Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

30 Novembro 2008

Ao destruir o Estatuto da Carreira Docente, elaborado e aprovado por Cavaco Silva quando era Primeiro-Ministro (agora conivente com um governo que, indirecta e, nalguns caso, directa e explicitamente, acaba por passar um atestado de incompetência a Cavaco!...), José Sócrates não visava resolver os problemas da Educação. De facto, eles nem sequer existiam... foram inventados por este governo. O povo nunca tinha saído à rua para manifestar-se contra qualquer uma das razões que este governo encontrou (inventou!) para atacar os professores. Se houvesse problemas com a educação teríamos pais na rua a manifestar-se, não é verdade? O facto é que, pese embora se sabe que, como em todas as profissões, haverá alguns menos dedicados ou menos profissionais, não havia problemas nas escolas; antres havia dedicação, cooperação, sentido de responsabilidade. Por isso a sociedade nunca tinha assistido a qualquer manifestação de pais numa luta contrra a actividade desenvolvida pelos professores. Se surgiram na comunicação alguns casos esporádicos de comportamentos desviantes de alguns docentes eles mereceram a intervenção da inspecção, pois para isso ela existe. Por isso,  os pais estavam tranquilos e Portugal não assitido a nenhuma manifestação de rua por motivos originados pela falta de qualidade do trabalho dos professores pois  a educação dos seus filhos decorria com a maior das normalidades: a escola pública tinha qualidade e o trabalho dos professores era efectuado com dedicação, profissionalismo e responsabilidade.
e Porém, havia que criar alarido na opinião pública para justificar o “genocídio de carreiras” e começou o governo a mexer com os juízes e os tribunais (e recuou, ou porque lhes tem respeito ou porque lhes tem medo!); depois com os militares (e recuou, ou porque lhes tem respeito ou porque lhes tem medo!); depois com a polícia (e recuou, ou porque lhes tem respeito ou porque lhes tem medo!).
Agora, mantém o braço de ferro com os professores. E não quer recuar porque não nos tem respeito ou não nos tem medo!
A nossa única arma para demonstrar ao governo que temos direito a defender a nossa dignidade, a nossa carreira, é fazer com que os pais sintam a nossa falta. São os pais que elegem os governantes... Os pais são os responsáveis pelo estado de coisas a que chegou a educação dos filhos. São eles que apoiam estas medidas estúpidas e absurdas deste governo pois ele segue nas sondagens com a maioria (analisando, obviamente, a intenção de voto dos portugueses!). Que pais temos nós como parceiros na formação dos seus filho? Que querem os pais afinal? Colocar-se do lado de quem ajuda a formar os seus filhos ou dos governantes que lhes fecharam as urgências, as maternidades, os centros de saúde... etc. Etc.? Por que querem ver os professores avaliados por mecânicos, pintores, trolhas, empregados de limpeza, cultos e analfabetos?!...
Lembrem-se: os professores desempenham um papel fundamental na sociedade... Eles não só guardam as crianças e jovens no período em que estão na escola como os formam, os educam, os preparam para a vida em sociedade.
Ao Governo lembramos uma velha máxima: “Se a educação é cara, experimentem a ignorância”.
Aos pais dizemos simplesmente: Os vossos filho precisam de nós!... Somos a garantia do futuro. 

Se a Educação dos vossos filhos não é importante, deixem que a educação vá pelo caminho que vai! Deixem que os profissionais sejam cada vez mais desmoralizados, enxovalhados, desmotivados... Depois, não se queixem! Se agora dizem que não vêem ninguém que possa ser alternativa ao Governo (o que de modo algum subscrevemos!) em breve terão ainda mais dificuldade em descobrir alguém que possa ser alternativa. A solução será, obviamente, importar governantes da Finlandia!

publicado por J.Ferreira às 13:15

21 Novembro 2008

Que nenhum Professor deixe de estar presente!

E, se for caso disso, mandem o INEM levar-vos

 

Em entrevista à página electrónica da FENPROF, Mário Nogueira reafirma: "Entre suspensão e aplicação do actual modelo de avaliação, não há entendimentos nem soluções intermédias!"

