Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

04 Setembro 2008

Recebi esta resposta aos ANÓNIMOS que se indignam com a indignação dos professores

via email...

Aqui o reproduzo "tal e qual"!

 

Caro anónimo indignado com a indignação dos professores,
Homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que dizem e do que falam.
O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores também se possam indignar! Dualidade de critérios deste nosso estimado anónimo... Mas passemos à frente) com o excesso de descanso dos professores: afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). E o nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém mais usufrui.
Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão. Vai perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.
O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.
Vamos, então, somar isto tudo:
84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.
Ora 547h-154h=393 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.
No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!! O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve, em média, a cada professor no final de cada período escolar.
Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia) significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof. Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os professores não descansam muito, descansam pouco!
Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um professor. Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa altura, o amigo paga o que deve.

 

publicado por J.Ferreira às 19:20

04 Setembro 2008

Manuais Gratuitos... ou... de "Como A montanha Pariu um Rato" !

 

A medida apresentada por este governo, parecendo um grande esforço, não deixa de ser algo que outros países tomaram há já muito tempo...

 

Regozijamo-nos, pelo menos, com o facto de que o dinheiro que o governo aforrou, "roubado" aos salários dos professores (e de outros funcionários do Estado) que foram congelados por este e outros governos durante anos acabe sendo aplicado para benefício daqueles que são o motivo da nossa profissionalidade: a educação e os alunos.

No entanto, muito mais além deveríamos ir e ficamo-nos pelo financiamento das famílias...

Por que motivo não se adoptam apenas manuais de editoras que separam os livros de estudo (leitura e informação académica) das disciplinas ditas fundamentais (como Matemática, Línguas, Biologia... etc...) dos livros de exercícios directamente relacionados com o livro base? Por que não editam e publicam vários manuais de exercícios distintos para um mesmo livro informativo? E se tivéssemos para cada cada manual vários livros diferentes com exercícios correlacionados com o mesmo livro base? Claro. A cada ano os alunos apenas teriam de adquirir o livro de exercícios... e isso não dá lucro às editoras... E os governos alinham nesta lógica comercial...

Assim, ao Estado não seria difícil fornecer gratuitamente livros de informação a todos os alunos pois a cada ano seriam devolvidos à escola para que outros alunos os pudessem utilizar... Mas isto... claro. Era se o governo se interessasse por impementar uma igualdade de oportunidades de todos os alunos (não ao que plasmaram na lei "de acesso e sucesso escolar" pois é uma pura mentira!) à educação...

 

Claro está que, os governos de Portugal reagem sempre ao que deveria ser feito com décadas de atraso... E, mesmo eu dentro do país as ideias sejam mais avançadas, tal como dizia um amigo que prezamos, têm sempre um grande defeito: "Não são deles (leia-se, dos políticos, ou dos partidos que governam... Por isso, nunca chegam a ser implementadas, por muito inovadoras e úteis que possam ser.

 

Os nossos políticos não tem coragem de inovar... Passam a vida a visitar outros paises (e nós pagamos as suas viagens...) e a copiar e implementar o que eles fizeram... com décadas de atraso, desfazados da realidade social e política dos mesmo...

José Sócrates não esteve na aberturta dos Jogos Olímpicos de Pequim... Quiçá, se ali fosse aproveitasse para visitar uma unidade de produção chinesa e, pobres das crianças portuguesas pois lá se mudaria a idade em que se iniciam a “vergar a mola”... Não... Isso nunca! Claro. Naio seria de um pais civilizado. Mas obrigar aduiltos a trabalhar até à morte... Claro.
Uma coisa é certa. E isso por certo que o faria: levaria consigo a comunicação social para interrogar e divulgar em Portugal o número de horas de trabalho de um chinês... Isso para, contrariamente ao que propunha o PS no inicio dos anos 90 quando o PSD de Cavaco Silva (actual Presidente da República) governava, pretendendo que a redução da jornada de trabalho para 35 horas...
Pois bem. Agora que governam e poderiam levar a cabio essa media, pois têm eles Maioria Absoluta ... não o fazem! Antes se preparam para implementar um horario semelhante ao que é praticado nalgumas fábricas da China... Onde anda a esquerda?
Enfim... Não temos políticos com carácter... Os dirigentes partidários navegam como o vento... O povo já não sabe com quem pode contar...
Passamos o tempo a copiar o que noutros países foi implementado (ainda que esses países nada tenham a ver com a geografia, a língua, a cultura ou mesmo a mentalidade portuguesa...)
Mais... Mesmo que muitas delas se tenham demosntrado como ineficazes, maléficas ou retrógradas (ou outros epítetos negativos que lhes queiram atribuir), ainda que tenham falhado quanto aos seus objectivos, aparecem sempre em Portugal políticos que as implementam, esperando que nós sejamos mais ccapazes que os restantes seres humanos à face da Terra.
 
Os países verdadeiramente civilizados (bem mais avançados que o nosso) apostam na educação dos seus cidadãos. Eles sabem que sempre que abrem uma escola podem pensar em fechar uma prisao. Este governo encerrou escolas e despede professores...
 
Agora, terá de pensar em consatruir prisões e admitir polícias...A criminalidade está aí... E veio para ficar...! Estamos como na América latina...

 

 

publicado por J.Ferreira às 11:47

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