Domingo, 18 de Dezembro de 2016

António Costa e a Queda dos Rankings

Parece que temos finalmente alguém ao leme do governo que já se deu conta do disparate que são estes Rankings. Estes em nada contribuem para a melhoria da escola. Antes criam revolta, desânimo, atrito, guerrilha de palavras entre o público e o privado e até mesmo, dentro do público, que para nada servem.

Os rankings valem pouco ou quase nada... Finalmente, parece que temos um Primeiro-Ministro com as ideias claras sobre o que valem os rankings...

 
A propósito dos Rankings deste ano, publicaods pela comunicação social, António Costa desafiou os interlocutores da seguinte forma: «Se fizer um inquérito de rua, tem mais pessoas saudáveis fora do que dentro de um hospital, pela simples razão de que, dentro do hospital há mais pessoas doentes», ou seja, « o que é comparável nas classificações são os níveis de qualificação de cada um dos alunos». Não se pode comparar uma coisa com a outra», afirmou o Primeiro-Ministro, António Costa, referindo-se às escolas públicas e privadas, relativamente às classificações dos estabelecimentos de ensino hoje divulgadas.
 
Está tudo bem claro… posso discordar da forma como chegou ao poder. E criticá-la. Pode haver políticos que nos surpreendem pela negativa. António Costa começa a surpreender-me pela positiva. Diria mesmo que começo a ter alguma empatia pelo pensamento deste homem.
 
Diz António Costa: «Sabermos em que escolas se concentram os melhores alunos não é o essencial», disse ainda António Costa, sublinhando: «Essencial é saber quais são escolas que permitem a qualquer criança progredir mais relativamente à bagagem que traziam de casa» e «a missão da escola pública é vencer a desigualdade».
 
O problema é que faz falta muito trabalho dos governos e das autarquias para fazer realidade o que disse o Primeiro-Ministro
 
«Qualquer criança que nasça em Portugal, seja em que família for, seja em que condições socioeconómicas forem, seja em que ponto do país for, tem de dispor das mesmas igualdades de oportunidades». Realçou que não era «fã deste tipo de classificações, porque comparam escolas em meios socioeconómicos muito favorecidos com escolas em meios socioeconómicos não tão favorecidos». Mas deveria ter acrescentado que, para além dos diferentes níveis socioeconómicos de origem, os alunos encontram-se em escolas com recursos tão díspares que dá mesmo vontade de bradar aos céus!
 
O Primeiro-Ministro elogiou o trabalho de excelência da escola pública, afirmando que este só é comparável ao do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para António Costa, os números mostram que as escolas, e em particular as escolas públicas, têm resultados de excelência naquilo que é a evolução de cada criança entre o momento em que chega à escola e o momento em que sai da escola». E concluiu lembrando que «se trabalha melhor quando há ferramentas melhores, mas o essencial (…) é a qualidade dos recursos humanos, que diariamente trabalham para que as crianças tenham melhores condições para poderem realizar todo o seu potencial».
 

Há muito trabalho a fazer para igualar os recursos e as oportunidades dos alunos nos diferentes estabelecimentos do país. E depois das torneiras e dos candeeiros esbanjando milhares de euros num ou noutro estabelecimento, cremos que é chegada hora de passar a ouvir os directos intervenientes (os professores) antes de realizar qualquer intervenção nas escolas para que se pare esta sangria de dinheiro público em renovações de espaços e atribuição de equipamentos que não são solicitados pelos docentes e que em nada contribuem para a melhoria do processo de aprendizagem.

Sem dúvida. A educação, se quisermos e em certa medida, pode ser feita com a ajuda de máquinas, de robots... Mas nem toda... A maior parte do papel de educador só pode ser desempenhado por um educador... O robot não tem sensibilidade, capacidade de atender a cada situação não precista na programaçção que recebe. Por isso, a educação de humanos (se a queremos com base no humanismo e para a humanidade) terá de continuar a ser sobretudo, realizada por seres humanos formados para o efeito. Uma educação adapatada a cada aluno, às suas capacidades e ás suas limitações, atendendo ao indivíduo e não ao número. Porém, enquanto houver falta de recursos humanos nas escolas, muitas crianças continuarão a ver sonegado este seu direito a ter quem a ajude a superar as suas dificulddes e as suas limitações... para que possa de veras desenvolver todas as suas potencialidades.
Esperemos para ver quão humanista é este governo e quão pragmáticas, eficazes e verdadeiras são as palavras do seu timoneiro, António Costa.
publicado por J.Ferreira às 19:17

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Sábado, 17 de Dezembro de 2016

O Regresso dos Rankings e da Vendedora de Rifas

Acabam de sair mais uns rankings que, a cada ano que passa, parecem fazer menores estragos.

 

É, no mínimo, estranho que, quando os resultados não se aproximavam do desejado, todos apontavam o dedo às escolas e ao profissionalismo dos professores pois havia que encontrar um bode expiatório, alguém para castigar, massacrar... E a poção mágica encontrada, foi, "sacudir a água do capote" e apontar o dedo às escolas e aos professores, responsabilizando-os pelos resultados menos desejados.

Este ano, como os resultados "parecem" ter sido "mais positivos" para Portugal, todos aparecem para reclamar a sua quota parte dos dividendos... Até os jornalistas caíram na tentação de ser eles também, uma parte da glória...

E todos apareceram à chamada (que não houve!) e se colocaram à mesa dos resultados do PISA a ver quem consegue sacar a maior fatia do bolo.

 

Agora... vejamos quem deveria (se é que alguém deveria!) querer cobrar dividendos dos resultados obtidos no PISA.

Alguém crê que estes alunos se esforçaram mais que os anteriores? Eu não!

Alguém crê que os actuais professores se esforçaram mais que os anteriores? Eu não!

Alguém crê que os ministros se esforçaram mais que os anteriores? Eu não!

 

Há sempre uma questão quando se faz um determinado tipo de exame e que, embora aleatoriamente seja feito, tem repercussão nos resultados. É o tipo de exame, é o conhecer e criar uma certa familiaridade com o instrumento de medida... é, no fundo, o conhecimento e  a rotina do processo, mas sobretudo, é o facto de o tipo de questões ter encaixado mais nos conhecimentos do nosso leque de alunos, da população e espelhar mais, ir mais de encontro à realidade portuguesa que os anteriores. 

Porque, já veremos na próximo PISA se os resultados serão tão favoráveis a Portugal ou aos alunos portugueses.

Quem foram os que foram seleccionados para executar esses testes? Não haverá alteração em função do público, do tipo de alunos que respondem aos critérios para serem seleccionados e incluídos na amostra?

Da mesma forma que o ranking das escolas continua a não medir nada, os resultados do PISA são um instrumento que mede algo mas não são "a medida" de tudo.

Portugal vive a panaceia da avaliação como se avaliar fosse a principal forma de ensinar.

Nós, os professores, que conhecemos as capacidades e competências dos nossos alunos estranhamos determinadas respostas dos alunos nos testes e, confrontando-os na sala de aula com o mesmo problema (ou outro semelhante e de igual dificuldade) assistimos à resposta perfeita e adequada quando no teste falhou redondamente.

Sempre que um professor (que conhece verdadeiramente os seus alunos) dedica tempo a avaliar (o que já conhece) acaba por obter não um resultado real (uma avaliação correcta) que espelhe a realidade das competências dos seus alunos mas um resultado que não passa de isso mesmo: um momento avaliativo que reune um conjunto de circunstâncias, nas quais se incluem a disposição e a predisposição do aluno, a sua forma de lidar com a situação, a sua autoconfiança e o seu nervosismo, o bloqueio ou desbloqueio mental para responder, a precipitação e a reflexão sobre o que está em causa em cada questão... em suma, a sua concentração e capacidade de eficácia momentânea. Mas nunca o conhecimento do aluno poderá ser espelhado num único momento avaliativo. E isto porque cada teste incide sobre determinadas competências e conhecimentos que, se foram examinados outros, fariam imediatamente variar os resultados dos alunos. Uns têm mais sorte. Por isso é comum ouvir-se (à saída dos exames): Era fácil/difícil; saiu o que mais/menos sabia; saiu aquilo em que mais/menos tempo de estudo investi; saiu /tudo/nada do que mais tinha estudado; saiu a matéria/autor que mais/menos me agrada...  Enfim...

Por isso, estamos convencidos de que, antes de pensar em elaborar qualquer ranking (que, tem em especial consideração os resultados das escolas obtidos pelos alunos nos exames nacionais) os especialistas de educação (e os jornalistas!) de Portugal deveriam investigar outros aspectos que influenciam não apenas os resultados escolares dos alunos obtidos nos testes/exames mas o conhecimento dos alunos que vai muito para além daquilo que os alunos conseguem plasmar nos referidos testes/exames.

Em resultado das constatações verificadas, in loco, no exercício de funções docentes em escolas de dois países europeus nossos vizinhos, estamos convencidos que Portugal, mais do que preocupar-se com rankings de resultados, deveria fazer um verdadeiro estudo e reflexão sobre as condições de exercício da função docente e de aprendizagem por parte dos alunos e apresentar os correspondentes Rankings de Escolas...

E até estamos dispostos a não incluir na discussão os salários dos docentes. Não é essa igualdade comparativa que se reclama. A discussão dessa questão já teve a sua oportunidade. Noutra ocasião, poderemos voltar ao assunto. Cremos que seria verdadeiramente interessante discutir-se as condições de aprendizagem dos filhos dos portugueses, pagadores de impostos, tratados de forma igual pela administração fiscal quando toca a pagar os seus impostos.

Cremos que seria oportuno e interessante, um estudo (e o respectivo ranking) das condições de exercício da função docente e de aprendizagem dos alunos (bibliotecas, acesso à informação e aos recursos tecnológicos de investigação e aprendizagem) para que os portugueses (que, tendo o mesmo nível de rendimentos, pagam a mesma taxa de imposto..:!) pudessem ver que condições de igualdade de oportunidades proporcionam os governantes (sejam centrais ou locais) para que os seus filhos possam realmente aprender e submeter-se a iguais instrumentos de medida de competências. mas porque motivo não se faz? Têm medo de incomodar e desnudar a realidade de recursos proporcionados pela administração central (que coloca torneiras de 500 € e candeeiros de 2000 euros em determinadas escolas quando as outras nem espaço de biblioteca ou de recreio coberto têm!?), ou desmascarar a vergonha das autarquias que não equipam as instalações com o essencial e adequados materiais?

E os jornalistas que publicam e idolatram os rankings (porque lhes dão para escrever muita verborreia e vender muito "papel letrado"), de que ou de quem têm medo os jornalistas? 

Acham que se pode exigir a uma escola que não tem piscina que consiga formar óptimos nadadores ou campeões nacionais de natação? Será que pode, sequer, ensinar os alunos a nadar???  Já viram se fossem avaliadas as escolas pelo critério de natação? Estariam no topo as mesmas escolas? 

Aos jornalisats lançamos um desafio: tenham coragem de promover um estudo com estas variáveis (e não apenas aquilo que convém para conseguir determinado resultado). Não se limitem a segui as linhas do jornalismo americano que, confiando nas suas convicções e nas suas intuições, subestimaram quem não deveriam...

Analisando os investimentos que fazem nas escolas, é muito fácil perceber que há diferenças abismais na postura das autarquias face à educação. Com efeito, quando os recursos financeiros são transferidos para as autarquias (e não para as escolas!), quando as autarquias investem o dinheiro destinado à Educação “onde lhes dá a real gana” (fazendo arranjos onde não fazem falta, investindo dinheiro que não traz mais valia educativa) e as escolas é que são julgadas pelos resultados educativos dos seus alunos, há aqui algo que está errado, ou, como diz o povo, há aqui algo em que “não bate a bota com a perdigota”.

Façam-se, pois, estudos sérios e apresentem-se os Rankings de investimentos per capita (por aluno matriculado!) realizados pelo estado em recursos educativos (e não em torneiras ou candeeiros!) e depois analisem-se os resultados do investimento feito (contabilizando, obviamente, o valor dos recursos já existentes). Depois fale-se de rankings e de uma correlação entre o investimento realizado e as mudanças nos resultados obtidos. Por que não o fazem? Porque não interessa aos políticos... e quizas, aos jornalistas porque daria muito trabalho!

