Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

27 Março 2011

Quando analisamos o acordo ortográfico (que, como tudo, tem também algumas vantagens) sentimos que os argumentos utilizados são, no mínimo, caricatos. Já há meses que tínhamos escrito um texto sobre este Acordo da Discórdia intitulando-o com uma questão: "Camões Assinaria o Acordo Ortográfico?". É, pois, incrível que se tenha alterado a escrita a que nos habituamos a defender enaltecendo, com orgulho, as raízes da nossa Língua. Afinal, parece que nos rendemos aos outros países lusofalantes que, querendo usar a nossa língua, querem subjugar a sua escrita a interesses simplistas e facilitistas, tendo como base o facto de que não fazem falta as letras que se não pronunciam...

Ora, se houvesse alguma coerência nestes argumentos nada do que segue se poderia ter mantido...

Assim, se fosse verdade o argumento utilizado (o de que as letras que se não lêem ou pronunciam devem ser eliminadas das palavras) perguntamos:

 

1. Por que é que se não muda o "d" para "dj" ou "ch" todas as palavras em que os brasileiros (que falam mais como os galegos que dizem "douche" ("dou-te") lêem e pronunciam "ch" ou "dj" em vez de "d"?

 

2. Por que é que não se elimina o "r" final do infinito dos verbos (e outras palavras terminadas em "r" como "professô", "doutô" etc.) já que os brasileiros não as pronunciam e dizem "você vai viajá (viajar) à Katá (Katar) pra vê (ver) a sua Chía (tia)?

Por que é que não se mantêm o trema nas palavras que tinham os brasileiros em que o u se lê como "frequente" (no Brasil escrevia-se freqüente) já que afinal, nesta (e muitas outras) se lê o "u" e em "quente", "apoquente" não se lê o "u". Ora, com os "olhinhos" em cima do "u" ficaríamos todos a ganhar (e facilitaria aos estrangeiros a compreensão da regra de que o u não se lê em conjuntos como "gue" ou "gui", "que" ou "qui" ?

 

3. Por que razão não mudamos todas as palavras que acabam em " L " para a letra " U " (incluindo o nome do país dos nossos irmãos do outro lado do Atlântico que se escreve Brasil mas que pronunciam "Brasiu")? Não acham que seria simplificar e uniformizar mais a língua falada com a língua escrita se acabássemos com todos os grupos consonânticos acabados em "L" (que passariam a terminar em "U") e assim simplificávamos mais uma catadupa de palavras, descaracterizando a origem do nosso idioma...? (Enfim, ironias...) E a "Rainha Santa Isabel" passaria a ser Rainha Santa "Isabéu"!... Não acham que seria giro?... Aliás, as palavras acabadas em "EL" teriam uma maior semelhança com a pronúncia de certas palavras do país vizinho ( O final do nome  "Isabel" passaria a pronunciar-se exactamente como o nome do estádio do Real Madrid "Santiago Barnabéu" o que nos ajudaria, já agora, a uniformizar a língua com o povo espanhol (leia-se com a língua castelhana!)... 

 

 

Fácil. Não acham? Ou, até não. Isto é, simplesmente, para desmontar rodo o discurso que dizem ter sido excluídas determinadas letras porque não se pronunciam... Logo, a uma autêntica palhaçada!

 

Ah... E já agora, as palavras acabadas em "az" deveriam mudar para "ais" pois dizem os brasileiros que o "rapais" (rapaz) não tem culpa...! Se os mandássemos todos rapar mato no monte, teríamos ganho muito mais do que colocar esta gente a inventar (des)acordos ortográficos, sem que o povo se tenha pronunciado... Foram exclusivamente os políticos que se meteram nesta bagunça...!

 

PS: Num país "sem rei nem roque" há alguém com sentido de responsabilidade que se propõe enfrentar o triste espectáculo em que políticos com licenciaturas duvidosas transformaram a Língua Portuguesa.

 Professor de Direito defende que Parlamento deve desvincular Portugal do Acordo Ortográfico anulando os efeitos legais deste acordo.

publicado por J.Ferreira às 19:28

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