganar. Por isso uns rumam para um lado e anos depois outros vêm e decidem  rumar em sentido oposto. Uns fecham as escolas do interior com um argumento e outros terão facilidade em demonstrar precisamente o erro que foi cometido. Mas os portugueses gostam de cometer erros para depois se penitenciarem...Aliás, como justificariam os governantes tantos ministérios e secretarias de estado se não existissem políticos para criar problemas? Paul-Henri Combart de Lowe, sociólogo francês, afirmou na Universidade do Minho algo que demonstra uma realidade evidente: querem ver os problemas de um país? Pois bem. Vejam pelos nomes dos Ministérios e a cada um podem associar um problema que o país tem. E Portugal, nesta perspectiva tem cada vez mais porque só temos políticos que, em vez de resolverem os nossos verdadeiros problemas, criam factos para se entreterem e entreterem o povo a discutir o sexo dos anjos. Mantendo-se a filosofia de constantes alteraçõres ao funcionamento do Sistema Educativo sempre que chega um novo minstroou sem Centros Escolares.

A ministra actual chegou e já quis, também ela, "fazer o seu xixi" para deixar a sua marca: destruiu os agrupamentos democraticamente criados e a impôs a fusão dos Agrupamentos criando os Mega-agrupamentos. Este caminho (por nós previstos desde o início da propaganda que foi feita pelos socialistas à Autonomia das Escolas) demonstra que estaremos permanentemente em mudança num sistema que só ganha se mantiver uma estabilidade diacrónica. O anacronismo constata-se facilmente: o mesmo governo que obrigou os professores a ficar 4 anos numa mesma escola (para se livrarem do trabalho, obviamente!) ao criar novas regras no sistema de concursos, em nome da estabilidade, é o mesmo governo que faz os professores mudar por questões de reorganização da rede... É incrível. A mentira é como o azeite. E estes socialistas nem se dão conta  disso (como aliás, a maioria dos portugueses que os apoiam!).

 

O que assistimos hoje é mais um destes entretenimentos a equipa do senhor Engenheiro Sócrates encontrou para fazer da Educação um autêntico Circo Moderno (tipo Coliseu de Roma) onde se podem entreter as massas... Sim, porque parece que, em Portugal, já nem o Futebol consegue desempenhar papel de "ópio do povo"...
Por isso, uns esgrimem argumentos para justificar a extinção das escolas do interior com verborreia sem qualquer dado real como fundamento. Outros apresentam argumentos que demonstram a importância de manter as escolas das zonas geográficas mais interior. A título de por exemplo, por que motivo não se estabelece a relação entre o índice de criminalidade contra o aumento da agressividade nas escolas que se tem vindo a intensificar nos últimos anos.
Foi já estabelecida a correlação entre a diminuição do espaço de recreio disponível (porque será uma inevitável consequência em muitas escolas: mantém-se o espaço físico para um maior número de alunos o que implica a redução do espaço de recreio disponível para cada aluno/grupo) e o aumenot da agressividade e violência nas escolas. O espaço livre por aluno é, pois, um factor altamente relevante quando se trata da luta contra a agressividade e violência escolar. Mas os políticos tomam assim medidas descoordenadas, isoladas, como se a Educação não devesse ser vista e analisada numa perspectiva integrada e globalizante.

 

 

Se acham que Portugal é uma excepção, façam estudos para ver de onde saem os criminosos e delinquentes. Depressa se constatará se vale ou não a pena colocar crianças que teriam um desenvolvimento sócio-cultural harmonioso e solidário integrado nos seus meios de origem.