 

Na próxima sexta-feira, dia 28 de Novembro, os Sindicatos de Professores voltam ao Ministério da Educação, convocados pelo ME, alegadamente para negociarem as medidas que este pretende adoptar, este ano, para simplificação do modelo em vigor.

Tendo em conta a realização dessa reunião e algumas dúvidas surgidas em torno da mesma, colocámos ao Secretário-Geral da FENPROF e porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira, apenas quatro questões que tiveram respostas muito rápidas e objectivas.

 

1. — Qual será a posição que a FENPROF defenderá na reunião da próxima sexta-feira, no ME?
Mário Nogueira: Da parte da FENPROF, a posição é clara e converge com a de toda a Plataforma Sindical dos Professores: entre a suspensão do actual modelo e a sua aplicação, não existem soluções intermédias, logo, a suspensão é pressuposto de verificação obrigatória para qualquer outra discussão. Ou seja, e para que fique mais clara a posição, não há entendimento possível que não seja em torno da suspensão imediata do actual modelo. Essa é a posição da FENPROF, que colhe consenso na Plataforma Sindical dos Professores, é a posição dos professores e educadores e é a posição de um número crescente de escolas! Os professores podem confiar na FENPROF e na defesa determinada e sem concessões desta posição!

 

2. — Poderiam as medidas já anunciadas pelo ME corresponder a essa posição?
Mário Nogueira: Nem pensar! As medidas anunciadas pelo ME não vão nesse sentido e pretendem apenas permitir que o modelo se aplique. Um modelo que a FENPROF rejeita e que tem pressupostos inaceitáveis: o de que a carreira docente se organiza em categorias hierarquizadas; o de que o reconhecimento do mérito dos professores se deve sujeitar a quotas! Depois, é todo o desenvolvimento do modelo a agravar ainda mais estes pontos de partida.

 

Compreendendo que qualquer negociação só terá lugar depois de ter sido declarada a suspensão do modelo de avaliação  o que poderemos esperar se isso acontecer?

 Mário Nogueira: Suspenso o actual modelo de avaliação, a FENPROF, estará em condições de iniciar negociações com vista à aprovação de um novo modelo, no quadro de uma revisão do ECD que permita eliminar os seus aspectos mais negativos. É nesse sentido que tem em discussão pública uma proposta de modelo de avaliação. Em relação ao ano em curso, a FENPROF concorda que a saída não seja administrativa, mas não admite qualquer solução que consista na simplificação do modelo em vigor, pois esse é para suspender na totalidade. Essa discussão com o ME, no entanto, só fará sentido ou terá lugar depois de garantida a suspensão do modelo em vigor. Estamos preparados para propor uma solução que assente no modelo anterior (processo de auto-avaliação e apreciação pelo conselho pedagógico) e nada mais. Recordo que estamos praticamente no final do primeiro período lectivo. Se a equipa ministerial considera não ter condições políticas ou se não tiver a coragem política para suspender o modelo, deverá, então, dar o lugar a quem a tenha, pois dessa exigência os professores não abdicarão.

 

 

Quer dizer, então, que, caso o ME não suspenda a avaliação, os professores continuarão a sua luta?
Mário Nogueira: Claro e com mais força, determinação e convicção. As manifestações distritais desta semana serão importantíssimas, pois a sua dimensão, e eu penso que será fortíssima a participação dos professores, terá necessárias consequências na reunião da próxima sexta-feira. Apelo, por isso, a todos os professores: que nenhum deixe de estar presente!

publicado por J.Ferreira às 16:56

24 Outubro 2008

 

MINISTRA DA EDUCAÇÃO

 DO GOVERNO de SÓCRATES

 NÃO SABE O QUE QUER.

 

Educação a Caminho do Abismo - II

 

Vamos de mal a pior… Legislação constantemente alterada prova que estes (DES)Governantes do Portugal leva a injustiças e absurdos. Centremo-nos apenas em um dos artigos da proposta para vermos até que ponto nós já chegámos!... E para onde caminhamos, claro.

