Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

25 Outubro 2008

Pediram-nos para divulgar. Fazemos o que nos é possível.

 

Na certeza de que está na hora de unirmos esforços!

 

Este é também um apelo à Serenidade, à Refexão e à União.

 

Na certeza de que... JUNTOS SEREMOS MAIS FORTES !


Mário Nogueira pede para difundir assuminda a defesa da posição adoptada pelos Sindicatos no Memorando de Entendimento com o Governo. Com apenas alguns excertos (que aqui publicamos) justificam, de per si, a legitimidade e importância social e educativa da assinatura do Memorando de Entendimento com o ME.
Ainda bem que os Sindicatos que nos representam não estão à venda... Arrumem com as dúvidas de uma vez por todas.

A forma como o Memorando expressa o entendimento é suficientemente clara para quem quiser entender o seu texto. Se não, vejamos os excertos ressaltados pelo próprio Mário Nogueira:
(...) A Ministra da Educação sabe o que consta da declaração da Plataforma Sindical dos Professores, lida na sua presença, no dia 17 de Abril por mário Nogueira:
(...) Os pressupostos base do desbloqueio da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergência de fundo que as organizações sindicais mantêm sobre…/… o modelo de avaliação do desempenho que se considera injusto, burocrático, incoerente, desadequado e inaplicável…/… estas são razões para que, apesar do entendimento agora encontrado, os professores continuem a lutar"
(...) O modelo de avaliação preconizado pelo ME, a aplicar-se, introduzirá focos de instabilidade nas escolas, aumentando a sua instabilidade"
(...) Como teria sido o final de ano dos alunos portugueses? O que teria acontecido à Escola Pública? (...) que é frequentada pelos filhos dos trabalhadores e em que trabalha a esmagadora maioria dos docentes, teria entrado em colapso, os alunos teriam sido prejudicados, em alguns casos irremediavelmente"
(...) "Os Sindicatos não podem deixar de assumir as suas responsabilidades perante os Professores, perante a Escola Pública e perante a Sociedade"

 

Finalmente, permitam-nos que deixemos aqui um APELO e um ALERTApara que façamos todos uma reflexão sobre o que é mais importante.

Atacar sindicatos é dividir os professores: e isso, se não é manobra de mandatários do governo acaba por dar-lhe imenso jeito...  Quando os jornalistas interrogarem o Primeiro-ministro basta dizer-lhes:
"Os professores não sabem o que querem... Não querem é ser avaliados... Afinal, não se entendem nem para organizar uma manifestação!"

 

Deixemo-nos de mesquinhez... Dividir os professores é um objectivo do Governo. Unidos seremos bem mais fortes...

Afinal... O que pretendemos não é todos o mesmo? Então... por que esperamos? VAMOS LUTAR UNIDOS !

Demonstremos ao Governo que TEMOS RAZÃO e que não nos vai conseguir demover da nossa LUTA. SEJAMOS INTELIGENTES.,. INSISTENTES... PERSISTENTES E... RESILIENTES.

Mobilizemos-nos e, demonstremos que estaremos unidos como os mosqueteiros...

Seja a 8, seja a 15, ou seja a  21... 

 

UM POR TODOS E TODOS POR UM

 

Ou vamos continuar a dividir a classe?

 

Caros colegas... É triste ver que continuamos a dividir-nos e a criticar os sindicatos. É próprio dos portugueses, lançarem sempre a culpa nos restantes. O "EU" radiante de cada um permanece imáculo.

Faz muito bem à alma lançar as culpas em quem nada mais pode fazer... Pelo menos no discurso, porque na prática, quantos de nós não preferem ir trabalhar e receber o seu salário intocável quando os sindicatos lançam formas de luta como a Greve!?…

E, como bons cidadãos, inventamos mil e uma desculpas para não aderir à luta... Ou porque a greve é à sexta-feira e parece que é só para prolongar o fim-de-semana! Ou porque a greve é nom meio da semana e se não posso ir a casa, que fico a fazer na aldeola onde trabalho? Enfim ... Desde “a greve não vai dar em nada” até “se eles conseguirem o que querem eu vou acabar por ganhar o mesmo e meto mais um dia de salário ao bolso!” até, os outros que façam greve por mim...

Para já não falar que não se está de acordo com os motivos mesmo que nada se tenha lido sobre as verdadeiras razões da greve... ou simplesmente porque já gastamos muito dinhero em blhetes para ir ver o nosso clube de futebol perder (ainda por cima desmoralizados com a derrota) ou porque o partido é o que está no poder e não nos podemos sentir a ser infiéis...

 

 

Esta atitude cobarde só teria um fim se aos governos (seja de que partido forem) não lhes  interessasse a divisão e desmobilização dos professores. Bastava que aceitasse que os resultados da luta sindical se aplicassem apenas aos que lutaram, que se manifestaram descontentes.. Os que nunca fazem greve, numa atitude do tipo parasita que espera que os outros resolvam os problemas para disso beneficiarem, acabariam por ficar felizes com a sua situação laboral e salarial  ao mesmo tempo que veriam as condições dos restantes pares a serem melhoradas fruto das suas lutas... E lutariam, seguramente, ao lado daqueles logo que fossem chamados a fazê-lo.

 

E os professores seriam mais unidos nas suas lutas… Mas não é assim, porque não interessa a nenhum Governo. Ao Governo compete “dividir para reinar”...

Aos sindicatos compete UNIR para LUTAR PELOS JUSTOS DIREITOS 

 

A todos e cada um de nós cabe dar força aos movimentos de professores, sejam eles de Sindicatos ou emergentes, sejam de que tendências forem, para que possamos  RECONQUISTAR a DIGNIDADE QUE NOS FOI ROUBADA ... !

Por que esperamos? É Hora de UNIR... TODOS A LISBOA.
 

publicado por J.Ferreira às 01:44

10 Junho 2008

  

Não fomos capazes de resistir a colocar aqui um texto que recebemos por email, da autoria de alguém que consideramos insuspeito por não estar a ser directamente vítima das reformas educativas impostas aos alunos e aos professores deste país por um governo (de maioria absoluta que se arroga do direito de tomar decisoes absurdas que, por certo, envergonhariam qualquer ditador). Este governo decidiu promover um conjunto de leis que descaracterizou o sistema educativo, colocou as escolas num ambiente “de cortar à faca”, levou professores a “entrarem em parafuso” num vaivém que mais parecem baratas tontas “de um lado para o outro, de reuniões em reuniões, de papeladas em papeladas, sem qualquer critério nem suporte pedagógico verosímil”

Esta reforma não passa pois de um conjunto de leis que urge “mandar para a reforma” compulsiva, isto é, são tão absurdas que a única coisa que merecem é ser mandadas para a aposentação, ou seja, ser revogadas urgentemente por um novo governo que saiba comportar-se e reconhecer mais dignidade aos alunos e aos professores.

Este docente do Ensino Superior acaba de “pôr a boca no trombone”, pois parece que a “lei da rolha” ainda não chegou às universidades… Por isso, não parece ter medo de "colocar o dedo na ferida" dos responsáveis pela pasta da Educação neste governo, enquanto outros que se apresentam como corajosos, cobardemente se deixam amordaçar e calam a sua voz, num medo mesquinho que mais faz lembrar os tempos da Ditadura que a Revolução de Abril.

O texto que apresento recebi-o de um amigo a quem envio daqui um “bem-haja” por nos dar a conhecer que esta revolta silenciosa começa a ter expressão também a nivel de docentes do ensino superio, nomeadamente das universidades.

Resta-nos deixar a José Precioso, o nosso  sincero reconhecimento pela forma tão corajosa quanto demolidora, com que aborda este tema. Mais, sabemos que a Mariana Rafaela, tal como muitas outras estudantes que brilham pelas escolas públicas deste país, agradecem, seguramente, o facto de ter pensado nelas...

Sim, alunas de escolas públicas, porque as privadas ainda não fazem como os clubes de Futebol... É que se isso chegar a acontecer um dia, e sendo aluna duma Escola Pública (a ESAS de Braga, que muito se orgulha frequentar) e dado que tem DEZANOVES e VINTES  a todas as disciplinas, depressa seria “contratada” e “adquirido o seu passe” por uma escola Privada...! Chegaremos a isso? Caça aos cránios?  

Sim, aluna da ESAS, essa escola de Braga onde este governo permitiu que um professor tivesse sido obrigado a trabalhar até à morte, a ESAS, essa escola onde professores trabalham com profissionalismo e dedicação e onde há alunos de toda a origem social, uns que preguiçam, certamente e outros que se esforçam... E claro, os frutos aparecem a vários níveis para aqueles que se empenham, tendo esta escola conquistado recentemente, o título de “Campeã Nacional de Ginastica de Grupo - Desporto Escolar 2008”, na cidade Património da Humanidade que é Évora, dias 22, 23, 24 e 25 de Maio.

