Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

21 Outubro 2014

Palavras duras para com o Governo de Passos Coelho, nas palavras de um social democrata...!!! Há gente que se coloca acima dos partidos, mesmo que com eles se identifique...!!! 

Santana Catilho afirma: "Mas há também um governo empenhado em promover um retrocesso inimaginável a que só falta a recuperação do estrado e do crucifixo!!! ... Um governo em Negação (e foi aplaudido!!!) que valsa, de modo macabro, entre uma austeridade assassina e o carnaval patético do regresso aos mercados". (03:50 a 04:30).

Sem Papas na Língua. Mais claro... ? É, se não impossível... muito difícil...!

 

Noutras intervenções, Santana Castilho lança a Nuno Crato uma crítica implacável: "um Ministro desconhecedor e incompetente". Nuno Crato é um ministro fracassado! Façam-lhe um Plano de Recuperação!"

 

Enfim... Finalmente temos alguém que nos secunda: "o tempo dedicado aos exames é um tempo perdido... uma oportunidade perdida para que os alunos aprendam... O tempo dedicado à preparação das crianças para se submeterem a um exame, deveria ser usado para a aprendizagem!!!"

 

Há alguns anos, NUNO CRATO defendia a IMPLOSÃO do MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO... Nuno Crato quase o conseguiu... numa legislatura... Sem dúvida... o início do ano lectivo demonstra que "já faltou mais"! 

Santana Castilho demonstra a incometência de Nunio Crato... Mas, a julgar pelo apoio e confiança demosntrada por Passos Coelho no seu "Ministro da Educação (pudera... foi ele que o escolheu!!!) será muito difícil que Santana Castilho consiga fazer implodir Nuno Crato antes que a legislatura termine! Por isso, a guerra ao Ministro (incompetente, afirma Castilho), que começou há já bastante tempo, continua... 

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Castilho fala de "ataque despudorado ao funcionalismo público e aos professores e é completamente injusto!" ... "Cargas absolutamente de escravatura de trabalho em escola".

Os professores querem a suspensão de um modelo de avaliação que é, como o Dr. Passos Coelho disse, Kafkiano"! e comenta ironizando: "Se os portiugueses soubessem o que aquilo contém..."

"Se de facto o Primeiro Ministro achou que aquele era um modelo kafkiano, ninguém percebe que o mantenha com o pretexto de aparecer outro"!
Basta ver a literatura de referência "Nenhum modelo de avaliação funciona se ele, de facto, não envolver as pessoas a quem vai ser aplicado!

Aos 5:37 podemos ouvir: "o rigor consegue-se pela adesão dos professores, de uma classe docente motivada."

O Dr. Pedro Passos Coelho disse, repetidas vezes publicamente, que "queria acreditar nos professores". Mas o Programa do Governo não acredita nos professores: desacredita os professores; diminui o poder dos professores nas escolas; secundariza o papel dos professores.

Santana Castilh diz: "Eu não acredito que se possa modificar e que se possa introduzir rigor e qualidade no sistems sem o envolvimento dos professores. Sou um acérrimo defensor da classe docente. Não o faço por questões corporativos: faço-o por razões nacionais. Porque qualquer pessoa sabe que não se pode construir um sistema  de ensino sem o envolvimento dos professores." (8:15)  

 

 

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publicado por J.Ferreira às 22:12

10 Outubro 2014
O Estado Novo e o estado a que isto chegou

Santana Castilho - Público

 

Pese tudo o que de mau os mais velhos viveram sob as políticas do Estado Novo, é inegável que até ele, Estado Novo, percebeu que era imperioso melhorar as fronteiras deploráveis do analfabetismo de então. Porque, até ele, Estado Novo, aceitou como inevitável o papel que a Educação tem no progresso humano.

 

Stiglitz, Nobel da Economia de 2001, foi peremptório quando afirmou que a Educação é vital para o êxito das sociedades e que cortar em Educação é agravar as desigualdades sociais (O Preço da Desigualdade, Bertrand, 2013).

 

Vai iniciar-se o ano-lectivo de 2014-15. Teremos (já estamos a ter) um desfile banal dos mesmíssimos problemas de processo e de vergonha, que dissimulará uma verdade tão inconveniente como indesmentível: em três anos deste Governo, a Educação regrediu como nunca aconteceu, mesmo em pleno Estado Novo.