 

Decreto-lei para concursos volta a ser alterado… De cada vez que o alteram milhares de professores são prejudicados. Somos uma classe desfeita, desorganizada, crítica de tudo e de todos que não tem princípios para além daquele básico, primário, egoísta estúpido, incrível, infantil, que diz: “Se é bom para mim, é bom para todos!” tal como a criança que pergunta “Se estou cheia de fome… por que não comes?”

Claro que, tal como a postura egocêntrica de muitas crianças, muitos professores se acobardam e consideram esta ultrapassagem dos colegas como normal… Se um professor ao fim de 4 ou 5 anos de trabalho teve a sorte de obter uma colocação ao lado de casa (por criação de vaga nesse ano ou em substituição de outro, por exemplo), por que não ficar ali colocado para o resto da vida? Os demais, que já trabalham há mais de 15 ou 20 anos que se danem… E ainda se arrogam do direito de afirmar: “que culpa tenho eu que tu tivesses nascido com o traseiro voltado para o Sol?” como se uma lei injusta tivesse algo a ver com o dia ou a posição em quês e nasceu!

 

Vejamos, então, em que se fundamenta a nossa crítica:

Proposta de alteração ao Decreto-lei sobre Concursos.

O Decreto-Lei n.º 20/2006, de 31 de Janeiro, com as alterações que lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 35/2007, de 15 de Fevereiro, passam a ter a seguinte redacção:

 

Artigo 24º

 “1- Os actuais lugares de quadros de escola integrada em agrupamento de escolas são convertidos em lugares de quadro do agrupamento de escolas a que a escola pertence.

2- Os docentes titulares dos lugares de quadro de escola pertencente a agrupamento de escolas são automaticamente integrados nos quadros desse agrupamento de escolas, nos respectivos grupos de recrutamento.”

 

Bem… Até aqui e à primeira vista, tudo parece normal e justo!… Porém, esta visão apenas pode ser subscrita por quem não é capaz de ir muito mais além do que a lei parece dizer.  Vejamos:

Tenham o tempo de serviço que tenham, como podem os professores aceitar que se considere como normalidade um docente com mais antiguidade, efectivo num quadro de escola, com 20, 30 ou até mais anos de serviço, seja obrigado, nos últimos anos da sua vida, a exercer a mais de 40 ou 80 quilómetros de sua casa só porque um mais novo lhe ocupou o lugar, em virtude de regras obscuras, injustas?

Ora, consideramos que esta alteração vem colocar a incerteza quanto ao local de trabalho dos professores, vem deturpar o percurso da carreira de todos (dos que iniciam pois um dia acabam por pagar as favas ao dono quando chegarem outros e lhes “chimparem” o lugar) e colocar em causa a estabilidade tão apregoada pelo governo, abrindo caminho ao compadrio, à arbitrariedade de agrupamento para agrupamento ou até mesmo dentro do mesmo agrupamento, em função das “famílias” dos professores, do poder da “cunha”, enfim, até mesmo (como parece que temos os tribunais às moscas e os advogados sem nada para fazer!”) dar origem à Operação “Giz Dourado” – O “Apito Dourado” da Educação que, seguramente, acabará por provar, não que “o crime compensa”, mas que “o suborno pode compensar!”… enfim!

Os professores portugueses estão tão cansados de levar pancada de todos (Governo, Jornalistas, economistas, etc… etc…) que já começam a entrar na onda e a resignar-se! Assim fizeram muitos cidadãos no tempo da ditadura (em que fugiam do alcance da vista dos regedores). E agora, neste autêntico pântano legislativo em que foi colocado o país por estes socialistas, não lhes resta alternativa que remeter-se ao silêncio, e, sentindo cada vez mais o seu posto de trabalho em perigo, permanecem mudos como se estivessem amordaçados pois, a censura e a perseguição voltou… E com muito mais força, fruto da informatização dos dados que permite um controlo da vida das pessoas, do que dizem, do que falam, do que lêem (e até do que pensam, quando o expressam!)