E já sabem o que se passa com os jogadores de futebol?... Logo, cremos que imaginam facilmente colégios privados (como o D. Diogo de Sousa, de Braga) onde todos sabemos que se reunem os “alunos que têm tudo” e que têm “pasta” para pagar e assim, temos uma equipa da primeira liga capaz de ir às competiçoes internacionais... Compreende-se como essa escola PRIVADA pode obter um óptimo lugar no RANKING NACIONAL de estabelecimentos de ensino criado por dotado de ideias ESTÚPIDAS, como se fosse possível ou legítimo comparar os resultados do Real Madrid, do Barcelona, do  Milao, do Roma, do Liverpool, do Manchester, do Chelsea ou do Benfica e do Sporting do Porto com os resultados do clube de “Vila da Feira” ou do clube do “Zé-da-Boina”. Como comparar recursos humanos e materiais tão distintos? Como colocar um ranking de clubes da primeira liga à distrital?

Aqui fica pois o texto, com sublinhado nosso:

 

 

“ Direito de alunos, pais e professores, à indignação.

É grande a confusão instalada nas nossas escolas. Tudo começou com a introdução irreflectida e precipitada, das aulas de substituição. Só de imaginar um colega de Português a substituir outro de Matemática! É como ter um Pneumologista a substituir um Urologista. Grande foi a ansiedade, insegurança, instabilidade, que esta medida provocou nos docentes e prejudicou durante mais de um ano, a actividade dos alunos e dos professores. O Ministério da Educação (ME), ao invés de tentar controlar a assiduidade de (alguns) professores, tomou medidas que criaram, (e continuam a criar), a maior confusão no processo de ensino-aprendizagem.

Durante o ano lectivo transacto, o ME decidiu dividir a carreira docente do ensino básico e secundário, em professores titulares e professores "normais". Para proceder à selecção dos candidatos a estes dois (de)graus na carreira (é disso que se trata) criou critérios, em que os parâmetros relacionados com os aspectos mais nobres da função docente, estiveram, (e continuam) ausentes. Não foi considerado o mérito e as competências dos professores para o exercício da docência, mas sim para o exercício de cargos de gestão. Mesmo nesse aspecto, a valorização da ocupação de cargos, sem que os mesmos tenham sido submetidos a qualquer tipo de avaliação, deixa cair por terra qualquer intenção de valorizar o mérito. Como não houve, e continua a não haver, qualquer tipo de avaliação da qualidade do desempenho, naquilo que é absolutamente essencial, que é o de promover as aprendizagens dos alunos, muitos terão conseguido a "titularidade", enquanto professores mais competentes são meros "auxiliares". Além disso não foi dado qualquer período de adaptação, a essas novas regras. Em resumo, o resultado final deste processo, foi a criação de profundas injustiças entre os docentes, e uma vez mais, e a instalação de um enorme mal-estar nas escolas.

E quanto à competência dos avaliadores? Quem tem neste momento competência e condições para avaliar os professores? São os Presidentes dos Conselhos Executivos, os Coordenadores de Departamento, os Professores Titulares, todos eles? Se o processo de avaliação é inqualificável, a designação dos avaliadores, é um acto de profunda incompetência administrativa. O problema de tudo isto, são as injustiças que toda esta trapalhada pode causar, e a enorme confusão no sistema de ensino. E algumas destas injustiças são irreparáveis. Quem indemnizará os professores prejudicados por avaliações mal feitas?

Por estas e por outras, é legítimo o direito dos professores à indignação.

No meio deste mal-estar na classe docente estão os alunos, os principais destinatários do sistema de ensino. E com eles parece que ninguém se preocupa. No ano lectivo de 2004/2005, reprovaram 22,3%, 16,1%, e 20,3% dos alunos, respectivamente, nos 7º, 8º e 9º ano do Terceiro Ciclo do Ensino Básico (GIASE, 2007). No ensino secundário, a taxa de reprovações tem igualmente vindo a aumentar desde o ano lectivo de 1995/1996, estabilizando em valores próximos dos 50 %, em 2004. As estatísticas revelam que é elevadíssima a percentagem de alunos que não concluiu o 12.º ano, devido a reprovação ou desistência. Outro indicador do insucesso escolar, é a elevada percentagem de notas negativas nos exames nacionais do 9ºano de matemática. No exame do 9º ano de matemática de 2007, verificou-se que só 27,2% dos alunos tiveram nota positiva, ou seja, 72,8% dos alunos que se submeteram a exame, tiraram negativa. Escandalosa é também a distribuição das notas dos alunos por níveis. Constata-se que 25,6% dos alunos se situaram no Nível 1; 47,2% no Nível 2; 17,8% no Nível 3; e apenas 1, 4% no Nível 5. Esta é uma distribuição claramente anormal. Todas as pessoas ligadas ao ensino da matemática no nosso país, deviam parar para reflectir. Será que não vêm o óbvio. Constata-se ainda que a taxa de negativas, nesta disciplina, passou de 63,7%, em 2005/07, para 72, 8% em 2006/07, o que revela que o problema se está a agravar e não a resolver. Será que os alunos são os culpados destes resultados? Quem se tem preocupado em compreender as causas deste fenómeno epidémico?

Se me fosse pedido para isolar a principal causa das reprovações no nosso país, diria que é o excesso de conteúdos leccionados, para a faixa etária dos alunos. Por exemplo, no 9º ano, os alunos têm cerca de 15 disciplinas. Terão os alunos capacidade para realizar o esforço intelectual que tanta disciplina exige? Terão tempo para estudar tanta matéria? A maioria dos alunos não "aguenta" esta carga de conteúdos que a escola introduz nos currículos escolares. Infelizmente para nós, o ME não tem sabido fazer a adequação da exigência curricular ao nível psicológico dos alunos e às suas necessidades actuais e futuras. As principais vítimas deste exagero são os alunos. Desgraçados, nunca estudaram tanto, e cada vez se lhes exige mais, e para quê? Que fica no final de um ano de estudo? Algumas ideias estereotipadas, e outras vazias de sentido. Não há fim de semana que os alunos não tenham que estudar para um teste, ou para um exame. São raras as férias que podem desfrutar em família, pois têm que se preparar para os famigerados exames. E para quê? Que seleccionam os exames? Os marrões? Que contributo dá a escola para a formação de cidadãos mais criativos, que nos possam ajudar no futuro? Porque não ensina a escola os alunos a saber fazer? A plantar árvores; A realizar pequenas investigações; A construir objectos; A jardinar; A intervir na sociedade através da realização de serviços na comunidade?

As questões que deviam preocupar o ME são as seguintes: O que deve ensinar-se em cada fase da vida escolar? Que conteúdos e aprendizagens devem ser promovidas em cada fase da vida do alunos? Como atender à diversidade de interesses e competências dos alunos? Porque reprovam tantos alunos nos vários níveis de ensino e em algumas disciplinas, (onde o insucesso é escandaloso)?

Algumas sugestões para terminar com este "massacre" a que os alunos estão submetidos e promover o sucesso escolar .

 

Alunos: as principais vítimas da confusão que se instalou na educação

É preciso ensinar menos para se aprender melhor. Com tanta informação, não fica nada de útil. O que acontece com a carga lectiva acontece com a alimentação. O importante é comer em qualidade e não em quantidade. Apliquem esta máxima ao ensino e terão menos alunos "obesos" intelectualmente e menos alunos afastados do sistema de ensino. Os alunos, os pais, os professores e a sociedade agradecem.

É preciso acabar com a confusão que vai na educação. É preciso dar voz aos alunos pois são os principais destinatários do sistema de ensino. É preciso fazer mudanças com base na evidência científica e não baseada em convicções, palpites e opiniões. A manter-se este estado de coisas, a Educação em Portugal continuará enfraquecer os "fortes" e dar cabo dos "fracos" .

Para terminar apresento as seguintes sugestões gerais para promover o sucesso escolar dos alunos: Reduzir o número de disciplinas; Adequar os programas às necessidades actuais e futuras dos alunos; Reduzir o número de testes de avaliação (apostar noutro tipo de processo de recolha de informações, como a execução de trabalhos práticos, etc.); Eliminar os exames no 9º ano, tal como fizeram os nossos amigos espanhóis; Melhorar a qualidade dos manuais escolares; Diversificar a oferta educativa (a sociedade tem muitas profissões onde predomina a actividade física e não apenas a intelectual); no entanto a escola desvaloriza por completo o saber fazer, as áreas tecnológicas; A escola deve valorizar as actividades práticas (o saber fazer); Por último deve dar tempo para os alunos e professores descansarem, para não entrarem num processo de fadiga crónica, com consequências nefastas no rendimento escolar.

