Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

06 Junho 2012

Acaba de ser publicado um novo despacho de Sua Exª o Ministro da Educação. Estivemos a ver o seu conteúdo e... que estranho: voltam a ser culpabilizados os professores pela falta de interesse e de recursos que os nossos jovens têm quer nas escolas onde eles nem existem quer nas casa onde os orçamentos familiares cada vez podem dedicar menos dinheiro para a educação. Estamos sempre na mesma. Crê-se que se pode chegar a ser alguém na vida sem esforço! Continua a falta do contributo familiar na educação que nunca é avaliado. Os pais dedicam o que querem aos recursos que afectam à educação dos seus filhos... E os professores é que pagam as favas... Para quando a responsabilização dos alunos? Para quando a avaliação do esforço dos alunos? Nuno Crato deveria dedicar-se um pouco mais à agricultura. Talvez aprendesse que, quando o terreno é inóspito, de pouco serve cavar...

Com as medidas que acaba de tomar, o senhor Ministro passa uma vez mais a batata quente do fracasso escolar para as escolas. A sociedade é perfeita. Os políticos são perfeitos... profissionais. Portugal é um paraíso de óptimos profissionais em todas as áreas (por isso estamos como estamos!)... As escolas é que são o refugo da incompetência da sociedade portuguesa. Com o novo despacho do Nuno Crato, confirma-se que se culpa sobretudo as escolas e os professores pelo fracasso escolar. Com medidas deste tipo, facilmente se percebe por que motivos os agentes educativos se encontram cada vez menos motivados para o que deveriam fazer melhor: levar os alunos a aprender. Na verdade, pouco importa se as famílias têm cada vez menos recursos para poder contemplar os filhos com melhores meios de aprendizagem... pouco importa se os pais levam os filhos à bola em vez de os levar à biblioteca. Pouco importa se os filhos vão com os pais para o trabalho (no campo, no monte ou na feira...!). O que importa é olhar os resultados dos alunos... Estudem ou não estudem... estejam ou não motivados para engrossar ainda mais o número de licenciados no desemprego... Com as perspectivas que um curso superior (que absorvem 1/5 do orçamento das famílias portuguesas)dá nos dias de hoje, estranha-se que se esteja cada vez mais a fazer depender os recursos das escolas dos bons resultados escolares. Assim, como se penalizam as escolas cujas diferenças sejam maiores (para menos, supomos!) entre as notas obtidas pelos alunos ao longo do ano (em exames ou testes das disciplinas ministrados pelos professores das mesmas!) e as obtidas nos exames acaba por se fazer repercutir a responsabilidade dos alunos cábulas (que não estudam, que preferem ir para a piscina, para o rio ou para a praia) para os professores que ao longo do ano trabalham.

É incrível... Mas esta é a triste realidade. Motivação para ensinar...? Quem a tem? Afinal, por muito bons profissionais que sejamos, por melhores que sejam as nossas estratégias de ensino, por mais que nos esforcemos, sempre dependeremos dos nossos alunos para que tenhamos o nossos reconhecimento. E se os alunos que nos "saíram na rifa" (turma) não têm nem vontade, nem motivação, nem capacidade, nem meios, nem recursos...? Por que não fazem o mesmo com outros profissionais? Por que não "culpar" os médicos pelo fracasso dos doentes que não tomam os medicamentos a tempo e horas e na dose recomendada seja porque não têm dinheiro para comprar os medicamentos adequados seja porque não querem ou não gostam do "xarope"?

No caso dos professores, muitos alunos não têm quaisquer livros em casa, não têm dicionários, não têm material escolar adequado ao nível de ensino e à exigência de excelência que tanto se apregoa... Muito menos em tempo de crise. E como os profissionais de educação nem têm que ser ouvidos (simplesmente massacrados!) vamos em frente: nem há que ouvir os seus representantes! Mesmo que o destino seja o abismo! Teimosos até ao fim! Por isso, Sr. ministro, só nos resta dizer que esta é mais uma daquelas a que o meu avô classificaria com o dito popular: "Cada cavadela, cada minhoca!".

publicado por J.Ferreira às 14:56

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