Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

13 Fevereiro 2007

Uma Lição de Vida... Pela Vida... Para a Vida.
2007-02-13

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Um claro “SIM” de Todos à Vida - Mulher Portuguesa Conquista a sua Liberdade!

Uma Lição de Vida... e para a Vida.

Portugal foi vanguardista a acabar com a escravatura. No entanto, foi preciso esperar pelo século XXI (dia 11 de Fevereiro de 2006), para que a população portuguesa aceitasse e dissesse “SIM” ao “Direito da Mulher Decidir Sobre o Seu Corpo” , que é o mesmo que dizer, “Sim à Igualdade da Mulher Portuguesa face à Mulher Europeia.

Ainda há dois dias podíamos ler no sítio que:
“Em Portugal são praticados, pelo menos, 20.000 abortos ilegais por ano. Em resultado de complicações resultantes desses abortos ilegais, todos os anos cerca de 5.000 mulheres são atendidas em hospitais e, nos últimos 20 anos, morreram cerca de 100 mulheres desnecessariamente (dados do Ministério da saúde, APF). Isto significa que em Portugal uma mulher tem um risco de morrer em resultado de um aborto 150 vezes superior ao de uma mulher que viva nos Países Baixos”.
“Como resultado das leis restritivas acerca do aborto em Portugal muitas mulheres viajam para Espanha. Mas um elevado número de mulheres não pode suportar as despesas de uma ida a Espanha ou a realização de um aborto ilegal em Portugal. São essencialmente as mulheres que não têm meios para um aborto medicamente assistido e seguro que irão recorrer a práticas abortivas não seguras com pouco apoio emocional - mulheres pobres, menores de idade, com menos acesso à informação e residentes em áreas rurais.”


Até ao momento, os governantes esconderam-se por detrás de argumentos que mais não traduziam senão uma falta de coragem em legislar... A partir da resposta dada no referendo, já não têm legitimidade para continuarem sem legislar sobre esta matéria. Afinal, mesmo sem que se tivesse atingido os 50% de eleitores a participar neste referendo, a verdade é que, todos tiveram a oportunidade de manifestar a sua vontade. E os que não votaram foi porque não quiseram (ou não puderam pelos mais diversos motivos aceitáveis em democracia) e não porque foram impedidos pela lei.
Porém, sem que haja qualquer necessidade de fazer uma investigação científica atrevemo-nos a afirmar que, uma maioria, dos que não foram votar, se absteve porque não sentia que esta questão lhes dissesse directamente respeito , às suas vidas presentes ou futuras. Ou porque tanto lhes fazia uma como outra resposta social à questão em análise ou, simplesmente, porque estavam de acordo com a ideia de que “se tratava de uma questão de consciência” pelo que não estariam interessados em impor as suas consciências (por muito boas que as considerassem!) aos demais cidadãos .

Mas, se esta última era a verdadeira razão para optarem pela abstenção, deveriam também eles ter ido votar SIM. Se a maioria tivesse marcado presença neste referendo, o seu resultado seria vinculativo.
Como a afluência às urnas ficou aquém dos 50%, o resultado do Referendo não se torna vinculativo. Perdemos a oportunidade de lançar “a primeira pedra” para fundar uma das democracias mais avançadas da Europa e, até, do Mundo. Isto porque, teríamos feito nascer "A Primeira Lei Verdadeiramente Democrática", fundada num Voto Directo da População.
Portugal perdeu, pois, a oportunidade de ser, uma vez mais, pioneiro e de dar um exemplo para o Mundo tal como o foi quando o Infante D. Henrique partiu à Descoberta do Mundo. Uma Nova forma de Democracia poderia ter nascido mas, da facto, apesar de parecer dar passos para nascer…, de facto, abortou… naturalmente!