 

Já em meados deste ano lectivo, o ME decidiu implementar o processo de avaliação dos professores. Em qualquer processo de avaliação, os critérios devem estar previamente definidos, ser claros e universais. Mais uma vez o ME, estabeleceu os critérios e o processo de avaliação, a meio do "jogo", e sem dar tempo ao professores de se valorizarem no sentido de alcançarem o perfil pretendido. Será que o ME reflectiu o suficiente sobre o acto de observação das aulas? O acto de ensino-aprendizagem em sala de aula é (deve ser) um acto de profunda intimidade. A invasão desse espaço por pessoas estranhas, por mais competentes que sejam, pode interferir decisivamente, no rendimento da pessoa que vai ser observada. Toda a gente sabe que o observador interfere sobre o objecto observado. Não é por acaso que na observação natural, os investigadores passam imenso tempo com os animais, para lhes ganhar a confiança. Para que estes manifestem comportamentos naturais, e não enviesados pela presença do investigador. Do acto de observação e dos erros que se podem cometer nesse processo, vai resultar uma avaliação do professor e consequentemente um impacte decisivo no seu prestígio, reputação e progressão na carreira docente. Porque não se começou pela avaliação de dossiers de disciplina, e mais tarde com a observação de aulas? Este devia ser o último passo a dar no processo de avaliação. Só quando estiver bem definido todo o processo, assegurada a formação dos avaliadores, é que se devia avançar para a observação de aulas (e primeiramente a convite do professor). A situação em que muitos profissionais estão neste momento da carreira, é muito diferente da de um professor estagiário. Nessa fase, a observação é contínua. O estagiário tem oportunidade de corrigir, em aulas futuras, o que correu mal num determinado momento. A observação pontual dos professores acarreta uma enorme ansiedade (trata-se muitas vezes de pessoas, muitas delas, já pouco habituadas a práticas de observação) que pode afectar o desempenho de professores brilhantes.

publicado por J.Ferreira às 16:50

11 Novembro 2007

 

Pais e Alunos contra a Ministra da Educação?

Impossível? Ou nem por isso!...

Basta que os professores decidam levar à prática ideias que pairam pela internet... A força dos media permitem aos governos entulhar a opinião pública que, injustamente, se virou contra os professores como se fossem os culpados das desgraças que atingiram o nosso país...

Já todos sabemos que não podemos contar, da parte dos governos, com uma postura digna e dignificante da classe. Dos diferentes governos que sucessivamente têm resultado das eleições (e já por lá passaram quase duas dezenas!) nenhum quer assumir a responsabilidade pelas políticas dos anteriores (quantas das vezes, formados por políticos que, como que "rotativamente",  voltam a ser empossados...!).

Porém, se no campo da economia (problemas de desemprego, da inflação, da saúde... etc.) os recém-eleitos culpam as políticas adoptadas pelos Governos anteriores, no campo da Educação as culpas têm vindo a ser dirigidas, injusta e incoerentemente, aos professores...

Assim, em vez de se lançarem contra as opções educativas dos governos anteriores relativamente à Educação, os ministros que assumem a pasta da Educação apresentam à sociedade como culpados, ora as escolas ora os professores quando estes apenas se limitam a agir de acordo com , normativos aprovados pelos governantes, ou com ordens emanadas superiormente, ainda que delas discordem quer porque pedagogicamente não são defensáveis quer porque se preveja facilmente o abismo para o qual se caminha.

Assim, o actual Governo de José Sócrates (através dos seus Ministros e com a cumplicidade de alguma Comunicação Social) procurou vender (a todo o custo e sem quaisquer escrúpulos) a ideia de que tudo que há de bom na sociedade (incluindo os bons resultados de alguns dos alunos!) é mérito dos políticos (leia-se governantes)... e tudo que há de mau na sociedade (incluindo os maus resultados de outros tantos alunos!) é culpa da escola, leia-se, dos professores!

Pois bem... Também nisto chegou a hora de dizer Basta!

 

Que os Pais e Alunos se solidarizem com os Professores... E se não o fazem por "convicção", saibamos demonstrar-lhes os verdadeiros motivos da nossa indignação, com uma simples demonstração aplicando aos seus filhos o memso princípio que, muitos pais se não mesmo a maioria, considerou justo que a Senhora Ministra aplicasse na avaliação dos professores.

Enfim... Seria uma injustiça e estou certod e que nenhum professor seria capaz de o fazer... Porque... uma certeza os pais portugueses podem tera felicidade dos seus filhos na escola não depende da alegria da Ministra em destruir a dignidade dos professores. A alegria dos seus filhos depende do bom estado de equilíbrio e da sensação de um justo reconhecimento do trabalho dos professores na Escola. Mais ministro, menos ministro... dá o mesmo! Os males feitos aos professores é que não dão o mesmo! De facto:

Quem se recorda do Ministro que tutelava a pasta da Educação quando era aluno? Ninguém, ou quase ninguém! Mas...do porofessor, sem dúvida, muitos...! Por isso deixamos aqui um apelo aos pais: Sejam gratos para com os professores!

Efectivamente, os professores sempre foram (e, apesar dos consecutivos ataques e atentados da Ministra, continuarão seguramente a sê-lo, !) dos profissionais que, para além dos pais, se interessam verdadeiramente pelos filhos dos portugueses.

Assim, muito para além do que os números dos resultados das provas possam apresentar, os professores são dos maiores interessados na felicidade dos seus alunos. Vivendo no meio dos alunos uma grande parte da sua vida, a realização pessoal e profissional dos professores depende também, e em grande parte, o real desenvolvimento de competências, capacidades e aptidões dos alunos, isto é, numa real aprendizagem e desenvolvimento global dos filhos dos portugueses e demais crianças e jovens que frequentam a escola.

E isto, muito para além das notas em exames que as crianças possam ter (e que para nada servem, realmente, basta ver a valorização que é feita do percurso escolar para se aceder a um qualquer posto de trabalho na nossa sociedade!)...

De facto, o Governo não quis dar ouvidos à Plataforma Negocial constituída por 14 sindicatos sobre o novo Estatuto da Carreira Docente. Para tal, a Ministra da Educação não se cansa de demonstrar o seu regozijo quando afirmou que pouco lhe importava que tivesse impostas  enormes injustiças aos professores: "perdeu os professores mas ganhou os pais"
Por isso continua o seu atentado contra o profissionalismo dos professores e segue a sua estratégia que visa aniquilar, por completo, o que ainda resta da dignidade dos profissionais de educação. E, já nem estão em causa os rombos feitos nas legítimas expectativas de muitos relativamente aos seus salários, estagnados, desvalorizados...

Pois bem. Um Estado de Direito democtico não deveria ser possível que uma Senhora — que por mero acaso (e não por competência específica e provas dadas para o cargo em que é nomeada, como acontece com os professores que são avaliados por dezenas de docentes universitários, muitos deles com doutoramento... ) chegou ao posto de Ministra da Educação — tenha a faculdade de atentar contra a a dignidade de mais de 400 mil professores, legitimamente reconhecida pela sociedade...

Em apenas meia dçuzias de falsas verdades, recorrendo à manipulação de dados estatísticos, criou a ideia na população portuguesa (e nos ais, obviamente) de que os professores são os culpados de todos os males da sociedade...

Isto tudo como lodo atirado para os olhos dos portugueses. Como se, fosse verdade... Porém, numa sociedade altamente competitiva, mesmo com os alunos a terem notas altíssimas, no máximo possível de Sucesso Escolar, os que tenham as notas menos altas (16, 17, 18... ) acabam marcados pelo Insucesso Escolar... por culpa única dos governantes)...

Como ? Explicamos...

Por que motivo é que os políticos (que para tudo legislam e tudo regulamemtam) permitiram manter em funcionamento nas universidades, cursos que se sabia há muitos anos que para nada serviriam?

Por que motivo foram obrigados (e ainda continua a obrigar) muitos dos estudantes portugueses (filhos de "pagadores de impostos", diga-se) a deslocarem-se para universidades de Espanha a fim de realizar a sua formação, nomeadamente em medicina?

Com a falta de médicos que há desde longa décadas, que forças impediram os políticos de promover a formação em medicina (e de, consequentemente, fechar os cursos via ensino que formavam para o desemprego!...) para que qualquer cidadão, tal como em frança, possa ter uma "consulta na hora" por apenas 20 € (num país onde o salário mínimo ultrapassa os 900 €, note-se)?