 

As famílias portuguesas, esmagadas com um empobrecimento executado com tanta desumanidade quanta a ignorância que o decidiu, (é ver o reconhecimento do erro que começa a ganhar eco no seio dos meios de decisão europeia) viram o esforço com o custo da educação dos filhos subir exponencialmente, na razão inversa da redução do esforço do Estado. E isso irá esmagá-las ainda mais quando os filhos que abandonaram os cursos de formação superior entrarem no difícil e fechado mercado de trabalho. Porquê? Porque na faixa etária dos 25 aos 34 anos, tomando por referência o salário médio de quem tem formação secundária, se verifica que um activo empregado apenas com o ensino básico tem um salário médio 25% mais baixo, enquanto o salário médio dos trabalhadores com licenciatura é 46,3% mais alto (Education at a Glance 2013, OCDE).

 

A discussão que antecipou a recente aprovação de mais um orçamento rectificativo permitiu percebermos que, enquanto o Estado foi recordista a arrecadar receita proveniente de impostos, voltou a crescer a sua despesa primária (expressa antes de juros de dívida ou medidas extraordinárias). Mas, no mundo da Educação e da Ciência, impressiona a regularidade e a persistência implacável dos cortes. Traduzidos em termos reais, os números relativos aos orçamentos de Estado de 2012, 2013 e 2014 demonstram que este governo retirou 1.751,6 milhões de euros ao financiamento do ensino pré-escolar, básico e secundário (- 25,7%) e 401,2 milhões de euros ao financiamento do ensino superior e ciência (-16,1%). Se apertarmos a malha da análise e descermos às acções que particularizam os gastos, percebemos melhor o desrespeito com que o Governo trata os cidadãos: a educação especial, onde se incluem as crianças portadoras de deficiências, reduziu 15.3%; a educação e formação de adultos, 38,6%; os complementos educativos, no sector não superior, 47,6%; os serviços de apoio no ensino superior, 68,8%.

 

Não são precisos altos recursos intelectuais ou capacidade especial para decifrar a linguagem hermética dos relatórios das contas públicas para percebermos de que é feito o coração de quem governa. É uma evidência que esta forma de tratar a Educação, junta à chaga do desemprego, está a gerar um gravíssimo desenquadramento social dos mais débeis, infelizmente a maioria dos portugueses, depois do varrimento selectivo da classe média. Até o Estado Novo, repito, compreendeu o papel social da Educação, quando a ruptura o começou a ameaçar. Marcello Caetano chamou Veiga Simão, um homem de rasgo. Passos Coelho foi buscar Nuno Crato, uma coisa de trago. Marcello Caetano tentou abrir o futuro. Passos Coelho fechou-o. A Constituição assumiu a universalidade do ensino como veículo fundamental da criação de um Estado moderno. Passos só não derrogou essa universalidade porque existe um Tribunal Constitucional. Mas Crato encarregou-se de a iludir por via administrativa e financeira.

 

Por mais que os jihadistas do neoliberalismo tenham, durante os últimos três anos, tentado convencer os portugueses de que a direcção e intervenção do Estado nos sectores vitais da vida em sociedade trava a liberdade, mostram os factos da história deste curto período que não há desenvolvimento social quando a política caminha nesse sentido. Foi essa orientação que trouxe a escola pública para onde está no início de mais um ano lectivo: alvo de descredibilização sistematicamente programada, vítima de uma ignóbil estigmatização da profissão de professor. Tudo orquestrado e executado por quem, constitucionalmente, devia defender e promover uma e outros.

 

Está tudo a postos para o início de mais um ano em escolas de dimensão infra-humana, que se assemelham cada vez mais a cadeias de montagem: pedagogia vergada à econometria, arautos de estatísticas hipócritas nos comandos, burocratas de interesses privados mercantilizando o ensino, governantes ensimesmados em delírios de sucesso e de infantilização eterna.

 

Santana Castilho - Público
publicado por J.Ferreira às 19:16

06 Outubro 2014

Na educação dos filhos, a família terá de cumprir o seu papel... Caso contrário, de muito pouco serve a escola para educar !

 

Hoje habitua-se os filhinhos e as filhinhas  a exigirem tudo... A banalizarem tudo!!! MARIO SÉRGIO CORTELLA é filósofo, mestre e doutor em Educação pela PUC-SP. Aqui está numa palestra sobre Família, Escola e Cidadania.

 

publicado por J.Ferreira às 23:34

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