O acosso de que serão objecto os alunos que vêm de fora (sobremaneira conhecido e vivido por quem outrora teve de viajar de aldeias do interior para as cidades a fim de prosseguir estudos!) não deixará de demonstrar também o que defendemos. Sem estratégias de resiliência, muitas crianças acossadas sentir-se-ão perdidas, abandonadas, desterradas, sem a segurança da família por perto como outrora tinham na escola da sua freguesia…
Publiquem os estudos que demonstram exactamente o contrário quanto à influência de mega-escolas no sucesso escolar dos alunos… Sim. Porque de recursos, estamos falados. Não existem e não vão passar a existir. Os que existiam já nas escolas, se eram suficientes para o sucesso dos alunos que ali estudavam, agora serão monitorizados (que linda e moderna palavra!) pelos alunos ou docentes para que cada um possa ter o seu “tempo de antena”. É que as escolas receptoras não passarão a ter mais nem melhores recursos do que os que já estavam nelas instalados para uso dos alunos que nelas se inscreviam. Logo, trata-se unicamente de rentabilizar os mesmos recursos para mais gente. Nem que cada um veja reduzido o tempo de que deles podia usufruir.
Sabe-se que estudos demonstraram uma correlação directa entre a redução do espaço livre de lazer nas escolas  e o aumento da agressividade dos alunos (casos de Bullying!). E não é necessário fazer estudos... Basta ver o que se passa quando diminui o espaço de lazer. Quando nas escolas vários grupos de alunos querem ocupar o recinto de futebol, logo surgem problemas... queixas deste e daquele, tipo "fulaninho não nos deixa jogar... folaninho atirou-nos a bola para a estrada...!  Enfim... Um sem número de outros problemas que nem vale a pena aqui explanar.
Sabemos muito bem o que se passa quando estamos num espaço público (seja ele uma sala de espectáculos ou um espaço ao ar livre) e há lugares para todos se movimentarem, da mesma forma que todos já sabemos o que se passa quando o espaço é reduzido e insuficiente (seja ele no metro, no comboio, uma sala de espectáculos ou outro local público)...  Mas o problema que vai surgir não interessa (por agora) aos nossos governantes. Eles lá estarão para criar mais uns tachos para os amigos resolverem os problemas. Tal como dizia há muito temop, há os que resolvem problemas e os que criam problemas. mas, que seria dos primeiros sem os segundos? Aí está. O Governo, quando algo está a funcionar bem, lá se encarrega de o destruir... Só assim podem justificar junto do Zé-povinho a criação de mais uma Alta Autoridade para isto e outra Alta Autoridade para aquilo (sim porque tem de ser Alta Autoridade, para justificar os gordos salários dos nomeados, mesmo que nada façam...!)... ou, quizás, um Grupo de Missão para isto e outro Grupo de Missão para estudar aquilo ainda que os elementos que o constituem de "missionários" nada tenham (basta olharmos para os seus Altos salários!)...

Assim, neste momento, o que interessa  é parecer que se vai poupar mais uns euros permitindo, dessa forma, nomear ou admitir mais uns quantos servidores de suas Excelências os Governantes da Nação! (comprar carros novos, nomear mais uns caciques para cargos que nada têm de essência!) ou motoristas (note o leitor que, só em Maio de 2010, em plena crise económica em que o Governo exigiu ao povo imensos sacrifícios, o José Sócrates admitiu 12 motoristas para prestarem serviço no seu Gabinete de Sua Ex.ª o Senhor Primeiro Ministro!  Boa vai ela! Ora Aperta o cinto ó Zé (povinho!) que o Zé Sócrates vai passear de carrinho!...

Afinal, para que se reagrupam as escolas? Para aumentar a agressividade, a violência e, sem dúvida, diluir o insucesso escolar .
Cabe aos interessados nesta matéria estar atentos e fazer agora estudos que demonstrem que, as crianças oriundas de meios socio-económicos e culturais desfavorecidos, aquelas que se deslocam agora para longe da sua residência, melhoram a sua sociabilidade e os índices de êxito no currículo escolar.
Nós até poderíamos estar de acordo com os argumentos da senhora Ministra, se a mesma fundamentasse a sua decisão em estudos que provassem que a frequência de mega-escolas por parte de crianças oriundas de meios geográficos socioeconomicamente desfavorecidos e/ou de meios familiares académica e culturalmente inferiores permite-lhes obter um maior sucesso escolar que quando as mesmas frequentam escolas de pequena ou média dimensão.
Mas das duas uma: ou esse estudo nunca foi feito (e então a senhora Ministra está tremendamente equivocada) ou não deu os resultados que a senhora Ministra e o governo pretendiam (e então o assunto é bem mais grave!)...

Enquanto os governos (que ditatorialmente fazem as leis) continuarem a fazer tudo a seu belo gosto e prazer (sem um pacto com as restantes forças partidárias com capacidade de chegar ao governo!) andaremos em zigue-zague.

 

Enquanto tivermos governos que gostam de "deixar a sua marca" ainda que seja por pouco tempo (ou não tenha efeitos práticos, como foi o caso da brilhante ideia de dividir a carreira em "professores" e "professores titulares", tendo feito mesmo chegar a esta categoria muitos incompetentes só porque tiveram a felicidade de ser saudáveis nos últimos cinco anos!) apenas diremos que vamos de mal a pior.

 

Outros problemas não mesno importantes vão levar ao desastre desta medida. É que, se até agora eram os professores que leccionavam no interior que tinham de levantar-se cedo para se deslocarem às escoals. A partir de agora quem vai ter de perder o tempo na deslocação serão os alunos. E o Insucesso continuará, podem ter a certeza. Nenhuma criança que tem de se deslocar diariamente mais de 1 hora em percurso para cada lado (isto não contando com os imprevistos das nossas tão boas vias públicas....). Que criança, dizia, terá espírito para chegar a casa e repassar as lições? As que vivem a menos de 15 minutos, levantam-se mais tarde, não chegam desgastadas e terão, obviamente mais disposição para estudar. As outras, vão querer é deitar-se dormir para se levantarem no dia seguinte de manhã! Alguém tem dúvidas?