 

Mas as injustiças continuam no número seguinte:

“3- Os docentes colocados em agrupamento de escolas ou escola não agrupada, em razão do reordenamento da rede escolar, por extinção, fusão ou reestruturação de estabelecimentos de educação ou de ensino, ocorridas entre os anos lectivos de 2006/07 e 2008/09, são automaticamente integrados nos quadros desses agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas.”

 

Vamos bem… Vamos bem... Isto é o retorno às origens, caminhamos rumo à selvajaria, à ditadura…

Enfim, como uns quantos acabam por ser uns sortudos e ficam felizes por ultrapassar os colegas e ficar para o resto da sua vida ali ao pé de casa, esperam que os demais se sintam felizes por não terem a má sorte de nem ter escola para trabalhar. É a lei da Sela… É um “salve-se quem puder”… ou, talvez não!… É um governo que se transformou numa “fábrica de leis por medida”… Eles lá sabem por que motivo alteraram a lei de reforma impondo apenas 13 anos em 1989 (dizem que para abranger outros que nasceram para a profissão no tempo da ditadura…!) quando se pretendia aforrar dinheiro? Terá sido, certamente, para beneficiar alguns “compinchas” que os ajudaram a alcançar estes “momentos de glória” no partido Socialista? Adivinhe o leitor que nós não temos contacto com o Zandinga!

“Lérias, lérias…”, diria Eça de Queirós.

 

Enfim… Constatamos que ESTE GOVERNO leva a EDUCAÇÃO A CAMINHA DO ABISMO!

 

Estas alteração do regime de concursos é a NEGAÇÃO da estabilidade que tanto apregoamda motivação que tanto dizem querer incrementar, da melhoria dos resultados educativos que dão actualidade à máxima que tornou imortal o nome do imperador César Augusto: Mulher de César NÃO PRECISA SER!… BASTA PARECER !

E nós perguntamos: “Quando é que estes governantes vão dar banho ao cão?”

 

Veja outros textos relacionados com o tema:

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/15085.html

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/6114.html

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/5058.html

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/14829.html

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/10919.html

 

 

publicado por J.Ferreira às 11:34

10 Junho 2008

  

Não fomos capazes de resistir a colocar aqui um texto que recebemos por email, da autoria de alguém que consideramos insuspeito por não estar a ser directamente vítima das reformas educativas impostas aos alunos e aos professores deste país por um governo (de maioria absoluta que se arroga do direito de tomar decisoes absurdas que, por certo, envergonhariam qualquer ditador). Este governo decidiu promover um conjunto de leis que descaracterizou o sistema educativo, colocou as escolas num ambiente “de cortar à faca”, levou professores a “entrarem em parafuso” num vaivém que mais parecem baratas tontas “de um lado para o outro, de reuniões em reuniões, de papeladas em papeladas, sem qualquer critério nem suporte pedagógico verosímil”

Esta reforma não passa pois de um conjunto de leis que urge “mandar para a reforma” compulsiva, isto é, são tão absurdas que a única coisa que merecem é ser mandadas para a aposentação, ou seja, ser revogadas urgentemente por um novo governo que saiba comportar-se e reconhecer mais dignidade aos alunos e aos professores.

Este docente do Ensino Superior acaba de “pôr a boca no trombone”, pois parece que a “lei da rolha” ainda não chegou às universidades… Por isso, não parece ter medo de "colocar o dedo na ferida" dos responsáveis pela pasta da Educação neste governo, enquanto outros que se apresentam como corajosos, cobardemente se deixam amordaçar e calam a sua voz, num medo mesquinho que mais faz lembrar os tempos da Ditadura que a Revolução de Abril.

O texto que apresento recebi-o de um amigo a quem envio daqui um “bem-haja” por nos dar a conhecer que esta revolta silenciosa começa a ter expressão também a nivel de docentes do ensino superio, nomeadamente das universidades.

