"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

03
Set 14

No Brasil... Alexandre Garcia é um homem corajoso que coloca o dedo na ferida em diversas matérias a que a Educação não escapa. No vídeo que apresentamos, surge, uma vez mais, com um discurso de "partir a loiça" toda. Talvez também por isso lhe calaram a voz na TV Globo.

Alexandre Garcia afirma que o "professor é qualidade... e não é apenas salário!". Pagam-lhe o mínimo porque não lhe podem pagar pior!!! Ele fala do professor como "construtor do país... do futuro"... Diz que o professor "precisa de salário que lhe dê tranquilidade para viver e leccionar!" e, ainda que usando argumentos menos fortes, explica: "Para que possa se vestir dignamente, à altura da nobreza da profissão".

É um pouco isto (e muito mais) que o espera... E não tem papas na língua, colocando o dedo na ferida, atingindo os senhores do poder...  dos interesses... dos (des)governantes.

 

 

"Os portugueses têm uma confiança moderada no seu sistema de ensino e a maioria não quer que os seus filhos sejam professores."

"Estas são duas das conclusões do primeiro estudo internacional que compara as atitudes em relação aos docentes em todo o mundo."

 

As duas afirmações anteriores constam de um relatório publicado em 2013 o qual nos leva a concluir que, em Portugal, apesar dos discursos falaciosos dos governantes entre 2005 e 2011, por parte do então primeiro-ministro, José Sócrates, da pessoa que escolheu para Ministra da Educação do seu primeiro mandato (Maria de Lurdes Rodrigues) e de alguns Secretários de Estado (como Valter Lemos) o estatuto dos professores anda pelas ruas da amargura. O pior é que o estatuto actual dos professores não foi fruto de uma constatação realizada pelos portugueses em geral, sejam pais e encarregados de educação ou não. Esses valorizavam os professores. O estatuto actual dos professores é, antes, o resultado de uma acção política intencional (irresponsável..:!!) levada a cabo por alguns (des)governantes (alguns deles, com certificados e diplomas foram questionados na sociedade nesse mesmo período, contrariamente aos dos professores profissionalizados pelas universidades cuja certificados nunca foram alvo de qualquer suspeita.).

 

Falta coragem ao ministério da educação para colocar um ponto final na degradação que políticos anteriores provocaram num grupo profissional brioso, que trabalha sem os recursos necessários e que, com os parcos de que muitas vezes dispõe, faz autênticos milagres educativos. Enquanto tal não se verificar, o Estatuto dos professores em Portugal continuará a degradar-se, visivelmente, ano após ano! No mesmo período em que Portugal espezinhava os seus professores, em Espanha, passavam spots na rádio com mensagens com sentido exactamente contrário: valorizando os professores. Com mensagens aludindo aos progressos políticos, sociais, económicos e culturais da Espanha, pronunciavam frases que sempre começavam por "Gracias a nuestros profesores..."!

 

Samuel Silva (jornalista do jornal “Público”) divulgou um Estudo Internacional pioneiro que avaliou atitude das sociedades de 21 países em relação aos seus docentes e sistema educativo, o qual conclui que o estatuto social dos professores em Portugal se encontra entre os mais baixos do mundo. Os professores portugueses estão no último terço da tabela. Seguem excertos do texto da notícia com algum comentário à mistura:

 

Portugal é um dos países em que o estatuto social dos professores é mais baixo, situando-se no último terço do ranking divulgado nesta quarta-feira. O estatuto social dos professores em Portugal é o 14.º do mundo, numa lista com 21 países, conseguindo um resultado mais baixo do que a maioria dos seus parceiros europeus como Espanha, França ou Finlândia. Ainda assim, os docentes nacionais conseguem melhores avaliações do que os colegas da Suíça ou da Alemanha, cujos sistemas de ensino costumam aparecer bem cotados nos relatórios PISA, da OCDE, bem como do Japão e da Itália. O ranking é liderado pela China, seguida da Grécia, Turquia e Coreia do Sul. O pior resultado é o de Israel, seguido de Brasil e República Checa.

Estes dados foram recolhidos pelo Varkey GEMS Global Teacher Status Index, o primeiro estudo de sempre sobre o estatuto social dos professores que tenta comparar as atitudes em relação aos docentes em 21 países. Tendo por base inquéritos de opinião realizados junto das populações, os autores do trabalho concluem que a maioria dos portugueses não quer que os seus filhos sigam a carreira docente.

Confiança "moderada" no sistema
Os portugueses mostram também uma confiança “moderada” no seu sistema de educação – ainda assim com melhores resultados que estados como a Alemanha, Itália, França, Espanha e Grécia –, mas dão nota positiva aos professores, a quem atribuem um nível de confiança de 6,5 (numa escala de 10), o segundo mais alto a nível europeu. “Isto sugere que Portugal deposita maior confiança nos seus professores do que no sistema de ensino”, salientam os autores.
Os cidadãos nacionais acreditam que o salário “justo” para os docentes seria significativamente superior àquele que estes realmente recebem. 

 

"Outra conclusão do relatório aponta para o facto de a generalidade dos portugueses apoiar um sistema de vencimento em que os professores sejam pagos em função da performance dos alunosQuase 80% dos inquiridos estão de acordo com a medida, o valor mais alto em todos os países europeus avaliados, cuja média é de 59%.

 

 

Comentário: Então, se um professor conseguir que os seus alunos passem de notas médias de 7 ou 8 para médias de 13 e 14 deve ganhar menos que um professor que tem alunos com médias de 18 e que passam para 16 valores no final do ano? Por outro lado, é legítimo e lógico perguntar imediatamente: Quem quereria leccionar nas escolas de bairros degradados?? 

 

 

"O documento mostra que há diferenças significativas no estatuto dos professores a nível mundial, mas “não é clara a correlação entre o estatuto social dos professores e os resultados dos estudantes”, apontam os seus autores, mesmo nos países em que já existe uma relação entre os vencimentos dos docentes e a prestação dos seus alunos."

 

"O relatório conclui também que não existe uma associação estatística entre o desempenho dos sistemas de educação nos relatórios PISA e o nível de confiança de uma população nos seus professores."

"Este estudo foi realizado pela Fundação Varkey GEMS Foundation, uma organização sem fins lucrativos, do grupo GEMS Education, criada para melhorar os padrões de educação para crianças desfavorecidas. Uma das variáveis analisadas foi o nível de respeito dos estudantes em relação aos professores, que atinge valores mais baixos na Europa. No que toca à confiança, os docentes recebem nota positiva em todos os países analisados. A média é de 6,3 e nenhum país avalia em menos de 5 os professores, com a Finlândia e o Brasil a liderarem a lista."

 

publicado por J.Ferreira às 23:15

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