E a ministra fala de igualdade... de equidade? Como, senhora Ministra? Falácias... O seu discurso não passa de uma falácia. Lérias. lérias... Explique então: Como vão as crianças, muitas do tamanho do chão que tantas vezes se queixam aos professores de estarem "cansadas" (e nem se tinham de deslocar muito tempo para chegar à escolinha que havia na sua freguesia!)  ter forças e espírito para estudar ou fazer os trabalhos de casa se chegam tarde e a más horas (para não dizer que chegarão de noite ou quase de noite) durante a maioria do ano lectivo. Ou será que não sabem disso?

Em Portugal há realmente quem chegue aos mais altos cargos da Administração Educativa (por nomeação e não por competência!) e se divirta a brincar com as escolas, os professores e a comunidade educativa em geral.
E, enquanto em Portugal tivermos governos assim,  caminharemos  seguramente, cada vez mais para a cauda da Europa. Nem duvidem...!

publicado por J.Ferreira às 22:51

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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Depois dos Mega-Agrupamentos ...

 

 

 

Se atentarmos no que foi recentemente feito pelo Governo em termos de redefinição da rede escolar, sabendo que até agora cada freguesia tinha a sua escola, não se percebe muito bem por que reagruparam as escolas de quase todo um concelho (Veja-se Terras de Bouro)… Pergunta-se: Para que servem agora as freguesias?

 

Sem dúvida que proliferam muitas freguesias já quase sem eleitores!  Por que continuam? Por cobardia! Porque o governo não tem coragem de mexer nas freguesias.

É que nas freguesias estão instalados os interesses partidários e nenhum partido dos que podem governar tem interesse em acabar com isso. Fala-se e ataca-se o corporativismo (mesmo nos casos em que ele não existe!) mas esquece-se o caciquismo e o corporativismo partidário. Os partidos funcionam e comportam-se como um cartel. Quando o interesse agrada aos dois, que se lixe o Zé-povinho.  Os responsáveis partidários que pensam chegar ao governo sabem muito bem o quanto pode valer o voto de um Presidente da Junta, seja ele  representante de 40 ou de 4.000 eleitores...

Estamos à espera de ver a coragem de Sócrates. Se um Projecto Educativo pode ser de um agrupamento que abrange todo um concelho, não se percebe para que servem os presidentes da junta de freguesia...

Bastaria um único representante de todas as freguesias de um concelho. Aliás, se a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal são quem decide para onde vão as verbas… de que servem tantos presidentes da Junta? Acabemos com esta coisa… Vamos. Coragem. Afinal, destruíram as dinâmicas que se haviam criado nas escolas, por que não destruir também a organização administrativa?

A se fecharam urgências, maternidades, hospitais, escolas, etc. etc. por que não fechar as Juntas de Freguesia, agrupando-as em Mega-Freguesias?

Crie-se o Pelouro das Freguesias com um único vereador para todas as freguesias, e já está...

Este governo fez várias meias-reformas até chegar ao ponto a que se chegou actualmente (tal como já tínhamos previsto em 2003) com a uma reforma sem nexo… É que a reorganização das escolas exige a reorganização e reconstrução de Projectos Educativos.

Se no caso dos agrupamentos de escolas a criação de Mega-Agrupamentos é aberrante porque destrói as dinâmicas de sucesso que foram criadas e cria a desilusão naqueles que tantas horas, dias, semanas, meses da sua vida investiram para que a Escola fosse mais personalizada. Agora, que já tinham feito um longo e árduo percurso, vem de cima a ordem de reagrupar… E as comunidades ficaram com o sabor do título da famosa obra “E tudo o vento levou”! Os políticos perderam toda a credibilidade junto dos pais, dos alunos e dos professores. Hoje já não restam energias para acreditar neste políticos… Aliás, já nem acredita que se vá ficar por aqui!

As escolas precisam de ter estabilidade. Com as constantes e imparáveis reformas tipo “vamos lá mudar e ver o que dá… E depois logo se vê!” defraudaram as expectativas das comunidades educativas.

As escolas precisam de estabilidade… de um projecto comum. Nas escolas lidamos com seres humanos em formação... Para dar resposta à diversidade de contextos onde se inserem as escolas, foram criadas dinâmicas emergentes nas comunidades com o entusiasmo de muitos e muitos professores que agora se vêm defraudados... Os governantes usaram milhares de professores que acreditaram (ingenuamente, diga-se!) na boa-fé dos políticos que apenas os usaram para destruir o anterior sistema de gestão escolar.

Emcontrapartida, os mesmos governantes deixaram intacta a organização administrativa

A autonomia foi uma bandeira do apaixonado da Educação. Lembram-se? A Educação era para Guterres “Uma Paixão”. Pelos vistos, os seus correligionários não gostaram da Paixão de Guterres e pediram o divórcio. Sócrates e a sua Milu destruíram em pouco mais de sete meses, tudo quanto Guterres andou a fazer durante 7 anos!