Esperava-se este resultado... A participação medida pela afluência às urnas tem vindo a baixar cada vez mais. O descrédito a que a população chegou face ao voto democrático sempre associado à mudança de cadeiras no poder, leva a que a participação seja cada vez menor. Aos governantes portugueses – que decidiram submeter a referendo esta questão num momento em que a população portuguesa parece estar ainda mal preparada para o exercício de uma democracia plena – não lhes resta outra alternativa, senão decidir e alterar a lei existente, demonstrando agora uma coragem que antes não tiveram…

Uma democracia avançada é aquela que permite aos cidadãos a possibilidade de “legislar” directamente votando cada lei. Aos parlamentares pertenceria o direito e dever de apresentar propostas e de as discutir defendendo cada um os seus pontos de vista e não o do chefe... Muitas vezes, nem é a ideia do chefe a melhor... mas é a do chefe que prevalece...! A população deveria ter a última palavra. Esta seria a verdadeira democracia... Sonho? talvez... realidade...? Só daqui a décadas... séculos... quiça...!
E isto, é realmente possível por meio electrónico, com garantias de confidencialidade do voto de cada um, tal como se faz quando pagamos o que quer que seja pelo Multibanco.

Existe um distanciamento cada vez maior entre eleitores e eleitos, entre (des?)governados e (des?)governantes... Quem trabalha longe do local de recenseamento, a deslocação para apenas votar torna-se muito dispendiosa... São muitos quilómetros para apenas efectuar um gesto que poderia ser feito à distância, sem "chapeladas"...
Não se compreende porque continua a ser, na era tecnológica, tão arcaico e tão dispendioso para os cofres de um Estado . E como o Estado somos todos nós, enquanto cidadãos e contribuintes que garantem tão elevada despesa cada vez que há uma qualquer eleição ou referendo, todos pouparíamos uns milhares com todo este processo.

Ter de deslocar-se dezenas de quilómetros... para deixar o seu voto é importante mas insustentável do ponto de vista financeiro de muitas famílias na medida em que num país que mais precisava de estabilidade, as eleições se sucedem a um ritmo alucinante.
Mas isto exige uma democracia verdadeiramente avançada e pode não interessar a muitos... Que esperamos para sermos nós a decidir se queremos ou não avançar com a OTA e o TGV, em deterimento das maternidades e escolas que fecham ? O problema é que, se assim pretendessem formar a sociedade, tereiam os governantes de apostar mais forte na Educação (admitindo mais professores, construindo melhjores equipamentos educativos...) e não na repressão (admitindo mais polícias e construindo cadeias...).

A lei criminal sempre coube ao Parlamento. E, se esta era uma questão que ultrapasava o foro da Assembleia da República por se tratar de “Uma Questão de Consciência” apenas havia que retirar esta problemática do âmbito do foro da Lei Criminal , ou, por que não, que a problemática em causa (questão de consciência , tal como a religião...) não constasse de qualquer lei.

“No tempo da outra senhora” havia crucifixos em todas as escolas e muitos -- se não mesmo todos os alunos ! -- eram obrigados a rezar ao entrar e sair da escola... Rezar era uma questão que interferia coma liberdade de consciência e confissão religiosa.
Numa campanha destinada a demonstrar que chefiava um governo vanguardista, o Governo de José Sócrates teve coragem para ordenar que fossem retirados os crucifixos que ainda existiam em muitas das escolas portuguesas.
Para essa decisão, independentemente de até ao momento nunca tenha sido organizada qualquer manifestação a reivindicar que tal fosse feito, o Governo demonstrou ter coragem e não teve em conta se estavam ou não a mexer com a consciência e convicção religiosa de muitos cidadãos.

Nunca tinha havido qualquer manifestação por parte daqueles que frequentam a escola para que tivesse tomado tal medida... mas tomou-a. A coragem do governo parecia querer “prevalecer sobre” ou “independentemente de” qualquer vontade dos indivíduos.
Mas, sabendo-se que muitos dos que estavam colocados algures nas nas escolas --normalmente nas paredes das salas de aula -- eram autênticas obras de arte, ficou sem se compreender por que motivo foram retirados todos e em todas as escolas, mesmo naquelas onde os que a frequentam - professores e alunos – nunca se sentiram incomodados com tal. Tudo nos leva a crer que foram retirados simplesmente porque interferiam com liberdade de religião de cada cidadão... Em suma, eram uma questão de consciência...
E comentaram esta medida na comunicação social como sendo uma atitude de um “Governo de Coragem”... Até poderia ficar na história como tal... Mas, o certo é que, quando tovcou numa questão que estava abrangida pela lei criminal, essa coragem... fugiu. E, mesmo com maioria absoluta no Parlamento, escondeu-se por detrás da “Questão de Consciência” para não decidir alterar a lei. Medo de quê? A isto apenas Sócrates poderá responder...