 

Depois de termos exercido funções docentes durante 11 anos, fora deste país, tivemos a oportunidade de conhecer outras realidades, outra forma de ver a educação, outra forma de ver a gestão dos recursos materiais nas escolas. Infelizmente, ao voltar a Portugal (tantos anos passados, depois de ter “saído” desde triste país) constatamos que, enquanto as autarquias continuam a investir em relvados sintéticos para os campos de futebol, espalhados pelas freguesias para um uso muito reduzido (porque esporádico, um fim-de-semana, de 15 em 15 dias!) e em Estádios de Futebol (investiguem-se os custos para a autarquia com a manutenção do Estádio Municipal de Braga!) ou em arranjos e re-arranjos de jardins (para os cidadãos pisarem nas festas concelhias). Em contrapartida, e ao mesmo tempo que somos bombardeados com a necessidade de inovar e usar as tecnologias na sala de aula, nos últimos 2 anos, para conseguir ter um simples projector de video ou um simples Leitor de CD-Audio.. (que não existem!) tivemos de esperar que a Associação de Pais desempenhasse o papel de Pai Natal e o comprasse e oferecesse à escola.

E com que dinheiro? Dos impostos? Não!!! Das famosas, deprimentes e revoltantes rifas! Sim… ainda as famigeradas rifas que muitos pais acabam por comprar a caderneta toda para não submeterem os filhos à humilhação de andarem na rua, vendendo (leia-se, cravando!) os transeuntes ou os clientes dos cafés da zona ou do bairro que já estão fartos deste peditório cíclico e anual, e se recusam a comprar... deixando tristes as crianças!"

Esta é a triste e desmotivante realidade para quem, durante os últimos 7 ano tinha, numa escola primária na penúltima autonomia do ranking da riqueza da nossa vizinha Espanha, uma sala específica para informática (totalmente equipada, com quadro digital...) biblioteca, recreio coberto, pavilhão desportivo, sala de música, sala de apoio educativo... Só de pensar que se situava no mais recôndito lugar da Galiza, mesmo sendo escolas de pequenas populações (equivalentes ás nossas vilas), situadas em zona montanhosa e das mais isoladas da comarca mais afastada do centro da Autonomia da Galiza e tinham de tudo... dá pena!

 

Enfim... vivemos num país que quer aproximar-se dos do primeiro mundo usando estratégias do terceiro mundo!!!! Portugal é ainda, em muitos campos e na mentalidade, um país terceiro mundista...  Conseguir um simples leitor de CD através de rifas... ?

Querem comparar resultados? Pois sim! Até nisto há diferença… Mas, enquanto as crianças das primeiras escolas dos Rankings estarão no aconchego do lar a ler "A Vendedora de Fósforos" muitas das crianças deste país, das piores escolas dos Rankings, andarão nas ruas a interpretar o conto "A Vendedoras de Rifas".

 

Por favor... Que comparem o comparável... Que comparem o Real Madrid ao Barcelona... O Porto ao Sporting e ao Benfica... mas não o Benfica com o Chaves. Este último até poderá ganhar-lhe um jogo mas não tem nem recursos económicos nem instalações para lutar pela Liga Europa. É tão simples quanto isso!

Nas escolas vivemos a mesma realidade (e conheço bem o país, pode crer... até porque exerci funções em organismos centrais (como convidado, pelo currículo!!)

 

A realidade, nua e crua, digam o que disserem, é esta:

Umas escolas têm… a presença de tudo (incluindo o interesse, dedicação e o empenhamento dos pais como educadores); outras escolas têm … a ausência de (quase) tudo...!

Umas escolas têm (quase) tudo; outras não têm (quase) nada...!

 

Qualquer comentador de televisão gosta de comparar as realidades por referência ao futebol. Pois se essa linguagem é mais compreensível, aqui fica. Sabemos que todos os anos se elabora, automaticamente, um ranking de clubes, na verdade ninguém anda a comparar os últimos com os primeiros… Sempre se comparam os que têm recursos e condições semelhantes. Uns clubes aspiram ganhar a Liga, outros simplesmente aceder à Liga dos Campeões, outros à Liga Europa… e outros a manterem-se apenas na Primeira Liga. Tão simples quanto isto. Os sócios de cada um dos clubes sabem e têm sentido comum, têm bom senso. Não se pede nem exige ao treinador do Braga nem do Santa Maria da Feira que tenha como objectivo ser o primeiro da liga… até porque bastará que os demais joguem mal (percam) para que fiquem na frente. Isto não é assim na Educação. Um aluno só aprova se conseguir obter metade da classificação total determinada par a prova. Mesmo que um aluno faça mal, o outro não lhe passa à  frente se não fizer bem! Em futebol, assistimos ao Benfica ficar apurado porque o outro clube que lhe poderia ter retirado o lugar perdeu! Não porque acertasse nas redes… fizesse golos.

 

Assim, falemos de rankings, apenas e só, quando conseguirem tornar as escolas verdadeiramente democráticas. Até que isso seja uma realidade… qualquer Ranking apenas traduzirá a falta de uma verdadeira reflexão sobre esta problemática por parte daqueles que o elaboram e também, obviamente, de quem os defende.

 

publicado por J.Ferreira às 13:25

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Domingo, 30 de Novembro de 2014

Os Rankings da Vergonha

Voltaram os Rankings das Escolas.

Como os anteriores, este Ranking mede o que mede. E se alguma coisa mede, é a incompetência de quem patrocina e/ou apoia a criação e publicação de Rankings de Escolas. Não mede a qualidade das escolas, nem dos seus professores. Mas sim, a qualidade dos nossos (des)governantes! Se medisse a qualidade dos professores ou das escolas, então, se os alunos das  escolas colocadas nos últimos lugares do Ranking fossem "transladados" para as escolas dos primeiros lugares continuariam estas a serem as melhores. Alguém acredita nisso? Não? Então, para que servem estes absurdos rankings?

Se alguém acredita que sim... então, que espera o governo para enviar os professores das escolas do primeiro lugar do ranking para as escolas do últimos lugares... ??? Vamos! Tenham a coragem de avançar com essa medida. E assim veremos se é culpa dos professores ou dos recursos e da "matéria-prima" de cada escola. Ainda não foi descoberto nenhum cozinheiro que fizesse "omeletes sem ovos"!  Nem consta que o "melhor treinador do mundo" (José Mourinho) aceitasse treinar um clube como o Vilaverdense, sem poder mudar a matéria-prima da equipa (os jogadores!!!) e o levasse a conquistar o campeonato nacional, e muito menos a ser campeão europeu. É que, são todos clubes de futebol (como esta é uma lista de escolas!!!) mas os seus intervenientes são muito distntos. por isso, o futebol está organizado em divisões..!

Com os seres humanos é desumano colocar todos os alunos a competir numa mesma divisão! Se em muito somos todos iguais, há aspectos da human idade em que todos somos diferentes. E não é legítimo tratar o diferente como igual! 

escola deveria respeitar a diferença, de gostos, de competências, de aptidões. Tal não é possível por determinação governamental. Sim. Porque é o governo que determina tudo, desde o currículo à forma de avaliar e critérios de progressão dos alunos (ultimamente com a panaceia dos exames que nada medem e estão a permitir enganar os pais, permitindo que alunos progridam sem as devidas competências e obrigando alunos a repetir anos porque tiveram azar no exame...!!). Enfim... continuamos à espera de um minstro que seja capaz de perceber esta coisa simples:  não se pode obrigar todos os alunos a fazerem o pino, porque há alunos que, infelizmente, apenas têm um braço! Pior, há alunos que, por má fortuna, nem um braço têm! Enfim. Esperamos que o leitor comprenda o exagero que aqui plasmamos. E, é claro esta atrocidade não se verifica nas escolas porque se vê "claramente visto" quado uma criança foi vítima de lesões corporais (nos braços, nas pernas, nos olhos, nos ouvidos... ). Porém, as lesões no céfebro... essas, nem todas se vêm tão claramente... E as crianças são submetidas todas a um mesmo percurso académico e aos mesmos exame. Assim, se fazem os rankings. Com crianças de etnias nacionais e estrangeiras à mistura... Tudo a molho e fé em Deus. Tenham a coragem de indicar também o númerod e crianlças "especiais" que frequentam essas escolas privadas que se encontram nos primeiros lugares do ranking... Vamos!!! Ou que tenham uma miscelânea de anos de escolaridade na emsma sala de aula!!! Vamos... senhores políticos ou então tenham vergonha na cara e acabem com a palhaçada dos rankings!

Os políticos de Portugal continuam a insistir na busca de culpados para as suas medidas, para a sua falta de capacidade de conduzir o país pela rota do progresso. O que há não é fracasso escola: o que há é fracasso governativo. E em todos os níveis, desde a educação à saúde, passando pela justiça, até à segurança. Porém, o que os preocupa é encontrar bodes expiatórios para o fracasso das suas polícias. A continuarem assim, atribuindo à escola a culpa do fracasso das medidas governativas, não admira que um dia atribuam também o falhanço das políticas financeiras (e da falência dos bancos!) à escola!

Há mais de uma década que escrevemos um artigo sobre o tema: Ranking das Escolas? Os Alunos Não São Tijolos.  E, embora tardiamente, acabou por ser publicado na Revista "O Docente" da ANP. Porém, ano após  ano, os (des)governantes insistem em publicar este ranking... Os nossos governantes continuam a avaliar as escolas como se os nossos meatriais fossem tábuas rasas, madeira ou tijolos!!! 

Ora vamos lá ver até que ponto isto não é uma forma de os políticos (à semelhança de um dos seus predecessores, bem conhecido do povo Pilatos) lavarem as mãos da sua responsabilidade face ao fracasso do sistema educativo, permitindo que um grupo inocente (os professores, neste caso!) seja crucificado!

Os responsáveis pelas políticas educativas têm contribuído decisivamente para aumentar o pântano educativo (a todos os níveis!). E insistem em não perceber que, se algum Ranking houvesse que ser feito, seria o Ranking de Concelhos Educativos. Nunca o Ranking de Escolas. As escolas não têm recursos para investir na educação. As escolas não tomam decisões curriculares. E são obrigadas a albergar nos seus espaços, crianças e jovens que da escola nada pretendem. A escola, tal como os políticos a conceberam e determinam, não serve nem os seus gostos, nem as suas ambições de vida. As escolas limitam-se a aplicar decisões curriculares que são determinados superiormente. 

Os ministros deveriam ter vergonha de terem contribuído para a desmotivação e descrédito, para o pântano que se tornou o trabalho nas escolas. Os nossos (des)governantes, depois de terem conduzido o país para o abismo económico, social, educativo e sanitário, continuam a insistir com o Ranking de Escolas como se as escolas fossem as responsáveis pela crise económica e social em que o país se encontra mergulhado.

Em vez de contribuirem para melhorar o trabalho nas escolas (com recursos e equipamentos adequados ao sucesso escolar!) preferem matar a sua ávida sede de vingança contra aqueles de que pouco depende o sucesso de uma larga franja de população condenada à pobreza pelas políticas levadas a cabo pelos (des)governos do pós 25 de abril. Desde as escolas sem recurso pedagógicos, salas de aula sem espaço para desenvolver um trabalho pedagógico adequado aos níveis diferenciados de aprendizagem que continuam a proliferar nas turmas, apesar das mentiras governamentais de que o reordenamento da rede escolar seria mais vantajoso para a aprendizagem das crianças (há hoje crianças que perdem mais de duas horas no trajecto casa-escola!!!!) até crianças com fome, as escolas públicas continuam a ser as piores do país. Mas isso, não interessa aos governos! O que importa é encontrar bodes expiatórios. Mas isso só será possível enquanto o povo estiver adormecido. Mais cedo ou mais tarde, os cidadãos dar-se-ão conta de que os resultados da formação dos nossos filhos depende predominantemente dos recursos que cada escola possui, sejam eles materiais e humanos seja em temos de público que frequenta as mesmas.