E de uma Autonomia Conquistada (propalada pelos guterristas) passou-se à Autonomia Enquistada (criada pelos Socratinos). E a paixão que deveria dar em casamento e ter longa duração (pelo menos enquanto o PS governasse!) depressa descambou em divórcio.

É assim que uma organização administrativa (freguesias) que vem desde o tempo de Salazar continua de pé…  Cobardemente, Sócrates nem se ateve a tentar mexer-lhe! Em contrapartida, a reforma de Guterres foi pela água abaixo juntamente com a sua Paixão… Já nada resta. Para onde foi o entusiasmo dos docentes que acreditaram nos socialistas de Guterres e embarcaram no “Navio da Autonomia”?… Uns pediram a Reforma e mandaram Sócrates literalmente “à fava”!

Porém, as freguesias são simplesmente território... áreas geográficas onde há pessoas, obviamente. Mas que são essas pessoas sem escolas, sem um projecto educativo contextualizado para dar resposta às necessidades dos seus educandos? Que são as freguesias sem Centros de Saúde? Que são as freguesias sem o dinamismo que atraia pessoas a viver no interior? Vazios! Árvores para arder… Matas para ver morrer a nossa fonte de ar puro, porque as árvores morrem de pé!...

 

 

Sem dúvida que era prioritário fazer uma reforma administrativa mais do que proceder à reorganização das escolas... O problema é que falta coragem apra mexer com o poder dos partidos que se encontram instalados nas freguesias. Ou seja, nas freguesias já os partidos estavam instalados... faltava agora que "o polvo" estendesse os seus tentáculos às escolas… E, enquanto a sociedade não estiver toda minada pelos partidos, nunca os polítivos descansarão! Com tantos problemas para resolver nmo país, à falta de capacidade apra tomar medidas que possam contribuir para melhorar a vida dos portugueses, há que entreter as populações a discutir alguma coisa... E se não for o casamento homossexual, que seja o sexo dos anjos. O importante é distrair as populações enquanto o tmepo da legislatura passa... 

Obviamente que havia zonas da intervenção pública que se encontravam virgens da partidarite... Uma delas, eram as escolas que estiveram afastadas das lutas partidárias pois o objectivo da educação exige união e cooperação  e não divisão ou oposição... mas os socialistas (tão defensores da escola pública) não se privaram de criar um sistema de incentivos para que os lugares de direcção se tornassem atractivos para os boys dos partidos. É neste quadro que a legislação foi alterada e as Escolas começam, agora, a ter lugares apetecíveis criando rivalidades, divergências muitas vezes fictícias que mais não servem senão para tornar o ambiente  de trabalho num campo de batalha. Exemplo disso é o cargo de Director (o senhor "todo poderoso" como o reitor no tempo de Salazar!).

E, tal como nos hospitais, qualquer dia... já sabem quem vai nomear os directores dos mega-agrupamentos. A nós não nos surpreendeu este volte-face na filosofia de criação dos agrupamentos... Nós já tínhamos avisado...
Por isso, depois dos Mega-Agrupamentos esperamos ver agora nascer o Movimento de criação das Mega-Freguesias!

Uma pergunta final:
Estamos a progredir ou a regredir no tempo? Sócrates aprendeu bem a lição ou será que Salazar não passou de um “aprendiz de ditador”?

publicado por J.Ferreira às 22:25

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Autonomia Conquistada Vs Autonomia Enquistada

O Artigo que aqui apresentamos foi publicado no Jornal "O Docente" em Abril de 2003. No entanto, e porque nos parece ser de interesse actual, aqui fica (com alguns retoques) para aqueles que o queiram reflectir e/ou comentar...

 

De uma Autonomia Conquistada a uma Autonomia Enquistada.

Uma parte bastante significativa da vida dos professores é passada com os seus alunos dentro dos muros da escola. No entanto, a administração dos estabelecimentos de Educação Pré-Escolar (EPE ) e das Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico (EB1) foi sempre centralizada em entidades e organismos exteriores à escola, ultimamente dirigidos por personalidades que passando a maior parte do seu tempo em gabinetes, se consideram “conhecedores” das realidades escolares. E, cada vez que se pretende empreender uma nova Reforma, discursam em conferências, encontros e simpósios com uma maestria tão estranha quanto assustadora demonstrando um desfasamento e total desconhecimento da realidade das nossas escolas. Não admira que, pouco tempo depois de fervorosamente defenderem uma reforma educativa como fundamental, surjam a apresentar alterações à reforma apresentada.

Nestas circunstâncias se inscreve uma das mais recentes apostas governamentais relativa ao quadro legal que rege o Modelo de Administração e Gestão das Escolas. Desde o início do processo fizeram crer aos professores envolvidos que as escolas passariam a ter autonomia pedagógica, organizacional, num modelo mais democrático pois que os agrupamentos seriam constituídos tendo em conta as realidades locais, os contextos onde as escolas se encontravam inseridas, as dinâmicas com vista à criação e desenvolvimento de projectos educativos com expressão local. E os professores (muitos) acreditaram nesta vontade governamental tendose empenhado na sua concretização, nomeadamente na zona mais a Norte do país.

