Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

18 Janeiro 2007

Até parece mentira... É incrível mas é verdade!

Tanta preocupação com uma vida em potência e tantas crianças que estando vivas, morrem de fome perante os gastos incalculáveis de tantos senhores "moralistas" que se dizem defensores da vida, e que defendem que continue a penalizar-se as mulheres, à boa semelhança do castigo divino que lhe "atribuiu as dores de parto" por se ter portado mal no Paraíso... Meus senhores: já estamos no século XXI... será que não se dão conta disso? De que a Igreja cometeu tantos crimes contra a humanidade e vem agora tentar expurgar os pecados com moralismos do valor da vida...?
Dizem querer salvar vidas mas continuam a querer ver mulheres morrer por se terem de sujeitar a abortos clandestinos...

Será que, tal como aconteceu com a "lei seca" nos estados unidos os "Al Capone" cá do sítio querem que continue a ser ilegal para poderem ganhar com o "trágico tráfico" de abortos em clínicas privadas? Se não, porque continuam a esgrimir argumentos falsos e falaciosos?

Incrivelmente, algumas das iniciativas dos defensores do Não servem mais para desinformar os cidadãos sobre a temática baralhando propositadamente os conceitos, usando imagens falaciosas que são desajustadas da realidade das coisas.

Uma lei justa deve servir para punir todas as mulheres ou apenas as mulheres que não têm dinheiro para sair do país...?
Será justo punir apenas as mulheres mais pobres, que não têm dinheiro para ir a Espanha?
Não lhes basta serem forçadas a submeterem-se a fazer o aborto sem qualquer apoio médico ou na clandestinidade?
Não lhes basta o risco que correm apra ainda serem punidas com cadeia?
Não faltam, por esse Portugal, associações de defesa dos Animais...
Deixemo-nos de hipocrisia e tratemos de defender as mulheres. Elas são seres humanos... Não as obriguemos mais a submeterem-se à humilhação do julgamento social, simplesmente porque decidem interromper uma gravidez que não desejam levar até ao fim... Acabemos com o aborto sem condições mínimas de garantia de saúde.
As Mulheres são Seres Humanos! E lembremo-nos do que diziam as espartanas (habitantes de Esparta, cidade da Grécia Antiga): "Nós somos as únicas capazes de por Homens no Mundo!"
Apelo, pois, a todos os Homens, para que se deixem de hipocrisia e falsos moralismos. Quem somos nós, homens (novos ou velhos), para as julgar? As mulheres merecem ser tratadas com dignidade. Não merecem ser tratadas pior que animais! Lembremo-nos: das mulheres depende a vida. Só as mulheres podem garantir a sobrevivência da espécie à superfície da Terra. A Maternidade é uma função que as realiza. Se por ventura decidem interromper uma gravidez, esse facto já lhes é sufucientemente penoso para as censurarmos...!
Pensem e reflictam sobre isso. Chegou a hora de decidir:
"SIM ao reconhecimento do direito da Mulher decidir sobre o seu corpo!"


Ainda há quem se preocupe com a despesa do Estado... Porquê?

Mas então... Quem é que paga a recuperação das mulheres que entram nos hospitais depois de se terem submetido a um aborto sem quaisquer garantias de saúde?

Será que não fica mais caro ao Estado (e ao cidadão contribuinte) pagar a recuperação da mulher quando (sobrevivendo ao aborto!) vai parar ao Hospital e lá fica mais tempo até se recompor, ou fica de baixa não podendo retomar o seu trabalho tão rapidamente como as que o fazem medicamente assistidas?

Então... E as mulheres que, depois de um aborto sem quaisquer condições de assistência médica, são obrigadas a passar longos meses sem poderem trabalhar...? Quem lhes paga a "Baixa" ou o Subsídio de Desemprego...?
Estão preocupados com os custos de um aborto com assitência médica adequada que, em muito pouco tempo (comparativamente com o que acontece com o clandestino!) permite que uma mulher posssa retomar o seu trabalho e pagar os seus impostos, sem recorrer a essas ajudas da Segurança Social...?

Ou então...
Será que é justo que as mulheres sejam criminalizadas só por serem de famílias pobres e sem recursos que as levam a ter de efectuar o aborto em Portugal?...
É que, as mulheres de famílias ricas podem recorrer a clínicas no estrangeiro... e sendo na mesma portuguesas, já não serão criminalizadas...

É tudo uma grande farsa e hipocrisia, um jogo de interesses dos senhores do NÃO que até parecem interessados em manter o Status Quo... Será que ganham alguma coisa? Se não ganham nada... que têm a perder? Vidas em potência? Será que chegam a ter realmente vida, ou apenas nascerão para serem abandonadas, mal-amadas, indesejadas, enfim, abandonadas? E a vida das mulheres... Essa não conta...? Não é também uma vida?

Por que é que os grupos que fazem campanha pelo NÃO (e que se auto-intitulam "defensores da vida" como se os outros grupos, defensores do SIM, não fossem cidadãos também eles, defensores da Vida, de uma vida com dignidade e com qualidade!) não demonstram com exemplos que se dedicam a cuidar das vidas que hoje circulam pelas ruas da cidade, cheias de fome e de sede, e que, mais do que alimento, mendigam um carinho ?