Que espera o estado para apresentar, a par do ranking das escolas, o rendimento (e fortuna!) per capita, dos famílias das crianças e jovens que frequentam cada uma das escolas do Ranking? É que, com este dado, facilmente cada português que compreende facilmente que tal como o Belenenses, apesar de, teoricamente,  poder ir ao mercado comprar os jogadores que precisa para enfrentar o campeonato da primeiro divisão, na realidade não o pode fazer porque financeiramente não tem os recursos do Porto ou do Benfica, ou do Sporting (e muito menos do Barcelona ou do Real Madrid) pelo que as aspirações dos seus adeptos e dirigentes não são ficar nos primeiros lugares do campeonato mas (e tão-só!) a permanência na 1ª divisão.

O mesmos e passa com as escolas. Muitas delas apenas possuem jogadores de 3ª divisão. E são seriadas no mesmo Ranking??? Este Ranking  é a demonstração da falta de vergonha dos ministérios que têm sido os únicos responsáveis pela diferença que existe na educação.

Por isso perguntamos: Ranking das Escolas? Onde está o verdadeiro Ranking das Escolas? Onde está o Ranking de Escolas que apresente aos portugueses uma classificação que espelhe a diferença das suas valências: a qualidade das suas instalações e adequação dos seus espaços, equipamentos e seus recursos destinados à aprendizagem? Umas “têm tudo”… Outras “também não”!!! 

Por que motivo não se diz que os melhores alunos estão nos concelhos “tal” e “tal”??? Porque se insiste em ordenar as escolas. Que pretendem com este Ranking de escolas? Afinal, as escolas não educam: são as sociedades que educam querem massacrar os professores e libertar-se os Presidentes de Câmara que, em vez de apostarem nos equipamentos e condições de trabalho nas escolas apostam em colocar relva sintética nos campos de futebol das freguesias... et. etc.

A avaliação que os governos decidiram fazer com base em RANKINGS (absurdos, porque comparam o incomparável. Sim... Nenhuma escola pública pode escolher os seus alunos (como os clubes escolhem os seus jogadores, como as escolas privadas "escolhem" devido aos diferentes recursos económicos das famílias!!!). Todos os anos vem a público este ranking absurdo. E o pior é que, dado o objectivo com que o apresentam: continuar a denegrir a imagem dos professores como se, única ou predominantemente, deles dependesse o resultado obtido pelos alunos!!!.

Por isso, não importa nem os métodos nem os critérios que são usados nem mesmo os meios para atingir os fins: libertar os políticos da desgraça das suas medidas quer em termos de falta de investimento verdadeiramente direccionado para a educação, quer em termos de apoio à formação dos jovens (com famílias a cortar na educação para poderem dar alimentação aos seus filhos. O que existe em Portugal é fracasso social. Não é fracasso educativo. O que existe em Portugal, são famílias miseráveis passando fome que nem um euro têm para despender na educação. O que existe em Portugal é uma sede ávida da parte dos nossos (des)governantes por retirar aos jovens o futuro a que tinham direito em benefício de uns quantos políticos que sabem muito bem que, sendo incapazes, a única garantia que têm de poder "continuar a reinar" é que Portugal se reduza a uma ""terra de cegos". 

publicado por J.Ferreira às 13:41

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Sábado, 29 de Novembro de 2014

Que Nos Dizem os Rankings?

No final da década de 90 do século passado, surgiam as primeiras tentativas de criar rankings de escolas, baseados em elementos e critérios que pretendiam comparar o incomparável. Esta hierarquização das escolas em função dos resultaods é um absurdo. É um julgamento sem nexo. Criar rankings de escolas é um absurdo porque se trata de comparar escolas que, na sua essência nada têm de comparável. E não se fala apenas de recursos humanos (docentes, auxiliar e discentes) mas também e acima de tudo, de recursos pedagógicos, tecnológicos, financeiros, etc...  independentemente de se tratar de escolas públicas ou privadas!

Hoje, Alexandre Homem Cristo escreveu um artigo intitulado "Rankings: quem é responsável pelos maus resultados?" e que passamos a reproduzir para que o comentem.

"Como em tudo na vida, há boas e más escolas, e estudar numas ou noutras faz muita diferença para o percurso escolar de um jovem. Aceitar isto tem consequências em termos de prestação de contas.

Todos os anos, os rankings fazem-nos discutir as mesmas questões e tirar as mesmas conclusões. E, todos os anos, quem não gosta do que os rankings mostram aplica-se em explicações sobre os porquês destes constituírem um ataque à escola pública. Sim, os rankings têm limitações e nem tudo na educação é mensurável. Mas admitirmos esses limites não nos deve impedir de usar os rankings com prudência e, claro, de ter em conta aquilo que eles nos revelam sobre o funcionamento das escolas.

O problema é que isso nem sempre tem acontecido. Com 14 anos de publicações sucessivas dos rankings, muito melhorou, é certo, mas o debate público ainda alimenta mitos, os directores continuam a não dar real importância aos resultados e o Ministério continua a fingir que não vê os problemas que aparecem retratados nos dados. Há, obviamente, muitas razões para isso acontecer e muita coisa a dizer sobre os rankings. Hoje, limito-me a abordar três aspectos relacionados com uma questão habitualmente mal compreendida – a relação entre o perfil socioeconómico dos alunos e a responsabilização.

1. O primeiro aspecto é o óbvio: não se pode comparar desempenhos escolares sem ter em conta os perfis socioeconómicos dos alunos. Infelizmente, há ainda muita gente que acha que isso é uma teoria facilitista, quando está provado em milhares de artigos e estudos que esse perfil socioeconómico é o melhor indicador para prever o desempenho escolar. Algo que, na prática, significa que um jovem nascido numa família privilegiada tem melhores condições para atingir o sucesso escolar do que um jovem de uma família desfavorecida. Enfim, não é um fatalismo, mas é uma constatação estatística: um filho de licenciado tem maior probabilidade de obter uma licenciatura do que um filho de analfabeto.

Este é um ponto sensível do debate público, porque é habitualmente usado de forma hipócrita – usa-se quando dá jeito, esquece-se quando não dá. Por exemplo, quem afirma que as escolas privadas são “melhores” tende a não valorizar o socioeconómico. Ou, por exemplo, veja-se que são normalmente os professores das públicas a recordar a importância desse factor socioeconómico, no sentido de enquadrar os resultados dos seus alunos (para não serem indevidamente responsabilizados pelas notas). Mas, o que os professores consideram verdade quando aplicado aos seus alunos passam a considerar mentira quando aplicado a alunos que querem ser professores (e que frequentam os cursos de ensino). As reacções de dezenas de professores a este meu texto no Observador falam por si. Ora, o perfil socioeconómico não é para ser usado só quando interessa.

Vale a pena salientar a importância da questão social porque ela tem implicações importantes na leitura dos rankings. Saber que uma escola está no top10 porque a média dos exames do secundário dos seus alunos é de 13 não quer dizer nada se não soubermos o perfil desses alunos e tivermos, portanto, uma expectativa quanto ao seu desempenho. Se, nessa escola, a média esperada fosse 14 valores, então 13 não é um bom resultado. Mas se o esperado fosse 12 valores, então 13 já revela um bom desempenho. Isto faz toda a diferença.

Um caso concreto: a Escola Secundária António Nobre, no Porto, obteve uma média de 7,58 valores no secundário (212 provas realizadas) quando o valor esperado em função do contexto social era de 10,16 valores. Há aqui alguma coisa que correu mal, visível não tanto pela média alcançada em si, mas pela distância face ao que se esperava.

(Infelizmente, as escolas privadas, incluindo as escolas com contrato de associação, continuam a não divulgar os dados socioeconómicos dos seus alunos, limitando a comparação face às escolas públicas. Não se percebe porquê, e é cada vez menos aceitável que assim aconteça.)

2. O segundo aspecto é a continuação lógica do primeiro e tem a ver com responsabilização. Enquanto não foi possível comparar adequadamente escolas públicas entre si (porque faltavam dados socioeconómicos), vigorou uma espécie de lei não-escrita que dizia que as escolas públicas eram todas iguais e que, por isso, não era necessário avaliá-las – só mudava o tipo de alunos que tinham (bons ou maus, ricos ou pobres). Falar do perfil socioeconómico era, no fundo, dizer que não era possível retirar conclusões sobre o desempenho médio das escolas: durante demasiado tempo, acreditou-se que o sucesso ou insucesso de um aluno era alheio ao desempenho da escola. Aliás, é uma das coisas mais surpreendentes no sector da educação em Portugal: formalmente, ninguém é responsabilizável pelos resultados dos alunos. Excepto o ministro.

Ora hoje, com rankings melhores, podemos comparar escolas e verificar que não é assim: há escolas que superam os resultados esperados (medidos de acordo com esses perfis socioeconómicos) e há escolas que ficam aquém do esperado. Em 2014, 56% das escolas ficou aquém do esperado – o que mostra que há muita margem para melhorias. Ou seja, como em tudo na vida, há boas e más escolas, e estudar numas ou noutras faz muita diferença para o percurso escolar de um jovem.

Aceitar isto tem consequências, nomeadamente em termos de prestação de contas. Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é fundamental que isso seja avaliado: as que prestam um mau serviço educativo têm de ser identificadas e ajudadas a melhorar, pois estão a prejudicar alunos que não terão uma segunda oportunidade.

Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é necessário informar os pais e dar-lhes liberdade para escolher a escola dos seus filhos dentro da rede pública.

Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é indispensável perceber porquê e apurar responsabilidades – recompensando o mérito de quem trabalhou bem e penalizando o demérito de quem serve mal os alunos (por exemplo, por que não incluir o desempenho dos alunos como um entre vários critérios de avaliação dos professores?).

Há, de facto, escolas que precisam de ajuda, e compete ao Ministério ajudá-las, sabendo que a melhoria se constrói à base de trabalho e de medidas estruturais. Por exemplo, a ideia dos créditos que o Ministério implementou não é má e poderá ter ajudado algumas escolas, mas é insuficiente e não serve as escolas com maiores dificuldades. Outras medidas se exigem. De resto, é cada vez menos compreensível que seja indiferente para a carreira de um professor o que acontece aos seus alunos. Tal como é cada vez menos compreensível que as escolas não tenham de se comprometer com objectivos de melhoria dos desempenhos escolares.

3. O último aspecto tem a ver com o que não aparece nos rankings e que também é uma questão socioeconómica. Quantos alunos desfavorecidos são rejeitados por escolas que não querem baixar a sua classificação nos rankings? Quantos são alvo de retenção porque a escola não os quer levar a exame, temendo más notas? Quantos desaparecem das estatísticas por via do absentismo?

Como sempre acontece, há muitas formas de viciar as regras do jogo. E todos os anos são publicados relatos de directores de escolas que assumem o dilema: seleccionar alunos (i.e. excluir os da acção social) para obter melhores resultados nos rankings ou aceitar os mais desfavorecidos e a consequente queda na classificação dos rankings. Que a questão se coloque é um problema que vai muito para além dos rankings. Porque a selecção de alunos por parte da escola é ilegal mas praticada impunemente. E porque é o retrato de uma escola pública que não cumpre a sua missão e está disposta a deixar para trás os que mais dependem dela.

Eu sei que há quem encontre neste fenómeno um bom alibi para desvalorizar os resultados, mas não tenhamos ilusões: há escolas públicas que seleccionam os alunos, mas a maioria não o faz, pelo que o fenómeno não terá grande impacto nos rankings. E também sei que há quem veja nisto tudo uma boa razão para acabar com os rankings – eles têm uma má influência no comportamento das escolas, mais vale acabar com eles. Mas, pergunto: não será ao contrário? Esconder um problema não é resolvê-lo. E os rankings são úteis precisamente porque nos revelam que o problema existe. A nós compete-nos exigir que seja resolvido. E formas de o fazer não faltam. Por exemplo, com mais e melhor informação nos rankings, que nos permita acompanhar o que acontece nas escolas ao longo de todo o ciclo do secundário, e não apenas no dia do exame nacional. Haja vontade."

publicado por J.Ferreira às 18:14

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Domingo, 5 de Abril de 2009

Responsabilidade dos Pais na Educação dos Filhos

 

Apoiamos, inequivocamente, a iniciativa levada a cabo pelo presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Darque, Viana do Castelo.


De acordo com O Público, este cidadão que, nos termos da Constituição da República Portuguesa "lançou esta semana uma petição por alterações legislativas que responsabilizem efectivamente" os pais nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar”. (Para ver ou assinar a Petição? Clique aqui!)

