Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

05 Abril 2010

Ninguém deve duvidar que Todos Gostam de Viajarde forma confoirtável e no menor espaço de tempo possível...

No entanto, e antes de comentar as notícias que vieram recentemente a público sobre a intenção do (des)governo relativamente à construçao do TGV, gostaria de fazer o leitor recordar algumas das principais polémicas do início da década de 90 do Século passado.

Estou a lembrar-me da polémica do pagamento das portagens na ponte 25 de Abril (que estranhamente só foi polémica quando governava outro partido e o PS estava na oposição... Coincidência ou não, nunca mais se questionou o facto de se estar a pagar uma ponte que já estava paga e, como tal, que deveria deixar de pagar-se. mas não. Salazar previa que fosse paga portagem até que estivesse paga. Agora que estava paga, os utilizadores (mobilizados por que interesses não se sabe!") protestaram. E foi o buzinão na ponte... A carga policial...

Outro tema que criou cisões foi o do pagamento de Propinas. Curioso. Todas com o PS na oposição. Depois... Depois o PS chegou ao poder. E nunca mais se falou nem do valor que os contribuintes pagam nas portagens na Ponte 25 de Abril nem das propinas universidade... Claro. Esperam que chegue outro partido ao poder para voltarem os mesmos fantasmas...

 

Ambos os problemas se fundavam na emergência de uma nova filosofia política e económica da gestão da res pública: a filosofia do utilizador/pagador.

Esta tem como rosto as ideias de alguns iluminados saídos quer da área da política quer da área do jornalismo português, de que são apenas exemplos os senhores Pacheco Pereira e Miguel de Sousa Tavares..

Surgiram os estádios de futebol e eu pago... Pago os prejuízos da construção e da falta de rentabilidade de espaços que exigem manutenção... E agora, vem aí o TGV.

 

E eu pergunto:

Por onde andam os defensores da filosofia do utilizador-pagador...?

Sim... Por onde andam esses iluminados que, aquando da instituição das propinas vieram para a televisão defender que fossem os jovens a pagar a sua formação porque eram eles que usavam as universidades, numa perspectiva demagógica, alertando para o facto do Zé-povinho não usar a universidade e não ter, por isso mesmo, de pagar a formação dos jovens que a frequentavam?...

Entre muitos destes está Miguel de Sousa Tavares. Sim. Ele e outros tantos “opinadores” de meia-tigela que nada ou quase nada tinham pago (tal como eu e muitos outros portugueses, diga-se em abono da verdade) para se formarem nas universidades. Sim. Nada ou quase nada porque é esse o prisma natural. A necessidade de reforçar o vínculo inter-geracional determinava que assim fosse. Mas foi destruída. Um dia, esses mesmos jovens vão negar-se (e muito bem!) a pagar a reforma dos que recusaram a pagar-lhes a formação. Basta que cheguem um dia ao poder. De facto, até então, sempre haviam sido as gerações mais velhas a pagar a formação dos mais novos. Estes, quando no activo, ajudariam a pagar a formação das gerações seguintes e ainda a garantir as reformas dos que lhes haviam pago a formação, numa solidariedade inter-geracional. os "fazedores de opinião", no início dos anos 90 do século findo, fizeram nascer e vingar a filosofia do "Utilizador/Pagador". Agora vem aí o TGV. E ninguém ouve estes mesmos a defender que o Zé-Agricultor, que nunca usará o TGV porque seguramente, preferirá “levantar o cu da cama” mais cedo 20 minutos e usar o “inter-cidades” pois é o único para o que terá realmente dinheiro para pagar a viagem…  Afinal, para quem vai ser construído um TGV ? Venham os defensores do Utilizador/Pagador.

O inter-cidades é uma real alternativa ao TGV que pode e deve ser rentabilizada. Países nórdicos não têm nem querem o TGV porque não têm a mania das grandezas inerente aos nossos actuais políticos.

Que o TGV seja pago por quem o quer utilizar. Eu não quero o TGV. Se necessito uma vez na vida dele… pois levanto também o cuzinho da cama mais cedo e vou de autocarro! Que pague quem o usa!

O que mais custa nestas medidas e decisões dos políticos é que estão a hipotecar o futuro dos nossos filhos, dos nossos netos e até dos nossos bisnetos! Estes políticos já cometeram demasiados erros. Permitiram que as verbas públicas financiassem campos de futebol que custaram 4 vezes mais, 5 vezes mais (ou mais como o estádio de Braga!) com o argumento de que iriam beneficiar a economia e ficamos com estádios às moscas.

E agora? Agora, são os cidadãos que pagam estas faltas de visão prospectiva. Construíram-se os estádios e ficamos mais pobres. Importamos mão-de-obra que agora faz aumentar o número de desempregados (a receber subsídio de desemprego (que irá muito além das suas quotizações!). Agora queremos fazer um TGV para quem? Para as moscas? Quem poderá suportar um custo 4 vezes superior ao que é cobrado em autocarro pela mesma distância ainda que o tempo seja o dobro? Não será fácil dormir no autocarro m ais duas horas?

Por isso, há que dizer (alto e bom som, como alguns comentadores o fizeram no Público on-line) a estes nossos políticos que “parem de hipotecar o futuro dos nossos filhos!”

Basta!!!… Ponto final.

publicado por J.Ferreira às 21:39

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