Com efeito, a emancipação que os actores dos referidos estabelecimento de educação e ensino (EEE) esperavam, criada legitimamente em torno do processo de autonomia, não passou de uma mera ilusão, tendo apenas servido para dar mais consistência à expressão “a montanha pariu um rato”. De facto, o termo Autonomia aparece nos dicionários como sinónimo de independência, emancipação, liberdade, libertação e insubmissão. Porém, quando confrontados com o processo em que tem vindo a degenerar a Autonomia dos EEE, nomeadamente da EPE e EB1, imediatamente nos apercebemos da contradição (ou até mesmo ironia) da terminologia utilizada.

Vários EEE da EPE se organizaram com várias EB1, em função de afinidades sócio-geográficas e tendo em conta o contexto ecológico e pedagógico envolvente, agrupandose então em torno de um projecto educativo pedagógico comum tendose constituído voluntariamente em Agrupamentos de Escolas (AE) Horizontais reconhecidos e aprovados pelas respectivas Direcções Regionais.

Acontece que, as escolas onde os intervenientes mais se empenharam num processo de constituição de agrupamentos, investindo imensas horas em reuniões e reuniões para encontrar condições físicas e logísticas para a concretização da autonomia propalada, organizando processos eleitorais, elaborando os regulamentos e regimentos dos seus órgãos, etc..., quando tinham já instalados e a funcionar os seus serviços administrativos e os seus órgãos pedagógicos, de administração e de gestão, vêm-se condenadas também à reintegração nos serviços administrativos e pedagógicos de escolas de 2º e 3º Ciclo ou Secundárias (EB2,3/ES) constituindo-se em mega-agrupamentos, que mais parecem mega-DE’s sem que os diferentes estabelecimentos tenham quaisquer afinidades no que respeita às dinâmicas pedagógicas. Destruída toda a estrutura orgânica que administrava os estabelecimentos da EPE e das EB1 (esvaziando de competências e extinguindo os órgãos que até então as dirigiam), os EEE acabam por ser integrados “à força” em Agrupamentos de Escolas Verticais sem quaisquer afinidades que não sejam as territoriais sem que tivesse sido criada uma dinâmica emergente.

Esta realidade apenas confirma que o sistema se serviu dos professores para legitimar o esvaziamento das competências das Delegações Escolares (DE’s) e a sua consequente extinção. É, pois, legítimo perguntar, “onde está a tão propalada autonomia dos EEE? Não terão os governantes utilizado os docentes dos estabelecimentos da EPE e das EB1 para legitimar a alteração do modelo de Administração e Gestão das Escolas”? Com que autonomia fica a Educação Pré-Escolar e o 1º Ciclo?

Pretendendo-se a democratização da gestão das escolas, será que a forma como todo o processo foi conduzido pode ser caracterizada de democrática? Como criar uma escola mais democrática, aberta à participação de múltiplos agentes representativos dos interesses locais se o modelo final foi imposto superiormente obedecendo a uma lógica top-down, sendo que a participação no processo dos agentes de ensino se limitou a obedecer a ordens superiores? Não estará o processo da autonomia que se pretendia fosse conquistada a transformar-se numa autonomia enquistada?

Será que o desaparecimento dos Agrupamentos de Escolas em que os conselhos executivos eram compostos por profissionais conhecedores da especificidade, dos problemas e das dificuldades dos níveis de ensino caracterizados pela monodocência não se vai traduzir num processo de hierarquização das decisões em função do nível de ensino dos gestores eleitos para dirigir o Agrupamento? Será que a lógica de organização e gestão escolar própria das escolas EB2,3/ES, em regime de docência múltipla devem reger-se pelos mesmos regulamentos e ser geridas da mesma forma que as escolas em regime de monodocência?

Pergunta-se: que vantagens pedagógicas poderão ter os EEE em regime de monodocência ao serem dirigidos por órgãos de decisão rendidos a uma lógica de organização pedagógica e de gestão próprias de EEE em regime de pluridocência? Como compatibilizar formas de organizar o processo educativo, de agir e de gerir com realidades tão divergentes, em termos de população discente?

Se a organização vertical constitui o modelo que melhor responde às problemáticas educativas, por que razão o estado abandonou a criação de Escolas Básicas Integradas (EBI’s)? De facto, mesmo nalgumas assim denominadas, o espaço físico dos diferentes estabelecimentos nem tão pouco faz fronteira.