 

Não é de menor importância o facto de tal petição ser proveniente de um professor. Com efeito, até agora os professores têm-se remetido ao silêncio sobre o abismo para que os políticos estão a conduzir as escolas. Ora, muito embora não tenhamos dúvida de que muitos cidadãos que se julgam “mais iguais do que os outros” desejariam que os direitos de cidadania não fossem reconhecidos aos professores ou que, simplesmente, lhes fossem retirados (de que são exemplos básicos o direito de manifestação, direito de e protesto ou o direito à greve), o  facto de um indivíduo "ser professor" não lhe retira nem minimiza o exercício de qualquer direito. 

Manifestamos aqui a nossa indignação em consequência do  manancial de insultos que são diariamente dirigidos aos professores (porque somos livres, feliz ou infelizmente, de insultar sem que sejamos responsabilizados ou porque são legitimados por uma prática política da destruição da classe docente praticada por este governo!). Com efeito, todos os dias são colocados nos comentários às notícias sobre educação (e, pasme-se o leitor, isto em todos os jornais que, democraticamente ou anarquicamente, tal permitem!) por uma boa camada de cidadãos menos informados (ou propositadamente mal intencionados!) autênticas mentiras e insultos à dignidade de tratamento qeu qualquer cidadão merece!

Na notícia do Público este professor de história refere que "A legislação tem que criar mecanismos administrativos e judiciais, desburocratizados, efectivos e atempados de responsabilização dos pais e encarregados de educação em casos de indisciplina escolar, absentismo e abandono, modificando a lei que consagra o Estatuto do Aluno e outras leis conexas".

 

Sem dúvida! Tal como já havíamos referido em outros textos em que criticámos duramente a Ministra da Educação, é necessário chamar ao banco dos réus os verdadeiros culpados… Não basta encontrar bodes expiatórios e condenar inocentes…

       Nunca os professores penalizaram os alunos por terem faltado à escola, fosse por uma ida ao futebol ou pela vontade de ir ao funeral de um familiar ou de um amigo. Porém, os professores portugueses são os únicos cidadãos deste país (e quem sabe, do mundo!) que, neste estado de direito (que se diz democrático), sofrem penalizações por cumprir uma obrigação humana de levar os seus às última morada. Esta realidade é o resultado da acção de uma ministra incompetente que, seguramente NUNCA RECEBERÁ nenhum convite para que me represente nas exéquias fúnebres de minha mãe porque, infelizmente (ou felizmente para ela!), faleceu ainda no tempo que alguns classificam de "ditadura fascista" (chefiada por Salazar, que contrariamente aos actuais governantes, morreu pobre servindo o país!!!) e não no tempo desta "ditadura democrática" chefiada por Sócrates. Porém, caso não seja alterada esta legislação aberrane, absurda e anti-democrática criada por este (des)Governo de José Sócrates, o Ministério da Educação receberá, seguramente, um TELEGRAMA de minha parte, quando um certo dia (que espero longínquo) chegar, a pedir que me represente nas exéquias fúnebres de meu pai.

Nunca os professores apelaram aos alunos para que acompanhassem o pais que pretendem gozar um fim-de-semana prolongado.

Nunca os professores apelaram aos alunos para que saíssem com os pais para gozarem  umas mini-férias (aproveitando uma promoção a custo reduzido ou do tipo 2 em 1)...

Nunca os professores apelaram aos alunos para que faltassem à Escola só porque o patrão do papá (ou a agência de viagens da mamã!) resolveu fazer uma promoção de viagem à Disneyland...

Nunca os professores apelaram aos alunos para que fossem com os paizinhos a Londres, Liverpool ou Barcelona só para ver jogar o clube de futebol do coração ... 

Mas NAS ESCOLAS HÁ ALUNOS QUE FALTAM POR ESTES MOTIVOS. POR DECISÃO, OPÇÃO, RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DOS PAIS... E nem censuramos os pais que o fazem! É a Mnistra que nos obriga a REVOLTAR contra esta atitude dos pais porque POR ESTUPIDEZ DA MINISTRA, OS PROFESSORES É QUE AGUENTAM COM AS CONSEQUÊNCIAS NA AVALIAÇÃO CULPAS! Por isso, afirmamos também categoricamente que nos recusamos que nos queiram culpabilizar pelas faltas dos alunos!

Ora, se a criança “vai umas semaninhas para fora” faltando às aulas… ou se o pai as leva para a feira “para dar uma mãozinha” ao pai porque a mãe está doente e ele não pode olhar pela tenda sozinho na feira… os professores nada podem fazer. A inspecção do trabalho, essa sim! Mas a esses a Ministra da Educação não controla. Logo, como os inspectores do trabalho não foram capazes de “acabar com o trabalho Infantil”… vai daí, a Ministra decidiu penalizar os Professores na sua avaliação pelo Abandono Escolar… Outro Absurdo…

E, obviamente, se considerarmos as diferenças de rendimentos das famílias dos alunos que frequentam a escola pública e a correspondente diferença de recursos que os alunos têm em casa para a aprendizagem, acrescidas da diferente formação académica dos pais de cada criança (alguns nem ler sabem!) o último absurdo do modelo da Ministra está explicado: Avaliar ops professores tendo em conta os resultados escolares dos alunos! Pobre professor que vai parar a determinados bairros… Será sempre o professor do último lugar do ranking.

Como já em 1999 o afirmáramos em Castelo Branco, numas jornadas pedagógicas transfronteiriças levadas a cabo nessa localidade pela Associação Nacional de Professores “até podemos concordar com aqueles que defendem a avaliação do trabalho dos professores pelos resultados dos alunos desde que, os professores das primeiras escolas do ranking (a que chamamos escolas de luxo!) sejam, obrigatoriamente, colocados no ano seguinte nas últimas escolas do ranking e que demonstrem a sua competência para fazer aprender os alunos de parcos recursos (nas escolas de lixo) e que os obriguem (a esses, alguns professores, que se consideram “a elite” profissional só porque têm alunos como a minha filha com 20 a todas as disciplinas!) a conseguir os mesmos resultados (ou aproximados) que haviam conseguido nas escolas ditas “de elite”!...

Não duvidamos e compreendemos que em certas famílias (naquelas onde a miséria da barriga vazia impera e cujos recursos se destinam a evitar a fome…) ainda persista a máxima dos tempos de meu avô: “o trabalho da criança é pouco mas quem o despreza é louco!”

No entanto, consideramos absurdo que a Ministra nada tenha feito para minimizar a diferença dos recursos dos alunos a não ser fazer as crianças mais pobres, de origem em povos isolados geograficamente, a percorrer imensas distâncias para chegarem à escola, a passarem a maior parte do tempo em percursos casa-escola, em transportes públicos que os fazem chegar a cada cansados e sem vontade de fazer quaisquer trabalhos escolares pois, no dia seguinte, têm de despertar cedo e levantar-se para perderem outro tanto tempo, e novamente, na deslocação casa-escola. E o Governo de José Sócrates vangloria-se de terem acabado com as escolas de menos de 10 alunos! Não. Não encerrou apenas as escolas de menos de 10 alunos! Foi com muitas de mais de 20 alunos! Só sabem encerrar para poupar… Aos alunos venderam um sonho que se torna num pesadelo… os pais adormeceram… Deixaram-se levar pela demagogia, pelo engodo de que as crianças teriam melhores possibilidades se fossem para outras escolas… Só se for ao abrigo das novas oportunidades que se inflacionem as suas notas… caso contrário, perderam. Seguramente que perderam… ganhou o Estado. Deixou de pagar um contador de energia; deixou de pagar uma assinatura telefónica; deixou de pagar a água; deixou de pagar o aquecimento; deixou de pagar um professor; deixou de pagar a uma empregada de limpeza, etc, etc, etc, para cada uma das 2500 escolas que encerrou.

E ainda não houve nenhuma criança que fosse vítima de rapto… de abusos, de acidente de transporte para que os pais venham de novo exigir a reabertura da escola… Só encaixou dinheiro nos cofres do Estado. Aliás, as medidas que tomou foram todas no sentido de encaixar dinheiro. Corajoso seria melhorar os recursos das povoações para atrair alunos para as escolas das localidades menos povoadas. MAS nada!

 Entretanto, os filhos das classes mais favorecidas …

ESTA MINISTRA DA EDUCAÇÃO pretende impor aos professores UM SISTEMA DE AVALIAÇÃO FUNDAMETDO EM CRITÉRIOS QUE OS PROFESSORES NÃO CONTROLAM... Trata-se de um sistema de avaliação de  professores que APENAS CULPABILIZA OS PROFESSORES pelas faltas dos filhos dos portugueses de que (desde que as crianças não se encontram doentes, obviamente!) os pais são os únicos responsáveis. Mas, a teimosia da Ministra da Educação vai ainda mais longe! Num Estado de Direito Democrático, ninguém pode ser condenado por culpas que não lhe possam ser imputadas. Ora, qualquer cidadão esclarecido (que se digne de se considerar como tal) reconhece que este argumento é o bastante para que os professores tenham razão ao contestar o absurdo e injusto Modelo de Avaliação Docente que teimosamente a Ministra pretende impor. Com efeito, O MODELO DA MINISTRA VOLTA A CULPAR OS PROFESSORES por causa do abandono escolar quando esta missão deve ser da responsabilidade da Inspecção do Trabalho e não dos professores.

Ora, este assunto é demasiado sério para ser tratado como anedota. Já imaginaram? Para fazer cumprir a lei e alcançar a diminuição do absentismo e do abandono escolar considerados como critérios para se ser bom profissional no Modelo de Avaliação Docente que o ministério pretende impor, só resta aos professores transformar este país num “farwest”, pegando em pistolas e percorrendo as ruas à procura de quem falta à escola, entrar nas fábricas ou ir pelos campos à procura dos alunos que estejam a trabalhar em vez de irem para a escola… Mas ainda que a transformação do país num “farwest” fosse o objectivo do governo, os professores que fossem à procura dos alunos, estariam a faltar à escola, e como tal, seriam avaliados negativamente!

Com uma Ministra INCOMPETENTE (e uma Equipa no Ministério da Educação a condizer) Portugal nunca mais encontrará o Caminho do Sucesso... E, enquanto se mantiverem estes timoneiros incompetentes a comandar o Ministério, podem ter a certeza os pais que a EDUCAÇÃO em Portugal (e o que espera os jovens deste país) não será muito diferente do destino que teve a maioria dos tripulantes do TITANIC:  NAUFRÁGIO GARANTIDO! 

publicado por J.Ferreira às 10:04

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Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Crónicas do Regresso dos "Falhados" à Escola

 

 

Que terão feito os professores à Senhora Ministra da Educação... (?) enquanto esta era aluna para que, uma vez chegada ao poleiro, não tenha qualquer pejo em colocar ao nível do subsolo um estatuto profissional e um reconhecimento social conquistados com muito esforço, tanto empenho e dedicação à causa educativa ?

 

Esta atitude dos governantes apenas poderá ter explicação à luz de um recalcamento por fracassos sofridos enquanto estes governantes estavam sentados nos bancos das escolas portuguesas como alunos! Quanto a nós, apenas poderemos concluir que, de facto, a medir pela competência destes governantes, a Escola não serve de facto para desempenhar o papel que a sociedade pretende: Desenvolver qualidades como o equilíbrio, o bom senso, a tolerância, o respeito, enfim, a competência!

Assim, não admira que, em Portugal, a incompetência tenha chegado ao Poder! Aqueles que mais exigem competência dos outros e se julgam competentes apenas ocupam o lugar de destaque porque, imagine-se, sem darem quaisquer provas de o que quer que seja, são eleitos pelo voto popular (diferente de verdadeiro reconhecimento de competência!) ou porque pertencem ao leque de amizades e conhecimentos dos chefes do partido mais votado e são convidados para cargos que nunca sonharam exercer, e, por isso mesmo, nunca para eles se prepararam! E assim vai esse país à beira-mar plantado!

Meus senhores! Entreguem a Educação ao Belmiro de Azevedo, ao Pinto Balsemão ou a outro empresário que nos diga para onde quer que vamos! Se os governantes fossem de facto competentes assumiam as responsabilidades pela bagunça que têm criado ano após anos na Educação. São eles que, dão constantemente ordens contraditórias, mandando os professores ora para um lado ora para outro, ora numa direcção ora noutra, mas que no fim os acusam de não terem chegado onde nunca os mandaram ir!