E, neste Portugal em que os governantes não se cansam de dizer que o país está “de tanga” (ou mesmo “sem tanga”!) lá tivemos um Governo que gastou mais uns milhões num Referendo , o que não deixa de ser um desperdício financeiro para Portugal pois o resultado do Referendo não foi vinculativo e agora terá que mostrar que tem coragem...
Mas um governo de coragem decide “lavar as mãos como Pilatos” e decide consultar a população. Mas não o fez noutras matérias, nomeadamente para extinguir ou fechar maternidades (estes sim, que necessários a um apoio real às mulheres que pretendem gerar vidas, meio indiscutivelmente fundamental para combater aborto involuntário de tantas mulheres que, submetidas agora a deslocações longas para consultas e exames de rotina pré-natais, acabam por abortar...)...

Agora, apareceram uns quantos movimentos para dar nas vistas arrogando-se de serem os verdadeiros defensores da Vida. Talvez alguns o tenham feito apenas “para dar nas vistas” e libertar a sua consciência… É que na hora da verdade, quando o governo decidiu encerrar as maternidades reduzindo e piorando severamente as condições de assistência às mulheres durante a gravidez bem como o apoio ao acompanhamento do desenvolvimento dos bebés, retirando o direito a ter uma assistência adequada no nascimento com fortes perigos para a vida de tantos e tantos bebés (e das suas mães). Diziam-se contra a despenalização da mulher que se sente forçada a efectuar um aborto, apresentando-se como defensores a vida… Por onde andavam tantos destes senhores que se movimentaram agora contra a alteração da Lei quando o governo decidiu fechar as maternidades?

Felizmente que a resposta da população é clara. Pode não ter havido muita participação mas é clara… por isso, depois da falta de coragem demonstrada em legislar sobre a questão da interrupção voluntária de gravidez, espera-se que agora seja tão expedito a legislar para levantar o peso da “guilhotina” que pende sobre a “vida” das mulheres...
A partir de agora, quanto mais tarde o Governo decidir alterar a lei, mais tarde a mulher se libertar do peso da injustiça que recai sobre a mulher.

Os portugueses deram, pois, uma lição a quem tem dúvidas quanto à sua concepção da vida. A mentalidade é uma estrutura que leva muito tempo a evoluir. Porém, os governantes têm a obrigação de andar na frente… pelo menos uns 10 anos face ao povo. Mas parece que o povo português em 8 anos evoluiu mais do que se esperava... Poder-se-ia dizer que a população é hoje mais vanguardista que o próprio governo que não foi capaz de se dar conta de que tinha, de facto, havido essa evolução e por isso temeu assumir que legislaria sobre a matéria retirando-a do foro criminal e passando-a para o foro da saúde. Aliás, o mesmo é feito noutras matérias, nomeadamente a droga.

As mentalidades dos cidadãos de hoje, muitos deles não votavam em 1998, evoluíram. E, não tenhamos dúvida de que, o Sistema de Ensino Português – tão atacado pelos governantes – teve um papel decisivo na mudança que se operou nos últimos 8 anos... Ou será que os jovens que ainda não votavam em 1998 não foram decisivos nesta alteração dos resultados?

Foi preciso esperar pela aurora do Século XXI, para Portugal deixar para trás, uma mentalidade compreensível apenas à luz da Idade Média.

Finalmente !...

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Joaquim Ferreira

publicado por J.Ferreira às 22:12
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13 Fevereiro 2007

Vivemos numa época em que se exige uma transformação das mentalidades a cada segundo... Mas nem tudo tem que mudar à velocidade da luz...


No País das Maravilhas, havia também uma menina que navegava pelos sonhos, que vivia na fronteira entre o sonho e a realidade... Alice é apenas uma menina, inocente... ingénua... que sonha ... sonha... e acorda de vez em quando...

Em Portugal, há uma classe política que governa como se de um Sonho de Alice se tratasse... E, entretanto, o país transforma-se num barco que “navega à bolina”, isto é, “Sem Rumo nem Norte”... Por isso, dá mesmo para pensar se não andaremos todos à deriva... E... até quando?