Os professores são a face visível de toda esta instabilidade, destas alterações constantes na organização do Sistema Educativo. E sente-se um grande desconforto ao nível dos docentes da EPE e das EB1 pois não vêem qualquer melhoria na passagem do sistema tradicional (DE’s) para o novo modelo de gestão. Pelo contrário, não notam diferença que não seja as imensas horas passadas em reuniões e mais reuniões, das quais pouco ou nada se tira de proveitoso para o processo educativo e para a melhoria da qualidade da educação ministrada aos alunos. E vêem crescer as tarefas burocráticas que lhes são exigidas como se com esta autonomia, em vez de pedagogos, fossem funcionários administrativos. Nem mesmo os Encarregados de Educação estão satisfeitos pois que se até então tratavam os assuntos com a direcção de cada estabelecimento para qualquer assunto têm agora que se deslocar à sede do Agrupamento de Escolas. Não nos espanta, pois, a tristeza plasmada nos rostos docentes, o desencanto que vemos nos discursos e o desinvestimento que se pressente no seu envolvimento e nas suas acções, a desilusão por verem horas e horas de trabalho passadas em reuniões e reuniões a discutirem e elaborarem regulamentos e regimentos internos dos agrupamentos que, de um momento para o outro, deixaram de existir.

Profundamente cansados de mudanças sistemáticas na legislação, os professores parecem cada vez menos entusiasmados com as reformas que se pretendem ver realizadas no terreno. E a resistência à mudança e à inovação educacionais será cada vez maior quanto maior insatisfação profissional sentirem os docentes envolvidos. É triste ver tantos docentes desencantados com a profissão, ansiosos por ver chegada a hora da Reforma. Mas isto não é mais que o resultado de tanta mudança, incerteza, falta de democraticidade no processo empreendido com vista à autonomia. Mais assustador ainda é constatar, que muitos dos profissionais que manifestam este sentimento, estão ainda em início de carreira.

Por outro lado, muitos dos que se entregaram “de corpo e alma” ao processo de autonomia lançado com o novo modelo de gestão, sentemse mesmo “enganados” por tão belos discursos de gente ao ver que tal não passou de uma mera figura retórica utilizada por uns quantos que, de seminário em seminário, de conferência em conferência, tentavam convencer os professores das virtudes do novo modelo de gestão e os incentivavam a avançar no processo conquistando a tão apregoada autonomia.

De facto, as EB2,3/ES que já tinham autonomia continuam a tê-la. Os estabelecimentos da EPE e as EB1 ficarão em breve a ver a sua autonomia subjugada à lógica dos outros níveis de ensino. Constata-se que, a criação dos Agrupamento Horizontais entretanto desfeitos, não serviu senão para legitimar a passagem da gestão dos estabelecimentos que se encontravam ligados às DE’s (onde eram recebidos e tratados como docentes) para as secretarias das EB2,3/ES (onde são recebidos e tratados como utentes / clientes).

Parece-nos pois que, a continuar nesta lógica de metamorfoses, o processo de autonomia transformar-se-á num processo de subalternização da EPE e EB1 face aos restantes níveis de ensino, o que será um erro histórico com repercussões claras na qualidade da educação e das relações institucionais. E é espantoso ver como “num abrir e fechar de olhos”, se esquece e se joga para um plano desconhecido toda a especificidade que sempre foi reconhecida aos estabelecimentos de EPE e às escolas EB1. E mais curioso é verificar como se calaram as vozes sonantes de todos aqueles que, com discursos românticos a favor da autonomia, defendiam que mais do que desejada, deveria ser construída... ou até mesmo, conquistada! Porém, o que constatamos é que se passou de uma dinâmica de desenvolvimento da autonomia conquistada a uma dinâmica de autonomia imposta. E tudo isto como se democracia e ditadura fossem palavras compatíveis.

A criação de equipas docentes conhecedoras da especificidade da EPE e do EB1, com experiência e vivências nestes níveis de ensino que constituíam os Agrupamentos de Escolas do tipo horizontal, permitiriam criar dinâmicas de envolvimento de todos os alunos nos projectos educativos e curriculares, atendendo ao contexto de inserção de cada EEE. Inviabilizando-se a criação de dinâmicas desta natureza ficarão em causa a personalização do ensino, pelo que aluno e professor serão, cada vez com maior frequência, apenas mais um número inserido no computador.

Se é verdade que as DE’s, de âmbito concelhio, que apenas abarcavam os EEE de professor único (Jardins de Infância e Escolas do 1.º Ciclo) tinham dificuldades em dar resposta às exigências de tão grande número de EEE em regime de monodocência, a verticalização com o consequente desaparecimento de muitos dos Agrupamentos Horizontais, terá como consequência a criação de mega-agrupamentos com tão grande e tão variado público abrangido que se transformarão em autênticas mega-Delegações. Esta reestruturação, se é verdade que pode traduzir-se numa menor despesa financeira para o estado, não é menos verdade que inviabilizará uma organização e gestão pedagógica eficiente, capaz de dar uma resposta às necessidades específicas de cada estabelecimento e aos problemas contextuais das comunidades educativas abrangidas.

Evolução do Conceito de Autonomia

O conceito de autonomia sofreu assim várias alterações. Num primeiro tempo defendiase o modelo como “ausência de modelo”. Tal máxima concedia às escolas a liberdade de se manterem ligadas às DE’s ou de se constituírem em Agrupamentos (horizontais: com estabelecimentos do mesmo nível de ensino; ou verticais: estabelecimentos de diferentes níveis de ensino).