Limitados por leis que têm de cumprir e que os impedem de livremente organizarem a escola por forma a obter o melhor resultado (constituição de turmas, numero de alunos por turma,… etc.) os professores são obrigados a seguir sistematicamente indicações legislativas criadas pelo patrão que no fim muda conforme mudam os partidos do poder e se limitam a acusar os professores de falta de empenho, de profissionalismo, de dedicação e até, imagine-se, de não se importarem com o sucesso dos alunos! Ora, é precisamente a classe docente aquela que vive dia a dia com os alunos e que se interessa mais pelos seus problemas! Se não encontra soluções é porque os meios são escassos, as turmas enormes, os níveis dentro de uma mesma turma o obrigam a responder a questões diferentes quase que em simultâneo! Nenhum médico atende dois casos ao mesmo tempo! No bloco operatório segue apenas um caso de cada vez! A comparação feita pela Ministra é a prova mais que provada da sua incompetência, do seu desconhecimento do processo educativo! São palavras de burocrata habituada a dar aulas da sua cátedra indiferente ao resultado dos seus ouvintes que tenta projectar nos restantes docentes como se eles fossem o seu espelho! A classe docente é uma das classes que prima pelo profissionalismo! E não aceita de quem quer que seja lições de moral nem de pedagogia ou didáctica! Isto é o que pretende a senhora Ministra! Desacreditar os professores perante todos! Não o vai conseguir! O povo já se habituou à passagem de Ministros pela pasta que apenas destroem ainda mais o sistema porque, de ensino e aprendizagem, nada percebem!

E não será por decreto governamental que o governo vai fazer entrar na escola os fracassados e os que nunca se empenharam no esforço dos seus filhos! Façam os pais assinar os trabalhos e os cadernos dos seus filhos, os livros e as páginas cujo estudo acompanharam com a indicação referindo o que aprenderam ou não aprenderam os filhos! Nenhum ou quase nenhuns o fariam! Não estão para trabalhar… Mas para avaliar, muitos marcarão presença, nem que seja para tramar a vida aos professores!

E os eternos repetentes e aqueles que nem uma frase são capazes de escrever, sem que os erros turvem a sua leitura, também vão avaliar os professores!? Julgo ser caso para dizer: Bravo! Senhora Ministra! Com um simples decreto, acaba de formar milhares e milhares de pais para avaliar os professores?

Não foram os governantes que obrigaram há anos os professores a fazer formação pois consideraram-nos uns mal-formados? E os pais? Vão receber formação para avaliar ou não precisam porque o objectivo é criar apenas maior desestabilização nas escolas, criar um clima de conflito para dividir a comunidade educativa e legitimar a estagnação dos docentes em termos de progressão na carreira ; conseguindo desta forma que sobre mais dinheiro para os boys dos partidos obterem mais uns tachos?

Ou será que andou a tentar enganar toda a gente fazendo crer à população que os professores nada fazem mas afinal todos os pais têm uma formação que os dotou de competências tão vastas e tão amplas que, para além de peritos no seu trabalho (que os professores nunca terão direito de avaliar!) também são peritos em matérias tão sérias como a pedagogia, a didáctica, o conhecimento científico de uma maneira geral?

Se os pais são competentes para tal, para que precisam eles da Escola?

 

Senhora Ministra!

Os professores são dos profissionais com formação qualificada e de crédito indubitável, sancionado por imensos docentes ao longo de toda uma carreira de estudantes. Ao longo de cerca de 20 anos foram avaliados, nas mais diversas matérias, por profissionais que ninguém é detentor do conhecimento mais credenciados do país (professores universitários) que poucos se atreveriam a colocar em causa sob pena de desacreditar todo sistema. Submeter o resultado de longos anos de percurso académico a uma dúzia de horas ou a dois ou três indivíduos que avaliem a competências adquiridas, seria impensável por alguém que se digne ter o mínimo de senso comum.

 

Pretender afirmar que qualquer pessoa pode e tem capacidade de avaliar é o mesmo que dizer que muitos dos ensinamentos das universidades não têm qualquer razão de existir pois se adquirem sendo "pai" ou "mãe"... Permitir que indivíduos sem conhecimentos pedagógicos ou científicos (ainda que se reconheça a competência de alguns para tal), que não vivem nem "A Escola" nem "Na Escola" (e que muitas vezes preferem assistir à novela ou ao jogo de futebol que aparecer na reunião de pais) participem na avaliação dos professores dos seus filhos é o mesmo que permitir que uma testemunha preste depoimento em tribunal num caso que não presenciou ou de que nada conhece.

 

É inaceitável que profissionais que foram avaliados com o critério e o rigor das universidades, sejam submetidos à avaliação de pessoas que, tal como se viu nos comentários na internet no dia da divulgação da notícia, apenas buscam um motivo de vingança por terem sido inadaptados no seu tempo de alunos... Não se pode, de mofo algum aceitar, que os professores sejam avaliados por pessoas que, na sua generalidade, são alheios a conhecimentos do foro didáctico e/ou pedagógico!

 

Já reparou, Senhora Ministra, que é a qualidade de todo o sistema educativo e das próprias universidades bem como a dignidade de todos os docentes, incluindo os mais qualificados do ensino universitário que a Senhora Ministra acaba de colocar em causa! Séria e sinceramente, se de mim tivesse saído uma tal ideia peregrina, ter-me-ia demitido imediatamente!

 

Seriamente, apenas se pode concluir que tudo isto não passa de uma manobra de populismo para desestabilizar ainda mais o sistema educativo e desvalorizar o Estatuto já de si degradado dos professores! Este Governo pretende fazer crer aos cidadãos que, muito embora de pedagogia e didáctica nada percebam (salvo honrosas excepções pois também os professores podem estar na situação de « pais » ) podem perfeitamente avaliar os professores, diga-se, vingar-se deles sempre que as notas dos seus filhos estejam longe do desejado!

Além disso, veja-se a taxa de participação nas reuniões por parte dos pais que preferem faltar ao trabalho para ir ver a bola que para ir a uma reunião (ainda que seja à noite, se houver futebol, ei-los que ficam diante da televisão...)

Veja-se também que resultado foi alcançado na melhoria dos processos de acompanhamento familiar na aprendizagem com a participação dos pais na escola! Veja-se ainda que dinâmicas de confronto foram criadas em algumas escolas com a intromissão de cidadãos que de pedagogia nada percebem!

Para ter assento numa Escola, um professor tem de possuir um diploma, obedecer a certos critérios habilitacionais que atestam os conhecimentos científicos e a competência dos candidatos, os quais são determinados pelo empregador, seja ele o Estado ou Entidades Privadas!

Porém, para se ser pai, nenhum diploma é exigido, passando a ter-se « assento » na Escola automaticamente, isto é, basta ser-se « pai » e ter um filho matriculado na escola! Automaticamente, passa-se a ter lugar cativo! Mas, nenhuma exigência se lhes faz! Podem aparecer ou não às reuniões! Podem até mesmo faltar o ano todo! Que lhes acontece? Perdem o emprego? Não! Têm que prestar contas e justificações? Também não! Então por que têm os mesmos direitos se não têm os mesmos deveres? E podem aparecer para criar problemas e emperrar o sistema com as suas queixas, as suas questões inoportunas, as suas intervenções descabidas por terem faltado às outras reuniões, não compreenderem o que consta das actas porque desconhecem o vocabulário? Podem! Claro! Podem e devem chatear os professores porque as escolas são uma tal monotonia que até os professores adormeceriam se não aparecessem uns tantos de vez em quando para fazer parecer que estamos num estádio de futebol! E aparecem? Oh! Se aparecem! Sobretudo para descarregar sobre a escola o insucesso do seu clube, a «fúria» provocada pela atitude do árbitro que levou à derrota da sua equipa!

Como se pode aceitar que avaliem docentes pessoas que não têm quaisquer conhecimentos de pedagogia?

Como se pode aceitar que avaliem docentes pessoas que deixam muito a desejar na capacidade de educarem os seus filhos no âmbito do "saber ser"?

Como se pode aceitar que, por decreto, sejam sotados de capacidade avaliativa pessoas que não só não têm habilitações do mesmo nível como, tendo-as, não tenham tido, nunca, qualquer formação na área da avaliação tal como é exigido aos professores?

 

Desenganem-se os políticos portugueses. Já lá vai o tempo em que os professores temiam a avaliação. Haverá, porventura, profissionais portugueses que sejam, no seu dia-a-dia de trabalho, mais frequentemente avaliados que os docentes quando estes têm perante si um constante feedback bem visível nos resultados escolares dos seus alunos, mediante a realização de uma avaliação permanente decretada pelo governantes como "contínua e formativa" ? E, se todos reconhecem o valor da máxima popular que diz que "sem ovos não se fazem omoletes" também ninguém se negará a reconhecer que é do estado dos ovos que depende não só o número como a qualidade das omoletes que se podem fazer.

 

Os docentes não têm medo de ser avaliados! E desenganem-se também do ataque que fazem aos professores por recusarem ser avaliados pelos pais. É com eles que sempre trabalharam e trabalham no dia-a_dia, mantendo com a sua grande maioria (ou mesmo quase totalidade!) relações de simpatia e cordialidade... Não há qualquer animosidade por parte dos professores contra "os pais"! É que uma grande maioria dos professores também são pais. E têm consciência de que ser pai não é impeditivo da qualidade de avaliador! No entanto, ter sido pai e apenas ter sido pai não pode nunca ser aceite por profissionais da educação como critério suficiente para avaliar quem quer que seja. Por isso, o que os docentes exigem é ser avaliados por profissionais. Não profissionais que sabem dizer mas por profissionais que sabem fazer.

Que significa isto? Simplesmente que os docentes têm o direito de exigir uma avaliação por profissionais qualificados. Não apenas que tenham dado provas mas que sejam capazes de dar provas de num mesmo contexto, com os mesmos recursos, nas mesmas circunstâncias, serem capazes de fazer melhor! É que, dizer como se faz é fácil... decretar é fácil... fazer é que é difícil! E, milagres, segundo consta, são poucos por esse país abaixo e nem todos acreditam neles!

E isto vê-se « in loco »! Pessoas que se coloquem na sala de aula, frente à turma concreta em que determinado docente lecciona! Ora, se perante a incapacidade do docente fazer esses alunos aprenderem determinadas matérias, o avaliador provar que é capaz, então ai sim! Esse tem legitimidade para fazer a avaliação do docente em causa! Agora, teorias… deixem-se disso! Avaliar por avaliar… de nada serve! O que interessa é passar a tirar proveito da forma como se avalia! Para gastar apenas mais dinheiro aos contribuintes? « Não, Obrigado! ». Se formos sérios depressa vemos que esta acção apenas visa desestabilizar!

 

Que aconteceria se, após a carta de condução, os condutores tivessem que ser avaliados pelos automobilistas que usam também e com eles a mesma via pública? Seria uma autêntica guerra! Não! Muito embora eu possa ver um condutor fazer uma grande asneira, apenas me limito a desviar-me e nunca poderei interferir dizendo que é incompetente e como tal deve ser penalizado! Nesta matéria, são os polícias e guardas que têm autoridade!

 

Em matéria de conhecimento curricular das escolas, são os docentes aqueles que têm competência para avaliar os seus alunos! O que nem sempre é reconhecido apesar de estarem credenciados pelas universidades para o fazerem! Já imaginaram colocar um médico a dar consultas a doentes durante uma semana perante um júri, depois de ter conseguido passar o calvário que o levou à certificação das suas competências e à consequente obtenção do diploma? Era o descrédito de todo um sistema de ensino universitário que ficaria em causa... Com os professores passa-se o mesmo! Então porque se quer agora colocar em causa as suas competências avaliadas pelas mesmas universidades? E os engenheiros? E os advogados?

 

Os professores apenas podem aceitar ser avaliados por um grupo de profissionais do mesmo ramo que tenham dado provas de competência profissional em ambientes de trabalho e que, nas mesmas circunstâncias e com os mesmos recursos, demonstrem serem capazes de fazer melhor!