Po que nunca quiseram intervir onde deveriam, quanto antes para que não estivéssemos hoje com imensos professores com horário ZERO... De  quem é a culpa? Claro. Não é, certamente, dos professores... Ou será que também vão culpar os professores, em última instância, da incapacidade dos políticos?

Que fazem os políticos eleitos no Parlamento?

Será que nos esquecemos dos alunos com media de 16, 17 ou ate mesmo 18 valores no final do Ensino Secundário (mesmo nos exames) que ficam de fora das universidades ou são obrigados a emigrar para se formarem...

Para onde caminham os cérebros portugueses? Para o Parlamento...? Bem vamos, bem vamos...

Na verdade, os docentes são dos profissionais mais dedicados à sua missão. Autênticos missionários que exercem em povoações distantes, quantas delas sem condições exigíveis e adequadas à prática educativa, em nada condignas, quer para alunos quer para professores...

Ainda assim, continuam a garantir o direito à educação e ao ensino de centenas de milhar de crianças e de outros tantos jovens, mantendo neles viva a esperança num futuro melhor...

Os professores são do que há de melhor em termos de profissionalismo. Poucas classes profissionais se sujeitariam a trabalhar nas condiçoes em que trabalham muitos professores. Poucos ou nenhuns abraçariam causas nas quais não acreditam. Mas os professores têm obedecido às normas emanadas dos Ministérios que os tutelam. Agora, depois de terem cumprido escrupulosamente com os seus deveres, são acusados injustamente das desgraças do nívcel educativo a que chegamos. Pois os resultados espelham as sucessivas reformas vindas , tal como estas, das instâncias superiores, isto é, emanadas pelos titulares da pasta da Educação dos sucessivos governos.

Há claro erros (menores, claro, mas há...) dos professores. Errar é Humano! No entanto, se algum erro grave cometeram, ele está à vista: terem contribuído apra que esta Senhora chegasse a desenvolver tamanha competência: a de insultar os professores, seus mestres. Se tivesse ficado pelo caminho na escolaridade, nunca chegaria a atrever-se a "insultar" os profissionalismo dos seus mestres! Depois, não é exemplo para ninguém... Até para um aluno que, atónito, comenta: "EU NEM ACREDITO NISTO!Que modelo de Educação, Senhora Ministra da Educação! Já agora, vejam, "claramente visto" como actua a Senhora Ministra da Educação do nosso país... (carregue aqui para ver o vídeo amador no Youtube). E digam-nos lá... Que exemplo de  Pedagogia... Digno de um prémio Nobel... Sem dúvida! Ou, por que não... já agora que a moda parece querer pegar, à semelhança do que instituíram para os professores, o Prémio de melhor Ministra do Ano!.." Ou simplesmente: Uma Vergonha! Se esta Senhora diz que algum dia foi professora eu renegop a minha profissão!... Creio que milhares de portugueses se envergonhariam de tomar uma tal atitude...

Numa onda de exageros verbais, dir-se-ia mesmo super... hiper... anti-pedagógica! É este o nosso modelo de competência?... De rigor?... De profissionalismo?... De excelência?... Pois bem... Cá para nós, a Senhora Ministra estaria CHUMBADA... E nunca mais teria direitoa exercer a profissão... E ponto final!

 

Mas, o maior problema é que, neste governo, não é a única...  O chefe do Governo, José Sócrates, dá-nos um excelente, um supremo exemplo do que é "ser bem educado" (Aqui o filme em Youtube) . Enfim, Sócrates tomou a inicativa para cumprimentar o seu Ministro, Luís Amado, dando-lhe "Parabéns"... Mas, ao avistar alguém mais importante (ou algum cão grande, como se diz na gíria popular) da comunidade Europeia, nem chegou a apertar-lhe a mão, deixando-o de mão estendida no meio da sala. Que modelo de Educação, Senhor Primeiro Ministro!... Que bem que vai a Educação.

Aliás, diria a Ministra, os professores foram os culpados... É que foram eles que formaram advogados, engenheiros, médicos, enfermeiros... que chegaram a deputados e a Minuistros!

Percebem agora por que são tão massacrados os professores? É que estes governantes não gostam de ser como são (mal educados) e como tal, há que cuulpar alguém. Por isso, elegeram um bode expiatório das sua "falta de tudo": os professores...

Por incrível que pareça, todos os profissionais que foram formados pelos professores são repetidamente reconhecidos como competentes e excelentes profissionais quer pelos seus bastonários, quer por políticos e órgãos da comunicação social! Sim… de todos se ouvem elogios…! Todos são excelentes profissionais… E chegaram lá tendo como professores um “bando de malfeitores” pois têm a ousadia de querer fazer crer que “são quase todos uns incompetentes”… Assim, todos são capazes… menos os seus mestres! Estes apenas uns 10% podem ser bons!

Como inverter resta situação?

Há dias recebemos por email umas sugestões que consideramos interessantes e pragmáticas. Haja coragem, professores. Façamos ouvir a nossa indignação! Assim, aqui reproduzimos, com algumas adaptações.

Formas de luta? Não faltam! E nem precisamos de encerrar as escolas ou de fechar azer cortesde estradas!
Pois bem... Que tal fazer um pouco de diplomacia e demonstrar aos pais a aberração da lei da Senhora Ministra? Basta fazer com os alunos exactamente aquilo que a Ministra quer fazer connosco (e os pais apoiam!), a ver se passam a entender a nossa luta. E vamos já habituando os seus filhinhos para o choque das futuras frustrações na carreira impostas pelos limites à competência e inteligência (5%, 10%, etc…) impostos pela ministra (veja-se como vai ser a progressão na carreira), e que a quase totalidade dos pais (incluindo alguns, ou muitos mesmo, que são professores, é claro) apoia incondicionalmente! Vejamos como reagem impondo o mesmo sistema aos seus filhos! Assim...

1. Que todos os professores tenham a coragem de fazer uma monumental greve de "zelo", cumprindo apenas os serviços mínimos na sala de aula.

Se os pais apoiam a Ministra e não se importam com a vida escolar dos seus alunos talvez seja a única forma de o começarem a fazer.
Há que dar
a matéria, ao ritmo mínimo, tirar-se as dúvidas a quem estudou. Nada de se repetirem exposições.

2. Há que estabelecer já para este ano, cotas em cada uma das turmas que leccionamos. Assim, e tal como a ministra faz connosco:
Em cada 20 alunos, apenas 10% terão a nota máxima! Portanto, caso haja mais do que 2 alunos a merecerem nota 5 (18, 19 ou 20, conforme a escala)… Paciência! Ficam com a nota máxima os dois melhores. Mas se um destes faltou mais de 3 dias por doença, terá que ter paciência! Fica com 4 (15, 16 ou 17) e sobe o seguinte a aluno à nota Máxima (como nós a titular). Os restantes alunos cotam-se, proporcionalmente, por aí abaixo. 10% de nota máxima e 20% de nota Boa …  Os restantes há que corrê-los todos com nota Suficiente... Se uma turma for muito boa e tiver 10 alunos que merecessem 4 e 5, outra vez… Paciência. «Nem todos podem chegar a generais (chefes… titulares…!», não é verdade…?

Assim, dois alunos ficam com 5 (18, 19 ou 20, quatro alunos com 4 (15, 16 ou 17) e os restantes terão apenas (10, 11, 12 ou 13) !
Ainda que todos merecessem a nota máxima!
Ai, faltaram? Estiveram doentes? Foram ao funeral da mãe, da tia, da avó?

Quem os mandou adoecer? Quem mandou o carro avariar e chegar tarde uma vez? Os mortos nem iriam ficar a saber se foram ou não ao funeral…! Quem mandou o irmão mais novo contagiar o mais velho com sarampo?
Pois bem… Eis o resultado da solidariedade que apregoa a Ministra! E vivam os alunos que são solidários com os professores… Ainda que voluntariamente… ainda que à força!

Os paizinhos engoliram o discurso da ministra???!!!Pois bem. Agora que se aguentem... Todos sem excepção, incluindo obviamente o tal senhor que é Presidente da Confederação das Associações de Pais (CONFAP), sejam coerentes e tenham coragem de defender com unhas e dentes (como o fazem com a aberração desta avaliação!) esta proposta de avaliação dos seus filhinhos... Aliás, a escola de preparar par a vida e eles necessitam de ser preparados para a injustiça que os espera num futuro mais ou menos próximo, onde os seus paizinhos defendem os ditadores deste tipo de leis... Leis que são um tremendo, horroroso, inadmissível absurdo!

Enfim... E viva a Selecção Natural… Viva a Lei da Selva! Safe-se quem puder… procurem as escoals onde haja alunos menos competentes e os vossos filhos terão notas excelentes… Quem sabe, mesmo, as melhores notas da turma! Não é verdade que “Em terra de cegos quem tem olho é rei!” E, se consideram que «nem todos podem chegar a general»? Pois então? Os seus filhos também não!