Quantas instituições de apoio às mães (que assumiram levar a gravidez até ao fim e que agora têm falta de apoio económico para as alimentar) foram criadas pelos agora defensores do "NÃO" de modo a que essas mulheres possam proporcionar condições de vida com dignidade às crianças cuja vida aceitaram dar à luz? Será que se mobilizaram para isso? Quanto investiram do seu bolso ?...

Quantas crianças, abandonadas por falta de condições económicas das mães que as aceitaram dar à luz, foram adoptadas e alimentadas com o dinheiro dos grupos defensores do NÃO ?

Outras questões se levantam...
Dizem não estarem dispostos a pagar impostos para que se façam abortos nos hospitais públicos ou nos privados financiados por dinheiros públicos.
Mas estão dispostos a pagar para curarem homens e mulheres que fumam,

estão dispostos a pagar para curarem homens e mulheres que bebem

estão dispostos a pagar para curarem homens e mulheres que se drogam...

Pois, se os defensores do Não dizem que não estão dispostos a pagar para uma mulher abortar argumentando "que tivesse cuidado e não engravidasse!" também perguntamos:

As mulheres e homens "que todos os dias entram no hospital porque beberam demasiado",   "que todos os dias entram no hospital para serem operados ao coração"  porque comeram o que não deviam... "que todos os dias entram no hospital para serem operados a um pulmão" porque fumaram ou "que todos os dias entram no hospital porque se drogaram" também não o fizeram porque querem?

Quem paga os seus internamentos? Porque não contestam também isso? Será que não se importam de pagar para tal...?
Meus caros... Acabemos com as falácias e a hipocrisia! Deixemos as mulheres usar da sua liberdade de consciência. Não imponham nada.
E quanto a Deus, esse é o único (para os que acreditam na justiça divina) a quem cabe julgar.

"Quem estiver imáculo, que lance a primeira pedra".
Se bem me recordo, perante este desafio de Cristo, ninguém mais se atreveu a atirar pedras a Madalena.
E hoje? Incrivelmente, passados quase 2000 anos, os homens (cristãos e Igreja, sobretudo) ainda não aprenderam com a lição da palavra de Jesus Cristo...

E, se a decisao de abortar for realmente fruto de um momento de fraqueza de uma mulher, deve ela pagar com a morte, recusando-se-lhe assitência por não ter tido condições financeiras para se deslocar ao estrangeiro em vez de abortar numa garagem?

Caros defensores do NÃO...
Argumentar com o que o contribuinte vai gastar em saúde com as mulheres que abortam...? Incrível.
Afinal, tantos argumentos fúteis que apenas conduzem a uma preocupação que nem ao Ministro das Finanças parece afligir!...

Não querem pagar para isso? E as que fumam e vão parar ao hospital com probelmas vários? E as que se bronzeiam e apanham cancro de pele, ea as que fazem isto... e as que fazem aquilo... e as que... e as que...
Enfim, um sem número de doenças evitáveis que pagamos todos para recuperar...!!!!?


O que diz a lei o artigo 140º do Código Penal:
«1. Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.
2. Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, é punido com pena de prisão até 3 anos.
3. A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.»


Tal como se pode constatar, com a manutenção da actual legislação, só as mulheres com melhores recursos económicos e financeiros têm direito a abortar nas melhores condições de saúde, com garantía de assistência médica. Como têm dinheiro, podem fazer quantas veces o queiram e onde queiram (clínicas estrangeiras) onde isso se sabe que é possível e move altos interesses. E, porque a hipocrisia de muitos movimentos católicos (de que me orgulho de ser, sem contudo aceitar ser ao mesmo tempo “carneiro” num rebanho em que o Pastor parece conduzir as suas ovelhas para o abismo, para um beco sem saída por cegueira que mais do que física parece ser auditiva ou intelectual...) me faz uma grande confusão, terminarei por deixar algúns apelos à reflexão.


Queres acabar com a desigualdade e com a hipocrisia?

Queres dar liberdade de escolha e de decisão às mulheres?

Então, há que refectir. Há que abrir os olhos. Há que tomar a decisão certa.

O voto no SIM é um voto libertador!
O voto no SIM é um voto de justiça!


No referendo de 11 de Fevereiro de 2007, tal como já o tinha feito em 1998, mas agora ainda com maior convicção, votarei SIM ao direito a que as mulheres possam usar da sua liberdade de consciência.

À mulher que tem de tomar uma decisão desta natureza já lhe basta o sofrimento físico e psicológico de se ver forçada a tomar essa decisao, num momento tão crítico da sua vida. Seguramente que este é o único voto possível para que sejamos todos iguais.

Três razões para votar SIM no Referendo ao Aborto:

1. Com o voto no SIM todas as mulheres (ricas ou pobres) ficam em igualdade.
2. Com o voto no SIM nenhuma mulher (rica ou pobre) será mais perseguida.
3. Com o voto no SIM nenhuma mulher (rica ou pobre) será obrigada a abortar.





Para mais, podem abrir os seguintes links:

Movimento denuncia diocese de Coimbra

A cada 6 minutos morre uma mulher vítima de um aborto clandestino feito em más condições.

Perspectivas e Argumentos dos defensores do "Sim"

"Médicos Pela Escolha"

Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM

publicado por J.Ferreira às 00:17
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