 

De outro modo, deixemo-nos de tretas... Em qualquer profissão é sempre mais fácil ser-se um profissional com bons resultados quando a matéria-prima é de primeira qualidade! Porém, os alunos não são tijolos! A matéria-prima com que trabalham os professores é a pessoa humana, única e sem paridade.

Um alerta aos caríssimos colegas profissionais que se pensam os melhores de todos porque as vossas escolas são as primeiras do Ranking... Cuidado com a vaidade e a auto-estima exagerada e injustificada! A defenderem uma filosofia de pagamento de vencimentos conforme os resultados dos alunos, preparem-se! É que o Governo pode ter a coragem de obrigar os professores das melhores escolas do ranking a demonstrarem as suas competências, no ano lectivo imediatamente seguinte, precisamente na escola antípoda da posição obtida por aquela em que se encontram a exercer actualmente, isto é, os docentes das escolas do ranking, vão exercer funções nas últimas... E, de professores bestiais, dos melhores do mundo, vamos todos rir-nos quando descobrirmos que é o consultório do vosso psiquiatra que estará "à pinha" de gente e que estais entre os seus clientes...

 

Senhores governantes... Deixem-se de tretas e tratem da governação dos verdadeiros problemas do país: falta de emprego, falta de habitação condigna, falta de segurança social, falta de... tudo! A ânsia dos governantes em avaliarem os professores a todo o custo e sem quaisquer critérios de justiça e equidade, está a colocar o estatuto dos professores pelas ruas da amargura. E são os médicos (sobretudo os psiquiatras!) que se ficam a rir, com os consultórios ainda mais cheios de docentes! E a Segurança Social não tarda na banca rota pois como vai suportar o pagamento de vencimentos a tanta gente à beira da loucura?... Mais, a continuar neste processo de desgaste e desmoralização das tropas não ganhará nenhuma batalha, e, muito menos a guerra! Lembrem-se sempre, "os ministros passam... os professores ficam"! Em vez de se preocuparem com o sucesso dos alunos os professores preocupar-se-ão em agradar a quem os vai avaliar! Seria um descalabro!

Na verdade, antes de chegar a ser professores, os docentes foram alunos e foram sistemática e criteriosamente avaliados, anos e anos a fio, submetendo-se durante quase 20 anos a avaliação de profissionais competentes nas diversas áreas! E nunca o Estado se lembrou de gratificar no salário aqueles que saíram melhor classificados! E adivinha-se bem por que motivo…

Avaliar não pode ser uma questão de treta! Os professores trabalham com pessoas... e não com tijolos! Avaliar o trabalho como bom ou mau implica ser capaz de fazer melhor num mesmo contexto, num mesma situação! Não queiram que um piloto tenha um mesmo lugar no campeonato de rally quer ele conduza um BMW quer ele conduza um Twingo!

A fim de atingir os seus objectivos — a destruição total do Sistema Educativo, única forma que encontra de deixar de serem desenvolvidos cérebros no nosso país e assim se perpetuarem no poder — os governantes portugueses não se cansam de atingir a dignidade dos profissionais de educação.

No ataque que faz a tudo e a todos, contra a filosofia e demagogia que usou para alcançar o poder, Sócrates e seus ministros beneficiam de de uma situação em que "a Oposição" se encontra anestesiada, parecendo incapaz de se recompor do desaire eleitoral das legislativas. Só assim se pode compreender que, perante o ataque do governo de Sócrates ao Sistema Educativo, o mais forte partido da Oposição (co-responsável juntamente com o partido que agora se encontra no governo pelas políticas educativas dos últimos anos e pelos caminhos trilhados na Educação) continua sentado nas bancadas da Assembleia da República sem uma tomada de posição clara e forte contra os mais indignos ataques aos docentes feitos por este governo, na defesa dos profissionais que se limitaram a seguir as orientações dos governantes que mudam como quem muda de camisa.

Esta Oposição adoptas uma postura inerte, procurando algo que justifique a sua existência, parece sofrer dos efeitos de uma anestesia crítica. Parece pois, ter chegado a uma das situações críticas que põem em causa a sua existência e a que o sociólogo francês, Emile Durkheim, chamaria de estado anómico. Com efeito, não encontra meios de recompor-se e por isso pouco ou nada faz para impedir que o actual governo defira golpes brutais naquilo que anteriores Ministros dos governos PS e PSD haviam tido como os melhores caminhos para a melhoria do Sistema Educativo. Ora, se anteriormente ainda havia na classe docente uma motivação para a mudança, um empenho dos professores que desempenhavam as suas funções com entusiasmo e profissionalismo, este governo aniquilou de uma assentada, não apenas o respeito que era devido aos professores como a sua imagem na opinião pública.

Esperava-se da "Oposição" a luta pela melhoria da qualidade da Educação de um país, desempenhando um papel fundamental na crítica cerrada à postura aniquiladora da dignidade da profissão docente que este governo está a levar a efeito com medidas legislativas e verdades fabricadas na comunicação social.

Uma classe que deveria ser estimada por todos pois é com ela (e não contra ela!) que se constrói a estabilidade necessária ao desenvolvimento de um trabalho pedagógico de qualidade que possa conduzir a uma futuro mais promissor para os nossos jovens, e consequentemente, o avanço de um país!

 

Creio que já seria bem chegada a hora de os nossos governantes reflectirem sobre a afirmação de Claude Charbol, escritor francês: "A estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência. A inteligência tem limites; a estupidez não."

Mas como falar em estupidez não pode deixar de fazer lembrar as afirmações de certos políticos que no Portugal Moderno chegaram às cadeiras do poder, esta máxima faz ainda mais sentido se, associada a ela se lançar uma questão a que, por certo, muitos gostariam ter resposta: 

Se a estupidez pagasse imposto, Quanto receberiam os governantes?

 

 

publicado por J.Ferreira às 01:39

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Ranking das Escolas? Os Alunos Não São Tijolos!

 

Hoje em dia a nobre missão de um educador é cada vez mais difícil. As fontes de aprendizagem dos jovens são cada vez mais diversificadas. Desde o livro à revista passando pela televisão, o cinema e a internet, as oportunidades de aprendizagem que são oferecidas aos alunos são de tal modo diversificadas e atraentes que se torna cada vez mais difícil a uma Escola equipada para servir no passado competir com recursos tão potentes fundados nas tecnologias do futuro.

Ao quadro negro (ou verde ) e giz branco (ou de cor que mal se realça) e voz única (do professor na sala) da "Escola Oficial", o mundo empresarial da comunicação que domina a "Escola Paralela" responde  com a tecnologia digital, suportes multimédia e hipermédia, vozes e sons tratados por estúdios sofisticadamente preparados para criar estímulos constantes e impossíveis de se tornarem alheios ao interlocutor, apresentando a aprendizagem lúdica (pela televisão, consolas de jogos, e outros media) como uma forma mais aliciante de aprender.

A "Escola Social" onde os valores eram adquiridos (trabalhados, construídos...) deixa de ser uma referência pois as crianças passam o seu tempo na escola. As relações interpessoais são reduzidas à relação com o interlocutor desconhecido que lhe vai dando prémios (reforços de pontos, "vidas" dos personagens...) ou castigos (retirando pontos, energia, "vidas").

De facto, não tenhamos ilusões. Os jogos reproduzem mais fielmente o que se passa na sociedade que a Escola. Os jogos punem os que não são capazes. Simplesmente diferem porque fornecem alternativas (níveis mais baixos ou mais elevados) sem qualquer relação com o desenvolvimento normal ou natural das competências do jogador. Respeita o ritmo de investimento na aprendizagem e no desenvolvimento de competências de cada a indivíduo, poderíamos mesmo dizer, a ambição dos jogadores. Cada jogador escolhe o nível que deseja e lá vai sendo herói à sua medida... Em contrapartida, a escola define um currículo para uma determinada faixa etária e tenta que todos acompanhem os conteúdos desse programa, falando politicamente correcto, que desenvolvam as mesmas competências para que se preparem para a vida em sociedade, para competir arduamente num mercado de trabalho com ofertas de emprego cada vez mais reduzidas.

E como respondem os governantes responsáveis pela definição das políticas educativas (quanto se gasta, o que se gasta, onde se gasta, com quem se gasta...) a esta realidade? Como podem os professores em escolas equipadas para o passado, sem uma autonomia verdadeira a que a financeira não pode ficar alheia, competir com os jogos multimédia que atraem a atenção que nem ousam pestanejar?

Que fazem os governantes para eliminar, na essência, a causa dos problemas do insucesso que vai atingindo um cada vez maior número de jovens? Nada. Absolutamente nada de construtivo. De facto, nos últimos dez anos assistimos a uma incessante tentativa de encontrar  soluções aparentemente miraculosas, soluções "do tipo penso rápido", que não curam a ferida, não resolvem absolutamente nada, mas que,  "ocultando o ferimento" servem politicamente os intuitos de quem governa.

Entretanto, a ferida vai gangrenando e vai-se alastrando... Quem vier governar a seguir que se amanhe. E os que no futuro tomarem as rédeas do poder que se amanhem? E, quando chegam, que fazem? O mesmo. Ou pior. Numa certeza de que não se pouparão a esforços para culpabilizar terceiros, apontando o dedo aos professores e pois é necessário, como sempre e à boa maneira portuguesa, encontrar um bode expiatório para o insucesso das politicas governamentais.

Qual o jovem que prefere hoje ler a obra “As Vinhas da Ira” ou “O Nome da Rosa” com largas centenas de páginas quando pode ver o filme no cinema. Com o poder do multimédia, recorrendo à imagem, som e movimento, a possibilidade de captar e reter a informação torna-se indiscutivelmente maior. Sendo muito mais fácil e exigindo um menor esforço para reter a informação essencial, torna‑se muito mais aliciante e atraente para os jovens assistir a um filme como o recente e famoso Harry Potter  do que ler a obra original escrita pela autora. Sem deixarmos de considerar como igualmente importante o conhecimento do filme, não há qualquer dúvida de que o apelo à imaginação e à criatividade de quem primeiro viu o filme e só depois lê a obra, é muito diferente de quem lê a obra e só depois assiste ao filme.

 