Aqui temos tão só e simplesmente a aplicação prática do mesmo princípio aos filhinhos dos portugueses!

 

Será que aqueles "paizinhos" dos nossos alunos, tão prontamente apoiaram as medidas da Ministra, engolindo e reproduzindo o seu discurso e os seus argumentos nas esquinas das ruas e nas esplanadas dos cafés, serão capazes de abir os olhos e se darem conta da aberração que foi feita por esta Ministra da Educação relativamente à avaliação dos professores e, consequentemente, à carreira docente?

Ou, como diz o Zé-Povinho, vão dar-se conta de que “mais cego do que o cego é aquele que não quer ver”,  e vão colocar-se do lado dos professores, tremendamente injustiçados com a alteração da carreira docente imposta por esta Ministra?

Face a estas iniciativas dos professores para demonstrar aos pais quão  injusta é esta reforma do ECD, cremos que termos muitos mais pais a apoiar abertamente a luta dos professores... Ou será que não?

 

Nota: Este texto surge na sequência de reflexão feita sobre um texto que circula pela net... De facto, muitos de nós já demonstraram que não deveríamos baixar os braços! Isto para que a "Razão da Força" utilizada pelo poder legislativo da Senhora Ministra não tenha a capacidade de se impor à "Força da Razão" que está seguramente do lado dos milhares de Professores prejudicados, todos temos a obrigação de não baixar os braços... e lutar! Cada um com as armas que estejam ao seu alcance... E a comunicação social é a maior de todas!...

 

 

 

publicado por J.Ferreira às 19:30

07 Junho 2007

 

A Senhora Ministra deveria ter vergonha de lançar um Concurso para “Professor Titular” baseado numa tão grande falta de sentido de oportunidade e de justiça. Aliás, diga-se a propósito do nome do cargo, que a Sra Ministra começa logo por demonstrar uma total falta de imaginação pois esta designação já era utilizada no 1.º Ciclo para os professores que tinham turma!

De facto, se os critérios utilizados fossem submetidos a uma validação científica, duvidamos que algum investigador os considerasse fiáveis, isto é, que eles sejam capazes de medir o que pretendem medir: a competência para desempenhar funções, até agora consideradas pelos mais diversos governos (incluindo do partido que actualmente está no poder) como sendo de todos os docentes. Isto explica que tivessem imposto uma penalização para os professores que se recusasse a exercer qualquer dos cargos para que fossem “eleitos” pelos pares (na verdade muitos eram “nomeados” pelos pares pois eram eleitos sem nunca terem sido candidatos! Que conceito de democracia!).

Afinal, até ao presente e aos olhos dos governantes que foram passando ela pasta da Educação… todos os professores serviam e tinham igualmente competência. Porém, esta iluminada Ministra, considerou que não era bastante… E aqueles que exerceram, quantas vezes sem o profissionalismo que lhes era devido porque “meteram o pé na poça” “até dizer chega!”, são hoje os que têm vantagem no concurso para Professor Titular, quando afinal, desempenharam cargos cuja performance nunca foi avaliada

Como poderemos nós aceitar que a nossa iluminada Ministra tenha a coragem de dizer que valoriza o efectivo exercício de funções com os alunos quando decidiu atribuir maior pontuação aos docentes que exerceram de cargos de “direcção” (sejam eles quais tenham sido porque foram remunerados por isso!) do que aos docentes que se envolveram directamente na formação dos seus alunos, que se empenharam e se esforçaram (dando tudo o que podiam de si, trabalhando horas e horas a fio, extra horário, quantas vezes com prejuízo para as famílias!), para levar a bom porto os projectos educativos dos agrupamentos,

 

E quantas das funções, remuneradas devidamente nos termos da lei, são agora duplamente premiadas quando não passavam de meros actos administrativos, reduzidas a apenas uma ou duas reuniões anuais, onde pouco mais têm que dirigir a reunião seguindo as regras burocráticas?!...

 

De facto, é incrível como podem ser criados critérios baseados em diferentes condições de igualdade de oportunidades. Num agrupamento onde há 30 professores, para que todos tivessem igual oportunidade de exercerem as funções de Coordenador de Conselho de Docentes, por exemplo, seria necessário deixar passar trinta anos...

Que culpa têm os professores de apenas haver eleições de 3 em 3 anos, e de terem sido os governantes a obrigar a constituir agrupamentos de grande dimensão, onde existem agora, mais de 30 professores, e apenas um coordenador de Conselho de Docentes, um conselho executivo, e os professores um pode desempenhar as funções de presidente, vice-presidente…

 

Assim, que culpa têm 30 dos professores de um Agrupamento de não terem nunca desempenhado cargos (como o de Presidente ou de Vice-Presidente do Conselho Executivo, por exemplo), se os mandatos têm a duração de 3 anos e apenas estão em análise 7 anos da carreira?

 

De facto, muitos professores foram colocados tardiamente nas escolas (por falhas no sistema de concursos da responsabilidade da administração educativa) e agora vêm-se penalizados por não terem tido a oportunidade, tão-pouco, de ser eleitos para presidir a nenhum dos órgãos que agora a Sra. Ministra decidiu pontuar... Ela lá sabe porque o faz... Os que apoiam (ou apoiaram) este modelo de avaliação das competências para progredir ou não a “Professor Titular”, são cúmplices do desastre que será irreversível par ao Sistema Educativo...

Mais... Ser Presidente do Centro de Formação, tarefa essencialmente administrativa, tem tanto ou mais valor que estar com uma turma formada por alunos do 1.º ao 4.º anos?

Como podem deixar de fora da candidatura, ex-formadores de centros de formação? Nada vale ter ajudado a formar os professores, e em horário extra-escolar?

E as formações que os professores mais interessados na sua formação fizeram extra-formação obrigatória decretada pelo Ministério? Nada conta?

 

Incrível? Este concurso está viciado...

Os efeitos podem ser irreversíveis... Deveria pura e simplesmente ser anulado!

 

Como é possível que este concurso seja democraticamente aceitável se, para se ser candidato a Ministra da Educação (ou de primeiro-ministro, ou de Presidente da república), não se exige o exercício de nada na sua carreira, se pode ser a pessoa mais estúpida do país? Então até agora, jovens colegas de profissão, situados em índices remuneratórios do meio da carreira, eram empreendedores, inovadores, competentes etc… e por isso, eram convidados pelos pares a integrarem as equipas que dirigiam os agrupamentos. Agora, fruto deste concurso absurdo, e em nome da selecção dos melhores e mais competentes professores para progredirem e desempenharem as mais altas funções dentro do sistema educativo (lugares de direcção…) todos esses candidatos que poderiam ter acumulado imensos pontos (por sorte ou ironia do destino) apesar de eleitos (numa perspectiva de escola democrática) são expulsos por uma Ministra que, por decreto determina quem é ou não é competente… realmente, pensávamos que era apenas no futebol que os jogos se ganhavam na secretaria… Começa a fazer falta uma investigação do tipo “Giz Dourado” para apurar que interesses se movem por detrás de toda esta bagunça…

Em suma… Quem querem enganar com esta farsa? Estamos convictos de que, se os professores tivessem a mesma oportunidade de aceder aos canais de televisão, como é dado a uns tantos incompetentes, que usam as ondas hertzianas para nos inundar com disparates (estamos a lembrar-nos de Miguel de Sousa Tavares, por exemplo), nem mesmo o Zé‑povinho se deixaria enganar!

...

publicado por J.Ferreira às 19:20

30 Maio 2007

Para avaliar a competência desta Ministra, uma questão pertinente nos invade a mente. Será que a nossa Ministra da Educação é verdadeiramente competente ?

Antes de trentar saber a resposta, perguntemo-nos todos:

Teria a Senhora Ministra, usado os critérios "objectivos" (diz ela!) que criou, conseguido chegar a Professor Titular ?

A resposta não a conhecemos, mas, com toda a sinceridade, duvidamos! No entanto, e ndependentemente da resposta, temos como base que este concurso, fundado nos critérios que a Senhora Ministra (e seus "amigos"!) mais do que um Absurdo é uma Aberração e uma Injustiça.

 

Creio que devemos reflectir sobre o Concurso para Professores Titulares questionando-nos seriamente:
Que visa este concurso? O Reconhecimento da Competência Pedagógica (experiência do trabalho directo com os alunos como referia a Ministra) ou a Legitimação de uma Teimosia e Demonstração da Prepotência Governamental?
...

Em Portugal nos últimos anos, em política educativa, não se fala em mais nada senão na necessidade de avaliar tudo e todos… A avaliação tornou-se uma obsessão…!

