Até que o Teclado se Rompa!
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

14 Fevereiro 2014

O Terror na Escola - Menino de 6 anos agride professora e companheiros

Na verdade, a sociedade deveria questionar-se se de facto há violência escolar ou violência social.

Será que a escola provoca violência ou importa a violência da sociedade?

Talvez se verifiquem ambas as situações. Porém, a violência (seja de filho sobre pais ou de pais sobre filhos) existe muito antes ainda de as crianças entrarem na escola. Fala-se de violência escolar como se a escola produzisse violência. Nada mais falso. A escola nao é quem produz violência. Por muito que se queira fazer como a avestruz (meter a cabeça na areia e ignorar a realidade), a violência entre humanos verifica-se onde se encontram os seres humanos, sejam eles de palmo e meio ou de um século de idade.

Ora, se se verificam actos de violência na escola, há que perguntar-se a que se deve essa violência. Será que se, em vez de as crianças, adolescentes ou jovens, se deslocarem diariamente para um Estabelecimento de Ensino (escola) para aí aprenderem os conteúdos curriculares, a "instrução" académica dos futuros cidadãos se verificasse no espaço de um Estádio de Futebol, ou numa Sala de Espectáculos, num Estúdio de Televisão ou num Estúdio de Cinema,  a violência desapareceria? 

A resposta é óbvia. Nem vale a pena desperdiçar uma única letra para a deixar aqui plasmada. Por isso, cresmo que é já tempo de os nossos polítivos e responsáveis pela "Educação" das futuras gerações deixarem de falar de violência escolar. É um qualificativo que está muito mal atribuído. O que existe, isso sim, é violência infantil, violência juvenil, violência adulta e até violência senior!

Na verdade, o homem, por muito que se queira que seja tolerante, compreensivo, amigo, solidário... não deixa de ser um animal que, de uma ou de outra maneira, luta pela sua sobrevivência.

Porém, quando o que deseja se lhe apresenta de difícil acesso e o ainda não tem "inculcadas", "aceites" ou "assumidas" compreensivamente as regras sociais) é natural que utilize todas as estratégias (próprias dos animais) para conseguir o que querem.

Desta forma, é natural que no espaço escolar se produza também violência. Porém, essa violência não é uma violência escolar pois não é originada pelo currículo, ou seja, pela função acometida à escola: a de ensinar.

E não nos venham com a história de que é na escola que se educam os meninos! A função de educar seria uma tarefa babilónica se fosse deixada à escola. A educação é uma tarefa de todos pois para educar uma criança "é necessária toda a tribo". E, quando há violência na escola, nunca se viu aparecerem os elementos que constituem a tribo para assumirem as suas responsabilidades.

À escola não podem ser acometidas funções para as quais não tem, nem meios nem recursos, nem poder.

A maioria do tempo das nossas crianças, dos nossos adolescentes ou jovens é passado fora da escola. Os modelos de "educação" (ou da falta dela) estão sobremaneira presentes no dia-a-dia social: fora da escola, obviamente, seja em estádios de futebol, nas novelas ou na rua. Quando a escola entra em acção, o que a sociedade exige não é que os professores eduquem mas que consigam resultados académicos. Por isso, todo o tempo é necessário (e às vezes pouco!) para dedicar à instrução. Deixemo-nos de ilusões. Por isso, haveria que distinguir bem estas duas realidades: educação e instrução. E esta última é o que a sociedade quer ver efectiva, em última instância. E é esta que é avaliada para valorizar uma ou outra escola. Injustamente, pois o ponto de partida, os seres humanos e os recursos das famílias diferem muito de uma para outra zona geográfica. 

E esta diferenciação deveria começar logo pelo próprio nome do Ministério que tutela os estabelecimentos de ensino, mudando de Ministério da Educação para Ministério da Instrução. Seria politicamente correcto, por isso... continua-se a exigir das escolas o que lhes é impossível efectivar: a educação dos jovens. Na verdade, 22 ou 25 horas de educação competem semanalmente com muitas mais horas de deseducação (e até brejeirices) a que as crianças assistem, seja na rua, no futebol ou na televisão.

A violência acontece no dia a dia por falta de espaços adequados à convivência. E com o amento de alunos nos mesmos espaços físicos devido ao reagrupamento selvagem das escolas, outra coisa não seria de esperar senão o aumento da violência. Quando dois seres animais competem pelo mesmo espaço físico e esse espaço (recreio) é cada vez menor, não se pode esperar outra coisas senão a criação de grupos de defesa ou conquista de espaços. Estudos sobre o Bulling apontam a diminuição do espaço de lazer destinado aos alunos como uma das causas importantes para o aumento da agressividade. Assim, a política dos últimos ministros de Educação tem conduzido Portugal a um incontornável aumento da violência no espaço e escolar (o que é diferente da violência escolar). Sabemos que a diminuição do espaço de mobilidade (como aliás se passa em todos os âmbitos da sociedade) é uma das causas da agressividade entre os seres animais, sejam humanos ou não.

É evidente que uma sociedade violenta ou violentada produz casos de violência todos os dias. E ninguém se dá conta da quantidade de violência que se verifica hoje dentro das casas dos portugueses.

Hoje, muitas famílias (sem se darem conta disso!) têm em suas casas pequenos ditadores... Pequenos seres humanos que se sentem no direito de exigir aos pais tudo o que os vizinhos têm ou mostram na rua, tudo o que os colegas têm ou exibem na escola, desde "playstations" a "nintendos", de telemóveis de última geração a "tablets" ou "ipads".

Tudo o que vêem na televisão... sentem-se no direito de exigir aos seus pais... E há aqueles que, só para não terem de aturar os seus filhos, os enchem de "Sim" a tudo! Incapazes de dizer "Não" transforma as crianças em autênticas miniaturas de ditador... Que futuro terão estes pais? Que será destes filhos quando na sociedade, já crescidinhos, começarem a ouvir "Não"?

Esta sociedade transforma-se cada vez mais na realidade de que fala Javier Urra e que vem plasmada no livro "El Pequeño Dictador"... Uma obra que vale a pena ler...! Para paizinhos, sobretudo!

 

 

publicado por J.Ferreira às 14:51

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