"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

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Dez 15

Para saber ler números não basta olhar para os algarismos que os compõem!

Finalmente, aparece um estudo que, se lerem até ao final, demonstra bem o quanto se pode manipular e exigir resultados. É comos e pudéssemos exigir a um trabalhador de "pá e pica" que abra os alicerces de uma casa com a mesma velocidade de quem tem uma retroescavadora. Por isso, para se afirmar que se sabe ler números, não basta olhar e saber pronunciar a correspondente ordem de cada um dos seus algarismosPor isso especialistas na análise de dados afirmam que, Portugal apresenta um desempenho melhor do que o esperado no PISA.

"Portugal participou em todos os ciclos do PISA (Programme for International Students Assessment), onde, regra geral, foram escolhidos aleatoriamente 40 alunos, com 15 anos, de cada um dos cerca de 250 agrupamentos de escolas selecionados, também estes aleatoriamente. Os resultados do PISA têm como base o desempenho dos alunos na resolução de problemas do dia-a-dia na área da Literacia, da Matemática e das Ciências. 

O ranking dos vários países no PISA, quando é publicado, gera um grande alarido, suscitando sempre, nos meios de comunicação social, vários tipos de análises, ilações, justificações e sugestões, provenientes de inúmeros quadrantes. Os resultados do PISA são um argumento, frequentemente, mencionados sempre que é conveniente, ou necessário, justificar a implementação ou extinção de novas medidas, nomeadamente, por parte das equipas ministeriais ou comentadores.

Face aos padrões de desempenho estabelecidos pela OCDE, ao “retrato” de cada país comparativamente com os restantes, o PISA avalia a eficácia do sistema educativo de cada país. Apesar do PISA dispor de dados que permitem contextualizar e identificar fatores que influenciam o desempenho dos alunos (dados obtidos através da aplicação de inquéritos a alunos, pais e à escola), estes têm um papel bastante diminuto na elaboração dos rankings.

Será justo comparar sistemas de ensino com contextos socioeconómicos tão díspares como por exemplo: a Alemanha, o Perú ou a Indonésia? Qual seria a avaliação/desempenho destes sistemas de ensino quando aplicados em países e alunos com contextos socioeconómico similares? Baseado nos resultados do PISA 2012, é a esta e outras questões que o estudo de dois investigadores, na área da Educação, da Universidade de Oxford, Daniel Caro e Jenny Lenkeit, procura responder. No seu estudo, a avaliação da eficácia de cada sistema de ensino tem em consideração a diferença entre o desempenho real dos alunos, segundo o ranking da OCDE, e o desempenho esperado tendo em conta o seu contexto socioeconómico, das escolas e dos países de que são oriundos. Este estudo apresenta algumas conclusões curiosas:

  1. A Turquia, Tailândia e Indonésia, embora tenham um desempenho abaixo da média nos testes do PISA, têm um sistema de ensino eficaz quando é considerado o contexto socioeconómico.
  2. Os E.U.A, a Suécia e a Noruega apresentem um desempenho superior à média nos testes do PISA no entanto, integram a lista dos países com sistemas educativos menos eficazes, quando é tido em conta o contexto socioeconómico.
  3. Os sistemas de ensino de Hong Kong, da Coreia e de Taipei (China) são considerados muito eficazes: apresentam resultados muito bons, independentemente, de ser considerado, ou não, o contexto socioeconómico na avaliação dos resultados dos testes do PISA.
  4. O México, a Espanha, a Finlândia e a Nova Zelândia apresentam um desempenho esperado quando é tido em conta o contexto socioeconómico, sendo os resultados muito semelhantes quando o mesmo não é considerado.
  5. O Qatar, a Jordânia e a Argentina têm um desempenho abaixo do expectável, considerando o contexto socioeconómico.

Por exemplo, na área da Matemática, em termos absolutos, a Noruega, os EUA e Portugal têm um desempenho muito similar. No entanto, dado o contexto socioeconómico dos três países, a Noruega e os EUA tem um desempenho inferior ao esperado, enquanto Portugal tem um desempenho superior ao esperado.

Ainda, segundo este estudo, o ranking da OCDE sofre grandes alterações ao ser considerado o contexto socioeconómico dos países, por exemplo:

  • A Tailândia, a Turquia e Portugal têm um desempenho muito superior ao esperado;
  • A Noruega, a Suécia, os EUA, Israel, a Grécia, a Jordânia e o Qatar tem um desempenho inferior ao expectável.

Provavelmente, existem outros fatores que poderiam/deveriam ser considerados mas este estudo permite olhar para o PISA sobre outra perspetiva, sem ser em termos tão absolutos! Partilho os resultados deste estudo como contraponto e/ou informação complementar … que vale o que vale, na época em que os estudos sobre todo e qualquer assunto proliferam e onde cada um interpreta os resultados e os números como melhor lhe apraz!"

 

Para ter acesso á notícia integral vá até Qlick Professor.

 

publicado por J.Ferreira às 16:27

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