Apesar de, periodicamente, assistirmos a escândalos que envolvem dinheiros públicos, da mais variada natureza (sejam subvenções, acumulações, contratações…) continuamos a ter políticos e governantes que mantêm de forma estranha e incompreensível, cargos que atentam contra uma boa administração dos dinheiros públicos… Apesar destes escândalos que envolvem os impostos dos contribuintes, não surgem leis capazes de pôr termo à contínua devastação dos dinheiros dos cofres do Estado.

Em contrapartida, temos políticos e governantes a insistirem repetidamente na necessidade de se fazerem cortes nos investimentos que deveriam ser realizados na Educação para se formarem cidadãos mais competentes e capazes de contribuir para o desenvolvimento de Portugal. Antes, apontam as suas armas aos professores! Parecendo ter engolido a “cassete da avaliação”, os governantes responsáveis pelas políticas educativas, nada mais fazem senão tentar encontrar meios de desvalorizar a carreira docente e despromover socialmente os professores, para criar as condições de desvalorização da sua função, e, consequentemente, preparar o terreno social para a imposição de medidas que atentam contra os seus legítimos direitos...

Perguntamos: Quem e como são avaliados os políticos e os governantes? 

Pelo povo, nas eleições… dirão imediatamente.

Que romântico… Isso é que é avaliação!... Avaliação estranha, esta, em que uns tantos políticos "postos na rua" numas eleições (considerados incompetentes pelo povo!) voltam a ocupar as cadeiras do poder nas eleições seguintes… Pois… pois… E depois, não admira que exclamem por aí indignados por, de um momento para o outro, passaram “de bestas a bestiais” e “de bestiais a bestas!”

 

É este o mesmo tipo de avaliação que querem agora impor aos professores. Por isso, confrontamo-nos hoje com professores que, sendo detentores de um currículo invejável (ao nível científico, pedagógico e didáctico), logo… bestiais, se vêm qualificados como não tendo um currículo que valha “um chavo, logo… bestas.

E o contrário… claro, obviamente. Por isso, este concurso, parecendo baseado na meritocracia, não passa de um concurso perverso, em que as pessoas são avaliadas com base em critérios no mínimo arbitrários que chegam a ser contraditórios, na sua essência, com o preâmbulo da lei que o regula …

O concurso para Professor Titular é, assim, fundado na mais incrível presunção de que o povo acredita que “se o diz a Ministra da Educação… logo ela tem razão.”

Pois, quanto a nós, estamos convencidos de que existe aqui um grande erro pois, cremos que “com esta Ministra … a Educação vai ser Sinistra!”

 

Se é verdade que vivemos num reinado de uma Ministra da Educação que se julga poderosa, como se fosse uma “rainha-sol”, não é menos verdade que os portugueses, que sempre contaram com os professores, não parecem estar muito preocupados.

É que “os ministros passam e os professores ficam”… Acreditando que muito do que destruiu neste mandato será reconstruído por alguém que a seguirá, a Ministra poderá ficar para a história… mas a sua obra, duvidamos que se perpetue na memória.

 

 

Detenhamo-nos sobre a última invenção (receita educativa?) do Governo chefiado por José Sócrates:

Criação da Categoria de "Professores Titulares".

Justifica-se a criação de uma Nova Categoria dentro da classe docente?

Afinal, o que se pretende das Escolas? Cooperação ou Conflito?

Não chega já a agressividade que as escolas importam da sociedade?

Que critérios para se decidir da competência para as funções a desempenhar?

Para encontrar suporte para esta aberração, a Ministra tenta fazer passar a ideia de que o concurso se fundamenta em dados objectivos que demonstram a competência (?!...) dos que serão seleccionados para o desempenho das funções de chefia e coordenação pedagógica.

Nada mais absurdo e subjectivo, bastando para tal afirmar que o desempenho do cargo de formador no âmbito da formação contínua (tão propagandeada nos últimos 15 anos pelos governantes como imprescindível e fundamental), funções directamente relacionadas com a qualidade pedagógica da educação ministrada nas nossas escolas, não conta nem um ponto para os formadores, apesar de terem sido, nos termos da Lei, credenciados pelo Conselho Científico-pedagógico da Formação Contínua.

Porém, veja-se como, inexplicavelmente, os Directores dos Centros de Formação, que exerciam funções muito menos fundamentais para a prática pedagógica, cargo cujas funções bem poderiam ser desempenhadas por não docentes, pois apenas lidavam com números e mais números (de docentes, cursos, escudos ou euros...), aparecem referenciados (leia-se, premiados pela Senhora Ministra!) com pontos e mais pontos... Justiça? Isto?

Mais...

Com que regras se vai determinar se este ou aquele tem perfil para dirigir, governar, coordenar... etc. etc.? Pelas faltas? Mas, então, a competência obtém-se pelo simples facto de se ter uma boa saúde... residir perto da escola (só assim será assíduo a 97%) para que não corra o risco de ter uma avaria na viatura, um furo no pneu que o faça chegar atrasado, um atraso nos transportes públicos, etc. e assim ter de comunicar faltas... ainda que sejam por desconto no período de férias. Qualquer cidadão se indignaria se fosse penalizado pela simples razão de ter gozado um dia de férias! Pois, um professor que goze um dia de férias, será francamente penalizado e pode mesmo ser impedido de aceder ao topo da carreira por ter gozado férias repartidas!...)

Se a Ministra pretendesse, de facto, valorizar a competência pedagógica, deveria dar-se maior valor ao trabalho efectivo com os alunos... Mas, não! Afinal, analisando os critérios objectivos (apenas no entender da Ministra... e de outros tantos, certamente beneficiados!...) o que mais se valoriza são os cargos em que não há trabalho directo com os alunos. A comprovar esta afirmação, veja-se:

Ter sido Presidente do Conselho Executivo, conta PONTOS todos os anos. Não contentes, ainda podem somar PONTOS pelos cargos (ainda que administrativos!...) que acumularam... Incrível?!... Veja-se o texto da Lei:

Art. 10º do Concurso a Professor titular:

5. Na experiência profissional são ponderados:
(...)

d) O desempenho de cargos de coordenação e supervisão pedagógica em estabelecimentos públicos do ensino não superior;

e) O exercício de funções nos órgãos de gestão e administração do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, bem como de Director do Centro de Formação de Professores das Associações de Escolas;

11. Na ponderação dos factores constantes das alíneas d) e e) do n.º 5 são contabilizados
todos os cargos ou funções exercidos, ainda que em acumulação.

Afinal... com quem terá negociado a Senhora Ministra estes Critérios...?

Deixo-vos o inigma (?!). Analisem os beneficiados... e tirem a conclusão.

Verifiquem "o valor dos pontos" e "a quem são atribuídos" por cada ano de desempenho do "cargo":

7 pontos ---> Presidente da Assembleia

9 pontos ---> Presidente do Conselho Executivo

2 pontos ---> Presidente da Comissão Executiva Instaladora

9 pontos ---> Director Executivo

7 pontos ---> Vice-Presidente do Conselho Executivo

7 pontos ---> Adjunto da Direcção Executiva Instaladora

7 pontos ---> Membro da Comissão Executiva

7 pontos ---> Presidente do Conselho Pedagógico

7 pontos ---> Director de centro de formação

2 pontos ---> Representante dos docentes na Assembleia

2 pontos ---> Encarregado de direcção de escola do 1º ciclo

2 pontos ---> Director de escola do 1.º ciclo (<3>2 lugares)

4 pontos ---> Coordenador de estabelecimento

3 pontos ---> Assessor do Conselho Executivo

6 pontos ---> Coordenador do conselho de docentes

3 pontos ---> Coordenador de ano

3 pontos ---> Coordenador de ciclo

                  Uma única vez, sem acumulação...!

8 pontos ---> Exercício efectivo de funções lectivas (Público)

pontos ---> Exercício efectivo de funções lectivas (Noutros)

6 pontos ---> Exercício de funções dirigentes no Ministério

2 pontos ---> Exercício de outras funções  

 

Note-se que os pontos são atribuídos, de acordo com a ideia genial da Senhora Ministra, por ano de desempenho do cargo, isto é, independentemente da qualidade com que foi desempenhado...

Pergunta-se:

Estará verdadeiramente a Senhora Ministra preocupada com a qualidade dos chefes que pretende nomear?

Mas que relação terá o facto de um indivíduo ter sido bafejado com "saúde" e, como tal, ter tido a possibilidade de faltar pouco nos últimos 7 anos, com competência para o exercício de cargos? E se adoecer a partir do próximo, durante um ou mais anos? Continuará competente? Já não há `problema com as faltas ou agora um professor vai passar de de incompetente a competente e de competente a incompetente (de bestial a besta e de besta a bestial) num simples esfregar de olhos?