Existem, de facto, áreas em que Portugal poderia inscrever mais uma das suas maiores epopeias. Mas, infelizmente, vivemos num “País das Oportunidades Perdidas”...

Os políticos que nos governam não demonstram capacidade para nos levar para fora das águas turvas em que navegamos... E crise económica, em que nos encontramos mergulhados, agudiza-se de dia para dia...

Em vez de empreenderem soluções autêntica e genuinamente portuguesas, à semelhança dos heróis dos descobrimentos, viajam pelo mundo à procura da oportunidade... Depois, quando crêem ter "descoberto a pólvora" (solução mágica para a crise que eles mesmos criaram) pretendem conseguir empreender em apenas alguns anos, o que outros povos progamaram e edificaram longo de muitos anos... Por isso, limitam-se a copiar e impor dentro das nossas fronteiras modelos de outras sociedades europeias, descontextualizados das competências e das mentalidades da população que os suportam... Não estranhamos, pois, que tenham prazer em nos mostrar as diferenças dos resultados de produtividade e de crescimento económicos obtidos por outros países (ultimamente, os países nórdicos parecem ser os modelos!). Mas, e sobretudo aos resultados educativos não se coíbem de comparar os resultados mas, esquece-se propositadamente de apresentar a diferença dos recursos colocados à disposição das escolas nesses países. Quem não viu as salas de aula da Noruega ou Finlândia em que os alunos tinham, cada um o seu computador portátil? Já viram qualquer coisa parecida neste Portugal? Só se foi num sistema de ensino privado...

Ora, retirar os exemplos dos seus contextos reais, só pode ser uma estratégia bem concertada para queimar a imagem dos professores na opinião pública, legitimando o que estão a fazer à carreira docente, e, por consequência à educação dos futuros jovens. Com uma carreira "tão aliciante" (leia-se tão desprestigiante!) seguramente que veremos, de dia para dia, cada vez mais professores a optarem pela carreira de polícia. E, com os professores tão desmotivados, não vai o governo melhorar o Sucesso Educativo. Poderá melhorar os resultados numéricos pois dependem da forma como os quiser apresentar…
O governo pode não apostar no aumento da natalidade e fechar todas as maternidades que os filhos dos portugueses continuarão, certamente, a nascer (se lhes cortam as condições para nascerem em Portugal, irão, certamente, nascer a Espanha.

Pode também não apostar na educação dos filhos dos portugueses e fechar a maioria das escolas do país que as crianças continuarão a ir à escola… Com uma diferença: afastados do seu meio, isolados das suas famílias, lançados como cordeiros no meio de lobos, as crianças dificilmente terão capacidade para acompanhar as aprendizagens, tal é o cansaço provocado pelas saídas muito cedo de casa, ainda de madrugada ou antes do nascer da aurora, e chegadas a casa muito tarde, com Sol-posto, ou mesmo pela noite dentro… Pode fechar tudo que as famílias encontrarão solução para os seus problemas. Mas uma coisa o Governo não vai, seguramente, poder fazer: fechar nenhuma prisão. Pelo contrário. Alguém dizia: cada vez que se fecha uma escola, tem que se abrir uma prisão!” Para lá caminhamos.
Ainda há bem pouco, interrogado por uma jornalista, um membro do governo, a propósito do valor por que fora vendido um edifício prisional no centro da cidade de Lisboa dizia, vangloriando-se do negócio, que foi vendida por um valor muito bom pois “o dinheiro da venda do estabelecimento prisional iria permitir construir dois, com maior capacidade cada um do que o que acabava de ser vendido”. Compreende-se a filosofia. Reduzir o Investimento na Educação e aumentar na Repressão.

Não admira que mitos jovens colegas estejam a candidatar-se à polícia. Só à minha conta conheço dois… E quantos não se preparam para o fazer…? É uma resposta perfeitamente compreensível de quem assiste à destruição de um Estatuto que dignificava a função docente e à criação de um novo que se limita a denegrir a imagem dos professores como uma espécie de indivíduos, mais ou menos preguiçosos e incompetentes que precisam de ser avaliados constantemente porque são incapazes de desempenhar as suas funções devidamente e com qualidade, apesar de terem sido avaliados por mais de 20 ou 30 professores catedráticos, numa Universidade onde se supõe estejam pessoas capazes, com a mais elevada competência científica e pedagógica. Pois bem. Parece que o descrédito não atingiu a honra e dignidade destes tantos senhores que deveriam insurgir-se ao verificarem que os seus alunos, por eles verdadeira e devidamente avaliados nas mais diversas vertentes, incluindo no estágio pedagógico, vão submeter-se agora, e de novo, a serem avaliados como se tivessem sido aprovados por influência da “cunha”.