Resta-nos deixar a José Precioso, o nosso  sincero reconhecimento pela forma tão corajosa quanto demolidora, com que aborda este tema. Mais, sabemos que a Mariana Rafaela, tal como muitas outras estudantes que brilham pelas escolas públicas deste país, agradecem, seguramente, o facto de ter pensado nelas...

Sim, alunas de escolas públicas, porque as privadas ainda não fazem como os clubes de Futebol... É que se isso chegar a acontecer um dia, e sendo aluna duma Escola Pública (a ESAS de Braga, que muito se orgulha frequentar) e dado que tem DEZANOVES e VINTES  a todas as disciplinas, depressa seria “contratada” e “adquirido o seu passe” por uma escola Privada...! Chegaremos a isso? Caça aos cránios?  

Sim, aluna da ESAS, essa escola de Braga onde este governo permitiu que um professor tivesse sido obrigado a trabalhar até à morte, a ESAS, essa escola onde professores trabalham com profissionalismo e dedicação e onde há alunos de toda a origem social, uns que preguiçam, certamente e outros que se esforçam... E claro, os frutos aparecem a vários níveis para aqueles que se empenham, tendo esta escola conquistado recentemente, o título de “Campeã Nacional de Ginastica de Grupo - Desporto Escolar 2008”, na cidade Património da Humanidade que é Évora, dias 22, 23, 24 e 25 de Maio.

E já sabem o que se passa com os jogadores de futebol?... Logo, cremos que imaginam facilmente colégios privados (como o D. Diogo de Sousa, de Braga) onde todos sabemos que se reunem os “alunos que têm tudo” e que têm “pasta” para pagar e assim, temos uma equipa da primeira liga capaz de ir às competiçoes internacionais... Compreende-se como essa escola PRIVADA pode obter um óptimo lugar no RANKING NACIONAL de estabelecimentos de ensino criado por dotado de ideias ESTÚPIDAS, como se fosse possível ou legítimo comparar os resultados do Real Madrid, do Barcelona, do  Milao, do Roma, do Liverpool, do Manchester, do Chelsea ou do Benfica e do Sporting do Porto com os resultados do clube de “Vila da Feira” ou do clube do “Zé-da-Boina”. Como comparar recursos humanos e materiais tão distintos? Como colocar um ranking de clubes da primeira liga à distrital?

Aqui fica pois o texto, com sublinhado nosso:

 

 

“ Direito de alunos, pais e professores, à indignação.

É grande a confusão instalada nas nossas escolas. Tudo começou com a introdução irreflectida e precipitada, das aulas de substituição. Só de imaginar um colega de Português a substituir outro de Matemática! É como ter um Pneumologista a substituir um Urologista. Grande foi a ansiedade, insegurança, instabilidade, que esta medida provocou nos docentes e prejudicou durante mais de um ano, a actividade dos alunos e dos professores. O Ministério da Educação (ME), ao invés de tentar controlar a assiduidade de (alguns) professores, tomou medidas que criaram, (e continuam a criar), a maior confusão no processo de ensino-aprendizagem.

Durante o ano lectivo transacto, o ME decidiu dividir a carreira docente do ensino básico e secundário, em professores titulares e professores "normais". Para proceder à selecção dos candidatos a estes dois (de)graus na carreira (é disso que se trata) criou critérios, em que os parâmetros relacionados com os aspectos mais nobres da função docente, estiveram, (e continuam) ausentes. Não foi considerado o mérito e as competências dos professores para o exercício da docência, mas sim para o exercício de cargos de gestão. Mesmo nesse aspecto, a valorização da ocupação de cargos, sem que os mesmos tenham sido submetidos a qualquer tipo de avaliação, deixa cair por terra qualquer intenção de valorizar o mérito. Como não houve, e continua a não haver, qualquer tipo de avaliação da qualidade do desempenho, naquilo que é absolutamente essencial, que é o de promover as aprendizagens dos alunos, muitos terão conseguido a "titularidade", enquanto professores mais competentes são meros "auxiliares". Além disso não foi dado qualquer período de adaptação, a essas novas regras. Em resumo, o resultado final deste processo, foi a criação de profundas injustiças entre os docentes, e uma vez mais, e a instalação de um enorme mal-estar nas escolas.