É Incrível, Senhora Ministra... Incrível...!!!! Pois bem. Mas... continuemos.

Estará a Senhora Ministra interessada em saber da valia das pessoas?

Não...! De modo algum!... Pois bem... Estamos mais que seguros de que, se para alguma coisa vai servir este concurso, não será certamente para descobrir quem são os professores mais competentes em cada uma das áreas.

Mas para algo ele pode servir aos portugueses: ajudar a desmascarar a (in)competência da Senhora Ministra. Precisava de facto de fazer uma formação em "critérios de selecção de pessoal", para o que a aconselhamos vivamente a fazer um cursinho de Gestão de Recursos Humanos!

Mas este concurso vai servir para algo. Para financeiramente determinar quem vai ou não progredir de escalão nos próximos anos e até que esta absurda carreira seja de novo recolocada no patamar de prestígio que merece.

Veja-se só...

Quantos pontos valeram as acções de FORMAÇÃO CONTÍNUA efectuada pelos professores para além da mínima necessária à progressão nos anteriores escalões, e tão propalada como fundamental pelos políticos nos quais se inclui agora a Senhora Ministra? ZERO PONTOS!...

Claro... Como era tão importante fazer a formação contínua... Como enganaram os profesores que para a frequentarem usaram dos seus dias de falta por ocnta do período de férias... e agora se sentem duplamente enganados com a aplicação retroactiva dos critérios inventados por esta (?!) Ministra da Educação.

E, contrariamente ao que pretendeu dar a entender, havia avaliação dos docentes enquanto formandos por parte de formadores acreditados pelo conselho científico-pedagógico da formação contínua, onde têm assento uns tantos professores doutorados, tão competentes como a Senhora Ministra!

Concurso para Professores Titulares: para quê? Com que objectivos? Com que regras...?  Uma pergunta se coloca: Que se pretende afinal?

 

 

Com o Concurso para Professores Titulares o “Governo pretende dotar as escolas de um corpo de docentes altamente qualificado, com mais experiência, formação e autoridade. Segundo o ME, caberá a este corpo de docentes assegurar em permanência as funções de organização das escolas, para a promoção do sucesso educativo, a prevenção do abandono escolar e a melhoria da qualidade das aprendizagens.” Cf (Joana Santos, www.educare.pt, 29 de Março de 2007 )

Mais um insucesso do Governo. Temos quase a certeza de que Sócrates e a sua equipa já devem ter o discurso que culpabilizará os professores pelo fracasso de mais esta grande ideia do seu Governo.... Porém, um dia os professores vão "fartar-se" de desempenhar as função de bode expiatório para as desgraças da política educativa causadas por sucessivos governantes responsáveis pela pasta da Educação neste país, que nada mais fazem que mudar sistematicamente de estratégia, de concepção e de objectivos, conduzindo a Educação dos nossos filhos para o abismo. Aos professores nunca lhes é pedida a sua palavra. Aos pais até se pede que avaliem os professores...

Creio que mesmo um qualquer analfabeto, entenderia facilmente a falácia da proposta de Reorganização da Carreira Docente que o Governo enviou para a Comunicação Social. Ela visa, apenas e só, entulhar as mentes dos portugueses (sobretudo os pais) com falsas verdades... Discursos "para Inglês ver"... Até agora, eram as universidades que formavam os cidadãos dotando-os das competências necessárias para ocuparem cargos de responsabilidade.

Agora, imagine-se só... um profissional reconhecidamente competente, que tenha desempenhado cargos variadíssimos até 1999, mas que, fruto da cooperação dos professores e do princípio da rotatividade implementado nas escolas, não tenha desempenhado mais nenhum cargo desde 1999 (porque é legalmente impossível em apenas 7 anos possibilitar que todos desempenhem tais cargos) vai ser penalizado. Isto porque não terá forma de apresentar os tais pontos que a Ministra inventou como critério ARBITRÁRIO e SUBJECTIVO (ainda que tente, pela sucessiva repetição, fazer crer que é objectivo).

Exemplificando: Em cada agrupamento apenas existe um lugar para o cargo de Presidente do Conselho Pedagógico e um (ou dois) de Presidente de Conselho de Docentes. Ora, havendo mais de 20 professores, como quer a Senhora Ministra que um cargo que pode ter a duração de 3 anos seja desempenhado em apenas 7 anos por tais de 3 professores? E os outros 27 professores? Será justo penalizá-los quando não tiveram a oportunidade de desempenhar nenhum dos cargos que a Sra Ministra se lembrou de valorizar...?

Num Estado de Direito Democrático que se deveria pautar pelos princípios da transparência e da igualdade, da equidade e sobretudo da boa-fé, não deveria nunca ser aceitável que um cidadão fosse penalizado por não ter executado algo cuja execução lhe estava vedada... Com efeito, para que todos os professores tivessem igualdade de oportunidades de exercerem os cargos seria necessário, no mínimo, a análise curricular que abrangesse, no mínimo, 20 a 25 anos...!

E, se juntarmos a isto o facto de muitos professores terem sido obrigados pelo sistema de colocações vigente até ao momento como se pode exigir dos professores o exercício de cargos para os quais já havia outros nomeados nas escolas onde eram colocados em Setembro, Outubro, Novembro ou até mesmo mais tarde, a quem ao longo de todo o ano, servem o sistema, percorrendo longos quilómetros para "tapar buracos" quando uma cidadã passa temporariamente de docente a parturiente ou, ocasionalmente, de docente a doente...?

Será que podemos penalizar os professores que estavam nestas situações quando o sistema de concursos era totalmente da responsabilidade dos governantes (alguns dos quais se passeiam ainda pelas cadeiras de S. Bento...) numa clara incompetência para solucionar o problema das colocações, "calcanhar de Aquiles" dos mais diversos governantes que assumiram a pasta do Ministério da Educação?

Então os professores que foram obrigados ao nomadismo (de que as etnias já há muito prescindiram), exercendo as suas funções como se fossem saltimbancos (de malas às costas, de maço para cabaço) são agora penalizados pelas regras absurdas do sistema de concurso a Professor Titular?

Tudo por culpa do Ministério da Educação que, incapaz de solucionar as colocações dos professores, recusava-se a abrir vagas para que efectivassem, criando condições de continuidade e de estabilidade dos docentes para uma melhor sucesso escolar...

Aliás, como se pode pretender que professores acabados de chegar às escolas sejam eleitos para cargos cuja periodicidade pode ser de dois ou três anos?

Como podem professores itinerantes, que nem conhecem os colegas da escola onde chegam nem a comunidade educativa, ser eleitos em anos em que não á eleições, ou ser nomeados para cargos e assim desempenhar as funções que agora a Senhora Ministra, injustamente, se lembrou de pontuar para este concurso? Que democracia vivemos? Como se pode fazer uma lei com implicações nas carreiras profissionais, baseada em percursos que se sabe que seria impossível todos rtertem feito?

Muitos professores investiram na formação contínua propagandeada pelo Estado...

Por que motivo a Senhora Ministra não valorizou os créditos obtidos no âmbito da formação contínua (a que todos tinha acesso e que o Estado tinha apontado como importantes para a melhoria do processo educativo e dos resultados escolares dos alunos) não utilizados pelos professores para progressão na carreira?

Ora bolas... Vão lá atirar com engodo aos olhos do Zé-povinho. Os professores estão fartos de ser injustamente culpabilizados e penalizados pelos governantes que mudam de ideias como quem muda de camisa...

Analisemos agora as faltas, outro critério tido pela Ministra como justo e revelador (...?!) da competência.

Veja-se bem como o patrão dos professores (Estado, que pretende passar uma imagem de tolerância) é o mais intolerante que se pode imaginar.

Qualquer cidadão em qualquer empresa apresenta um número muito mais elevado de faltas que os professores. Se tivermos em conta que os professores são obrigados a registar a falta a uma hora, ainda que por apenas 5 ou 10 minutos de atraso. Dificilmente se encontra este tipo de coisas nas empresas particulares... Será que mais vale deixar os alunos os restantes 50 minutos sem aulas e usufruir da falta que nos foi marcada? Nenhum professor o faz... Claro que os professores circulam na via pública e em transportes públcos como os restantes cidadãos, e como tal, estão sujeitos ás contingências do quotidiano de qualquer cidadão (furos nos pneus, avarias do automóvel, atraso do transporte público, acidentes, derrocadas, quedas de árvores...) Com uma diferença: se chegam atrasados por , 5 ou 10 minutos, têm que comunicar falta a uma hora... É o minimo que a lei permite apresentar... ainda que esteja a trabalhar os restantes 50 minutos, de nada lhe serve. Qualquer patrão relevaria um atraso de 10 minutos por culpa de um autocarro que se atrase, de um acidente, de um furo etc... etc... Os professores, têm de comunicar a falta a uma hora, até ao máximo de 20 horas nessa situação. Depois, com cinco situações de 10 minutos, têm 5 dias de falta quando um outro cidadão teria 50 minutos...