Permitese então às escolas que se constituam em agrupamentos da forma que pedagogicamente fosse mais adequada em função do contexto envolvente com base num Projecto Educativo exequível. E, exageradamente, permitiu-se que escolas muito próximas, com contextos locais comunitários muito semelhantes se mantivessem sós e que, à boa maneira portuguesa, apenas se limitassem a mudar o nome para Agrupamento de Escolas (quando, na verdade, não passavam de meros “agrupamento de salas”). Contudo, intervenientes educativos de outros estabelecimentos dispersos organizaram-se e definindo um projecto educativo comum, fundaram verdadeiros Agrupamentos de Escolas, reunidos em torno de objectivos, interesses e projectos educativos comuns. E surgiram vários Agrupamento de Escolas horizontais, envolvendo estabelecimentos da EPE e EB1. Outros, optaram por uma lógica vertical, englobando diversos níveis de ensino. Como é natural, nem todos os intervenientes embarcaram sem conhecer o rumo a rota e o destino do barco. Por isso, o envolvimento dos diferentes actores não foi, necessariamente, o mesmo. Com efeito, ainda há bem pouco tempo muitas escolas da zona de Lisboa se encontravam ligadas a DE’s (ainda que, à boa maneira portuguesa, no papel estivessem extintas!).

O facto de nem todas as escolas avançarem para a forma de gestão desejada pelos governantes, implicou uma mudança na prática. Assistimos então ao modelo como “agrupemse ou agrupamovos nós”. Não admira pois que, muitos tenham avançado por imposição e sem qualquer entusiasmo para o novo modelo de administração e gestão escolar.

Finalmente surge o modelo como “reagrupemse verticalmente”. E a palavra de ordem imposta de cima passou a ser “reagrupem-se ou reagrupamovos nós”. Desta forma, “voluntariamente” os agrupamentos de escolas horizontais são uma espécie em vias de extinção (embora sem a protecção da Quercus!) dando lugar a agrupamentos verticais. Estava dada a última machadada na autonomia conquistada.

Assim, de uma atitude inicial em que as escolas se reorganizavam e agrupavam de acordo com critérios de natureza essencialmente pedagógica, assistimos a uma alteração radical na filosofia do modelo de administração e gestão escolar, colocando na gaveta os princípios orientadores de cariz democrático que lhe estiveram na base, extinguindo grande parte dos agrupamentos horizontais inicialmente criados e impondo a sua reintegração “à força” nas EB2,3/ES por critérios de natureza meramente economicista. Não temos pois dúvida que, uma autonomia que seja imposta será sempre uma autonomia enquistada. Os agrupamentos desta natureza terão grande dificuldade em ser motores de mudança educacional e de proporcionar verdadeiros projectos educativos para o sucesso.

De facto, muitos professores tinham razão em não acreditarem nas boas intenções da administração. Não é por mero acaso que, na sua sabedoria popular, se diz “De boas intenções...está o inferno cheio!”. Mas, para uns tantos a autonomia até trouxe coisas muito boas. Não é caso para sermos todos muito felizes? Quantos professores não terão agora de passar horas e horas na companhia dos seus pares “a discutir o sexo dos anjos” pois que, sem ovos, nunca foi possível fazer omeletas. Mas, há vantagens: até se pode ser eleito para cargos sem se ser candidato! Que bom não seria para qualquer cidadão comum, descobrir que, sem ter sido candidato, tinha sido eleito Presidente de uma qualquer instituição (imagine-se do Sporting, do Porto, ou do Benfica…)! Se o cargo lhe der prestígio e uma boa remuneração, não é verdade?... É caso para exclamar: “Querem mais democracia? Subscrevam a Autonomia!”.

Numa outra dimensão, mas que nos faz reflectir sobre a essência do que nos querem dar com a autonomia, o Povo Timorense dá-nos, de facto, uma grande lição. Os responsáveis políticos de Timor sabem muito bem o que significa para os políticos a palavra autonomia. E, como sabiam muito bem o que queriam, os timorenses disseram claramente "Não!" à autonomia que a Indonésia lhes queria oferecer. Rejeitaram-na, veementemente, pagando mesmo com o preço de muitas vidas, para atingirem um nível que, verdadeiramente, lhes desse a possibilidade de decidir sobre o seu destino. E conseguiram a independência!