E quanto à competência dos avaliadores? Quem tem neste momento competência e condições para avaliar os professores? São os Presidentes dos Conselhos Executivos, os Coordenadores de Departamento, os Professores Titulares, todos eles? Se o processo de avaliação é inqualificável, a designação dos avaliadores, é um acto de profunda incompetência administrativa. O problema de tudo isto, são as injustiças que toda esta trapalhada pode causar, e a enorme confusão no sistema de ensino. E algumas destas injustiças são irreparáveis. Quem indemnizará os professores prejudicados por avaliações mal feitas?

Por estas e por outras, é legítimo o direito dos professores à indignação.

No meio deste mal-estar na classe docente estão os alunos, os principais destinatários do sistema de ensino. E com eles parece que ninguém se preocupa. No ano lectivo de 2004/2005, reprovaram 22,3%, 16,1%, e 20,3% dos alunos, respectivamente, nos 7º, 8º e 9º ano do Terceiro Ciclo do Ensino Básico (GIASE, 2007). No ensino secundário, a taxa de reprovações tem igualmente vindo a aumentar desde o ano lectivo de 1995/1996, estabilizando em valores próximos dos 50 %, em 2004. As estatísticas revelam que é elevadíssima a percentagem de alunos que não concluiu o 12.º ano, devido a reprovação ou desistência. Outro indicador do insucesso escolar, é a elevada percentagem de notas negativas nos exames nacionais do 9ºano de matemática. No exame do 9º ano de matemática de 2007, verificou-se que só 27,2% dos alunos tiveram nota positiva, ou seja, 72,8% dos alunos que se submeteram a exame, tiraram negativa. Escandalosa é também a distribuição das notas dos alunos por níveis. Constata-se que 25,6% dos alunos se situaram no Nível 1; 47,2% no Nível 2; 17,8% no Nível 3; e apenas 1, 4% no Nível 5. Esta é uma distribuição claramente anormal. Todas as pessoas ligadas ao ensino da matemática no nosso país, deviam parar para reflectir. Será que não vêm o óbvio. Constata-se ainda que a taxa de negativas, nesta disciplina, passou de 63,7%, em 2005/07, para 72, 8% em 2006/07, o que revela que o problema se está a agravar e não a resolver. Será que os alunos são os culpados destes resultados? Quem se tem preocupado em compreender as causas deste fenómeno epidémico?

Se me fosse pedido para isolar a principal causa das reprovações no nosso país, diria que é o excesso de conteúdos leccionados, para a faixa etária dos alunos. Por exemplo, no 9º ano, os alunos têm cerca de 15 disciplinas. Terão os alunos capacidade para realizar o esforço intelectual que tanta disciplina exige? Terão tempo para estudar tanta matéria? A maioria dos alunos não "aguenta" esta carga de conteúdos que a escola introduz nos currículos escolares. Infelizmente para nós, o ME não tem sabido fazer a adequação da exigência curricular ao nível psicológico dos alunos e às suas necessidades actuais e futuras. As principais vítimas deste exagero são os alunos. Desgraçados, nunca estudaram tanto, e cada vez se lhes exige mais, e para quê? Que fica no final de um ano de estudo? Algumas ideias estereotipadas, e outras vazias de sentido. Não há fim de semana que os alunos não tenham que estudar para um teste, ou para um exame. São raras as férias que podem desfrutar em família, pois têm que se preparar para os famigerados exames. E para quê? Que seleccionam os exames? Os marrões? Que contributo dá a escola para a formação de cidadãos mais criativos, que nos possam ajudar no futuro? Porque não ensina a escola os alunos a saber fazer? A plantar árvores; A realizar pequenas investigações; A construir objectos; A jardinar; A intervir na sociedade através da realização de serviços na comunidade?