A partir daí, por uns 5 ou 10 minutos de falta têm que comunicar um dia! Apontem uma única empresa privada onde um atraso de 10 minutos, devidamente justificado (atraso ou avaria do transporte público, engarrafamento, acidente, ou qualquer outro motivo inesperado) e em que o funcionário trabalhe o resto do dia, seja considerado pelo patrão como falta de um dia ... Duvido que haja. Pois é assim que o Estado age.

Atraso de 5 ou 10 minutos e o cidadão (funcionário público) é obrigado a comunicar uma falta a um dia. Percebem a lógica? Não? Nem nós... Pois bem... Se a entidade patronal contasse um atraso de 5 ou 10 minutos como falta a um dia de trabalho, que faria o trabalhador? Ao ver que chegaria atrasado, deixaria de trabalhar as restantes 7h e 50 minutos do seu horário e regressaria a casa. Assim, ainda poupava o esforço, as filas de trânsito, o gasto da gasolina e ... Perceberam?

Que faziam os professores? Profissionais com brio e deontologia que são na maioria, iam trabalhar à mesma. Em vez de darem meia volta e poupar a gasolina... lá íam trabalhar... Que agradecimento? Aí está ele. São rotulados pela Ministra de faltosos... Faltando à verdade, publicou as faltas dos professores incluindo nelas as licenças que todos os cidadãos têm, tais como de falecimento de familiares, consultas pré-parto, por maternidade, ... etc.

Mordomias para os professores...? Onde estão elas? Apenas na obrigatoriedade de isto e de mais isso e de aquilo...

Para acabar com os falsos moralistas da nossa sociedade, daqueles que estão sempre prontos a julgar os outros, seria um acto de seriedade que o governo tivesse a coragem de fazer e se deixasse de hipocrisias, apresentando um estudo estatístico das faltas ao emprego por parte dos cidadãos comuns. Para isso, bastava ir verificar e contabilizar os dias de descontos para a Segurança Social. Verificando as folhas dos descontos para a Segurança Social depressa se aperceberiam de que os portugueses das empresas privadas faltam muito mais que os funcionários públicos.

Não temos a mínima dúvida que assim é. É que, para a Segurança Social ter caminhado para a falência, das duas uma: ou não descontam de todos os dias que trabalham, ou faltam ao trabalho que se fartam!... E ainda têm um olhar de censura sobre profissionais que faltam, de facto, menos do que as estatísticas apontam pelos motivos acima expressos.

A injustiça espelha-se nas leis deste governo. É o laxismo para com os alunos (as ausências dos alunos noutros países europeus têm de ser justificadas cabalmente pelos pais) e o rigor excessivo e desproporcional (quase mesmo desumano) para com os professores que, agora, uma forte dor de cabeça já só pode ser motivo se for para faltar, não apenas uma hora por conta do período de férias) mas dois ou três dias pois terá de se deslocar ao centro de saúde, marcar a vez, esperar que haja consulta nesse ou no dia seguinte e, depois, aparecer na escola com o atestadito de médico.... Valha-nos Deus... Uma falta que apenas seria de uma hora passará a ser de dois dias... E diz a ministra que é para moralizar...? Só faltava incluir na lei que todo e qualquer docente só se pode ausentar da escola se sair numa ambulância do INEM?

De facto, os alunos agora até poderão faltar mais de um terço do tempo lectivo... Mas os professores, esses adeptos da falta, esses criminosos, há que obrigá-los a ir para a Escola nem que seja de muletas ou de cadeira de rodas, carregados de febre e a tossir, com varicela ou uma qualquer outra virose... Há que obrigar esses preguiçosos a cumprir o máximo de presenças pois para a Senhora Ministra da Educação, presença é prova de competência.

Esta sua concepção é das mais retrógradas que algum dia se viu. Aliás, não é por acaso que serve de base a muitas anedotas sobre os funcionários públicos: "cumprem horários": nunca chegam "à hora" e saem "à hora"; nunca entram antes nem saem depois, porque isso não é cumprir! Pouco importa o que fazem ou a qualidade com que o fazem... Se em meia hora um faz o dobro do outro no dia inteiro... Para esta Ministra, o importante é a Assiduidade! Esta concepção retrógrada é precisamente a que é valorizada pela Senhora Ministra.

Aliás, os alunos serão as primeiras vítimas desta concepção. Imaginamos já os professores carregados com uma forte dose de gripe a chegarem sob o efeito de medicamentos, mais parecendo drogados (ou terroristas biológicos) a ajudar na proliferação das gripes. Que pena, dirão alguns, não ter eu a gripe das aves no dia em que a Senhora Ministra visitasse a minha Escola...! Talvez lhe servisse de lição e assim revogasse imediatamente a lei... Será que ainda assim o faria? Se "sim", por que espera para pôr termo a este aborto legislativo?

Ainda que nenhum aluno lá esteja, o professor tem que lá estar... para pregar às moscas! Viva a Assiduidade! Viva o entrar e sair a horas, ainda que nada se faça! E são estes os nossos governantes... É este o Governo que temos... Mas, será verdadeiramente este o Governo que merecemos?...

Mais… Sabendo que as urgências dos hospitais são os locais onde se reúnem o maior número de vírus, deixamos‑te um alerta. Se és professor, nunca arrisques a levar os teus filhos ao hospital. Não terás nenhuma desculpa no caso de teres ficado doente contaminado pelos outros que ali esperam horas a fio… Ou então, faz como os verdadeiramente grandes. Como o que está a dar é meter mega-processos contra o Estado, inventa um desses processos incríveis, obriga a sentar o vírus no banco dos réus, e tenta extorquir do Estado uma boa maquia que te compense. Parece que é o que está a dar… Pedir indemnizações atrás de indemnizações e o Zé-povinho é que paga… Incrível!
Outra… Se és professor e assististe a uma tentativa de “assassinato”, “assédio” “violação”, atropelamento, acidente, etc…, ou o que quer que seja, e te pedem que testemunhes, diz que nada viste e nega-te a dar o nome! Só assim te escaparás de faltar às aulas e ser responsabilizado pelas faltas a que a lei te irá obrigar…! Incrível!
Diz o governo que os critérios são objectivos…. “de forma a seleccionar os docentes que, pela análise dos elementos do seu currículo profissional, mostrem estar em melhores condições para exercer as correspondentes funções no início do próximo ano lectivo.” Incrível.

Então, para ser um bom profissional, a formação nas mais diversas áreas não conta nem um ponto…? Ser formador de centenas de professores não vale nada? Então um formador que coordenou grupos de trabalho de docentes agora não serve para coordenar as estruturas pedagógicas e vai ser coordenado por um dos seus formandos? Incrível.
E o rol não teria fim. Afinal, quem são estes senhores que diziam que os professores progrediam todos sem regras? Havia sim, regras mais fidedignas para ascender que as que agora vão ser colocadas em acção. Só com uma diferença. Agora, há lugar para a injustiça, para a discriminação (apenas alguns anos são considerados por preguiça ou incompetência para verificar os dados!), e, quiçá, para o compadrio ou até para a corrupção. Incrível.

Antes, os professores (por determinação dos governantes, diga-se!) se queriam progredir, tinham que frequentar formação… E, apesar de teoricamente terem direito a oito dias por ano (para formação em horário laboral), a verdade é que a formação era feita sistematicamente em horário pós-laboral... Recordamos ainda o quanto nos custou frequentar uma formação durante 11 sábados consecutivos (3 horas de manhã e 3 horas de tarde)! Quantos outros profissionais estariam dispostos a sacrificar 11 dias inteiros do seu tempo livre ainda por cima ao sábado? De facto, embora a lei prevesse que pudesse ser em horário laboral mas depois nunca havia formadores disponíveis nem formandos que, mercê da sua consciência profissional, estivessem disponíveis para faltar às aulas e prejudicar os seus alunos para poderem fazer a formação em horário escolar.

Nos países verdadeiramente avançados (como a França em que frequentei uma formação em horário de trabalho com os formadores e os inspectores franceses a coordenarem a formação!) a formação não é feita nem ao fim de semana nem ao fim do dia, depois de uma jornada esgotante... Como querem maior qualidade se obrigam as pessoas a fazerem formação depois de um dia de desgaste?

publicado por J.Ferreira às 18:20

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