Existe de facto, uma corrente de políticos, que sofrem de uma enorme obsessão: avaliar tudo e todos mas que são incapazes de se autoavaliarem para, de uma vez por todas, deixarem o ensino com quem é profissional em cada um dos níveis e não nas mãos de engenheiros que, considerando-se “experts” em todas as áreas, nem são capazes de se aperceberem de que, de educação não perceberem mesmo nada.

O Governo apresenta-se como sendo de Grande coragem mas não tem coragem de divulgar quantas mordomias não têm os políticos portugueses a mais que os políticos dos mesmos países e, depois, comparar as performances dos dois governos, isto os resultados obtidos pelas políticas educativas dos governos...
Muito menos se atrevem a mostrar nos meios de comunicação social — como o fizeram em França — a diferença entre o que auferem os detentores de cargos políticos em Portugal e nesses países que passam a vida a apontar como exemplo paradigmático de uma sociedade moderna e avançada.

Cremos, seguramente, que se queremos resolver os problemas de Portugal , agora que escasseia o peixe-rei, chegou a altura em que os portugueses deveriam deixar de procurar bacalhau nos mares do Norte para passarem a importar políticos dos países do mar do Norte ... Políticos daqueles que ao contrário dos nossos se interessam verdadeiramente pela melhoria da condição de vida das populações que governam e, por consequência e só em consequência, pela melhoria da sua própria condição de vida.

Que bom seria se os governantes — que tanto falam na produtividade dos outros sectores e no vencimento em função do mérito de cada profissional, que tanto apelam à necessidade da avaliação do desempenho dos outros profissionais (sobretudo da educação, que não dependem apenas das suas performances mas, e sobretudo, das capacidades dos outros...), tivessem a coragem de indexar os salários a um número de vezes o valor do salário mínimo nacional ou a uma percentagem do PIB...! Aí, sim. Teríamos a certeza de que todos os políticos se preocupariam em melhorar a condições de vida dos portugueses: tanto maior fosse o salário mínimo, maior seria o salário dos políticos.

Em Portugal, temos uma classe política que, apesar dos problemas financeiros que o país atravessa, não foi capaz de se auto-impor uma contenção nas despesas que exigiu aos restantes cidadãos.
Enfim... A moralidade parece não ser, realmente, apanágio dos políticos...
Como é possível que todos os dias circulem pela internet (único meio de comunicação impossível de ser conduzido, controlado ou censurado pelos governantes) casos de escândalos autênticos de tachos e mais tachos, subvenções e mais subvenções atribuídas a uns quantos que estão no poder ou que por lá passaram, como se o país pudesse nadar em luxos...
Como é possível, em anos de crise, terem exigido sacrifícios imediatos à população e terem mandado para as calendas gregas (2013, com dois mandatos pelo meio e possibilidade de revogação da lei...) a aplicação dos cortes nas mordomias que constituem as subvenções vitalícias a que têm direito os políticos e titulares de cargos públicos (quantas vezes de nomeação... política.)?