Ora, que escola pode concorrer com estas tecnologias empresariais sofisticadas, que, baseadas no lucro comercial, projectam uma publicidade de tal forma agressiva que é quase impossível resistir?
E, quantos jovens estarão hoje interessados em passar três ou quatro horas a ler um capítulo de uma obra, por mais conhecido que seja o seu autor, quando pode ficar as mesmas horas a “chatear” na internet com um desconhecido autor de verborreia (ou uma desconhecida autora de conversa do tipo “Re-béu-béu... pardais ao ninho!” mais vulgarmente conhecida como “conversa para pategos” que tão bem faz a quem quer entrar na onda do falar nada sem dizer nada, isto é, sem dizer alguma coisa de jeito que não seja enviar meia dúzia de “piropos”, trocar uns “galhardetes”, e concluir com umas tantas “bocas foleiras” dirigidas ao interlocutor (por vezes, na multidão que frequenta o “Netquiosque”, o desconhecido é o vizinho estranho que ali mesmo ao nosso lado “chateia” connosco) a quem tratam por “Pá” (“mas ó pá, tu não te catas, meu... Olha que não sou aquela que tu estás para aí a pensar que eu sou ou gostarias que eu fosse ou achas que deveria ser... E de facto, nunca imaginei sequer vir um dia a ser aquela que tu estás para aí a imaginar que eu sou!), etc...etc... É como aquele programa de televisão conhecido por “conversa da treta”... muito culta, muito interessante até porque tem em si a vantagem de ficar com uma história inédita para tema de conversa com os amigos... E só isso, pois dificilmente seria valorizada como tema de composição na escola...
A proliferação das tecnologias da informação não generalizada às escolas veio demonstrar ainda mais facilmente o anacronismo em que se encontra o ensino, em que a escola não só não acompanha como se encontra descontextualizada da sociedade e dos interesses dos jovens. É difícil motivar para a aquisição de aprendizagens, jovens que não encontram na escola recursos capazes de se sobrepor em termos de motivação, a estas aliciantes conversas "internetárias".
As atitudes e preferências culturais valorizados pela escola (o gosto pela literatura e pelos números, pela biologia ou pela química...) mantêm-se desde há longos anos. Os interesses e motivações que movem a sociedade de onde provêm os alunos que ingressam na escola mudam constantemente. Numa “selva social” a que chamam sociedade onde a concorrência e captação de emprego obedece a regras e valores com os quais a escola não se identifica, é profundamente difícil fazer um jovem acreditar que o seu futuro passa pela escola. Os valores da solidariedade, cidadania, respeito mútuo, igualdade de oportunidades, que se pretende sejam veiculados e desenvolvidos pela escola, não têm correspondência no dia-a-dia da vida em sociedade.
Porém, a frequência da chamada escola paralela, o contacto diário com todos os media que, durante mais tempo e bem mais de perto acompanha o crescimento dos jovens, contribui fortemente para a formação pessoal dos alunos, proporcionando um intercâmbio constante de experiências que contribuem para a construção de valores e para a aquisição de saberes nem sempre valorizados pela sociedade. O fosso existente entre os valores que a sociedade determina ser necessário serem desenvolvidos na escola e os que a criança vive no quotidiano social, junto de seus colegas, companheiros, amigos e até familiares, é suficiente para perceber que a escola dificilmente poderá ser o local onde o sucesso global é um objectivo atingível.
Quando criou a instituição a que hoje chamamos escola, a sociedade considerou ter encontrado a matriz do sucesso. Porém, tudo parece funcionar bem em todos os organismos... só a escola é que funciona mal! Ora, se a escola é também produtora de insucesso, a verdade é que ao criar a escola a sociedade foi extremamente bem sucedida porque encontrou o bode expiatório para os males que ela não é capaz de solucionar. Assim, se alguma coisa na sociedade não se passa da forma mais desejável, lá está a escola para ser o alvo de todos os disparos. Em todas as áreas, a todos os níveis, a escola é responsabilizada. Desde a falta de civismo nas filas à falta de civismo no trânsito, ao problema do álcool ou da droga, tudo começa na escola... como se as crianças vivessem na escola e entrassem para a escola livres de quaisquer “vícios educativos”, como se na vida em sociedade houvesse uma continuidade entre os valores que se pretendem veiculados pela escola e praticados pelos cidadãos.
Por certo ninguém duvidará que, quando se pretende encontrar um emprego não é o sucesso no currículo escolar que determinará quem está m ias em vantagem. O ingresso nas empresas, o acesso a certos cargos e funções é feita muitas vezes através da apresentação do curriculum vitae, de uma entrevista,... onde a amizade e muitas vezes o “compadrio” são a mais‑valia do candidato. Esta realidade, obscura para muitos, inexistente para uns tantos e não reconhecida por outros, apenas confirma a ideia que muitos jovens fazem da vantagem que podem ter em frequentar a escola.
Os resultados escolares dos jovens que frequentam o sistema de ensino até ao 12.º ano de escolaridade, de pouco ou nada servem. E se as classificações de pouco servem, muito menos a assiduidade dos alunos, o seu comportamento social, etc... terão algum peso na decisão da atribuição do emprego a um ou a outro jovem. É caso para se perguntar, seriamente, para que se avalia na escola? A resposta é apenas, para saber quem é que vai passar para o ano seguinte e diferenciar os alunos no acesso à universidade. Ora, se assim é, as escolas não passam de meros entrepostos de selecção de cliente para as universidades, o que é muito triste. Mas é o papel que as práticas da sociedade actual deixaram à escola, ao negligenciar a escola e os seus processos de ensino‑aprendizagem de avaliação.
E esta é uma realidade que não se prende apenas com o sistema escolar do pré-escolar ao ensino secundário: ela estende-se até ao ensino superior. De facto, se ainda se encontram empresas e empresários que recrutam os seus quadros repescando os alunos nas universidades em função dos seus resultados, podem contar-se pelos dedos de uma mão aqueles que conseguem obter um emprego mediante as informações que as empresas ou empresários procurem obter através da escola. Exclui-se, obviamente, o acesso à função pública que, na maioria das vezes, é feito por concurso onde as habilitações (mas não só!) têm um papel preponderante.
A sociedade, governada por uma classe política, independentemente da tendência partidária, não foi capaz de dar resposta a problemas educativos da mais diversa natureza. Com efeito, por oposição ao que se passa na sociedade, o investimento feito na educação está longe de ser comparável ao que a sociedade faz no mundo da informação. Os recursos da escola embora melhorando nos últimos tempos, continuam muito aquém da evolução dos recursos existentes na maioria das famílias. Assim, a escola tornou-se cada vez menos atraente, se não mesmo repelente. Negligenciando o seu papel de preparação para a vida, à escola e aos professores foi exigido que irradiassem os fenómenos importados da sociedade como a violência. Ao insucesso do equipamento das escolas associou—se rapidamente o insucesso escolar.
Além de ser “convidado” a proporcionar a todos uma “igualdade de sucesso escolar”, compete—lhe mais que gerir conflitos na sala ou nos recintos escolares, gerir as tensões sociais importadas pela escola da sociedade de onde provêm os alunos. Para estas crianças e jovens da mais diversificada origem social a escola é chamada a desempenhar mais uma vez o papel que a sociedade não foi capaz de levar a bom porto: amortecer o choque entre os diversos grupos sociais. E a sociedade espera que a escola seja capaz de fazer em meia dúzia de horas por dia, o que em imensas horas a sociedade não é capaz de fazer: esbater a tensão social e o conflito latentes. E a escola tornou-se cada vez mais num depósito de guarda de crianças e jovens.
Quem não se lembra das expressões “escola aberta” e “parcerias” utilizadas na política educativa para validar discursos defensores de uma participação comunitária na educação? No entanto, ao mesmo tempo que no discurso político se fala cada vez mais na “necessidade de abrir a escola à comunidade”, constroem‑se muros (e cada vez mais altos!) para impedir o acesso ao espaço da escola pelos membros da comunidade, colocam-se guardas nos acessos ao recinto... Em nome da segurança, protegendo as instalações e os que as frequentam da invasão da comunidade a que se diz pretender abrir a escola... Ora se a comunidade ama a sua escola, por que será necessário hoje mais do que nunca, vedar o acesso ao espaço comunitário que é a escola? De facto, o que se passa é que, apesar dos discursos políticos de abertura de participação e empenhamento da comunidade, a escola é cada vez mais um espaço de menor participação das comunidades, isolado da realidade social, afastado dos interesses dos cidadãos que nela inscrevem (obrigatoriamente) os seus filhos na expectativa de que dela retirem algum proveito. Mas, o que é indiscutível é que, face à degradação e aos atentados contra o que é um bem da comunidade, bem poderemos dizer que a escola deixou de ser um local amado e respeitado pela comunidade. Ela, tornou‑se num espaço de confronto sócio‑económico e cultural.
Acreditando que “uma mentira muitas vezes repetida se pode transformar numa verdade”, assistimos a um discurso político‑educativo que evidencia a ideia de que as escolas são tão melhores quanto melhores forem os resultados dos alunos que a frequentam, como se fosse uma verdade científica e indiscutível. Num silogismo que apenas demonstra a cegueira intelectual de que sofrem alguns políticos, assiste-se a um aproveitamento político desta ignorante dedução no sentido de passar à avaliação da qualidade do ensino ministrado, e por consequência dos professores, em função da posição ocupada pela escola no ranking. Numa sociedade altamente competitiva, em que a escola é incumbida de desempenhar a função de veicular valores de solidariedade social, de não competitividade a qualquer preço nem a qualquer custo, a mensagem política em relação à escola é contrária a estes propósitos.
A sociedade vive no dia‑a‑dia a competição em diversos níveis: económico, desportivo,... Ora, se os adeptos lidam de forma pouco ou nada civilizada com o insucesso do seu clube de futebol (por vezes, destruindo as bancadas para o que participaram economicamente com a quota de sócio ou o custo do bilhete do jogo), mas no fim se resignam quando a estrutura e recursos do seu clube se não podem comparar à do adversário, o mesmo comportamento não apresentam quanto aos resultados dos seus educandos nas escolas, delas exigindo o sucesso, independentemente das condições e recursos de cada uma delas.
Numa sociedade altamente competitiva em que no discurso político‑educativo a escola deverá proporcionar uma “igualdade de oportunidades de acesso e sucesso escolar”, grande parte dos “clientes” das escolas ainda não encontrou as estratégias de lidar com o menor ou maior sucesso escolar dos seus educandos. Assim se compreende que aceitem e subscrevam facilmente um discurso político que esconde o fraco investimento do estado nas condições de trabalho nas escolas (onde muitas vezes nem dinheiro há para giz ou papel higiénico), e pretende alienar as suas responsabilidades face ao insucesso de muitas escolas, transferindo-o para as escolas e seus professores com um discurso que visa a aceitação social da publicação de um ranking das escolas.

Esta etapa constitui apenas um passo para validar socialmente a avaliação da qualidade profissional dos professores em função dos resultados das escolas. Assim, os professores serão tão melhores, e como tal com direito a um melhor vencimento, quanto melhor for a posição da escola onde lecciona. Ora, tal situação não entra em linha de conta nem com as condições da escola em que se desenvolve o processo de ensino‑aprendizagem, nem com o nível sócio‑económico e cultural de origem dos alunos que frequentam essa escola. Seria, em termos de futebol, como comparar os jogadores de uma equipa da Regional com uma equipa de Primeira Liga. De facto, só num processo de silogismos se pode passar a avaliar os professores pelos resultados escolares dos alunos das diferentes escolas.
A verificar-se esta segregação, assistiremos claramente a uma diminuição do nível sócio-económico e cultural de origem dos alunos que constituem o corpo discente de algumas escolas da periferia urbana já conhecidas como problemáticas. E desencadear‑se‑á uma escalada na procura de escolas de excelência, onde os filhos de alguns cidadãos, mais iguais que os outros, terão indiscutivelmente mais facilitado o acesso à inscrição. Assim, teremos a capitalocracia a invadir as escolas: um rico interessado em inscrever o seu filho numa determinada escola, tendo várias casas espalhadas pela cidade, bastar‑lhe‑á apresentar o recibo da electricidade da casa da área geográfica onde se situa a escola, para inscrever o filho na escola de "excelência". E se na área onde pretender inscrever o filho não tiver lá um apartamento, não terá grandes dificuldades em adquirir outro ali mesmo ao lado. Por oposição, a um pobre e assalariado com casa arrendada, não restará senão inscrever o seu filho na escola da área, independentemente da sua situação no ranking sendo que os recursos físicos, tecnológicos, e demais factores determinantes do sucesso em que se desenvolve o processo de ensino‑aprendizagem não serão, nem de longe nem de perto, comparáveis às da primeira linha do ranking de escolas.

O Ranking das Escolas não tem qualquer suporte pedagógico que o sustente, nem encerra em si qualquer valor de justiça comparativa quer em termos de desempenho dos alunos quer do profissionalismo dos professores. De facto, o Ranking é um dado objectivo que compara o incomparável. As condições de exercício da função docente e de aprendizagem são diferentes de escola para escola.

Desde o tipo de mesas e cadeiras às condições de climatização da sala de aula, passando pelos espaços de lazer e recreio da escola, tudo é diferente: umas têm mesas adaptadas à estatura dos alunos, outras também não!; umas têm cadeiras que permitem aos alunos apoiar os pés no chão, outras também não!; umas têm armários para guardar trabalhos dos alunos, outras também não!; umas têm painéis de parede onde afixar trabalhos realizados pelos alunos, outras também não!; umas têm projectores de transparências, vídeo e televisão para aproveitamento pedagógico dos audiovisuais, outras também não!; umas têm cantina escolar, outras também não!; umas têm aquecimento e balneários de água quente, outras também não!; umas têm espaços amplos de lazer para as crianças ocuparem o seu tempo de recreio, outras também não!; umas têm recreios cobertos para os dias de chuva, outras também não!...

Enfim, o rol de diferenças seria interminável... Ora, se a isto acrescentarmos a diferença inerente ao meio sócio‑económico e cultural onde a escola se encontra inserida, então, a igualdade de oportunidades não passa de uma mera retórica.

Se a isto acrescentarmos os diferentes equipamentos da sala de aula, sejam eles os tradicionais quadros negros ou bibliotecas, salas de música, salas de computadores, salas de educação física, etc... a desigualdade de condições de aprendizagem agrava-se manifestamente: desde salas onde a luz é manifestamente insuficiente, às salas onde a intensidade da luz não pode ser reduzida, desde quadros negros (ou verdes) em bom estado ou onde dificilmente se consegue escrever a quadros que, devido ao efeito de reflexo da luz, se torna impossível para os alunos ler uma linha que seja.