As questões que deviam preocupar o ME são as seguintes: O que deve ensinar-se em cada fase da vida escolar? Que conteúdos e aprendizagens devem ser promovidas em cada fase da vida do alunos? Como atender à diversidade de interesses e competências dos alunos? Porque reprovam tantos alunos nos vários níveis de ensino e em algumas disciplinas, (onde o insucesso é escandaloso)?

Algumas sugestões para terminar com este "massacre" a que os alunos estão submetidos e promover o sucesso escolar .

 

Alunos: as principais vítimas da confusão que se instalou na educação

É preciso ensinar menos para se aprender melhor. Com tanta informação, não fica nada de útil. O que acontece com a carga lectiva acontece com a alimentação. O importante é comer em qualidade e não em quantidade. Apliquem esta máxima ao ensino e terão menos alunos "obesos" intelectualmente e menos alunos afastados do sistema de ensino. Os alunos, os pais, os professores e a sociedade agradecem.

É preciso acabar com a confusão que vai na educação. É preciso dar voz aos alunos pois são os principais destinatários do sistema de ensino. É preciso fazer mudanças com base na evidência científica e não baseada em convicções, palpites e opiniões. A manter-se este estado de coisas, a Educação em Portugal continuará enfraquecer os "fortes" e dar cabo dos "fracos" .

Para terminar apresento as seguintes sugestões gerais para promover o sucesso escolar dos alunos: Reduzir o número de disciplinas; Adequar os programas às necessidades actuais e futuras dos alunos; Reduzir o número de testes de avaliação (apostar noutro tipo de processo de recolha de informações, como a execução de trabalhos práticos, etc.); Eliminar os exames no 9º ano, tal como fizeram os nossos amigos espanhóis; Melhorar a qualidade dos manuais escolares; Diversificar a oferta educativa (a sociedade tem muitas profissões onde predomina a actividade física e não apenas a intelectual); no entanto a escola desvaloriza por completo o saber fazer, as áreas tecnológicas; A escola deve valorizar as actividades práticas (o saber fazer); Por último deve dar tempo para os alunos e professores descansarem, para não entrarem num processo de fadiga crónica, com consequências nefastas no rendimento escolar.

 

Já em meados deste ano lectivo, o ME decidiu implementar o processo de avaliação dos professores. Em qualquer processo de avaliação, os critérios devem estar previamente definidos, ser claros e universais. Mais uma vez o ME, estabeleceu os critérios e o processo de avaliação, a meio do "jogo", e sem dar tempo ao professores de se valorizarem no sentido de alcançarem o perfil pretendido. Será que o ME reflectiu o suficiente sobre o acto de observação das aulas? O acto de ensino-aprendizagem em sala de aula é (deve ser) um acto de profunda intimidade. A invasão desse espaço por pessoas estranhas, por mais competentes que sejam, pode interferir decisivamente, no rendimento da pessoa que vai ser observada. Toda a gente sabe que o observador interfere sobre o objecto observado. Não é por acaso que na observação natural, os investigadores passam imenso tempo com os animais, para lhes ganhar a confiança. Para que estes manifestem comportamentos naturais, e não enviesados pela presença do investigador. Do acto de observação e dos erros que se podem cometer nesse processo, vai resultar uma avaliação do professor e consequentemente um impacte decisivo no seu prestígio, reputação e progressão na carreira docente. Porque não se começou pela avaliação de dossiers de disciplina, e mais tarde com a observação de aulas? Este devia ser o último passo a dar no processo de avaliação. Só quando estiver bem definido todo o processo, assegurada a formação dos avaliadores, é que se devia avançar para a observação de aulas (e primeiramente a convite do professor). A situação em que muitos profissionais estão neste momento da carreira, é muito diferente da de um professor estagiário. Nessa fase, a observação é contínua. O estagiário tem oportunidade de corrigir, em aulas futuras, o que correu mal num determinado momento. A observação pontual dos professores acarreta uma enorme ansiedade (trata-se muitas vezes de pessoas, muitas delas, já pouco habituadas a práticas de observação) que pode afectar o desempenho de professores brilhantes.

publicado por J.Ferreira às 16:50

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