Incrível... Darem-se ao luxo de receberem uma subvenção vitalícia a partir dos 35 anos de idade — (recebem-na durante mais de 50 anos (!!!) enquanto qualquer outro cidadão, ainda que possa ter a mesma esperança média de vida, apenas tem direito a receber a sua pensão, dez ou mais vezes inferior, se tiver descontado até aos 65 anos (!!!). Com uma enorme diferença adicional: os políticos apenas descontam durante cerca de mais de meia dúzia de anos (que passará a uma dúzia a partir de 2013) e recebem-na durante mais de 50 anos... Os trabalhadores descontam mais de 40 anos e recebem-na durante pouco mais de 15 ou 20 anos...!
Por isso iremos à falência.... Sem dúvida. Então não é verdade que o sistema de pensões está à beira da falência? Será verdade ou apenas está à beira da falência porque se quer continuar a alimentar pessoas mais iguais que as outras, garantindo-lhes pensões acumuladas enquanto continuam a auferir rendimentos porque de facto, são tão jovens e foi tão desgastante ser político que continuam no activo...
Não temos dúvida de que, a Segurança Social irá continuar a caminhar para a falência enquanto se continuar a pagar chorudas reformas (ou subvenções, “chamem-lhes o que quiserem!”, lá dizia o Zé-Povinho!) a jovens saídos da política que continuam na vida activa, mesmo que se paguem reformas de miséria a quem trabalhou (e descontou...!) durante mais de 40 anos e está já em idade de descansar, e por tal, mais perto de atingir o máximo da esperança média de vida... Na verdade, os cidadãos reformados que recebem pouco da Segurança Social, recebem-no durante poucos anos... No entanto, e por oposição, os políticos e titulares de cargos públicos (que recebem muito porque e ainda por cima partem muito jovens da política), vão ter direito a uma reforma extremamente elevada e desproporcional aos anos de desconto efectuados, terão direito a receber esses avultados valores durante muitos e muitos anos... Isto porque têm direito a recebê-la, não a partir da idade em que os restantes têm direito, isto é, aos 65 anos (o que seria inteiramente legítimo!) mas logo que deixam o cargo político que exerceram, ainda que continuem a exercer cumulativamente outras funções em empresas públicas (veja-se só... reformados do Estado a exercer funções para o Estado !...) ou privadas.
Havia que mudar a regra de cálculo e atribuição das subvenções aos titulares de cargos políticos.
Aliás, concorreram e cada vez mais querem para lá concorrer... E não é por serem mais competentes que lá chegam, mas porque fazem parte das listas dos partidos mais votados em cada processo eleitoral.

Se não têm coragem para mudar o valor das Reformas dos Políticos, um governo sério que se diz democrático deveria, pelo menos alterar a data a partir da qual teriam direito a receber o valor pelos serviços prestados à nação...

Se qualquer dos países nórdicos estivesse em crise como Portugal, e tivesse que pedir sacrifícios aos cidadãos para sanear a Segurança Social, por certo teria a coragem de alterar também a regras de cálculo dos salários dos políticos
Assim, por que não decretam que tenham apenas Direito à Reforma (ainda que no valor equivalente ao que está estipulado na lei portuguesa) quando cheguem aos 65 anos como os demais...!

Mais, por qualquer magia, para uns o tempo de serviço conta, no máximo, um ano por cada ano efectivo (veja-se o congelamento da carreira dos professores...) e para outros, através de um golpe de magia de uma qualquer norma legal, a duplicar ou a triplicar...

Os governantes deveriam ter vergonha de apenas tomarem medidas que visam a melhoria do seu nível de vida , através da criação de "subvenções vitalícias" (por eles criadas e para eles mesmo votadas!) que, ainda por cima, podem ser acumuladas umas com outras e com salários de exercício de outras actividades altamente remuneradas. Imagine-se só... Ser Político - Uma Profissão de Desgaste Rápido !... Sim... Pois... Sim... Claro!... É caso para dizer "Só se for porque , com os valores que de facto auferem "Desgastam Rapidamente as Finanças Públicas..
Isto é uma vergonha porque, nunca será crime uma vez que, tratando-se de uma norma legal (feita por eles e para eles!) não se trata de um "roubo"...

De facto... cada vez mais portugueses se convencem de que ... Portugal não tem governantes capazes de desempenhar a função de timoneiros como o Infante D. Henrique.

Não é apenas a Segurança Social que está doente. É algo de mais grave... É a democracia que começa a ficar com cancro... É urgente fazer algo para a melhorar...

Novas Políticas... Precisam-se !...
É Urgente Descobrir Novos Rumos...! Descobrir Novos Políticos e Novas Políticas. Ou nos comportamos como legítimos Herdeiros de um Povo que teve Coragem de Dar Novos Mundos ao Mundo e somos Capazes de Encontramos Novos Caminhos ou então, estaremos condenados a contentar-nos a viver como a Alice. Com uma pequena diferença: Alice vivia “No País das Maravilhas” enquanto nós viveremos "No País das Oportunidades Perdidas!

Joaquim Ferreira

 

 

publicado por J.Ferreira às 22:10

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