Assim, o efeito de uma criação de rankings não conduzirá, de modo algum, à efectivação do direito que todas as crianças e jovens em idade escolar têm a uma “igualdade de acesso e sucesso escolar”, plasmada na Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE). E terá também um efeito contrário nos profissionais que se empenham ao verem que, avaliados elos resultados escolares dos seus alunos, o seu esforço e investimento foi em vão... Se o trabalho de dois profissionais do tijolo pode ser comparado em termos de rendimento de colocação de tijolo num muro por hora, o rendimento (produção) conseguido pelo melhor profissional da empresa ficará, indiscutivelmente, muito aquém do rendimento do profissional médio se àquele lhe entregarem os tijolos chumbados de água e lhe fornecerem a argamassa num estado líquido tal que torne impossível que duas fiadas de tijolo se segurem sem que o muro se incline e tombe, e a este último lhe entregarem não só o tijolo bem seco como uma argamassa pastosa, isto é, no ponto certo para que o muro possa ser levantado sem quaisquer riscos de cair.
A criação de um sistema de avaliação dos docentes baseado nos resultados dos alunos e das escolas deixa transparecer que uma profunda contradição. Com efeito, os políticos actuais, acérrimos defensores da personalização do ensino e da sociedade, afirmam que “os portugueses não são números” mas depressa se esquecem desta sua máxima e pretendem fazer crer queos alunos são tijolos”. Ora, se é aceitável que dois funcionários de uma empresa a quem sejam proporcionadas matérias-primas e ferramentas de trabalho de igual qualidade sejam avaliados pelos seus resultados ou produtos, o mesmo se não passa com o ensino. Por isso, talvez tenha chegado a altura de os professores defenderem como máxima pedagógica não apenas que “os portugueses não são números” mas sobretudo que “os alunos não são tijolos!”.

De facto, contrariamente a uma empresa de construção civil, a construção de conhecimentos não poderá ser nunca colocada na linha da produtividade pois não há dois alunos iguais... Assim, numa sala de aula que conglomera alunos com proveniência em grupos sócio‑profissionais em que a cultura escolar seja desvalorizada, os índices de aproveitamento não podem ser comparados com as de uma escola onde os alunos sejam oriundos de grupos sócio-profissionais em que a cultura escolar seja valorizada. Assim, se podemos considerar correcta a avaliação da qualidade de um profissional do tijolo pelo número de tijolos colocados desde que lhe sejam proporcionadas as mesmas condições que a um outro, avaliar um professor pela comparação dos resultados obtidos com crianças tão diferentes, seria o mesmo que avaliar a qualidade do trabalho de um médico pelo índices de recuperação da saúde dos seus doentes nem a qualidade de um deputado pelo número de diplomas propostos e aprovados no parlamento...
Os professores já se foram habituando à ideia de que a escola é a culpada de todos os males da sociedade. A sociedade espera que a escola seja capaz de se tornar na “água benta” que limpa a juventude de todos os males. Por isso, aos professores são feitas cada vez mais e mais exigências. Que mais se poderia pedir?

Será que se avizinha o dia em que os professores serão culpabilizados pelo insucesso dos clubes de futebol? Parece já ter faltado mais… E, se ainda não o fizeram, foi porque têm outros bodes expiatórios (os árbitros, os treinadores e os presidentes dos clubes) para pagarem essa factura... No entanto, e, para sorte dos jogadores, há treinadores que assumem a sua responsabilidade, demitindo-se quando os resultados não são os esperados com a sua estratégia! Pena que os sucessivos Ministros (e demais responsáveis pela pasta da educação) que decidiram experimentar estratégias que levaram a Educação ao estado actual, não apresentem o mesmo nível de dignidade desses tais treinadores de futebol. Claro que é bem mais fácil fazer demagogia e, cobardemente, transformar os professores no bode expiatório dos males da Educação.
O "Estado da Educação" em Portugal é, à semelhança do anúncio que antecede o tempo de antena destinado aos partidos políticos, da exclusiva responsabilidade dos Partidos Governamentais Intervenientes nas políticas governativas. Sim, dos políticos e dos partidos que fizeram parte do Governos nos últimos dez anos e que passaram os seus mandatos a lançar sistematicamente novas ideias e novas experiências para o terreno, quantas delas copiadas de outros países sem suporte nem fundamento, fazendo dos alunos cobaias (numa escola transformada em autêntico laboratório) e dos professores cientistas forçados (porque não se podem negar a implementar as ordens superiores, muito menos quando são oriundas do Governo), para implementar medidas e soluções que na prática nada trariam de benéfico para as escolas e o sucesso dos alunos.

Nota: Texto publicado em 2003 na revista "O Docente", e republicado neste blog em 26 de Fevereiro de 2007

 

música: http://www.youtube.com/watch?v=ePJCgvtUJCI
publicado por J.Ferreira às 00:10

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

"Grito do Ipiranga" na Educação

Professores! Independência Sim... Autonomia Não!
Urge dar o "Grito do Ipiranga"... Já e Agora!
Amanhã... será muito tarde...!

É urgente dar às escolas autonomia para que tenham tempo para se preocuparem com a forma como hão-de conduzir os seus alunos a um cada vez maior e melhor sucesso nas aprendizagens.

É urgente parar de prescrever receitas (Objectivos, de Projecto‑Escola, de Projectos Curriculares de Escola, Projectos Curriculares de Turma, de Estudo Acompanhado, de Competências, bem como tantas outras que num golpe de 180 graus, desaparecem de um dia para o outro), ou corremos o risco de cada vez mais professores, se verem forçados a colocar a cabeça nos consultórios dos psiquiatras.

É urgente que os professores se preparem para dar na Educação o “Grito do Ipiranga”. Ou, no mínimo, seguir o exemplo dos Timorenses que, recusando a falsa autonomia que os indonésios lhe pretendiam impor, defenderam a sua independência.

 

Na verdade, como se poderá exigir que a escola seja tão eficiente como uma empresa (de futebol, por exemplo) quando as regras não são as mesmas para os dois intervenientes? Na sociedade, o valor do produto das empresas (bens), tal como os recursos materiais ou humanos (como os jogadores) revertem a favor da empresa. Os recursos formados pela escola (cheguem eles a ministros, a gestores, ou a reconhecidos investigadores, ... ) nunca revertem para as escolas: antes, revertem para o Estado (impostos pagos pelos profissionais que frequentaram e se formaram nas mais diversas escolas do país!) e não para a escola que os formou!

A escola é assim, uma empresa descapitalizada. Não há dinheiro para investir nas melhores condições de exercício profissional dos docentes de aprendizagem dos discentes, mas fala-se já na colocação de gestores profissionais (com ordenados chorudos mas que não chocam políticos a eles habituados) para gerirem o vazio financeiro que é o orçamento das escolas.

 

É necessário e urgente que as escolas saibam com que recursos financeiros contam para que possam elaborar e desenvolver os seus projectos educativos com as comunidades onde a formação dos alunos e jovens (futuro inequívoco de um país) tem de ser o objectivo primordial. Sem um valor por aluno associado a um valor por estabelecimento (tendo em conta a sua dimensão) não é possível ter uma verdadeira autonomia. 

A Escola tornou-se num palco de acção sem realizador. A educação andou durante muitos anos a ser governada por políticos de diferentes tendências que legislaram dersenfreadamente sobre todos os âmbitos da educação. Afinal, os políticos consideram-se como os iluminados que percebem de tudo, são especialistas de tudo... mas a verdade é que falham num dos problemas essenciais: entendem muito pouico sobre o que é viver na escola porque, ou nunca lá viveram como vivem os professores que fazem da educação a sua vida, que fazem da educação uma carreira vital. 

E, como se não bastasse, passados anos das más políticas que empreendem como se fossem a panaceia para todos os males das escolas, lá vêm os mesmos políticos (do mesmo ou de outro partido) concluir que o sistema educativo se degradou, que a educação está num beco sem saída, em suma, que tudo que foi feito foi errado. E querem voltar a ser eles a mudar tudo, para que tudo continue na mesma e a precisar que deles nasçam novas ideias...  Ora, quem faz parte do problema nunca pode integrar, quanto a nós, a solução.

Os professores estão cansados. Basta de mudanças, de reformas.

Por isso, advogamos que o Ministério da Educação deve ser implodido dando lugar a uma organização que seja constituída por individualidades que tenham dado provas de ligação e empenho pela causa educativa e não por indivíduos dotados de discursos sobre as práticas dos outros pois que nunca, ou durante pouco tempo exerceram, a função docente.

Os governos são conjunturais. Mas a educação não é uma conjuntura e os seus resultados não são nunca visíveis senão a longo prazo. Por isso, nenhuma reforma chegará a ser verdadeiramente implementada como foi pensada enquanto, com a mudança dos governos, for possível alterar pela legislação, todo o rumo traçado aquando da reforma. As chamadas “alterações pontuais” destinadas a corrigir “pequenos desvios” são muitas vezes novas reforma pois, determinam muito mais o rumo da Reforma que o quadro legal inicialmente produzido para introduzir a Reforma.

Seria uma prova de maturidade política que os políticos deixassem a educação seguir os seus caminhos sem que andassem a mudar de rumo ao sabor das sondagens (ora prometendo, ora acabando com os exames...).

O Ministério da educação deveria navegar além partidos. Seria bom que os políticos tivessem a dignidade de legislar no sentido de possibilitar ao Ministério da Educação ser governado por quem lá passou a maior parte do tempo útil da sua vida, pessoas que se interessam pelo ensino mas que tenham dado provas de cabal exercício da função docente, que realmente sintam na pele e vivem o fracasso e insucesso da Educação como o seu próprio insucesso.

Não tenhamos dúvidas.... Está na hora dos políticos entregarem o governo da Educação do país a um grupo de indivíduos, apartidário ou despartidarizado, proveniente dos mais diversos quadrantes mas que tenham um só elo comum: destacarem se por terem dado provas de exercício cabal da sua função docente enquanto profissionais de educação.

Uma vez eleitos para mandatos legitimados pelos votos de quem lá exerce funções e de quem tem interesses legítimos na sua eficácia (pais e encarregados de educação), isto é, todos aqueles que vivem na escola e/ou para a escola, por quem faz da escola a sua vida, teríamos por certo uma maior eficácia, pertinência, e consequentemente, durabilidade dos normativos. E uma maior identificação entre os governantes da escola e os governados. Pais, Professores e Alunos, escolheriam quem conduziria os destinos da sua educação e da educação do seu país.

Podem questionar: Mas isto não é democracia... Então, perguntamos: "O que é a democracia"? Mudar constantemente de rumo do Barco?

Que ninguém duvide um segundo tão-pouco: se houvesse mudança de timoneiro nos navios com a frequência com que mudam os governantes, nunca Pedro Álvares Cabral teria chegado ao Brasil, nem Vasco da Gama teria chegado à Índia...

É urgente parar de reformar (brincar às reformas como se fosse ao faz-de-conta...).

É urgente estabilizar o processo educativo e as condições de desempenho dos professores!

Sem uma estabilidade e independência financeira, nunca será legítimo responsabilizar as escolas e muito menos os seus trabalhadores pelas derrotas no campeonato da Educação. Afinal, nem sempre são os clubes com os mais altos orçamentos a conseguirem o campeonato ou até a Taça de Portugal. Da mesma forma, nunca ninguém pensou em exigir que um Clube de Terceira Divisão seja Campeão Nacional, se nem joga na Primeira Liga. E, muito menos, que o seu presidente exija ao treinador que seja conquiste a Taça de Portugal se o seu orçamento não lhe permite ambicionar tal...

Pois bem. Creio que fica claro que, enquanto forem os políticos a decidir e determinar os destinos da educação, nunca encontraremos o rumo que necessitamos para chegar ao objectivo perseguido que é a melhorar dos níveis de educação dos cidadãos. E, culpabilizar os docentes pelos males causados pelos outros (políticos, essencialmente) apenas servirá para desmotivar ainda mais os profissionais que se encontram cansados de tentar remendar o que outros rasgaram.

publicado por J.Ferreira às 23:56

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