As escolas têm que estar organizadas em torno de uma outra estrutura que não o Ministério da Educação. Enquanto não forem independentes, continuaremos a ter Ministros da Educação a quererem deixar, tal como muitos animais, a sua marca… E brincam com a educação do país. Chegam uns e fazem os professores remar para Oeste (quiça, encantados com o "american dream"!). Depois vêm outros, e exigem que os professores remem para Sul... (Encantados vamos lá adivinhar com o quê...!). Outros ainda, chegam e obrigam os professores a remarem para Norte (na Finlândia e Dinamarca é que tudo é bom!). Outros nem apontam caminho... E lá se vai navegando conforme as luas, os ventos. No meio de todas estas ordens (ou desordens!) os professores estão já cansados de remar ao sabor destas “luas” e, entre brisas e tempestades, lá acabam acusados (injustamente!) pelos governantes de nunca chegarem a “bom porto” (ao tão desejado sucesso escolar). No entanto, os ministros que passam pela pasta da Educação consideram-se sempre como sábios (os únicos!) e de tal forma iluminados que não necessitam do contributo de quem quer que seja – organizações profissionais: Associações, Sindicatos, etc – para decidir o destino colectivo, em termos educativos. Triste figura que fazem! E enjeitam as culpas para os professores, que apresentam à sociedade como "bode expiatório" para os insucessos dos quais são eles, governantes, os únicos responsáveis. Que bom seria se os Ministros da Educaçãos tivessem a dignidade daqueles treinadores de futebol... Estes, quando perdem por erro da sua estratégia de jogo, assumem a derrota (ou até se demitem do cargo). Mas não deixam de elogiar o trabalho e empenho dos seus jogadores! Aqui reside a diferença. Uma grande diferença!

E assim caminha este país, ao sabor dos ventos e das luas de uns tantos que depois partem e nunca são responsabilizados pelo que fizeram... Quem sofre as consequências desta incapacidade dos timoneiros decidirem qual a melhor rota, são sempre os profissionais de educação. E, como para os governantes é bem fácil chegar aos órgãos de comunicação social, não têm pejo nenhum em atulhar a opinião pública de falsidades sobre os professores (e educadores) que necessitam de ver dignificado o seu trabalho para continuarem com a coragem de levarem a bom porto a nobre tarefa de formar as gerações de futuro, conscientes de que, mais ano menos ano, estarão no mesmo lugar dos actuais governantes, e esquecerão rapidamente que, também eles, passaram pelas cadeiras da escola onde os meios e recursos estão longe, muito longe de serem os necessários para que a escola seja um local aliciante, apetecível, atractivo, desejado, bem amado e reconhecido.

Sem qualquer tipo de saudosismo, na escola em que me formei, as portas podiam ficar abertas, não existiam muros nem vedações, nem cadeados, nem portões. Era um local “sagrado”, pobre mas por todos “respeitado”. Os professores tinham uma imagem de dignidade, também eles respeitados por todos.

Como pretender que a sociedade seja verdadeiramente democrática, sustentada no respeito por todos quando, de cima, nos vem o exemplo de alguém que não tem qualquer sentido da responsabilidade do lugar que ocupa, lançando sobre os professores, através da televisão, suspeitas e acusações numa cruel falta de consideração e de respeito pelo trabalho daqueles que são os profissionais que mais investem da sua vida na formação dos cidadãos?

Por isso, os governantes não têm qualquer pejo em lançar pais contra professores, criando um clima latente e permanente de autêntica guerra psicológica que em nada contribui para a necessária estabilidade e tranquilidade do processo educativo…

Não admira pois que cada vez mais se ergam muros para a proteger as escolas dos assaltos, que as crianças agridam os colegas, que os pais entrem na escola para agredir professores… Mas, entre as palavras e os actos, qual das agressões será a pior? Qual terá piores consequências para aqueles que são vítimas de agressão física: os insultos da Ministra da Educação ou o empurrão, a bofetada e o murro dos pais dos alunos?

Afinal, de que serve a Autonomia? Porque que a querem impor às escolas?

Finalmente, achamos que vale a pena reflectir e aprender com outras realidades que, embora de diferente dimensão, não deixam de nos dar uma grande lição. Por isso cada vez mais e melhor compreendo os Timorense: se este é o conceito de autonomia, cada vez melhor compreendo os Timorenses. A Indonésia oferecia ao povo de Timor a possibilidade de ter Autonomia. Mas o povo timorense rejeitou-a. Eles sabiam qual o conceito de Autonomia defendido pela Indonésia. Quando nos querem oferecer uma autonomia que não significa senão o reconhecimento da “liberdade de fazer o que nos mandam”, há que lutar pela independência. Este é o sentido da Autonomia (que diz ser democrática) que o governo quer impor às escolas. Ela não é mais do que um processo intermédio para culpabilizar ainda mais os professores pelo fracasso das medidas impostas pelo governo, de cima para baixo. Esta autonomia que nos querem impor, no que é essencial em termos de organização autónoma do trabalho, com os devidos recursos humanos e financeiros, não corresponde a nenhuma autonomia. Esta "autonomia" servirá apenas os intentos governamentais que visam encontrar um "bode expiatório" para o insucesso das políticas educativas, culpabilizando as escolas pelo fracasso das medidas educativas impostas “top-down” pelos governos.

publicado por J.Ferreira às 01:03

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